Leia a Transcrição Completa
Raquel Anderson: Pense na sua igreja . . . ela é saudável? Veja o que Nancy DeMoss Wolgemuth diz.
Nancy DeMoss Wolgemuth: O crescimento da igreja — e não estou falando apenas de crescimento numérico, mas de crescimento espiritual, da expansão do reino de Deus e novos cristãos se juntando à família de Deus — isso é a aflição do mundo.
O mundo odeia isso, e Satanás odeia isso. Ele mobiliza todas as suas políticas, seus programas e seus poderes contra o crescimento do reino de Deus. Há uma batalha.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Render-se completamente a Deus, na voz de Renata Santos.
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Quem você consideraria um herói? Acho que, desde bem pequena, com idade suficiente para ter lembranças, meu pai já era o meu herói, porque ele era protetor, sábio e bom. Existem diferentes tipos de heróis. Alguns estão sob os holofotes, outros estão nos bastidores. Moisés é um dos maiores heróis da Bíblia, mas sua história não seria possível sem algumas mulheres humildes que trabalharam nos bastidores.
Vamos explorar o papel delas à medida que Nancy inicia esta série chamada Lembre-se de Miriã.
Nancy: Há muito tempo eu queria desenvolver um estudo sobre a vida de Miriã, uma personagem do Antigo Testamento. Então, quando comecei a estudar e a me preparar para esta série, cheguei ao primeiro incidente registrado sobre a vida dela no livro de Êxodo. Se possível, abra sua Bíblia em Êxodo, capítulo 1.
O primeiro incidente, que na verdade ocorre em Êxodo 2, é quando Miriã era uma menina, e acontece nos eventos que cercaram o nascimento de seu irmãozinho, Moisés. Você se lembra de como a vida dele foi ameaçada quando recém-nascido e de como Deus o poupou sobrenaturalmente. Ao entrar nesse estudo e começar a pensar em Miriã, percebi que Miriã é apenas uma das cinco mulheres que fazem parte dessa cena, então ampliei o estudo.
Antes de estudarmos a vida de Miriã, quero que observemos essas outras mulheres como parte do nosso estudo sobre Miriã, e que olhemos para elas não apenas para ver o que podemos aprender com o exemplo delas, mas também para compreender e enxergar o papel delas — e o nosso — em todo o drama da redenção, que é a história do grande plano de salvação de Deus ao longo de todas as Escrituras, do Antigo ao Novo Testamento.
Quero dar um pouco de pano de fundo para preparar essa história. Às vezes, nesses programas, eu digo: “Vocês todas estão familiarizadas com essa história.” E então, ocasionalmente, recebo uma carta ou ouço alguém dizer: “Não presuma que todas nós estamos familiarizadas com essas histórias.” Temos muitas cristãs jovens, muitas mulheres que não estão familiarizadas com as Escrituras e que estão ouvindo o Aviva Nossos Corações.
Então quero dar a vocês um pouco de contexto e base para todo esse relato. Hoje seremos apresentadas às duas primeiras dessas cinco mulheres. Nos próximos dias, veremos as outras três. Como pano de fundo, olhando para Êxodo capítulo 1, vamos começar no versículo 6: “Com o tempo morreram José, todos os seus irmãos e toda aquela geração.”
José havia sido vendido como escravo ao Egito por seus irmãos, e depois de muitos anos seus irmãos e seu pai acabaram se juntando a ele quando José era o segundo em comando na terra do Egito. José e sua família morreram, mas sua família acabou crescendo no Egito. Não era ali que Deus pretendia que eles vivessem. No fim, eles estariam na Terra Prometida, mas, por enquanto, o povo de Deus era estrangeiro na terra do Egito.
Mas os filhos de Israel foram fecundos, aumentaram muito, se multiplicaram e se tornaram extremamente fortes, de maneira que a terra se encheu deles. (v. 7)
Isso era uma evidência da bênção de Deus. Ele estava formando uma nação por meio da qual abençoaria o mundo ao enviar um Salvador, Jesus Cristo. Assim, Deus os abençoou multiplicando-os, para que pudessem ser uma bênção para outros.
Nesse meio-tempo, levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não havia conhecido José. (v. 8)
José havia sido um líder na terra do Egito. Ele havia alcançado uma posição de fama e destaque, mas agora surge um novo rei. Ele não conhece José. Não aprecia de onde esse povo veio nem como chegou ali.
Ele disse ao seu povo: — Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós. Vejam! Precisamos usar de astúcia para com esse povo, para que não se multiplique, e para evitar que, em caso de guerra, ele se alie aos nossos inimigos, lute contra nós e saia da terra. (vv. 9–10)
Agora, Faraó, como o rei era conhecido no Egito, tem duas preocupações aqui. Primeiro, ele percebe os hebreus como uma ameaça à segurança nacional. Ele pensa: “São tantos que, se decidirem não gostar de nós quando nossos inimigos vierem contra nós, eles se aliarão aos nossos inimigos e estaremos em apuros. Então precisamos reduzir suas forças. Precisamos garantir que eles não se tornem uma força poderosa demais nesta terra. Além disso, não queremos que eles saiam da terra, porque são uma força de trabalho aqui, e não podemos nos dar ao luxo de ficar sem eles.”
E Faraó decide controlar o nascimento dos hebreus. Ele institui um programa nacional para lidar com essa ameaça. O programa, como veremos em seguida, passa por várias fases, cada uma progressivamente mais agressiva do que a anterior. Vemos a primeira fase começando no versículo 11.
E os egípcios puseram sobre eles feitores de obras, para os afligir com trabalhos pesados. E assim os israelitas construíram para Faraó as cidades-celeiros de Pitom e Ramessés. Mas quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais se espalhavam, de maneira que os egípcios se inquietavam por causa dos filhos de Israel. (vv. 11–12)
Faraó os submeteu a trabalhos forçados. Depois vemos, no versículo 13, que ele intensifica o trabalho. Versículos 13–14:
Então os egípcios, com tirania, escravizaram os filhos de Israel e lhes amargaram a vida com dura servidão: preparar o barro, fabricar tijolos e fazer todo tipo de trabalho no campo. Todo este serviço lhes era imposto com tirania.
Continuaram a aumentar a carga de trabalho. Intensificaram a opressão. Presumivelmente, o pensamento do Faraó era que eles fariam os escravos judeus trabalhar tão duramente que ficariam exaustos demais para ter filhos e que os homens morreriam por causa do rigor da escravidão.
Mas o programa de Faraó não funcionou, porque Deus estava supervisionando Seu povo. Ele cuidava deles providencialmente, e era Ele quem estava formando essa nação. Nenhum Faraó, nem qualquer número de Faraós em todo o mundo, poderia impedir isso. Os hebreus continuaram a se multiplicar em número.
Vemos uma política ainda mais agressiva começando no versículo 15.
O rei do Egito deu uma ordem às parteiras hebreias, das quais uma se chamava Sifrá e a outra se chamava Puá. Ele disse: — Quando vocês servirem de parteira às mulheres hebreias, verifiquem se é menino ou menina; se for menino, matem; se for menina, deixem viver. (vv. 15–16)
Qual era o raciocínio aqui? As meninas que nascessem poderiam crescer e se tornar escravas domésticas, e isso não seria um problema, elas eram muito úteis no Egito. Mas os meninos, se fossem permitidos viver, poderiam crescer e se tornar o quê? Guerreiros. Soldados. Poderiam se tornar uma ameaça ao Egito. Então Faraó institui essa política de infanticídio masculino sistemático. Matar os bebês meninos. É um sistema horrível. É um plano insidioso, e ele ordena que seja executado pelas parteiras da cidade.
A Bíblia cita o nome delas, Sifrá e Puá. Não está claro qual era a nacionalidade delas. Alguns pensam que poderiam ser parteiras hebreias. Mas os nomes, na verdade, são nomes egípcios. Então pode ser que fossem parteiras egípcias designadas para atender as mulheres hebreias ou alguns pensam que poderiam ser hebreias, pois por que parteiras egípcias poupariam a vida dessas crianças hebreias? Não sabemos. Elas provavelmente não eram as únicas duas parteiras no Egito. Havia milhões de pessoas no Egito, e duas parteiras não seriam suficientes, especialmente para essa população hebreia crescente.
É provável que essas duas mulheres estivessem à frente de uma rede nacional de parteiras por toda a terra do Egito. Então Faraó emite uma ordem a essas parteiras-chefes dizendo: “Não deixem os filhos hebreus sobreviverem. À medida que forem nascendo, garantam que morram. Façam o que for necessário para garantir que morram.”
Essas parteiras provavelmente eram escravas também. O Faraó que lhes deu essa ordem detinha autoridade absoluta sobre a vida delas. O poder de vida e morte estava nas mãos de Faraó. De fato, Faraó era considerado um “deus”. Não era algo simples desafiar a ordem de Faraó. Mas veja o que o versículo 17 nos diz sobre essas parteiras: “As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram o que o rei do Egito lhes havia ordenado; pelo contrário, deixaram viver os meninos.” Esse é um versículo incrível.
Aqui está Faraó, o homem mais poderoso do mundo, emitindo esse decreto. Ele diz: “Matem os meninos.” Essas duas parteiras dizem: “Não faremos isso.” Veja, as mulheres temeram a Deus mais do que temeram o que Faraó poderia fazer a elas. Elas estavam mais preocupadas com a ira de Deus, que dura por toda a eternidade, do que com a ira do Faraó — afinal, o que o Faraó poderia fazer além de matá-las? Ele não poderia fazer nada além de matar seus corpos. Elas temeram a Deus mais do que temeram o rei.
Passei a admirar muito essas duas mulheres ao meditar nessa passagem. Elas fazem parte de uma longa linhagem de homens e mulheres que reverenciaram a Deus e disseram: não nos curvaremos. Se a palavra do rei contradiz a Palavra de Deus, devemos obedecer a Deus em vez dos homens. O temor de Deus foi o que livrou essas mulheres do temor dos homens.
O temor de Deus é o que nos livra do temor dos homens. O que o homem pode me fazer? Se Deus é por mim, quem será contra mim? É muito mais sério incorrer na ira de Deus do que incorrer na ira de qualquer ser humano. Foi o temor de Deus que as levou a desobedecer à lei injusta do rei. Existem leis que são injustas. Quando a lei dos homens entra em conflito com a lei de Deus, o temor de Deus nos leva a obedecer a Deus em vez dos homens.
Naquele momento, Deus ainda não havia dado Sua lei ao Seu povo. Os Dez Mandamentos foram dados em Êxodo capítulo 20. Então elas ainda não tinham a lei oficial de Deus por escrito, mas essas mulheres sabiam que Deus havia proibido o assassinato. Como elas sabiam disso? Bem, Romanos nos diz que a lei de Deus está escrita em nossos corações. Temos uma consciência. Essas mulheres tinham consciência. Elas sabiam que era errado.
Hoje eu ouço pessoas fazendo certos tipos de coisas ou certos comportamentos — não cristãos — e dizendo: “Eu não fazia ideia de que isso era errado.” A única maneira de alguém não ter ideia de que isso é errado é se a sua consciência tiver se cauterizado. Se você resistiu tanto à luz que acabou andando em trevas.
Essas mulheres sabiam em seus corações, mas também é possível que soubessem por que Deus havia revelado desde os primeiros dias que o assassinato era errado. Lembre-se dos dias de Noé, depois do dilúvio. Deus disse: “Se alguém derramar o sangue de uma pessoa, o sangue dele será derramado. . .” (Gn 9.6)
Essas mulheres sabiam que essa era a lei de Deus, uma das primeiras leis de Deus, de que a vida humana é sagrada. Ela deve ser protegida. Eram bebês indefesos — os menores de todos. Mas, de alguma forma, elas sabiam que a vida é preciosa e deve ser preservada. Por isso, se recusaram a fazer o que o rei ordenou e deixaram os meninos viverem.
No versículo 18, elas são chamadas a prestar contas disso: “Então o rei do Egito chamou as parteiras e lhes perguntou: — Por que vocês fizeram isso e deixaram viver os meninos? As parteiras responderam a Faraó: — É que as mulheres hebreias não são como as egípcias; são vigorosas e dão à luz antes que a parteira chegue.” (vv. 18–19)
Houve muita discussão entre muitos teólogos, muito debate sobre essa questão: as parteiras mentiram a Faraó? Se sim, foram justificadas em fazê-lo? Não vou entrar nesta questão, exceto para dizer que, ao ler vários comentaristas dessa passagem, é muito possível que o que elas disseram fosse verdade. Isso poderia ter sido assim por vários motivos.
Primeiro, sabendo do decreto de Faraó:
- As mulheres hebreias em trabalho de parto podem ter adiado chamar as parteiras até depois de darem à luz.
- As parteiras podem ter demorado a atender aos chamados para dar tempo às mulheres de terem os bebês e escondê-los.
Também já vi a seguinte sugestão: as mulheres hebreias estavam acostumadas ao trabalho pesado. Elas eram tratadas como escravas. Trabalhavam para o Faraó. Faziam parte de sua força de trabalho braçal. Não levavam a vida delicada e refinada que as mulheres egípcias levavam. Provavelmente, como resultado disso, as mulheres hebreias estavam em melhor condição física. Qualquer pessoa que já teve um bebê sabe que estar em melhor condição física pode ajudar a ter um trabalho de parto mais rápido e mais fácil.
Algumas de vocês dizem: “Nem sempre funciona assim.”
- É muito possível que essas mulheres estivessem em tão boa condição física que realmente tivessem partos mais rápidos e que seus bebês nascessem com mais facilidade.
- Acima de tudo isso, é muito possível que Deus tenha, de forma sobrenatural, tornado o trabalho de parto rápido e fácil, de modo que elas não precisassem da ajuda das parteiras.
Independentemente de ter sido um milagre ou de Deus simplesmente ter fortalecido essas mulheres, não há dúvida de que Deus estava envolvido, de que Deus estava protegendo Seu povo. De qualquer forma, fica claro que a razão da aprovação de Deus às parteiras foi que elas deixaram os meninos viverem. A aprovação não foi porque elas mentiram, caso de fato tenham mentido.
Agora há dois resultados do fato de as mulheres terem deixado as crianças viverem e os bebês meninos terem nascido. O versículo 20 nos conta esses dois resultados. Primeiro, lemos no meio do versículo 20: “E o povo se multiplicou e se tornou muito forte.”
É como se, não importasse o que Faraó fizesse, ele não conseguia impedir que essas crianças nascessem. Ele não conseguiu impedir que a nação de Israel crescesse, se fortalecesse e se expandisse. Apesar de todos os esforços concentrados de Faraó para limitar o crescimento deles, Deus continuou abençoando. Deus continuou dando-lhes filhos. Deus continuou aumentando o número deles.
Ao pensar nesse fenômeno, sou lembrada de que, quando Deus quer abençoar o Seu povo, não há nada nem ninguém que possa impedi-Lo. Não há lei. Não há rei. Não há governante. Não há marido. Não há congressista. Não há pai ou mãe. Não há nada que possa impedir o plano de Deus quando Ele quer edificar o Seu reino e abençoar o Seu povo.
Isso deve encorajar o nosso coração, pois, em meio a dias aterradores, o povo de Deus pode se multiplicar e se fortalecer. Na verdade, às vezes a igreja se multiplicou e se fortaleceu ainda mais em tempos de perseguição. Vimos isso na igreja da China. Durante os anos de opressão comunista, quando o Ocidente não tinha permissão para entrar, a igreja cresceu mais nesses anos de terrível perseguição do que em outras partes do mundo onde não há esse tipo de perseguição.
Deus pode abençoar o Seu povo e fazê-lo crescer forte. Deus pode abençoar e fazer você crescer forte em meio a circunstâncias muito difíceis, em que tudo e todos parecem estar contra isso acontecer.
Então também lemos nos versículos 20–21: “E Deus foi bom para as parteiras; e o povo aumentou e se tornou muito forte. E, porque as parteiras temeram a Deus, ele lhes constituiu família.” Elas foram recompensadas. É isso que Provérbios 31.30 nos diz: “A mulher que teme o SENHOR, essa será louvada.” Essas mulheres temeram ao Senhor, e Deus as abençoou. Ele lhes deu famílias.
Agora, muitas vezes naquela cultura as mulheres eram parteiras porque não tinham filhos próprios. Elas ajudavam outras mulheres a dar à luz. Cuidavam dos filhos de outras pessoas e, neste caso, porque fizeram isso, Deus as abençoou com seus próprios filhos.
Ao mesmo tempo, a pressão não cessou. Na verdade, ela se intensificou. Vemos no versículo 22 a próxima etapa do programa de controle populacional de Faraó. Na realidade, é um programa de limpeza étnica. Ele está tentando se livrar dos judeus. Essa etapa é a mais agressiva até então. É inconcebivelmente cruel.
Como se o que ele já tivesse feito não fosse suficiente, veja o versículo 22: “Então Faraó deu ordem a todo o seu povo, dizendo: Joguem no rio Nilo todos os meninos hebreus que nascerem; quanto às meninas, deixem viver.’” Os egípcios consideravam o Nilo um rio sagrado. Pode ser que tivessem a intenção de oferecer as crianças hebreias como sacrifícios aos deuses do Egito.
A primeira ordem havia sido dada às parteiras — não deixem os recém-nascidos viverem. Agora Faraó ordena a todo o seu povo, no versículo 22. Trata-se de uma ordem pública geral. É provável que, se alguém soubesse de uma mulher hebreia que tivesse dado à luz um filho homem, fosse responsável por informar as autoridades.
De fato, alguns dos escritos que li, escritos rabínicos hebreus, sugerem que Faraó tinha, por assim dizer, policiais espalhados por toda a nação. Eles saberiam quando uma mulher engravidava e marcariam a data provável do parto, e estariam lá quando o bebê fosse nascer para garantir que aquele bebê não sobrevivesse, para garantir que aquele bebê fosse lançado no rio. É provável que todos fossem responsáveis por denunciar se uma mulher não estivesse cumprindo essas ordens. Ou aqueles que não denunciassem poderiam enfrentar represálias por não o fazerem.
Bem, de acordo com os comentaristas que li, parece que esse decreto foi feito depois do nascimento de Arão, o irmão mais velho de Moisés por três anos, e que o decreto provavelmente foi revogado logo após o nascimento de Moisés. Portanto, não foi um decreto que durou muito tempo. Se tivesse durado, provavelmente não haveria 600 mil homens judeus adultos cerca de 80 anos depois, quando foram libertos do Egito.
Assim, ele não conseguiu eliminar toda uma geração de homens como esperava. Provavelmente houve uma janela estreita em que esse decreto esteve em vigor. Isso é apenas um lembrete de que a soberania de Deus se sobrepõe a reis, governantes e leis. Podemos ficar extremamente frustradas por causa de governantes maus, líderes maus, leis más, e devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para vê-las mudadas, mas há momentos em que não podemos fazer nada além de apelar a Deus, que é Aquele que governa sobre todos os reis e decretos.
Esta foi apenas uma visão rápida da história — o “o quê”. Quero que dediquemos alguns momentos para falar sobre o “e daí?”. O que tudo isso tem a ver conosco? Bem, em primeiro lugar, isso nos lembra que há uma batalha em andamento. O reino de Deus contra o reino de Satanás. Luz contra trevas. Vida contra morte.
Matthew Henry diz em seu comentário sobre essa passagem: “O crescimento de Israel é a aflição do Egito, e contra isso se levantam os poderes e as políticas do inferno.” Ele está dizendo que, com o crescimento de Israel, o Egito se enfurece, e assim todos os poderes e políticas do inferno se levantam contra Israel.
O que era verdade para Israel naquele tempo, eu diria que é verdade para a Igreja em nossos dias. O crescimento da Igreja — e não me refiro apenas ao crescimento numérico, mas ao crescimento espiritual, à expansão do reino de Deus e novos cristãos se juntando à família de Deus — isso é a aflição do mundo. O mundo odeia isso. Satanás odeia isso, e ele mobiliza todas as suas políticas, seus programas e seus poderes contra o crescimento do reino de Deus. Há uma batalha.
Naqueles dias, os judeus estavam escravizados, eram oprimidos por Faraó. Viviam vidas duras, suportavam trabalho árduo e sofrimento. Passaram por esse decreto de infanticídio, que era a política governamental oficial da época.
Em nossos dias, há dificuldades. Há partes do mundo onde a Igreja é abertamente perseguida. Em nossos dias, na filosofia, na cultura, na mídia, não há amizade com a graça nem com Cristo. Vemos que, se você decide proclamar o nome de Cristo hoje, precisa ser forte. Precisa estar disposta a sofrer abusos e mal-entendidos. Mas, no meio disso, vemos que Satanás está sempre determinado a tirar a vida, especialmente a vida daqueles que poderiam promover o reino de Deus, o governo de Deus e o domínio de Deus neste mundo.
Como ele faz isso? Ele faz isso fisicamente, por vários meios de tirar a vida física.
Em algumas partes do mundo, ele faz isso por meio do aborto seletivo por sexo, do infanticídio seletivo por sexo. O direcionamento de bebês de um sexo indesejado para serem mortos no ventre ou quando vêm ao mundo, acontece em todo o mundo. É mais comum em culturas que valorizam filhos homens mais do que filhas mulheres. Em última instância, é Satanás quem quer tirar a vida.
Ele faz isso não apenas fisicamente, mas espiritualmente. Destruição espiritual, engano, ataque à alma da próxima geração.
Se o plano sinistro de Faraó tivesse sido bem sucedido, o plano de Deus para redimir o mundo teria sido abortado. Mas Deus usou essas parteiras como parte de Sua história de salvação em desenvolvimento para frustrar os planos malignos de Satanás e dos homens.
Vemos aqui duas parteiras que eram mulheres corajosas. Elas se posicionaram contra o mal. Pense nisso. Que poder essas mulheres tinham contra o rei do Egito e todas as suas forças? Elas eram insignificantes. Mas Deus usou essas duas — essas duas mulheres corajosas — para frustrar o plano maligno do rei.
É uma história de Davi e Golias. É Gideão e seus 300 contra todo o exército midianita. É assim que Deus trabalha. Ele pega os poucos, os fracos, os desprezados, os pobres, os marginalizados. Ele os usa, às vezes, para cumprir Seus propósitos eternos.
Uma minoria piedosa e corajosa nas mãos de Deus pode ser usada para derrotar uma maioria maligna. Não se esqueça disso quando você se sentir engolida, oprimida pela posição da maioria, pelas leis, governantes, pessoas, líderes e influenciadores em nossa nação que estão determinados ao mal. Não se esqueça de que Deus usa mulheres corajosas. Mulheres que dizem: “Queremos ser verdadeiras mulheres de Deus em nossa geração.” E mulheres assim podem ser usadas para derrubar impérios inteiros de maldade pela graça de Deus e pelo Seu poder — não para que nós reinemos e governemos, mas para o reinado e o governo do reino de Deus aqui na terra, assim como no céu.
Raquel: Nancy DeMoss Wolgemuth tem descrito duas mulheres que parecem personagens menores na história de Moisés. Essas mulheres me inspiram profundamente. Em um tempo em que a sociedade prova que todas nós achamos que deveríamos ser “Moisés” confrontando “Faraó”, será que nos esquecemos de que Deus chama a maioria de nós para o resgate silencioso? Quando você realmente se aprofunda no que essas duas mulheres fizeram, espero que isso a faça querer viver sua vida com senso de coragem e propósito, mas que você seja capaz de fazer isso de uma maneira silenciosa que honre a Deus.
A mensagem de hoje foi o início de uma série chamada Lembre-se de Miriã. À medida que caminharmos por ela nas próximas semanas, você aprenderá muito ao explorar a vida de pessoas que parecem estar à margem das histórias bíblicas.
Mas, ao focarmos nesses personagens, ganharemos muitos insights sobre o que significa ser mulheres corajosas que impactam gerações.
Você já teve medo do futuro dos seus filhos? No próximo episódio, Nancy mostrará como transformar esse medo em fé e ação.
Aguardamos você aqui, no Aviva Nossos Corações.
O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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