Leia a Transcrição Completa
Raquel Anderson: Aqui está Nancy DeMoss Wolgemuth.
Nancy DeMoss Wolgemuth: O Espírito é como o vento. Você não pode controlá-lo. Você não sabe para onde ele vai ou quando vai. Deus está no controle da dispensação e da concessão do Seu Espírito Santo.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, na voz de Renata Santos.
Deus estabelece líderes. Precisamos decidir como iremos interagir com os líderes que Ele coloca em posição. Vamos criticar, reclamar e procurar maneiras de promover a nossa própria agenda?
Vamos ver a resposta de Josué, enquanto Nancy continua na série Lições da vida de Josué (Parte 2): Aprendendo a ser ensinável com Josué.
Nancy: Estamos seguindo a vida de Josué, e estamos olhando diferentes retratos da sua vida. Algumas de vocês estão se perguntando: Será que algum dia vamos chegar ao livro de Josué?
Há muitos relatos que se relacionam com a vida dele que encontramos nos livros de Êxodo, Números e Deuteronômio, então estamos estudando primeiro esses livros. Estes são os primeiros anos da vida dele — não a infância, mas seus anos de preparação e aprendizado e treinamento para a liderança.
Então, quando chegarmos ao livro de Josué, que eu ainda estou estudando, chegaremos à parte em que ele lidera o povo de Deus. Depois, no final da sua vida, veremos ele deixando um legado.
Mas ele ainda está em treinamento, ainda em preparação para o ministério, e muito do aprendizado que ele está tendo vem de seu mentor, Moisés. Josué é assistente de Moisés, então as coisas que estão acontecendo em relação a Moisés estão causando uma impressão na vida de Josué.
Espero que você tenha heróis piedosos e sábios na fé. Bem, não coloque sua confiança em homens, porque os homens falharão, e Moisés teve uma grande falha. Ele nunca chegou a ver a Terra Prometida.
Você também pode aprender com as falhas das pessoas. Então não coloque sua confiança ou sua esperança nas pessoas, apenas no Senhor.
Mas espero que você esteja perto de pessoas que modelam piedade e santidade e um desejo pelas coisas de Deus. Há muito que podemos aprender, especialmente como mulheres mais jovens, com pessoas que já caminharam um pouco mais na estrada do que nós.
O nome de Josué aparece novamente no livro de Números capítulo 11. Nós o deixamos onde ele estava na tenda da congregação em Êxodo capítulo 33 e vamos para Números 11, então abra sua Bíblia lá. Esta é uma menção obscura na vida de Josué. Se eu pedisse que você listasse todas as histórias sobre Josué, provavelmente você não pensaria nesta história. É uma que não é tão familiar como a Batalha de Jericó, o Pecado de Acã. Esta não é uma dessas histórias familiares, mas tem muito a nos ensinar.
Deixe-me dar um pouco de contexto aqui. Depois de onze meses com os filhos de Israel acampados no Monte Sinai, eles finalmente estão a caminho da Terra Prometida, a caminho de Canaã. Desde que saíram do Egito, eles viram a mão de Deus protegendo-os e provendo para eles. Tudo que precisavam, Deus fez por eles ou lhes deu.
Agora chegamos ao capítulo 11 quando o povo parte. Nos primeiros 9 versículos do capítulo 11 (não vamos lê-los), encontramos o povo murmurando, reclamando de suas condições.
Há duas ocasiões consecutivas mencionadas nesta primeira parte de Números 11. Nos versículos 1–3, diz que “o povo se queixou. . . de sua sorte” (v. 1). Não diz o que estavam passando — poderiam ser muitas coisas — mas sabemos que eles não estavam louvando a Deus por Sua bondade; estavam reclamando de suas desgraças.
Isso não é como a natureza humana? Os filhos de Israel tinham um bilhão de coisas pelas quais poderiam ter agradecido a Deus:
- O fato de que ainda estavam vivos.
- Tinham comida para comer.
- Tinham água para beber.
- Tinham roupas e sapatos.
- Deus estava suprindo todas as suas necessidades.
- Tinham a glória de Deus e a nuvem de dia e o fogo de noite guiando-os, dirigindo-os, protegendo-os. Os egípcios vieram atrás deles, e Deus acabou com eles.
Tudo de que precisavam, Deus fez, e ainda assim os encontramos aqui reclamando de sua sorte. Quão doentio é isso?
E quão parecidos conosco eles são? Reclamando de nossas desgraças no meio de todas as coisas boas que Deus derramou sobre nós.
Nos versículos 4–6, eles são mais específicos sobre a sua reclamação. Esta é a segunda ocasião. Deus julga a primeira ocasião; eles voltam, ainda estão reclamando.
Eles dizem: “Nós queremos carne para comer! Lembramo-nos do peixe que comíamos no Egito. . . Mas agora. . . não há absolutamente nada senão este maná para olhar.” Então a desgraça agora é que eles não estão satisfeitos com a comida que têm. Não é que não tenham comida; é que não estão felizes com a falta de variedade. Eles querem mais variedade no seu cardápio, na sua dieta.
Bem, a essa altura Moisés já chegou ao limite. O versículo 10 nos diz que ele está descontente. Ele está “por aqui” com esse povo.
Ele já suportou tudo o que podia dessa murmuração, lamúria, queixa, reclamação. . . Você já se sentiu assim como mãe? “Já chega de queixas e reclamações!”
Moisés disse ao Senhor: ‘. . .Onde eu poderia conseguir carne para dar a todo este povo? Pois chora diante de mim, dizendo: "Dê-nos carne para comer." Eu sozinho não posso levar todo este povo, pois é pesado demais para mim. Se me tratas assim, mata-me de uma vez. (vv. 11–13)
Quem está murmurando agora? Quem está reclamando? Agora é o líder! Moisés está dizendo: “Deus, eu preferiria morrer a continuar carregando este fardo.”
Você já passou por isso? Bem, talvez você não tenha desejado morrer — talvez tenha desejado — mas talvez tenha apenas pensado: Eu não posso continuar lidando com esta responsabilidade. Eu não consigo lidar com estas crianças. Não consigo lidar com as pessoas neste local de trabalho; eles são um bando de perdedores, e eu não posso continuar assim.
Então descarregamos em Deus. Dizemos: “Deus, tira-me desta situação!”
Bem, a resposta de Deus a Moisés, misericordiosamente, é que Ele fará duas coisas. Nos versículos 18–23, Deus diz: Eu vou providenciar milagrosamente carne para o povo durante o próximo mês — tanta carne que eles ficarão enjoados de carne.
Vocês querem carne? Vocês vão se empanturrar dessa carne. Vocês vão ficar cansados dela.
Deus também diz: “Também vou providenciar alívio para ajudá-lo a carregar o fardo espiritual deste povo.” Olhe os versículos 16–17, onde Deus descreve como fará isso:
O Senhor disse a Moisés: ‘Reúna para mim setenta homens dos anciãos de Israel, que você sabe que são anciãos e superintendentes do povo, e traga-os diante da tenda do encontro, para que estejam ali com você. Então descerei e ali falarei com você. Tirarei do Espírito que está sobre você e o porei sobre eles; e eles ajudarão você a levar a carga do povo, para que você não tenha de levá-la sozinho.
Moisés havia insistido com Deus que não podia mais carregar sozinho o fardo deste povo, então Deus misericordiosamente responde levantando e capacitando outras pessoas — setenta homens, setenta líderes — para compartilhar o fardo e a responsabilidade com Moisés. Agora vá aos versículos 24 e 25 de Números 11:
Moisés saiu e contou ao povo as palavras do Senhor. Ele reuniu setenta homens dos anciãos do povo e os pôs ao redor da tenda. Então o Senhor desceu na nuvem e falou com Moisés. E, tirando do Espírito que estava sobre Moisés [como Deus havia prometido que faria], o pôs sobre aqueles setenta anciãos. Quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram. . .
Deixe-me parar aqui e fazer duas observações antes de terminarmos a passagem. Primeiro, Moisés teve que estar disposto a deixar que outros compartilhassem o fardo do ministério com ele.
Vimos isso antes em Êxodo 17 quando Arão e Hur vieram e sustentaram os braços de Moisés para que ele pudesse levantar as mãos na batalha contra os amalequitas.
Vimos ali que Moisés teve que estar disposto a não fazer isso sozinho, a não ser um Cavaleiro Solitário, mas permitir que outros viessem ajudá-lo.
Às vezes isso é difícil para nós porque somos orgulhosas, e queremos pensar: Eu consigo fazer isso sozinha. Moisés teve que estar disposto a correr o risco de um desses setenta anciãos tomar o seu lugar, ou de um desses anciãos reunir seguidores entre o povo, ou ser desleal — muitos riscos humanos aqui.
Ele teve que confiar que o mesmo Espírito que o havia dirigido em todo esse processo também guiaria esses homens, que eles tomariam boas decisões, que liderariam bem. E ele teve que ser suficientemente seguro no Senhor para acolher esses homens demonstrando os dons do Espírito.
Deixe-me dizer que em cada estação em que nos encontramos na vida, Deus sabe o que podemos e o que não podemos suportar.
Sou tão grata por aquelas estações em que Deus sabia que eu não poderia lidar com este chamado ou com essas tarefas sozinha, e como Deus levantou outras pessoas para ajudar a carregar o fardo do ministério que Ele me confiou. Mas eu precisava estar disposta a receber Sua provisão e acolher a força e os talentos únicos que essas pessoas trazem.
Eu agradeço ao Senhor pela nossa equipe do Aviva Nossos Corações. Eles são um grupo incrível de homens e mulheres que amam o Senhor, que andam com o Senhor, que têm um coração e uma paixão por este ministério de avivamento e feminilidade bíblica.
Mas eu preciso estar disposta a deixá-los fazer parte da nossa equipe. Preciso estar disposta a deixá-los usar seus dons. E nós temos dons diferentes.
Nós nos complementamos, mas às vezes eles não fazem as coisas da maneira que eu faria. Se eu sou uma líder sábia, vou apreciar os diferentes valores e forças e dons únicos que essas pessoas trazem, e não vou ficar insegura quando Deus coloca Seu Espírito sobre a vida delas de uma maneira que Ele não demonstrou na minha. Vou me alegrar quando Deus as usar.
Então vemos Moisés acolhendo a provisão e estando disposto a maximizar essa ajuda que Deus providenciou.
Em segundo lugar, vemos a importância do Espírito Santo. Há cinco referências ao Espírito nesta passagem.
Há muito que poderíamos dizer sobre o papel do Espírito Santo, principalmente no Antigo Testamento, e muito que não vou focar neste episódio específicamente, mas acho que está claro que temos aqui destacada a importância e a necessidade do Espírito Santo enquanto buscamos servir ao Senhor.
Quando digo isso, não estou falando apenas de pessoas como eu que estão no ministério cristão vocacional. Você diz: “Sim, você é uma professora da Bíblia. Claro que precisa ter a plenitude do Espírito Santo na sua vida. Claro que precisa da unção do Espírito.”
Você precisa da plenitude e da unção do Espírito Santo na sua vida, em qualquer coisa que Deus a tenha chamado para fazer nesta estação da sua vida. Você não deve tentar servir ao Senhor sem a unção, a capacitação e o poder do Seu Espírito Santo. “Tudo é vão se o Espírito do Senhor não descer.”
Então deixe-me fazer algumas observações sobre o ministério do Espírito que vemos nesta passagem. Novamente, quando chegamos ao Novo Testamento, aprendemos muito mais sobre o Espírito Santo.
Estamos vendo apenas um vislumbre aqui, sob a antiga aliança, daquilo que os cristãos da nova aliança viriam a valorizar e entender em uma extensão muito maior, mas temos aqui alguns vislumbres maravilhosos.
Vemos que foi o Espírito de Deus divinamente concedido a instrumentos humanos que capacitou Moisés e os anciãos a cumprir a obra que Deus lhes havia designado. Eles não poderiam fazer isso separados de Deus. Como Deus disse ao profeta Zacarias: “Não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor”. (Zc. 4.6)
Essa é a fonte do nosso poder para servir ao Senhor. É o poder do Espírito Santo que nos é dado — a nós, vasos fracos, frágeis, débeis. Mas quando Deus nos enche com o Seu Espírito, podemos fazer qualquer coisa que Deus nos chamou para fazer.
O fardo de servir ao Senhor, o fardo de ser esposa, o fardo de ser mãe, o fardo de estar no local de trabalho, o fardo de mentorear e discipular outras mulheres, o fardo de servir a Deus não pode ser executado com sucesso à parte da capacitação e do poder do Espírito de Deus.
Acho que Deus queria que o povo soubesse que Ele era o Líder deles, que as coisas espetaculares que eles viam Moisés fazer — cada vez que ele levantava a sua vara, algo incrível acontecia — essas coisas não eram habilidade de Moisés. Esse era o poder do Espírito de Deus operando nele e por meio dele.
Então Deus deu o Espírito a esses setenta homens para mostrar que não era apenas Moisés. “Eu posso colocar o Meu Espírito sobre qualquer um. Qualquer instrumento fraco serve, qualquer vaso humano serve. Eu posso ungir e capacitar quem Eu quiser.”
Vemos nesta passagem que o Espírito de Deus ajusta e equipa cristãos, seres humanos que, de outra forma, são normais, para fazer coisas que nunca poderiam fazer à parte do Espírito de Deus. O Espírito de Deus nos capacita a trazer glória a Deus de maneiras que não poderíamos fazer sem Ele. É o poder do Espírito Santo.
Vemos no versículo 25 que “assim que o Espírito repousou sobre eles, profetizaram.” Levaria muito mais tempo do que temos e alguém muito mais inteligente do que eu para entrar em todo o significado do que é sugerido aqui pelo fato de que eles profetizaram. Mas essa frase é literalmente: eles fizeram jorrar. É isso que essa palavra significa.
O que aconteceu foi que alguma manifestação sobrenatural do Espírito Santo jorrou pelos lábios desses homens. Eles receberam algum tipo de declarações divinas para falar o louvor ou as obras ou os feitos de Deus que não era normal para eles.
Eles estavam falando de maneiras como nunca tinham falado antes. Foi-lhes dado um dom para glorificar a Deus de uma maneira que antes não tinham sido capazes de glorificar a Deus. Esta foi uma evidência visível que Deus deu para que o povo soubesse que esses homens tinham o poder do Espírito Santo sobre eles. Você não pode ver o Espírito Santo, então como os israelitas saberiam que esses setenta homens tinham o Espírito Santo?
Deus lhes deu a manifestação sobrenatural do Espírito na forma de profetizar — seja lá o que isso significasse. Não é descrito em detalhe algum, então não podemos dizer com certeza. Mas, ao juntarmos as passagens, parece que eles estavam glorificando a Deus com suas línguas, com seus lábios, de alguma maneira que era capacitada pelo Espírito de Deus.
Deus vai capacitá-la a fazer coisas que Ele a chama para fazer que são extraordinárias — coisas que você não poderia fazer na sua própria energia, na sua própria força.
Pode ser testemunhar para sua vizinha. Pode ser lidar com uma questão com um filho adolescente, e Deus lhe dando palavras e sabedoria para lidar com a situação que você sabe que não tem por si mesma. Pode ser que Deus a capacite a liderar um pequeno grupo, e você diz: “Eu nunca poderia fazer isso. Sou tão tímida que não consigo nem liderar em oração silenciosa.”
Quando Deus a chama, quando Deus lhe dá essa oportunidade, Ele lhe dará o poder do Seu Espírito para falar de maneiras que você nunca poderia falar sem Ele. É preciso o poder do Espírito de Deus para ser uma esposa piedosa, para ser uma mãe piedosa, para ser uma mulher sábia de Deus em uma cultura insensata, confusa e caída. É preciso o poder do Espírito de Deus.
Você diz: “Eu não consigo fazer isso.” Oh, queridas, eu gostaria de ganhar 1 real para cada vez que eu dissesse sobre o ministério do Aviva Nossos Corações: “Eu não consigo fazer isso.” Cada vez que chegamos às gravações, estou sentada no meu escritório pensando: Eu não consigo fazer isso.
Esse é um ótimo lugar para estar. É assustador. Eu não gosto disso. Eu reclamo disso, mas é um ótimo lugar para estar, porque quando percebo que não consigo fazer o que Deus me chamou para fazer, então estou em um lugar onde posso receber a unção, a capacitação e o poder do Seu Espírito Santo. Então todos saberão: “Ela não fez isso.” Deus fez isso, e Deus recebe a glória.
Vemos nesta passagem que não podemos controlar a obra do Espírito Santo. Não podemos controlar quem Ele capacita e como. Isso depende totalmente dele.
Olhe o versículo 26:
Porém dois homens ficaram no arraial [dois desses setenta que haviam sido escolhidos permaneceram no acampamento]. Um se chamava Eldade, e o outro, Medade [aposto que você não pensou muito neles recentemente]. O Espírito repousou sobre eles, porque estavam entre os inscritos [entre os setenta], mesmo que não tivessem ido até a tenda; e profetizavam no arraial.
Por alguma razão que não nos é explicada, esses dois homens — alguns comentaristas pensam que eles podem ter sido irmãos; não sabemos, mas eram dois dos setenta — ainda estavam no acampamento. Eles não estavam com os outros anciãos, os outros sessenta e oito mais Moisés, lá na tenda da congregação.
Não sabemos por quê. Talvez tenham sido detidos por algum motivo, mas Deus sobrenaturalmente determinou conceder o Seu Espírito Santo a esses homens exatamente como fez com aqueles que estavam na tenda da congregação. Esses homens também profetizaram; eles tinham evidência do poder do Espírito sobre eles.
Acho que isso pode ter sido para mostrar que o ministério do Espírito não dependia de essas pessoas estarem ao redor de Moisés. Moisés era realmente um grande líder, e as pessoas poderiam começar a ter uma consideração indevida por ele. Poderiam pensar que, onde Moisés estivesse, havia algo místico sobre esse homem. Você simplesmente recebe o poder do Espírito quando se aproxima de Moisés.
Não foi o espírito de Moisés que veio sobre esses homens. Foi o Espírito de Deus. Não dependia de eles estarem perto de Moisés. Dependia de Deus estar perto desses homens. Isso foi demonstrado pelo fato de que esses dois homens receberam esse dom do Espírito Santo.
Isso nos lembra que Deus não está limitado às nossas noções preconcebidas sobre onde, quando e por meio de quem Ele irá agir. Não podemos dizer: “Deus só trabalha desta maneira”, ou “É assim que Deus sempre trabalha em toda situação.”
O Espírito é como o vento. Você não pode controlá-lo. Você não sabe para onde ele vai nem quando vai. Deus está no controle da dispensação e da concessão do Seu Espírito Santo.
“Então um jovem [um homem que estava no acampamento e tinha visto esses dois homens receberem esse dom do Espírito] correu e anunciou a Moisés: ‘Eldade e Medade estão profetizando no arraial.’”
Eu não sei que tom de voz ele usou. Não sei se ele estava animado com isso ou se estava aflito. Mas, obviamente, ele achou que era algo fora do comum que Moisés precisava saber. Josué ouviu esse relato. Ali estava Josué onde ele sempre estava, bem ao lado de Moisés, e ele ficou perturbado. Aquilo não lhe parecia certo. Ele não conseguia imaginar que isso viesse de Deus. Isso não se encaixava no molde de como Josué achava que Deus deveria agir.
Então Josué fala, e é como se ele não conseguisse se conter. Diz no versículo 28: “Josué, filho de Num, auxiliar de Moisés, um dos seus escolhidos, respondeu e disse: ‘Moisés, meu senhor, ordene que parem com isso.’”
Não nos é dito por que Josué respondeu dessa maneira. Talvez ele não quisesse que nada diminuísse a autoridade de Moisés ou reduzisse Moisés aos olhos do povo. Isso parece ser pelo menos parte do seu motivo, por causa da resposta de Moisés. Moisés tinha uma visão maior, e de modo nenhum se sentiu ameaçado pela competição percebida.
Então Moisés responde a Josué no versículo 29: “Porém Moisés lhe disse: ‘Você está com ciúmes por mim?’” Acho que isso é uma evidência de algo que Moisés estava percebendo, ou talvez Deus lhe tenha dado discernimento do que estava no coração de Josué.
“Você está com ciúmes por mim? Eu gostaria que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!”
“Estás com ciúmes?” Essa palavra ciúmes, em algumas das suas traduções pode até ser traduzida como zelo; pode significar uma coisa ou outra.
A palavra, na verdade, vem de uma raiz árabe que significa “tornar-se muito vermelho.” É a imagem de alguém que fica com o rosto vermelho por causa de um senso muito forte de ciúme ou de paixão zelosa dentro de si.
Pode ser estar cheio de zelo justo, ou pode ser estar cheio de ciúme impuro, mas é algo que é uma emoção muito forte. Moisés diz a Josué: “Você não precisa ficar com ciúme, com o rosto vermelho, por minha causa.”
Eu acho que Josué estava tanto zeloso quanto ciumento pela honra de Moisés. Ele era leal ao líder designado por Deus. Ele não queria que nada estivesse acontecendo que ameaçasse isso ou diminuísse Moisés de alguma forma. Quando olhamos para Moisés, vemos que ele estava livre de ambição pessoal.
Moisés, na verdade, se alegrou com o pensamento de Deus ampliar o alcance da Sua obra para incluir outras pessoas em outros lugares. Ele não sentiu que Deus precisava consultá-lo antes de decidir sobre em quem colocaria o Seu Espírito Santo.
Mais importante ainda, Moisés não sentiu que precisava controlar Deus ou essa situação. Ele não precisava que fosse do seu jeito. Ele não precisava saber o que estava acontecendo. Ele não precisava estar no controle do que estava acontecendo. Ele estava seguro no controle soberano de Deus.
Vemos esse mesmo espírito em Lucas 9, onde os discípulos vieram a Jesus e disseram: “Mestre, vimos certo homem que expulsava demônios em seu nome, mas nós o proibimos de fazer isso, porque não segue conosco” (v. 49). Ele não está fazendo do nosso jeito. Ele não faz parte do nosso clube. Ele não faz parte do nosso grupo.
O que Jesus disse àqueles discípulos? Ele disse: “Não proíbam, pois quem não é contra vocês é a favor de vocês.” (v. 50)
Há espírito amplo que inclui qualquer e todos os servos de Deus que são separados por Deus e ungidos pelo Seu Espírito para fazer a Sua obra. Eles não precisam fazer do nosso jeito, e nós não precisamos controlar quando e como e onde isso acontece.
Então aqui está outra lição fundamental para Josué, e uma que vai prepará-lo para ser o próximo líder, depois de Moisés, do povo de Deus. Ele vê que é preciso ter o poder do Espírito Santo para fazer a obra de Deus, e que um líder precisa estar disposto a deixar Deus trabalhar por meio de outros.
Mães, vocês não ficam felizes pelas pessoas que Deus levanta para serem influências na vida de seus filhos? Se você sente que precisa ser a única a orientá-los ou treiná-los, você vai ter um mundinho muito pequeno.
Deus pode querer colocar o Seu Espírito em outros para falar uma palavra de verdade, ou de bênção, ou de encorajamento para seus filhos. Você consegue se alegrar com isso?
Vemos Josué aprendendo com Moisés a não ser protetor do seu território, pois Moisés não estava construindo o seu próprio reino, mas o reino de Deus.
Quando chegamos ao capítulo 12 de Números (não vamos estudar essa passagem), vemos o irmão e a irmã de Moisés, Miriã e Arão, levantando uma insurreição contra Moisés. Eles estavam chateados por causa da mulher com quem Moisés havia se casado, e desafiaram a autoridade de Moisés.
É interessante para mim que você nunca vê Josué envolvido nessa rebelião ou em qualquer outra rebelião contra a liderança de Moisés. Quando os filhos de Corá se levantaram, você não vê Josué participando dessa rebelião.
Então Moisés diz aqui a Josué: “Não tenha ciúme por minha causa”, mas eu acho que uma boa qualidade que vemos na vida de Josué é um espírito leal. Ele não vai simplesmente ficar parado e deixar alguém criticar o líder de Deus ou ser desleal ao líder de Deus. Vemos nele um seguidor fiel, mesmo que tenha ficado um pouco empolgado demais nessa situação. Mas também o vemos seguindo de tal maneira que um dia, quando ele se tornasse líder, inspiraria as pessoas a segui-lo e a serem leais a ele.
Raquel: Nancy DeMoss Wolgemuth ofereceu palavras importantes sobre um tempo em que a dissensão e a reclamação são comuns. Apoiar uma liderança piedosa é, em última análise, seguir a Deus. Nancy voltará daqui a pouco para orar.
Eu quero ser uma aprendiz por toda a minha vida. Quando eu penso que não preciso aprender nada novo, esse é um grande problema. E este é um conceito importante que apareceu em nossa série atual, Lições da vida de Josué (Parte 2): Aprendendo a ser ensinável com Josué.
Nancy voltará a falar sobre a vida de Josué mais tarde na próxima semana, com a Parte 3 da série sobre Josué. Mas antes disso, amanhã, segunda e terça-feira, vamos fazer um pequeno intervalo para responder a seguinte pergunta: “O que torna uma nação grande?”
Durante esta temporada eleitoral, essa pergunta tem sido levantada muitas vezes. Esperamos que esta série a ajude a se manter focada onde a nossa verdadeira fonte de esperança está ancorada.
Aguardamos você aqui, no Aviva Nossos Corações.
Agora Nancy volta para orar.
Nancy: Pai, muito obrigada pelo poder do Teu Espírito Santo, pelo dom do Teu Espírito. Obrigada pelo enchimento, pela capacitação e pelo poder do Teu Espírito Santo para fazer aquilo que Tu nos chamaste para fazer.
Que possamos reconhecer nossa dependência de Ti, e que possamos nos alegrar quando virmos o Teu Espírito usando outras pessoas ao nosso redor para cumprir os Teus propósitos também. Que não estejamos construindo nossos próprios reinos, mas desejando ver o Teu reino sendo edificado, e que possamos nos alegrar em quem quer que Tu te agrades em usar para isso. Eu oro em nome de Jesus, amém.
Raquel: O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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