A dor vem com tudo, não importa o que esteja na lista de tarefas ou quais planos estavam na agenda. Ela pode nos consumir, nos paralisar e nos roubar de todas as expectativas que tínhamos para a nossa vida. Será que essa dor e essa luta vão ter fim? Eu me pergunto. Será que algum dia vou saber como é me sentir bem deste lado da eternidade?
Depois de mais de um ano de gastos com tratamentos caros para a doença de Lyme, essas últimas duas semanas foram marcadas por mais desconforto do que quando comecei essa jornada. Eu sinto vontade de gritar contra a dor que drena a minha força, rouba o meu conforto e turva a minha visão da vida. Muitas vezes sou tentada a olhar para trás, para dias melhores, e dizer: “Eu queria poder tê-los de volta.”
Do anseio à verdade
Mas, em minha fraqueza e pela Sua graça, o Senhor tem me lembrado da tolice e da armadilha destrutiva que é esse tipo de pensamento. Salomão escreveu: “Nunca pergunte: ‘Por que os dias passados foram melhores que os de agora?’ Pois não é sábio fazer essa pergunta. No dia da prosperidade, seja feliz; mas, no dia da adversidade, considere que Deus fez tanto este como aquele, para que o ser humano não descubra nada do que há de vir depois dele” (Ec 7.10, 14).
Se você também se sente tentada a olhar para trás, ansiando pelos confortos e circunstâncias passadas, vamos nos lembrar de que isso não é sábio. Se Deus fez tanto o dia da prosperidade quanto o dia da adversidade, então deve haver um propósito amoroso em cada um deles — propósito que não queremos perder de vista por ficar desejando algo “melhor”.
A única maneira que conheço de fazer isso é tirar o foco do que eu gostaria que a vida fosse, aceitar a dor como algo que Deus planejou para o meu bem e lançar o meu corpo vazio, cansado e ferido aos Seus pés.
Quando a adversidade vier, não vamos nos apegar aos dias passados que consideramos “melhores” e perder os tesouros que Cristo tem para nós em tempos de provação. Em vez disso, vamos nos lembrar das razões para permanecer presentes nas circunstâncias que Deus permitiu em nossa vida.
Quatro razões para vivermos o momento
1. Deus permitiu cada circunstância conforme os Seus propósitos santos e amorosos.
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. (Rm 8.28).
Enquanto sinto a frustração e o desânimo crescerem diante desta luta interminável contra a dor, preciso impedir a minha mente de vagar para os dias melhores, de ficar ruminando como a vida parece desesperançosa ou de duvidar do amor e cuidado de Deus por mim. Em vez disso, preciso falar a verdade a mim mesma: Deus não apenas está no controle, mas também está ao meu lado na minha dor. Sabendo que Ele me amou a ponto de sacrificar o Seu único Filho por mim, posso confiar que Ele só permitirá que esta dor continue se tiver algo a me dar ou a operar em mim que tenha valor maior do que o alívio e o conforto que desejo.
Podemos nos apegar ao passado, desejando que a vida seja como era antes, ou podemos perseverar na nossa dor, confiando que um dia olharemos para trás com gratidão e admiração pela maneira como Cristo foi fiel em trazer o bem através do nosso sofrimento.
2. A graça suficiente que Deus provê é para o presente, não para o passado ou para o futuro.
Três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então ele me disse: “A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. (2 Co 12.8–9)
Se estivermos consumidas de anseio pelos dias mais fáceis do passado, não encontraremos a graça de Deus esperando por nós lá. Se nos deixarmos consumir pela expectativa de alívio futuro da dor (que não seja o anseio pela eternidade), também não encontraremos a graça de Deus lá. Deus respondeu ao pedido de Paulo por alívio: “A minha graça é o que basta para você” — agora — na sua dor e na sua fraqueza.
Deus promete nos suprir com a graça da qual precisamos para suportar tudo o que Ele permite em nossa vida, até mesmo a dor da qual tanto desejamos ser libertas. Portanto, correr para qualquer outro lugar que não seja a Sua graça presente é tolice . . . e ficaremos nos debatendo com a nossa própria força limitada.
Se você está enfrentando a dor, assim como eu (de uma forma ou de outra), que tal se juntar a mim e confiar que a graça de Deus é suficiente para este exato momento? Vamos deixar de olhar para o passado ou para o que poderia vir a ser. Em vez disso, vamos trazer as nossas mãos vazias a Ele e confiar que a Sua graça é suficiente para tudo o que precisamos. Ele será fiel — e o Seu poder se aperfeiçoará na nossa fraqueza.
3. Podemos experimentar a Cristo como o nosso consolo de forma mais profunda em tempos de provação.
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele que nos consola em toda a nossa tribulação, para que, pela consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que estiverem em qualquer espécie de tribulação. Porque, assim como transbordam sobre nós os sofrimentos de Cristo, assim também por meio de Cristo transborda o nosso consolo. (2Co 1.3–5)
Eu odeio a dor que está consumindo o meu corpo, mas sou profundamente grata pela forma como ela me impulsionou a conhecer a Cristo não apenas como meu Salvador, mas como tudo para mim. Quando a vida está confortável, isso é um presente gracioso do Senhor. Mas quando a vida está difícil, é igualmente um presente gracioso, porque Ele planejou ambos para os Seus propósitos.
É muito mais fácil encontrar felicidade no conforto e na prosperidade quando a vida vai bem. Mas a felicidade e o conforto nas circunstâncias estão sempre mudando. Só quando a perda, a dor e a adversidade entram em nossa vida é que somos propelidas a conhecer o consolo e a alegria que apenas Cristo oferece — algo que não depende das circunstâncias.
O conforto terreno e a fuga temporária são substitutos baratos para o consolo profundo e satisfatório de Cristo. Não vamos perder o que Ele deseja nos dar, nos recusando a estar presentes onde Ele nos colocou.
4. A nossa fé é comprovada para nós mesmas e para o mundo.
Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; o caráter aprovado, esperança. Essa esperança não nos decepciona, porque o amor de Deus foi derramado no nosso coração por meio do Espírito. (Rm 5.3–5, NVI)
Esta passagem nos lembra de que a perseverança e o caráter que brotam do sofrimento dão testemunho do transformador Espírito de Deus em nós.
Cristo me capacita a suportar a dor que Ele permite; Ele sustenta a minha fé quando as dúvidas enchem a minha mente e coloca alegria no meu coração diante de todas as razões para o desespero. É por isso que tenho esperança. A obra de Deus no meu sofrimento é prova de que sou filha de Deus e de que Ele é fiel em cada momento da minha dor.
No entanto, não somos as únicas que podem crescer em esperança por meio das nossas provações. Quando outros observam as nossas vidas e nos veem suportando circunstâncias inimagináveis, enquanto crescemos em caráter e somos cheias de esperança e alegria quando temos todos os motivos para nos desesperar, nós demonstramos a esperança de Cristo aos que nos observam.
A nossa dor nunca diz respeito a nós apenas. Ela tem um propósito ordenado por Deus e, se continuamente nos voltarmos para Cristo em meio à nossa dor e quebrantamento, Ele será glorificado e nós seremos abençoadas ao vê-Lo usar as nossas circunstâncias para atrair outros para Si mesmo.
A nossa dor terá fim
Por essas razões, estejamos plenamente presentes em qualquer circunstância para a qual Deus nos chamou neste momento, para os Seus propósitos. E que a nossa esperança flua de uma perspectiva eterna, lembrando que temos esperança para perseverar na dor de hoje porque temos uma esperança futura que nos aguarda. Seja a nossa dor breve ou vitalícia, ela terá um fim — um fim glorioso na presença de Cristo.
Deus prometeu usar todas as coisas — inclusive a nossa dor — para nos conformar completamente à imagem de Cristo. Se esse é o futuro que nos espera, por que desejaríamos voltar atrás? O único caminho para a glória é adiante, e o único modo de avançar é descansar na graça de Deus para o hoje.
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