Raquel Anderson: Os pensamentos do seu coração estão focados em que? Nancy DeMoss Wolgemuth nos incentiva a manter os olhos no Senhor.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Um coração contente é um coração centrado em Deus, um coração focado na bondade de Deus, na Sua fidelidade e no Seu amor.
Raquel: Este é o podcast Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Escolhendo a gratidão, na voz de Renata Santos.
Nancy está desenvolvendo uma série cujo título é Cultivando um coração contente. Daqui a pouco vamos ouvi-la.
Um hábito no qual podemos escorregar — e que pode alimentar o descontentamento em nossas vidas — é quando nos comparamos com outras pessoas. Em uma conferência Mulher Verdadeira, uma das palestrantes das sessões paralelas foi Shannon Popkin. Ela é autora de vários livros, incluindo um sobre o tema da comparação. Nossa equipe conversou com ela …
Raquel Anderson: Os pensamentos do seu coração estão focados em que? Nancy DeMoss Wolgemuth nos incentiva a manter os olhos no Senhor.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Um coração contente é um coração centrado em Deus, um coração focado na bondade de Deus, na Sua fidelidade e no Seu amor.
Raquel: Este é o podcast Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Escolhendo a gratidão, na voz de Renata Santos.
Nancy está desenvolvendo uma série cujo título é Cultivando um coração contente. Daqui a pouco vamos ouvi-la.
Um hábito no qual podemos escorregar — e que pode alimentar o descontentamento em nossas vidas — é quando nos comparamos com outras pessoas. Em uma conferência Mulher Verdadeira, uma das palestrantes das sessões paralelas foi Shannon Popkin. Ela é autora de vários livros, incluindo um sobre o tema da comparação. Nossa equipe conversou com ela para explorar esse assunto com mais profundidade.
Shannon Popkin: A comparação pode ser muito destrutiva. Acho interessante chamarmos a comparação de um “jogo”, porque não creio que o nosso inimigo a veja como um jogo. Acho que ele a usa contra nós. Quando ele consegue fazer com que nos comparemos umas às outras, acabamos nos afastando com um senso de inferioridade ou com um senso de orgulho e superioridade. De qualquer forma, estamos nos afastando umas das outras. E é aí que nos encontramos na situação mais perigosa.
Quem é que o inimigo ataca? Sempre as ovelhas. Acho que o inimigo usa a comparação contra nós.
Tiago diz que, se há inveja amarga ou ambição egoísta em nosso coração, não devemos nos gloriar. Essa não é a sabedoria que vem do alto. É uma sabedoria terrena, não espiritual, até mesmo demoníaca.
Inveja amarga é quando olho para o que outra pessoa tem e penso: “Eu queria ter o que ela tem”. Ambição egoísta é quando tento me exaltar e parecer que eu é que tenho mais, ou que sou mais. De qualquer forma, não estou sendo influenciada pela sabedoria do alto. Isso é sabedoria de baixo. É terrena, não espiritual. Ela está ligada a este mundo e ao sistema deste mundo. É até demoníaca. Nosso inimigo quer usar isso para nos influenciar.
Por isso, como ovelhas de Jesus, precisamos estar atentas a quem está nos influenciando. Quando estou me comparando e me afastando das outras pessoas, estou ouvindo a voz de Jesus? Ou estou ouvindo a voz do meu inimigo? Eu realmente quero estar em guarda contra ouvir o inimigo.
Raquel: Shannon diz que ela mesma vive isso.
Shannon: Uma das áreas em que às vezes sinto que fico devendo, que não tenho o que outras têm, é em relação a amizades. Eu não tenho muitas amigas. Às vezes estou rolando o feed no celular e vejo aquele grupo todo saindo para almoçar junto, ou comemorando o Ano Novo, ou algo assim — e eu não tenho isso.
Deus me colocou em um ministério no qual eu viajo muito, e há poucas datas livres no calendário, como Ano Novo ou Dia da Independência, esses feriados em que as pessoas costumam se reunir com amigos. Esses são praticamente os únicos dias livres no meu calendário.
Completei cinquenta anos um pouco mais de um ano atrás, e minha família estava planejando uma festa surpresa para mim. E eu sabia que eles estavam planejando uma festa surpresa porque encontrei meu marido limpando o banheiro.
Nós havíamos acabado de dar uma outra festa surpresa em nossa casa. Lembro-me de que uma pessoa virou a esquina e a casa estava lotada, e todos gritaram: “Surpresa!” Havia muita gente. Então, imaginando minha própria festa surpresa, pensei: Quem vai estar lá? Quem vai estar naquela sala? Eu estava animada, mas também um pouco nervosa.
Saímos para jantar e, depois, quando virei a esquina em casa, veio a “surpresa”. . . era uma surpresa de três. Três amigas. . . me deu um nó no coração. Era o meu maior medo se tornando realidade: eu tenho três amigas! Minha filha iria querer que eu lhes dissesse que algumas pessoas estavam viajando, que havia outras cujos endereços ela não tinha. Mas, ainda assim, naquele dia havia três amigas ali. Lembro-me de estar sentada na sala pensando: “Shannon! Você é ridícula. Precisa sair por aí e fazer amizades. Vamos lá, você está neste planeta há cinquenta anos e tudo o que conseguiu foram três amigas. Isso é ridículo”.
Então tive este pensamento: Gente do céu! Essas não são as coisas que Jesus diz para mim. Se você folhear a sua Bíblia e olhar todas as palavras em vermelho, você nunca vai encontrar Jesus dizendo: “Você é ridícula. Você está em desvantagem. Olhe para você, você está aquém”. Você não diz esse tipo de coisa para os outros.
Então pensei: Estou sendo influenciada pelo inimigo? Será que ele veio justamente à minha festa de aniversário para me influenciar!?
Separei um momento para orar e pedi a Jesus: “Ajuda-me a ver esta festa de aniversário pelos Teus olhos. Ajuda-me a enxergar como Tu queres que eu a enxergue”.
Olhei novamente para aquela sala. Minha família inteira estava ali. Meu marido, que tem sido um amigo fiel e o melhor amigo por mais de vinte e cinco anos. Meus pais, que têm sido influências piedosas na minha vida desde que eu era pequena, estavam ali. Meus três filhos, que amam Jesus e O servem. E eu tenho três amigas. Nem todo mundo pode dizer que tem amigas. Minha amiga Rachel estava ali — uma mulher piedosa. Temos conversas profundas sobre o Senhor. Ela me encoraja na fé.
Ao olhar aquela sala com um coração contente, e enxergar as coisas do jeito que Jesus queria que eu enxergasse, fui tomada pela alegria. Era um ambiente lindo. Na verdade, eu gosto muito mais de encontros pequenos do que de festas enormes. Deus simplesmente me fez assim.
Acho que, às vezes, precisamos ter cuidado com quem estamos ouvindo. Estamos ouvindo o nosso inimigo ou estamos ouvindo a Jesus? Aquele que quer nos conduzir a pastos verdes e nos dar Seus bons presentes. Ele é muito mais poderoso e satisfatório. Ele tem muito mais bons presentes para nós, enquanto o inimigo só quer nos destruir.
Raquel: Mais uma vez, esta é Shannon Popkin, autora do livro Garota que se compara. Perguntamos a ela se existem padrões específicos de gênero na forma como nos comparamos.
Shannon: Tanto homens quanto mulheres lutam com a comparação. Mas as mulheres, em particular, lutam muito com a comparação da aparência. Lembro-me de que um dia eu estava olhando para o celular e tinha ampliado a foto de um grupo de amigas. Eu não estava olhando para os rostos; estava olhando para a região da cintura. Na minha mente, eu comparava: “Será que eu sou a mais gorda?”
Minha filha entrou no quarto naquele exato momento e perguntou: “Mãe, o que você está olhando?”
Eu desliguei o celular rapidamente. Não queria que ela visse.
Existe essa tentação de olhar para nossa embalagem externa e dar atenção excessiva a isso. Nosso inimigo usa isso desde que somos meninas. Ele entra nesses momentos em que nossos olhos se abrem para as diferenças — especialmente para as diferenças na aparência.
Mas Jesus tem coisas diferentes a dizer sobre a aparência externa. Quando Jesus falou com os fariseus, eles estavam completamente focados no exterior. Mas Jesus disse: “Vocês são como sepulcros caiados”. Sepulcros caiados. . . Eles costumavam pintar os túmulos de branco perto da Páscoa, porque as pessoas iam a Jerusalém para a celebração. Assim, sabiam que deveriam ficar longe daqueles túmulos, pois se tocassem em algo morto precisariam passar pela purificação cerimonial. Ou seja, o branco significava: fique longe.
Os fariseus queriam parecer perfeitos por fora, mas por dentro estavam mortos. Seus corações estavam cheios de coisas mortas, como orgulho e desejo de se comparar aos outros. Se estivermos diante do espelho com toda a nossa atenção voltada para a aparência externa, na verdade, isso não é orgulho? Existe tanto o orgulho pela minha aparência atual quanto o orgulho às avessas por aquilo que não transpareço, pelo modo como gostaria de ser e pela forma como estou obcecada por isso.
E o que isso provoca? Isso faz com que mantenhamos todos à distância. Queremos controlar quais fotos nossas aparecem nas redes sociais — que sejam bem-produzidas, no ângulo certo, com a luz certa. Manter o perímetro.
Mas Jesus veio para entrar nesse túmulo, escancarar as portas e trazer à vida o que estava morto. Ele quer comunhão. Para Ele, tudo gira em torno do interior. Ele quer focar no nosso coração. Ele quer que nos abramos à luz do Evangelho e que nos vejamos como Ele nos vê.
E como Deus nos vê? Ele nos vê como filhas amadas. Ele nos criou diferentes e únicas. Aparentemente, Deus gosta de variedade. Somos todas únicas — impressões digitais únicas, retinas diferentes umas das outras. Nosso Deus ama a forma como nos criou. Creio que Ele quer que nos vejamos como tesouros únicos que Ele criou.
Raquel: Shannon diz que lidar com a comparação é especialmente importante para quem é mãe.
Shannon: Como mães, nós somos modelos para nossos filhos da maneira como lidamos com a comparação. Hoje, a comparação é muito pior do que era quando éramos crianças.
Lembro-me de quando minha filha era pequena. Ela estava olhando pela janela e vendo uma festa de aniversário na casa de uma vizinha e se sentindo muito triste e excluída porque não tinha sido convidada. Para mim, fazia sentido, porque a menina da festa era de outra idade e estudava em outra escola. Mas, para minha filha, era uma grande amiga, e aquilo doeu muito.
Lembro-me de dizer a ela: “Filha, saia da janela. Vamos parar de olhar para isso. Afaste-se”.
Hoje, as redes sociais são como um milhão de janelas escancaradas. Nossos filhos estão olhando para a vida dos outros. Estão vendo o melhor momento, o reel de destaques. Isso não é real. O que aparece nas redes sociais é polido, editado, apresentado — não é totalmente verdadeiro. Precisamos ser modelos disso para nossos filhos. Eu posso fazer a mesma coisa com meu celular, olhando e me comparando.
Há três perguntas que faço a mim mesma e aos meus filhos. A primeira, quando estou espiando essas janelas, olhando para a vida dos outros, é: Será que estou focada demais em mim mesma? Se estou me medindo e me comparando a você, estou, na verdade, focada em mim. Estou apenas perguntando como eu me saio nessa comparação. Estar focada em mim mesma é exatamente o que o inimigo quer.
A segunda pergunta é: Existe alguém com quem eu possa ser vulnerável sobre essa luta? Nosso inimigo quer nos manter isoladas. Ele nos quer sozinhas. Há um documentário chamado O Dilema das Redes. É muito impactante. Há uma cena em que uma menina, talvez de onze ou doze anos, está olhando o celular. Ela posta uma foto tentando ficar bonitinha. Os comentários começam a aparecer, e alguém posta um emoji de elefante, insinuando que ela tem orelhas grandes. Você vê a menina tentando cobrir as orelhas no espelho, enquanto lágrimas escorrem.
O que eu gostaria de dizer a essa menina é: “Vá mostrar isso para sua mãe. Sua mãe está ali fora. Mostre para ela. Ela pode te ajudar. Essa não é uma batalha que você precisa travar sozinha no seu quarto, com o celular. É exatamente aí que o inimigo quer você”.
Então, com quem posso ser vulnerável? Quero que meus filhos saibam que eu sou essa pessoa com quem eles podem ser vulneráveis. Ou talvez com uma amiga. Não precisamos lutar contra o inimigo sozinhas.
A terceira pergunta é: A quem eu posso servir? Como posso tirar o foco de mim mesma e daquilo que estou comparando? Tenho uma pequena metáfora de um copo medidor. Imagine que tudo o que Deus lhe deu está dentro desse copo: sua aparência, seus dons, suas habilidades, seus talentos. O inimigo quer que você fique focada nas marcas laterais do copo, medindo. Mas Jesus sempre direciona nossa atenção para o bico dosador, por onde o conteúdo é derramado.
Ele nos convida: “O que você recebeu que lhe foi dado para servir ao mundo?” Como você pode focar em outra pessoa? Jesus é o maior exemplo disso. Se Jesus tivesse um copo medidor, ele seria o maior possível e estaria completamente cheio. E o que Jesus fez com toda a Sua grandeza? Filipenses 2 diz que Ele se esvaziou. Derramou a Sua vida na cruz. Ele é o nosso grande exemplo.
Então, se quisermos nos libertar da comparação, como podemos viver como Jesus? Como podemos nos concentrar no bico dosador? Como podemos nos esvaziar? O belo dessa metáfora é que, quando inclinamos o copo medidor, as linhas deixam de importar. Tornam-se irrelevantes. Quando nos concentramos nos outros, quando entramos em uma sala e pensamos: “A quem posso servir?”, simplesmente nos libertamos desse foco no "eu".
Raquel: Shannon chama isso de “viver sem o foco em mim”.
Shannon: Viver sem o foco em mim é simplesmente estar livre da obsessão comigo mesma. Quando nos comparamos, até olhamos para os lados, mas, na verdade, o foco está em nós. Perguntamos: “Como eu me saí? O que estão pensando? Qual será a reação?” O foco está todo em mim.
Essa não foi a forma como Jesus viveu. Jesus não estava focado em Si mesmo. Filipenses 2 diz que Ele não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse se apegar. Ele não estava tentando medir-se. Ele era igual a Deus, mas não se agarrou a isso. Pelo contrário, tornou-Se servo. Primeiro, quando veio como um bebê — Ele Se humilhou. Depois, como homem, derramou a Sua vida na cruz. Ele Se esvaziou completamente. E como o céu respondeu? Filipenses 2 diz que Deus Lhe deu um nome que está acima de todo nome.
Jesus viveu uma vida completamente livre do foco em Si mesmo. Ele Se humilhou; Ele Se derramou. Por isso, Ele é o maior. A cruz é a demonstração mais extravagante de humildade que o mundo já viu. E, por causa disso, Jesus tem um nome acima de todo nome. Compare isso com Satanás. Satanás queria ser exaltado. Queria que seu nome fosse elevado. Ele tinha poder no céu, mas não foi o suficiente. Queria ser como o Altíssimo — isso é linguagem de comparação. Satanás estava cheio de si mesmo. Jesus Se esvaziou; derramou Sua vida.
Então, a quem vamos imitar? Satanás era totalmente focado em si mesmo. Jesus era completamente livre do foco em Si; Ele entregou a Sua vida.
Raquel: Essa foi Shannon Popkin, nos ajudando a enxergar a solução para a nossa tendência de entrar no jogo da comparação. Seu livro se chama Garota que se compara: Lições de Jesus sobre como viver livre do foco em si mesma num mundo que exige adequação
Esse “viver sem foco em mim” soa como algo que precisa estar enraizado em um coração contente. Aqui está Nancy DeMoss Wolgemuth com mais sobre esse assunto.
Nancy: Temos observado as características de um coração contente. Não queremos ter um coração descontente; queremos cultivar uma atitude de contentamento. Vimos que um coração contente é um coração agradecido — que reconhece e aprecia as bênçãos que Deus trouxe à nossa vida. Vimos que um coração contente é um coração confiante — que confia que Deus sabe o que está fazendo. E é um coração submisso, rendido — que permite que Deus seja Deus em nossa vida.
Quero que vejamos mais duas características de um coração contente. Se queremos ser pessoas contentes, precisamos de um coração altruísta, um coração altruísta — chegar ao ponto em nossa vida em que tudo o que importa é que Deus seja glorificado.
A disposição de abrir mão desse impulso que temos de querer ser felizes, de achar que a vida precisa funcionar para nós, não é natural. Mas o modo sobrenatural de viver para o filho de Deus é morrer para si mesmo — morrer para meus próprios impulsos, ideais, aspirações e sonhos.
O apóstolo Paulo entendeu e aprendeu o que significa ter um coração altruísta. Um coração altruísta é um coração que pode ser cheio de Cristo, e isso traz glória a Deus.
Em Filipenses 4, conhecemos bem esse texto, mas ele sempre me impressiona. Paulo diz: “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (v. 11). Você consegue se imaginar dizendo isso? “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. . . tanto de estar alimentado como de ter fome, tanto de ter em abundância como de passar necessidade”. Paulo sabia muito bem o que era fome, necessidade e privação.
Hoje cedo, no meu tempo devocional, eu estava lendo em 2 Timóteo 2, quando Paulo fala das muitas aflições que enfrentou. E agora ele escreve aos filipenses, de uma prisão romana, dizendo: “Aprendi um segredo que me ensina a estar contente em qualquer circunstância. . . inclusive nesta prisão romana miserável”.
Qual era o segredo de Paulo? Se você voltar ao capítulo 1 de Filipenses, perceberá que Paulo já havia resolvido a questão do propósito da sua vida. Ele chegou ao ponto de dizer: “Tudo o que importa para mim é que Cristo seja exaltado”. Só isso importa. Viver ou morrer, não importa. Bem alimentado ou com fome, palácio ou prisão, não importa. O que importa é que Cristo seja engrandecido e que o Evangelho avance, independentemente das circunstâncias. Esse é o segredo do contentamento: chegar ao ponto em que a minha felicidade pessoal e a minha conveniência se tornam secundárias. Tudo o que importa é que Cristo seja glorificado por meio da minha vida.
Em Atos 20, Paulo disse algo semelhante — um dos versículos favoritos do meu pai. Paulo disse: “Considero a minha vida sem valor algum para mim mesmo, contanto que eu complete a carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, de testemunhar do Evangelho da graça de Deus.” (v. 24, parafraseado)
Paulo chegou — e nós também precisamos chegar — a esse ponto em que ele disse: “Viver ou morrer, afundar ou nadar, palácio ou prisão, comida ou fome, amigos ou — como li hoje cedo — todos me abandonando, não importa. Tudo o que importa — isso já está resolvido — é que Cristo seja engrandecido”.
Você já chegou a esse ponto na sua vida? Não é algo que se resolve de uma vez por todas; é algo que precisa ser vivido diariamente. Mas, até que você faça esse compromisso básico e fundamental, continuará lutando com isso por toda a vida.
Você já resolveu que Cristo é a sua vida? Que você não vive para si mesma? Não se trata de você. Trata-se de Cristo, trata-se daquilo que O agrada e o que traz glória a Ele. Quando você chega a esse ponto de possuir um coração altruísta, então pode ser uma pessoa contente em qualquer circunstância, em qualquer situação.
Conheço uma mulher que está sempre sorrindo, cuja família sei que está morando em um trailer pequeno e apertado enquanto a casa está sendo construída. Já conversamos sobre os desafios que isso trouxe para a família dela. Tenho visto, no coração dessa mulher, que apesar das dificuldades e das lágrimas derramadas, existe um compromisso fundamental: o que realmente importa é que Cristo seja engrandecido.
Isso traz perspectiva — seja você morando em um trailer, em um palácio ou em uma prisão. Isso traz perspectiva para as circunstâncias que você enfrenta hoje.
Agora, há outra característica que quero que observemos em um coração contente, e é esta: um coração contente é um coração centrado em Deus — um coração focado na bondade de Deus, na Sua fidelidade e no Seu amor.
Uma mulher me escreveu e compartilhou algo que Deus estava mostrando a ela sobre contentamento. Ela disse: “Meu marido acabou de sair da prisão e agora está em reabilitação. Ontem à noite eu estava me sentindo muito irada e amarga por causa do que não temos e do que poderíamos ter, se ao menos ele não tivesse se desviado”.
Você percebe esses “se ao menos”? Eram circunstâncias que ela sentia estar fora do controle dela. Mas ela continuou: “Deus falou comigo por meio da sua mensagem sobre descontentamento. Independentemente da minha situação, eu sei que Deus me ama, e Ele é tudo o que eu preciso”.
Ela está ilustrando algo que vemos de forma muito poderosa no Salmo 73. Talvez você queira abrir a sua Bíblia aí. Vamos dar apenas uma olhada rápida, mas quero lhe dar uma visão geral dessa linda passagem sobre um coração centrado em Deus. Se eu pudesse resumir esse salmo, eu diria que ele tem dois “marcos”, dois extremos: o primeiro versículo e o último. Ambos falam sobre a bondade de Deus.
O primeiro versículo diz: “De fato, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo”.
Esse é o ponto central. Essa é uma afirmação de fato. Isso é verdade, quer você acredite ou não. É verdade independentemente das circunstâncias que você esteja enfrentando hoje. Deus é bom. E o último versículo nos lembra disso novamente:
“Quanto a mim, bom é estar perto de Deus. . .” Ou, como diz outra tradução: “A proximidade de Deus é o meu bem”. Esse é o meu maior bem — o fato de Deus existir e de Ele estar envolvido na minha vida.
Agora, entre esses dois marcos, há três parágrafos principais nesse salmo. Deixe-me resumir rapidamente para você.
Nos versículos 3 a 12, ele menciona os “outros” muitas vezes. Aqui, o salmista está olhando para fora, focando nas outras pessoas. Ele diz: “Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos maus. Para eles não há preocupações, o seu corpo é forte e sadio. Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros. Por isso, a soberba os cinge como um colar, e a violência os envolve como um manto”.
Ele observa a vida dos outros e compara as circunstâncias deles com as suas. Eles fazem todo tipo de coisa errada e parecem prosperar. Pecam e, aparentemente, não sofrem as consequências. Quando o autor desse salmo olha para os outros, ele se enche de inveja e descontentamento.
A partir do versículo 13, o foco muda. Ele já não olha para fora, agora olha para dentro. Ele fala de “si” muitas vezes nesse trecho. Ele diz: “Foi inútil manter puro o meu coração. Em vão lavei as mãos na inocência. Sou castigado o dia inteiro, disciplinado todas as manhãs”. (paráfrase)
O foco agora está nele mesmo. E quando ele olha para dentro, o resultado é autopiedade e amargura. Ele descreve essa amargura nos versículos 21 e 22: “Quando o meu coração estava cheio de amargura e o meu íntimo se comoveu, eu estava embrutecido e sem entendimento; era como um animal diante de ti”.
Isso não descreve exatamente o que muitas vezes nos tornamos quando o coração está focado em comparações — olhando para fora ou para dentro? Ficamos amargas, fazemos a festa da autopiedade e, no fim, nos tornamos como um animal irracional — dominadas pelas emoções, sem clareza, sem controle.
Então, no último parágrafo, a partir do versículo 23, ele volta a olhar para cima, para Deus. E repetidamente ele se refere ao Senhor como “Tu”: “No entanto, estou sempre contigo, Tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o Teu conselho”.
Ele recupera a perspectiva eterna, e o resultado é um coração contente, confiante e seguro. Ele diz no versículo 25: “Quem tenho eu no céu além de ti? E quem poderia eu querer na terra além de ti? Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre”.
O que ele está dizendo? Deus é suficiente. Tu és suficiente. A proximidade de Deus é o meu verdadeiro bem.
Gene e Sherry Foltz são meus amigos, missionários há muitos anos na Tailândia. Eles servem em uma missão de fé, vivendo de sustento levantado — sem salário garantido.
Algum tempo atrás, a família deles precisava muito de um veículo. Em um momento de grande dificuldade, eles ligaram para nosso ministério, compartilharam essa necessidade e pediram oração. Dois meses depois, recebemos uma carta deles que começava relembrando aquela ligação. Gene escreveu:
No fundo, eu acho que estava duvidando da bondade do nosso Deus. Às vezes, passamos a esperar certas coisas do Senhor, quase como se merecêssemos. Afinal, estou no ministério há mais de vinte anos e sacrifiquei muito por Deus. O interessante é que eu percebia isso acontecendo. Eu sabia que estava errado. Sabia o que significava dizer ao Senhor que viveria pela fé, mas ainda assim luto para confiar plenamente quando as coisas ficam difíceis. Satanás tenta continuamente corroer nossa confiança nas promessas da Palavra de Deus.
Já estamos há três meses sem um veículo, exceto por uma motoneta, e estamos bem. Tivemos alguns sustos, fomos pegos na chuva algumas vezes e nos cansamos de usar capacetes nesse calor asiático, mas, no geral, estamos contentes.
Não compartilho isso para que vocês sintam pena de nós. Pelo contrário, sentimos que Deus tem nos abençoado ricamente com bênçãos espirituais. Temos paz. Não importa se vamos ou não receber um veículo. Deus pode nos dar um, e seremos gratos. Mas Ele também pode não nos dar. Uma coisa sabemos: Deus nos ama profundamente e cuida das Suas ovelhas. Estamos cuidados.
Raquel: Que lembrança maravilhosa vinda de missionários que ganharam uma nova perspectiva sobre suas necessidades de transporte.
Sabe, como a Nancy tem dito, um coração centrado em Deus é fundamental para cultivarmos um espírito de contentamento. Você tem lembretes práticos no seu dia a dia — coisas que te ajudam a pensar na bondade de Deus e a se lembrar de que Ele está no controle?
Uma forma de ter esse tipo de lembrete é através de leituras que trazem o nosso coração de volta para a verdade. O livro Escolhendo a Gratidão, da Nancy DeMoss Wolgemuth, pode ser esse encorajamento constante. Ao longo das páginas, você será desafiada a se lembrar da graça de Deus, a responder com gratidão e a encontrar contentamento mesmo em meio às circunstâncias — descansando no fato de que Deus está no controle. Para saber mais sobre esse livro e como adquiri-lo, visite o nosso site avivanossoscoracoes.com e clique em “Livros”.
Há um homem na Bíblia que olhou ao seu redor e viu tanta maldade que quase perdeu sua perspectiva centrada em Deus. . . até perceber que “Deus é suficiente”. Descubra mais com Nancy no próximo episódio aqui no Aviva Nossos Corações.
Agora, ela está aqui conosco para orar.
Nancy: Senhor, obrigada pela Tua bondade que nunca falha. O ponto de partida e o ponto final é este: Tu és bom. Tu és verdadeiramente bom. Dá-nos um coração que não esteja focado nos outros, nem em nós mesmas, mas fixo em Ti, na Tua bondade. Que tenhamos corações que Te glorifiquem, que Te deem graças, que confiem em Ti e que deem ao mundo uma opinião correta de quão bom Tu és.
Oramos em nome de Jesus, amém.
Raquel: O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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