Raquel Anderson: O contentamento vem de um coração cheio de fé. Aqui está Nancy DeMoss Wolgemuth.
Nancy DeMoss Wolgemuth: É essa fé que agrada a Deus. Você quer agradar a Deus com a sua vida? Então Deus vai colocá-la em circunstâncias nas quais você não consegue ver o resultado, não consegue entender o motivo, nada faz sentido. Você simplesmente precisa confiar.
Raquel: Este é o podcast Aviva Nossos Corações, com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Escolhendo a gratidão, na voz de Renata Santos.
Nancy: Estamos vendo como cultivar um coração contente e observando as características de um coração contente. Na última sessão, vimos que um coração contente é um coração agradecido, que aprende a reconhecer e a expressar gratidão pelas bênçãos de Deus.
Quero encorajá-la novamente a separar tempo diariamente para dizer: “Obrigada, Senhor”, e listar diante de Deus as bênçãos específicas que …
Raquel Anderson: O contentamento vem de um coração cheio de fé. Aqui está Nancy DeMoss Wolgemuth.
Nancy DeMoss Wolgemuth: É essa fé que agrada a Deus. Você quer agradar a Deus com a sua vida? Então Deus vai colocá-la em circunstâncias nas quais você não consegue ver o resultado, não consegue entender o motivo, nada faz sentido. Você simplesmente precisa confiar.
Raquel: Este é o podcast Aviva Nossos Corações, com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Escolhendo a gratidão, na voz de Renata Santos.
Nancy: Estamos vendo como cultivar um coração contente e observando as características de um coração contente. Na última sessão, vimos que um coração contente é um coração agradecido, que aprende a reconhecer e a expressar gratidão pelas bênçãos de Deus.
Quero encorajá-la novamente a separar tempo diariamente para dizer: “Obrigada, Senhor”, e listar diante de Deus as bênçãos específicas que Ele tem trazido à sua vida — coisas que tantas vezes não valorizamos ou deixamos passar despercebidas.
Às vezes me pergunto: se as coisas que Deus faz por mim fossem limitadas por aquilo pelo que eu Lhe agradeço, quantas bênçãos eu teria daqui para frente? Se Ele não fizesse nada além daquilo que já agradeci, minha vida seria uma vida abençoada ou empobrecida?
Um coração contente é um coração grato, agradecido. Veremos a seguir que um coração contente também é um coração confiante. É um coração que confia no caráter de Deus, confia na providência de Deus, confia no plano de Deus e sabe que tudo o que Deus faz é bom.
Uma mulher me escreveu e disse: “Tenho sido descontente em relação a minha vida familiar, especialmente em relação ao meu marido e ao que eu acho que ele deveria fazer em nossa família”.
Essa, aliás, é uma área de descontentamento para muitas mulheres. É uma armadilha perigosa. É um hábito perigoso que muitas mulheres desenvolvem sem nem perceber — criar expectativas dentro do lar que não são atendidas.
Deixe-me dizer algo aqui: não existe marido perfeito. Deus nunca criou um marido que fosse perfeito. Não existe marido que consiga atender a todas as expectativas de sua esposa. E, aliás, também não existe esposa perfeita que consiga atender a todas as expectativas do marido.
Deus sabia do que você precisava quando escolheu esse marido para você, e Deus pretende usar até mesmo as arestas dele para ajudar a moldar e formar você. Mas, quando você se concentra nas maneiras pelas quais seu marido, seus filhos ou seus pais não atendem às suas expectativas, você vai acabar frustrada.
Essa mulher continuou dizendo: “Minha falta de contentamento mostra que não confio em Deus nem na provisão dele. Fui lembrada de que meu marido é a escolha perfeita de Deus para mim, e eu preciso confiar que Ele sabe o que está fazendo na minha vida”.
Essa é uma afirmação simples, mas é a base de tudo na vida: crer que Deus sabe o que está fazendo em nossas vidas.
Alguém já disse que a vontade de Deus é exatamente aquilo que nós escolheríamos se soubéssemos o que Deus sabe. Mas nós não sabemos o que Deus sabe — é exatamente isso que O faz ser Deus e nós não. Quando estivermos na eternidade com o Senhor e olharmos para trás, para esta vida, teremos uma perspectiva que hoje não temos. Veremos do ponto de vista eterno: “Sim! Deus sabia exatamente o que estava fazendo. Ele não cometeu erros. Havia uma tapeçaria sendo tecida. Havia um caminho sendo traçado, e era o caminho certo. Era o caminho bom. E, sim, se eu ocupasse o lugar de Deus e soubesse o que sei agora teria feito exatamente as mesmas escolhas”.
Mas hoje não conseguimos ver o quadro completo. Não temos essa perspectiva completa, e não teremos nesta vida. Por isso precisamos confiar no que não vemos — e é essa fé que agrada a Deus. Você quer agradar a Deus com a sua vida? Então Ele vai colocá-la em situações nas quais você não consegue ver o resultado, não entende o motivo, nada faz sentido. Você simplesmente precisa confiar — e um coração que confia acaba sendo um coração contente.
Fui muito impactada, alguns anos atrás, por uma série de reportagens publicadas no jornal da minha cidade. Uma delas tinha o seguinte título: “Amor, honra e compromisso: nasce o bebê ameaçado pelo câncer”.
Todd Stilson é médico e mora em nossa região. Sua esposa, Jane, era farmacêutica. No início da segunda gravidez, ela foi diagnosticada com uma forma agressiva e fatal de câncer de mama. Os médicos aconselharam que ela abortasse o bebê para poder tratar o câncer. Ela sabia que, se não abortasse, sua expectativa de vida seria muito curta.
O casal disse que a decisão mais fácil de todo o processo foi justamente a de não abortar o bebê. Eles se recusaram, apesar de todo o aconselhamento médico. Ambos eram profissionais da área da saúde e sabiam qual seria, provavelmente, o desfecho. Eles acreditavam que tanto a gravidez quanto o câncer vinham de Deus, e decidiram aceitar ambos. A reportagem, escrita logo após o nascimento do bebê, expressava a confiança desse casal na vontade e no plano de Deus para suas vidas.
Vou ler um trecho do que foi dito:
Este casal ora para que Deus intervenha, seja por meio da ciência ou de forma sobrenatural, mas está preparado para aceitar uma resposta negativa.‘Confiamos na providência do Senhor’, disse Todd calmamente.
O casal teve seus momentos de medo e tristeza, mas, segundo ele, ‘em meio à dor e ao sofrimento, pode haver verdadeira paz. Esta história é muito maior do que nós’, afirmou Todd. ‘Esta história é sobre o que Deus está fazendo em nossas vidas. Meu desejo é que, quando as pessoas nos virem, isso as faça querer conhecer o Deus a quem servimos. A Jane e eu somos passageiros, assim como todos. Mas o Senhor não é. Ele é eterno.”
Sete meses depois, pouco antes de Jane partir para estar com o Senhor, outra reportagem foi publicada. Nela, Todd disse:
“Acreditamos que Deus está no controle e que Ele não cometeu nenhum erro. Não foi um erro Jane estar grávida, e não foi um erro ela ter câncer de mama. Vamos confiar nele.”
Jane disse: “Deus tem Suas promessas. Ele nunca abandona o Seu povo”.
Ambos estavam de bom ânimo e demonstravam grande serenidade ao falar da vida. A depressão, assim como o aborto, simplesmente não parecia ser uma opção.
“Quando descobrimos que o câncer havia se espalhado para os ossos, foi um golpe muito duro”, disse Jane. “Eles não podem me curar medicamente. Essa foi a maior decepção, mas não estou deprimida. O Senhor tem sido a minha força.”
Ela admitiu: “Ficamos muito desapontados e choramos quando recebemos esse relatório, mas eu sabia que precisava seguir em frente. Eu me apoiei na Palavra de Deus, e isso me trouxe muita paz. Ele está no total controle da situação. Isso está realmente fora das minhas mãos, e exige de mim total dependência dele”.
Sabe qual é a verdade? Tudo já está fora das nossas mãos. Eu e você tentamos tanto controlar as coisas — e nós, mulheres, já nascemos controladoras. Queremos tudo resolvido, funcionando direito e sob o nosso controle. Mas a realidade é que não conseguimos controlar nada. Você pode manter seu filho bem perto de você, mas não pode controlar a saúde dele, o desenvolvimento, o temperamento ou o caráter. No fim das contas, dependemos de Deus até mesmo para respirar.
Um coração contente nasce da confiança de que Deus sabe o que está fazendo e de que Ele não comete erros. Como disse o salmista: “Deus é bom, e tudo o que Ele faz é bom”.
Outro ponto, um coração contente é um coração agradecido, confiante e um coração rendido e submisso.
Talvez essa palavra não seja fácil de aceitarmos, mas, se quisermos ter um coração contente, precisamos ter um coração rendido e submisso. É o coração que diz:“Senhor, isso não é o que eu teria escolhido se eu fosse Deus, mas eu não sou Deus. Reconheço isso. Se isso Te agrada, então me agrada também. Se isso é o que Tu consideras melhor, então eu digo: ‘Sim, Senhor. Eu me rendo. Não seja feita a minha vontade, mas a Tua’”.
É aí que chegamos à cruz — quando a nossa vontade cruza com a vontade de Deus. Colocamos a nossa vontade de lado: “Eu não preciso que seja do meu jeito. No fundo do meu coração, o que eu realmente quero é que seja do jeito de Deus”.
Aprendi muito sobre a beleza de um coração rendido e submisso por meio das obras de Elisabeth Elliot. Quero ler um trecho do livro Mantenha um coração sereno, em que ela fala sobre reclamação versus submissão. Ela diz:
Tudo aquilo sobre o que somos tentadas a reclamar pode ser exatamente o instrumento que o Oleiro pretende usar para moldar o barro à imagem do Seu Filho. As coisas das quais reclamamos podem ser justamente a resposta à nossa oração para sermos semelhantes a Jesus.
Depois ela lista alguns exemplos:
Uma dor de cabeça, um insulto, uma fila longa no caixa, (não é preciso muito para nos tirar do sério), a grosseria de alguém ou a falta de um “obrigado”,um mal-entendido, uma decepção, uma interrupção.
Como disse Amy Carmichael: “Veja nisso uma oportunidade de morrer” — ou seja, uma oportunidade de deixar o eu de lado e dizer “sim” à vontade de Deus, de ser conformada à Sua morte — não de forma mórbida ou com um espírito de mártir, mas com uma paz tranquila e um contentamento feliz, na certeza de que a bondade e a misericórdia nos seguirão todos os dias da nossas vidas.
Ela conclui com este ponto importante:
Será que nossos filhos não aprenderiam mais sobre piedade se vissem em nós um exemplo de contentamento em vez de reclamação, aceitação em vez de rebeldia, e paz em vez de frustração?
Lembre-se: ao escolher confiar, render-se, submeter-se e agradecer, você não está apenas determinando o seu próprio nível de paz ou frustração, mas está impactando profundamente a vida de seus filhos, que estão aprendendo como responder às dificuldades e desafios da vida.
Raquel: Você está ouvindo Aviva Nossos Corações, com nossa anfitriã Nancy DeMoss Wolgemuth. Ela está no meio de uma série chamada Cultivando um Coração Contente. Ela já voltará com mais.
O descontentamento é uma condição do coração que nunca se satisfaz. A Bíblia se refere a isso como cobiça. Foi sobre isso que Erin Davis conversou com Melissa Kruger, autora do livro A inveja de Eva: Encontrando a satisfação em um mundo cobiçoso. Essa conversa aconteceu em um centro de recursos durante uma conferência. Aqui está Erin Davis conversando com Melissa Kruger.
Erin Davis: Você dedica a segunda metade do livro a essas categorias da cobiça, e achei isso muito útil (talvez porque eu tenha uma personalidade tipo “AA”: eu adoro de listas de verificação!). Vamos dar uma olhada nelas juntas.
Você fala sobre cobiçar dinheiro e posses, e apresenta no livro uma lista que considero muito útil com diferentes verdades nas quais podemos acabar acreditando:
- Dinheiro significa segurança.
- Dinheiro significa felicidade.
- Dinheiro significa paz nos relacionamentos (se nossa conta bancária estivesse cheia, nosso casamento não estaria tenso, nossos filhos se dariam bem — seja o que for).
- Dinheiro significa ter conforto.
- Dinheiro significa ter respeito.
- Dinheiro significa ter prazer.
- Dinheiro significa ter experiências.
- Dinheiro significa ter bens.
- Dinheiro significa ter recompensa.
E então você vira isso de cabeça para baixo quando substitui a palavra “dinheiro” por “conhecer a Deus”, e achei isso tão poderoso! Porque:
- Conhecer a Deus significa ter segurança.
- Conhecer a Deus significa ter felicidade.
- Conhecer a Deus significa ter paz.
- Conhecer a Deus significa ter respeito.
Acho que isso nos ajuda muito a explorar perguntas como: “Estou cobiçando dinheiro ou bens?” ou “O que eu acho que finalmente vai me fazer feliz?” Seria um salário mais alto. . . ou seja lá o que for? Será que eu acredito que alguma coisa ou algum valor em dinheiro vai me fazer feliz? E você dá o exemplo de Judas como alguém que cobiçou dinheiro e bens.
Melissa Kruger: Sim. Eu nunca tinha acompanhado a história dele inteira, e esses pequenos indícios aparecem nos Evangelhos. Ele era o responsável pela bolsa do dinheiro, e vinha roubando dela em segredo. A grande frustração dele — o momento decisivo, pouco antes dele procurar os chefes dos sacerdotes — foi quando Maria entrou com aquele vaso de alabastro que valia o equivalente a um ano inteiro de salário. Ela o quebra aos pés de Jesus, adorando-O, preparando-O para o sepultamento, e Judas fica furioso! “Esse dinheiro não poderia ter sido dado aos pobres?!” Essa é a pergunta que ele faz. Veja: ele sabia exatamente quanto aquilo custava e estava preocupado porque não foi parar na bolsa do dinheiro!
É isso que o leva a procurar os chefes dos sacerdotes e entregar Jesus. Então, ele foi atrás daquelas moedas — e acabou perdendo o Tesouro! É algo que nós também fazemos com muita frequência. Ele tinha diante de si o Tesouro da Eternidade, e perdeu tudo por trinta moedas de prata.
Erin: Penso em nós, que vivemos em uma América tão próspera, e a ânsia ter cada vez mais nunca satisfaz — e também não satisfez Judas. Eu acredito que Judas foi consumido por um arrependimento enorme. Não sei se ele se arrependeu de fato, mas certamente sentiu um profundo remorso. Ele acabou devolvendo o dinheiro que achava que o satisfaria. Não satisfez.
Melissa: Exatamente. Não satisfez. E esse é o ponto: há muitas pessoas famosas que conseguiram tudo o que o dinheiro pode oferecer. Por que elas recorrem às drogas? Por que pulam de relacionamento em relacionamento, sem parar? Estão procurando por algo que o dinheiro não consegue satisfazer.
Se o dinheiro pudesse nos satisfazer, teria sido muito menos doloroso do que a cruz! Deus poderia simplesmente ter nos dado muito dinheiro, mas escolheu nos dar Seu Filho.
Erin: Você pode sugerir uma ação prática para a mulher que está ouvindo e pensa: “O problema é o dinheiro. Minha cobiça está no dinheiro ou nas posses”? Eu sei que não existe solução fácil — não é isso que estou pedindo —, mas o que você recomendaria que ela fizesse?
Melissa: Muitas vezes eu me volto para a resposta simples, que geralmente é a resposta difícil: orar e louvar. Eu diria que agradecer pelas coisas que Deus já nos deu lembra o nosso coração de que elas vieram dele.
Quando oramos, até mesmo agradecendo a Deus pela refeição, isso nos lembra: “Essa refeição não era um direito. Foi um presente de Deus”. Muitas de nós (não todas) vivemos com despensas cheias; estamos até tentando esvaziá-las, porque temos coisas ali que provavelmente nem deveríamos estar comendo. Comigo também acontece.
Mas a realidade é que muitas pessoas no mundo não têm isso. Separar um tempo para agradecer pelo que temos, em vez de focar sempre no que não temos. . . acho que esse tipo de atitude realmente glorifica a Deus. Essa atitude diz: “Sou grata pelo que tenho”, e isso gera contentamento no nosso coração em relação às posses.
Erin: Você não ama como as crianças pequenas oram? “Obrigado pelo meu cachorrinho, obrigado pela minha vovó, obrigado pelo meu ursinho, obrigado pela minha cama”. É simples e adorável, mas também acho que — talvez — isso impeça que a inveja crie raízes profundas no coração delas.
Melissa: Isso mesmo. A gratidão, eu acho, é um dos maiores antídotos para isso.
Erin: Sim, esse é um ótimo começo! Depois você trata da categoria da cobiça nos relacionamentos românticos e usa Davi — o exemplo clássico disso. E você acompanha esse padrão de “ver, desejar, tomar e esconder”. Você poderia falar sobre isso na vida de Davi?
Melissa: Ele viu Bate-Seba. Era um homem que já tinha muitas esposas, mas ele a viu — ela era linda. Ele claramente a desejou, porque a viu se banhando, então imagino que foi algo bem carregado de luxúria.
Ele a cobiçou, a tomou — sabendo que ela era casada com outro homem. E então, quando foi descoberto (porque Urias estava na guerra, e Bate-Seba não deveria estar grávida — e ela engravida), ele tenta esconder matando Urias, colocando-o na linha de frente. Vemos esse padrão nitidamente.
No mundo em que vivemos hoje, parece que qualquer pessoa pode estar filmando qualquer coisa a qualquer momento, e isso é ótimo porque serve como um lembrete sutil de que todas as nossas ações são vistas. Realmente não há como se esconder. Isso parece ainda mais forte hoje; dá a sensação de que o “big brother” está sempre observando em algum lugar!
Mas isso é um lembrete útil de que Deus realmente nos vê. Ele vê todas as coisas que achamos que estamos escondendo — e é útil lembrar-se disso. Ele vê se estamos tendo um relacionamento emocional com outro homem, mesmo que nunca façamos nada.
Ele vê o que está acontecendo no nosso coração — não de uma forma em que Ele vai nos fulminar com um raio —, mas de uma forma que nos permite buscá-lo e confessar. Sem medo, porque Ele já sabe.
Erin: Nem precisa ser um caso. Você deu um exemplo com o qual eu me identifiquei muito: você está na igreja, e há um casal à sua frente com um bebê recém-nascido muito fofo. O marido coloca o braço em volta da esposa de maneira carinhosa, e você sente a cobiça brotar no seu coração.
Melissa: você pensa: “Olha para eles! Eles se amam de um jeito tão doce! Meu marido nunca coloca o braço em volta de mim! O que há de errado comigo?” Em vez de simplesmente aceitar: “Nós não somos assim, e tudo bem”.
Você vê que o marido de alguém trouxe rosas ou flores “sem motivo especial”, e pensa: Será que existe lugar para ações “sem motivo” no nosso casamento? Ou então as comédias românticas — acho que, às vezes, são as piores para nós, mulheres.
Erin: Sim, concordo. Ou muitos livros que existem por aí. E você chega em casa e briga com seu marido maravilhoso porque ele não atende a alguma expectativa! (Ou pelo menos eu faço isso; não sei se você faz.)
Melissa: Sim, exatamente. “Você não age como o Tom Hanks em Mensagem para Você — então você não deve me amar!” E ele pensa: “De onde veio essa briga!? Eu perdi alguma coisa?”
Erin: “Do que estamos falando aqui?”
Como podemos criar um novo padrão se tendemos a cobiçar quando estamos envolvidas em relacionamentos românticos?
Melissa: Acho que, nesse caso, devemos cultivar e manter nosso relacionamento com Jesus como a prioridade da nossa vida. Só Ele consegue sustentar o peso daquilo que realmente precisamos. Eu preciso de muito mais, emocionalmente e relacionalmente, do que meu marido pode oferecer. Ele nunca vai ser suficiente — e, se eu quiser que ele seja suficiente, nunca vou conseguir desfrutar da sua companhia.
Portanto, devemos cultivar esse relacionamento com o Senhor por meio da Palavra e da oração, lembrando o quanto sou profundamente amada por Ele. Para mim, essa é a única maneira de não colocar um peso excessivo sobre outros relacionamentos.
Erin: Isso é muito bom. A terceira categoria é a cobiça dentro da família e das amizades, e você usa o exemplo de José — na verdade, dos irmãos de José. Mostre para nós esse padrão que você vem ilustrando, na vida de José.
Melissa: Os irmãos de José viram que ele havia ganhado aquela linda túnica colorida, e eles sabiam o que aquilo representava. . .
Erin: Preferência!
Melissa: Isso mesmo. Eles sabiam que José era o filho favorecido. Então eles cobiçaram, desejaram aquilo. Pegaram o irmão, jogaram-no numa cisterna e o venderam como escravo. E como eles esconderam isso? Pegaram a túnica, mergulharam-na em sangue e disseram que animais selvagens haviam atacado o irmão.
Erin: Eles destruíram justamente a coisa que despertou a cobiça deles. Eles nem chegaram a usar a túnica!
Melissa: Exatamente. E isso não é interessante? Nenhum deles recebeu o favor; tudo o que conseguiram foi um pai de coração partido. Isso mostra que todos queriam a mesma coisa. Mas aí você precisa se perguntar se eles também não ficaram um pouco preocupados: “E se eu me tornar o próximo filho favorito? Será que também vão me jogar numa cisterna?” Não é como se isso tivesse dado certo!
Erin: Isso deve ter fragmentado aquela família. Era uma família comum, com camadas de disfunção como todas nós temos, mas isso deve ter aprofundado ainda mais as rachaduras e tornado o abismo mais difícil de atravessar.
Melissa: Exatamente. E acho que fazemos isso quando colocamos expectativa demais em como nossas famílias deveriam ser, ou no que esses relacionamentos deveriam nos oferecer. Isso pode causar muita dor e ruptura, porque acabamos agindo mal uns com os outros.
Erin: Você diz várias vezes no livro que, algumas vezes — muitas vezes — a cobiça nasce de um desejo legítimo, mas esse desejo foge do controle. Estou pensando especificamente em família e amizade: o que é que nós, como mulheres, desejamos (e que pode ser algo bom) que acaba se transformando em cobiça?
Melissa: Acho que desejamos comunidade — algo para o qual fomos criadas. Deus olhou para Adão e disse que não era bom que ele estivesse só, então criou Eva. Nós não fomos criadas para viver sozinhas, nem mesmo dentro da igreja. Precisamos de um corpo, e Deus até descreve isso usando linguagem familiar.
Paulo falou de filhos na fé; temos irmãos na fé; temos mães, irmãs e filhos na fé. Essa é uma linguagem normal, uma linguagem de família. Fomos criadas para precisar de relacionamentos uns com os outros. Isso é algo bom.
Mais uma vez, é parecido com os relacionamentos românticos. Quando começamos a querer que essas pessoas cuidem de nós o suficiente, nos amem na medida da nossa necessidade, nos satisfaçam o suficiente, sempre acabaremos voltando a sentir o descontentamento crescendo no nosso coração — porque elas simplesmente não conseguem nos satisfazer tudo isso.
Elas não conseguem saber de tudo. Não sei se você já teve aquele momento (eu já tive) em que pensa: Será que alguém sabe que eu estou sofrendo? Como saberiam? Elas não são oniscientes; não podem saber de tudo como Deus sabe. Mas Deus sempre sabe.
Só que esperamos que nossas amigas saibam. Eu faço isso com meu marido: “Você não sabe exatamente do que eu preciso, quando eu preciso, sempre?”
Erin: E queremos que eles saibam sem a gente precisar falar.
Melissa: Exatamente! Porque, se eu disser, parece que perde toda a graça. É como se disséssemos: “Você tem que saber magicamente!”
Erin: Exato. E o mesmo acontece com as amigas. Acho que toda mulher (não posso falar pelos homens) sente, em alguns momentos: Ninguém está pensando em mim! Ninguém se importa com o que estou passando! E isso pode ou não ser verdade; na maioria das vezes, provavelmente não é. Mas elas não sabem que você está lutando; elas não têm como saber.
Outra categoria de cobiça que eu quero mencionar é a dos dons e habilidades. Acho que isso atinge muitas de nós na igreja em cheio, mas é importante falar sobre isso. Nós amamos que Deus nos dê dons. Amamos que Ele nos dê habilidades. Mas isso pode se distorcer e virar cobiça. Queria saber como você já viu isso na sua própria vida ou na vida de outras mulheres.
Melissa: Sim, com certeza. Quando vejo alguém cantar lindamente à frente — quero dizer, eu claramente não tenho esse dom. É óbvio que eu não tenho esse dom, e penso: “Uau, que dom maravilhoso! Parece algo tão alegre. Elas parecem tão felizes enquanto cantam!”
E, ainda assim, acho que às vezes olhamos para cargos que são mais visíveis, que estão mais “em destaque”, e pensamos: Nossa, deve ser incrível estar naquela posição. Mas a realidade é que Deus nos deu dons diferentes, e cada parte do corpo é tão importante quanto as outras — mesmo que algumas apareçam mais —, as outras têm uma importância vital na vida da igreja.
E acho que, no fundo, o problema é que pensamos nesses dons como se fossem nossos, em vez de enxergá-los simplesmente como dádivas. Esse é o ponto central da questão.
Erin: Romanos 12 nos ensina que nossos dons são para o bem de todos; nós não os recebemos para guardá-los só para nós. Se há uma área em que eu tendo à cobiça, é essa — os dons e habilidades de outras pessoas. Mas, ao rastrear isso até a raiz da incredulidade, percebo que não acredito de verdade em 1 Coríntios 12 — que diz que todas as partes são necessárias. Não acredito realmente que a seara é grande e os trabalhadores são poucos.
Se eu realmente acreditasse nisso, eu poderia simplesmente celebrar cada dom que você tem, cada dom que ela tem, cada dom que outra tem — porque tudo é para o bem do corpo. Tudo é essencial, e a colheita está pronta e os trabalhadores são poucos.
Penso naquela mulher que está lutando contra a cobiça pelo dom de outra mulher; esses são os textos para os quais eu a apontaria. Você acrescentaria algo a isso?
Melissa: Eu diria que algo que realmente me ajuda é, quando vejo você tendo sucesso, eu digo a mim mesma: Ela faz parte do meu time! Se ela está vencendo, eu estou vencendo! — porque fazemos parte do mesmo corpo. Então posso realmente me alegrar com ela, porque estamos vencendo juntas — o reino está avançando, e eu amo isso!
Quando vejo alguém prosperando na fé, isso é o Evangelho avançando — é o reino de Deus em movimento! Então, quando eu quero que seja só eu liderando o reino de alguma forma, isso mostra que eu não estou pensando como alguém do reino. No fundo, tudo aponta para a glória de Deus. E isso revela que, na verdade, eu estou buscando a minha própria glória.
Raquel: Ouvimos uma conversa entre Erin Davis e Melissa Kruger. Melissa é autora do livro A inveja de Eva: Encontrando a satisfação em um mundo cobiçoso.
Melissa acabou de mencionar o reino de Deus e a Sua glória. E, como a Nancy costuma dizer, “o céu reina”! Essa é uma verdade que precisamos trazer à memória com frequência.
Existem várias maneiras de fazer isso no nosso dia a dia, e uma delas é através de recursos que nos ajudam a realinhar o coração com a Palavra. O livro Escolhendo a Gratidão, da Nancy DeMoss Wolgemuth, é um desses recursos. Ao longo das páginas, você vai encontrar encorajamento bíblico e aplicações práticas que ajudam a cultivar um coração grato e contente, mantendo os olhos naquilo que é eterno — mesmo em meio às circunstâncias.
Para saber mais sobre esse livro e como adquirir, visite o nosso site avivanossoscoracoes.com e clique em “Livros”.
Bom, já vimos que um coração contente é um coração agradecido, um coração confiante, e amanhã, no Aviva Nossos Corações, Nancy nos mostrará que um coração contente é um coração centrado em Deus. Espero que você não perca o episódio de amanhã. Agora, aqui está Nancy com um pensamento final.
Nancy: Ao pensar nas circunstâncias, nos desafios, nas dificuldades que você está enfrentando em sua vida agora, elas são muito reais. Talvez não pareçam grandes para mais ninguém, mas são grandes para você. Vejo lágrimas em alguns olhos enquanto falamos sobre essas coisas. Elas doem. São dolorosas. Mas quero perguntar: você tem um coração confiante? Um coração que acredita que Deus sabe o que está fazendo? Conheça-O. Aprofunde-se em Sua Palavra. Descubra Seu caráter, Sua graça, Seu amor, e você verá, pela Palavra de Deus, que Ele tem um plano. Ele não está dormindo no trabalho. Ele não está ignorando a sua situação.
Você consegue dizer: “Senhor, eu confio que Tu sabes o que estás fazendo”?
E então, você já chegou ao ponto de submeter a sua vontade à vontade de Deus nessa área? De dizer: “Senhor, sinceramente, isso não é o que eu teria escolhido se eu estivesse escrevendo o roteiro. Mas não sou eu quem escreve o roteiro; és Tu. Seja o que for que Tu queiras, se isso faz parte da Tua vontade e do Teu plano para mim nesta estação da minha vida, eu aceito. Eu abraço. Eu recebo. E sei que isso faz parte daquilo que é necessário em minha vida a fim de que eu me torne mais semelhante a Jesus”.
Raquel: O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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