Raquel Anderson: Nancy DeMoss Wolgemuth diz que perdemos de vista o que Deus está fazendo quando vivemos com um coração descontente.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Deus tem um plano que Ele está desenvolvendo, que Ele está cumprindo. Ele quer nos mostrar a Sua grandeza, o Seu poder, a Sua misericórdia e o Seu amor. Ele quer edificar a nossa fé.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de O céu reina, na voz de Renata Santos.
Qual é a condição do seu coração? Com isso quero dizer: você está satisfeita? Ou se vê reclamando, insatisfeita e querendo mais? Hoje, Nancy vai nos levar à raiz do descontentamento. Ela está dando continuidade a uma série chamada Cultivando um Coração Contente. Se você perdeu o primeiro episódio, pode ouvi-lo em avivanossoscoracoes.com. Agora, aqui está Nancy.
Nancy: Estamos analisando como respondemos aos …
Raquel Anderson: Nancy DeMoss Wolgemuth diz que perdemos de vista o que Deus está fazendo quando vivemos com um coração descontente.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Deus tem um plano que Ele está desenvolvendo, que Ele está cumprindo. Ele quer nos mostrar a Sua grandeza, o Seu poder, a Sua misericórdia e o Seu amor. Ele quer edificar a nossa fé.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de O céu reina, na voz de Renata Santos.
Qual é a condição do seu coração? Com isso quero dizer: você está satisfeita? Ou se vê reclamando, insatisfeita e querendo mais? Hoje, Nancy vai nos levar à raiz do descontentamento. Ela está dando continuidade a uma série chamada Cultivando um Coração Contente. Se você perdeu o primeiro episódio, pode ouvi-lo em avivanossoscoracoes.com. Agora, aqui está Nancy.
Nancy: Estamos analisando como respondemos aos problemas, desafios e decepções em nossa vida e como somos propensas a murmurar, a reclamar, quando Deus não faz as coisas da maneira que achamos que Ele deveria fazer.
Da última vez em que estivemos juntas, analisamos quatro episódios na vida dos filhos de Israel, logo depois que eles saíram do Egito. Dentro de dois meses após terem sido redimidos do Egito, vimos quatro situações em que eles se depararam com um obstáculo, uma situação difícil ou impossível.
Vimos também que, em cada uma dessas quatro situações, a resposta natural deles, assim como muitas vezes é a sua e a minha, foi reclamar, murmurar, duvidar de Deus e atacar os representantes de Deus, Moisés e Arão. Vimos que, em cada uma dessas quatro situações, Deus teve misericórdia deles. Apesar da murmuração, Ele realizou um milagre e supriu a necessidade deles.
Deus queria que os filhos de Israel O conhecessem, soubessem que Ele é digno de confiança, que Ele é onipotente, que Ele tem poder para lidar com qualquer impossibilidade. Deus era o provedor deles e supriria as suas necessidades.
Depois que os filhos de Israel passaram por essas quatro situações que lemos no livro de Êxodo, Deus os conduziu ao monte Sinai. Se você conhece a história do Antigo Testamento, sabe que eles ficaram ali por onze meses. Foi ali que Deus lhes deu a Lei.
Grande parte dos livros de Êxodo, Levítico e Números se concentra no que Deus mostrou aos filhos de Israel ali, no monte Sinai. Esse não foi o fim das dificuldades deles, mas quando chegamos ao livro de Números, a partir do capítulo 11, vemos que os filhos de Israel ainda não tinham sido curados desse hábito de murmurar e reclamar.
E, para que não sejamos duras demais com eles, quantas vezes são necessárias para nos curar? Justamente quando pensamos que já deveríamos realmente confiar na bondade de Deus, que já deveríamos ser capazes de louvá-Lo pela fé, algo mais acontece, nos pega de surpresa, e nos encontramos mais uma vez reclamando, murmurando, duvidando de Deus.
Nas primeiras quatro situações, Deus havia sido muito misericordioso. Em cada uma delas, Ele realizou um milagre. Vamos ver, a partir de Números 11, que Deus começa a responder de maneira diferente à murmuração e à reclamação deles. A partir desse ponto, quase todas as vezes que eles murmuraram, Deus enviou juízo.
Você pergunta: “Por que a diferença? Por que nas quatro primeiras situações Ele fez um milagre, como se tivesse ignorado a murmuração deles? E por que, de repente, a partir de Números capítulo 11, depois que chegam ao monte Sinai, Deus passa a responder com ira e juízo à murmuração deles?”
Ao meditar nessas passagens, parece-me que, naqueles primeiros meses após a saída do Egito, Deus sabia que eles eram imaturos. Deus sabia que eles realmente não O conheciam, e Deus queria dar a eles a oportunidade de conhecê-Lo. Agora eles já tinham visto Deus agir, já tinham visto Seus milagres, experimentado Sua graça, Seu poder, Sua bondade e Seu amor. Agora eles tinham mais conhecimento, por isso a responsabilidade deles era maior.
Digo isto àquelas dentre nós que têm caminhado com o Senhor talvez há anos: nossa responsabilidade aumenta à medida que conhecemos o que Deus pode fazer, à medida que O vemos agir em nosso favor. Vocês verão uma resposta muito diferente da parte de Deus à murmuração deles.
As Escrituras nos dizem, em Números capítulo 11, que “o povo se queixou”. Nesse caso, não nos é dito do que eles reclamaram, e é quase como se isso não importasse. Sempre podemos encontrar algo para reclamar. Nenhuma razão é dada.
Aparentemente, eles enfrentaram algum tipo de dificuldade. Embora não seja dada uma razão para a murmuração deles, é dada uma descrição vívida da resposta de Deus à reclamação. As Escrituras dizem:
O povo se queixou de sua sorte aos ouvidos do Senhor. Quando o Senhor ouviu as reclamações, sua ira se acendeu, e fogo do Senhor ardeu entre eles e consumiu algumas extremidades do arraial. Por isso aquele lugar foi chamado de Taberá, porque o fogo do Senhor se havia acendido entre eles. (vv. 1, 3)
Essa palavra, Taberá, significa “queimadura” ou “incêndio”. Deus enviou uma praga. Você pode imaginar os filhos de Israel — que já haviam se acostumado a murmurar e se acostumado ao fato de Deus relevar a murmuração — e, de repente, uau! Há uma praga, há fogo, há destruição.
Você se pergunta se eles pensaram: “O que aconteceu com Ele? O que provocou Deus?” Todo esse tempo Deus tinha ouvido a murmuração deles, mas agora Deus está dizendo: “Ouçam, vocês já têm discernimento suficiente. Já caminharam comigo tempo suficiente. Vocês viram as minhas obras, viram a minha graça. Quero que saibam que Eu levo a murmuração de vocês muito a sério”.
Números capítulo 11, continuando nessa passagem, a partir do versículo 4, vemos que havia uma multidão mista entre os israelitas. Eram não israelitas que haviam saído do Egito com Israel no êxodo, e eles começaram a desejar outro tipo de alimento. Algumas traduções dizem que eram a “ralé”.
Eles eram reclamões, resmungões, e sempre há alguns assim em qualquer grupo, em qualquer igreja e em qualquer família. Muitas vezes há um reclamão, um murmurador, e observe como eles infectam todos ao seu redor. Quando essa multidão mista começou a exigir um tipo diferente de comida, isso afetou — e infectou — todos os outros.
As Escrituras dizem que, novamente, os israelitas começaram a chorar e disseram: “Quem nos dará carne para comer? Lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito”. Quem estava cobrando deles agora? Não era como se estivessem pagando pela comida naquele momento.
Eles estão comparando a situação atual com o que tinham no Egito. “Que saudade dos pepinos, dos melões, dos alhos-porós, das cebolas e dos alhos!” Essas coisas não me parecem muito apetitosas, e talvez não pareçam para você também. Mas eles se lembravam dos alimentos exóticos que tinham no Egito e diziam: “Mas agora a nossa alma está seca, e não vemos nada a não ser este maná.” (vv. 4–6)
Eles tinham comida, mas estavam entediados com o tipo de comida que tinham. “Queremos variedade, queremos temperos, queremos algo diferente.” A passagem prossegue dizendo que o Senhor ficou extremamente irado, e Moisés também se desagradou e disse a Deus: “Eu sozinho não posso levar todo este povo, pois é pesado demais para mim”. “Deus, tens de fazer alguma coisa aqui”. E Deus, de fato, fez algo.
No versículo 18, Moisés disse aos filhos de Israel (estamos em Números capítulo 11):
O Senhor os ouviu quando murmuraram dizendo: ‘Quem nos dará carne para comer? A vida era melhor no Egito.’" Por isso o Senhor lhes dará carne e vocês poderão comer. Não comerão um dia, nem dois dias, nem cinco, nem dez, nem ainda vinte, mas um mês inteiro, até que saia pelo nariz, até que fiquem com nojo dela, porque vocês rejeitaram [uma tradução diz ‘desprezaram’] o Senhor, que está no meio de vocês, e choraram diante dele, dizendo: "Por que saímos do Egito? (vv. 18–20)
A passagem continua dizendo que Deus enviou codornizes em abundância, mais do que eles conseguiam consumir, mas ouça esta descrição que começa no versículo 33 — ela é muito forte:
Enquanto a carne ainda estava entre os seus dentes, antes que fosse mastigada [antes mesmo de engolirem a mordida], a ira do Senhor se acendeu contra o povo, e o feriu com uma terrível praga. Por isso aquele lugar foi chamado de Quibrote-Hataavá. (vv. 33–34)
Esse nome talvez não signifique nada para você, mas é uma expressão hebraica que literalmente significa “sepulturas da cobiça”. Alguns deles acabaram morrendo e sendo enterrados por causa de sua cobiça, por exigirem que Deus satisfizesse seus desejos desenfreados.
“porque ali foi sepultado o povo que teve o desejo das comidas dos egípcios.” (v. 34)
Vamos seguir adiante e observar mais um episódio em Números capítulo 14, e vemos novamente esse padrão muito semelhante. Agora chegamos a um lugar chamado Cades-Barneia, e eles se deparam com um desafio impossível. Os espias foram enviados para examinar a terra de Canaã, e dos doze que foram, dez voltaram e disseram: “Nunca conseguiremos enfrentar isso. Há gigantes na terra. Isso é difícil demais para nós”.
A Escritura diz, no capítulo 14, versículo 1:
Então toda a congregação se levantou e gritou em alta voz; e o povo chorou aquela noite. Todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e toda a congregação lhes disse: — Quem dera tivéssemos morrido na terra do Egito ou mesmo neste deserto! E por que o Senhor nos traz a esta terra, para cairmos à espada? (vv. 1–3)
Isso soa familiar? É apenas a próxima estrofe da mesma canção.
. . .nossas mulheres e nossas crianças sejam presas? Não seria melhor voltarmos para o Egito? E diziam uns aos outros: — Vamos escolher um chefe e voltemos para o Egito. (vv. 3–4)
Trinta e oito anos depois, ao relembrar esse incidente com os filhos de Israel, aqueles reclamões, Moisés revisitou o que havia acontecido. Ele disse: “Ficaram murmurando em suas tendas e disseram: "O Senhor está com ódio de nós e por isso nos tirou da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus e nos destruir”. (Dt. 1.27)
Você percebe como eles atacaram o caráter de Deus? Eles disseram: “Deus nos odeia! E é por isso que Ele fez isso conosco”. Consegue imaginar chegarmos a um ponto em nossa vida em que olhamos para um Deus que nos demonstrou misericórdia, amor e bondade inimagináveis e dizemos: “Tu nos odeias. É por isso que fizeste isso conosco”?
Mas não é isso que o inimigo nos leva a fazer, duvidar do amor e da bondade de Deus? O Senhor disse a Moisés (como Deus respondeu a isso?):
O Senhor disse a Moisés: — Até quando este povo me provocará e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio dele? Vou feri-lo com pestilência e deserdá-lo; e farei de você povo maior e mais forte do que este. (Nm. 14.11–12)
À medida que continuamos lendo, vemos que Moisés intercedeu em favor deles e Deus perdoou os filhos de Israel, mas ainda houve consequências bastante sérias. A passagem prossegue — ainda estamos em Números capítulo 14 — Deus diz:
Até quando vou aguentar esta má congregação que murmura contra mim? Tenho ouvido as murmurações que os filhos de Israel proferem contra mim. Diga-lhes: "Tão certo como eu vivo, diz o Senhor, vou tratar vocês de acordo com o que falaram aos meus ouvidos. (vv. 27–28)
O que eles haviam dito? “Quem dera tivéssemos morrido no Egito; e, se não lá, queremos morrer neste deserto”. E Deus disse: “Vocês querem morrer? Vou lhes dar o que pediram”. Isso me diz: cuidado com a sua murmuração! Você pode acabar recebendo aquilo que pediu. As coisas que dizemos em momentos de descuido — eu queria isto; eu queria aquilo. Deus às vezes diz: “É isso mesmo que você quer? Vou deixar você ter o que acha que quer”.
Então Deus diz:
Neste deserto, cairá o cadáver de vocês — de todos vocês que foram contados no censo, de vinte anos para cima, e que murmuraram contra mim. . . Porém, quanto a vocês, o seu cadáver cairá neste deserto. Os filhos de vocês serão pastores neste deserto durante quarenta anos e levarão sobre si as infidelidades de vocês. (vv. 29, 32–33)
Em algumas traduções, essa palavra infidelidade é traduzida como “suas prostituições”. Isso mostra a gravidade com que Deus tratou esse assunto.
Os filhos de vocês. . . levarão sobre si as infidelidades de vocês [seu adultério espiritual], até que o cadáver de vocês se consuma neste deserto. . . vocês levarão sobre si as suas iniquidades durante quarenta anos e terão experiência do meu desagrado.
Eu, o Senhor, falei. Assim farei a toda esta má congregação, que se levantou contra mim; neste deserto, se consumirão e aí morrerão. (vv. 33–35)
Assim, vemos que a raiz do pecado que causou consequências inacreditáveis sobre os filhos de Israel foi o pecado do descontentamento. . . descontentamento com Deus, com a Sua presença, com a Sua provisão e com o Seu plano.
Quero que observemos algumas das características de um coração descontente, porque vimos que o apóstolo Paulo disse: “Essas coisas foram escritas como exemplos para nós”. Elas foram escritas para nos advertir. “Não fiquem murmurando”, diz Paulo em 1 Coríntios 10, “como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador”. (v. 10)
Quais são algumas das características do descontentamento? Em primeiro lugar, quero que você veja que o descontentamento é uma condição do coração. É uma questão do coração. É aí que ele começa. Ele não começa com uma expressão verbal — começa com uma insatisfação interna do coração para com Deus. É uma atitude de um coração que não está satisfeito com o que Deus providenciou.
Deus supriu as nossas necessidades, mas dentro de cada uma de nós há esse lado que diz: “Eu quero mais”. Há esse desejo por mais, desejo por aquilo que Deus não providenciou. Deus providenciou o maná, e os filhos de Israel disseram: “Queremos mais variedade no nosso cardápio”.
Quando Deus provê, a inclinação do nosso coração é dizer: “Quero mais”. Isso é natural para a nossa carne. Na maioria das vezes, o nosso descontentamento se concentra em coisas temporais, em vez de eternas. Observe as coisas sobre as quais os filhos de Israel murmuraram. Tinha a ver com água, com comida, com os egípcios. Eram essas realidades visíveis, palpáveis. Eles perderam de vista as realidades invisíveis e eternas. Tinham os olhos fixos no que podiam ver, no que podiam tocar, e estavam sempre desejando mais do que é temporal, mas perderam a perspectiva do eterno.
O que é eterno? O caráter de Deus, o coração de Deus, a bondade de Deus, o plano de Deus. E não é verdade que, neste mundo em que vivemos, tendemos a nos concentrar em roupas, em provisão temporal e física? No tipo de casa em que moramos, no emprego que temos, nas pessoas ao nosso redor.
Ficamos focadas e obcecadas pelas coisas que podemos ver. Quando fazemos isso, quando estamos focadas nas realidades visíveis e temporais, perdemos de vista as grandes realidades eternas. Perdemos a perspectiva.
O descontentamento geralmente envolve comparação. Comparamos com a maneira como era antes. Lembramo-nos de como era no Egito. Tínhamos todas aquelas comidas boas para comer. Eles haviam se esquecido de que tinham sido servos miseráveis do faraó, escravos do faraó por todos aqueles anos.
Mas eles se lembravam das poucas coisas boas do passado e faziam comparações. Nós fazemos comparações com a situação dos outros, com as coisas que os outros têm e nós não temos — com as experiências que outros conseguem desfrutar e que nós não temos a oportunidade de experimentar.
Comparamos o que temos com o que gostaríamos de ter. Isso é alimentado por meio de propagandas, da televisão; outras pessoas se tornam o padrão do que precisamos.
Achamos que o que temos é suficiente, achamos que o carro que dirigimos é bom, achamos que o emprego que temos é bom, até olharmos para o que os outros têm e começarmos a comparar.
O coração descontente duvida da bondade de Deus, duvida do amor de Deus, duvida das Suas promessas, duvida do Seu poder, e o coração descontente duvida de que a presença de Deus seja suficiente para mim. Quando temos um coração descontente, acabamos, como os filhos de Israel, começando a acreditar em mentiras sobre Deus. Começamos a acreditar em coisas sobre Deus que não são verdadeiras, e sabemos que não são verdadeiras.
O descontentamento nos torna irracionais. Ele nos faz perder a clareza de pensamento, e fazemos o que os filhos de Israel fizeram. Lemos em Deuteronômio, capítulo 1, que o povo de Israel disse: “Deus nos odeia. Ele quer nos destruir”.
Você consegue imaginar, olhar nos olhos do nosso Pai celestial amoroso e dizer: “Eu sei que o Senhor não me ama de verdade. Eu sei que o Senhor me odeia. Eu sei que o Senhor quer me destruir”? Talvez nunca disséssemos essas palavras em voz alta, mas você já foi tentada a se sentir assim ao se encontrar numa situação impossível, achando que Deus não ama você, que Deus a odeia?
Acabamos acreditando em coisas a respeito de Deus — e talvez até dizendo coisas sobre Ele — que não são verdadeiras. Quando temos um coração descontente, esquecemos das provisões passadas de Deus. Esquecemos do que Ele já fez. É por isso que, em minha própria vida, considero tão importante manter um registro da bondade de Deus, anotar regularmente: “O que Deus já fez por mim?”
Nos últimos anos, tenho mantido, mais ou menos com regularidade, um diário de gratidão. Não faço isso todas as manhãs, mas em muitas delas começo anotando cinco coisas pelas quais sou grata.
Nem todas são grandes coisas extraordinárias. Agradeço a Deus pela minha salvação e por essas coisas realmente incríveis, mas também agradeço quando o sol aparece. Agradeço a Deus quando o sol nasce de manhã, como um lembrete da Sua fidelidade e de que Ele cumpre Suas promessas.
Agradeço a Deus por ter tido comida para comer hoje. Agradeço a Deus por um travesseiro, por uma cama, por cobertores quando está frio, por aquecimento no inverno, por ar-condicionado no verão.
E, quando sou tentada a murmurar, a reclamar, a pensar que não tenho o que preciso, posso voltar e rever esse registro das provisões passadas de Deus. Mas quando temos um coração descontente, somos tentadas a esquecer o que Deus já fez.
Quando temos um coração descontente, duvidamos que Deus proverá no futuro. Duvidamos que Ele vá suprir as nossas necessidades mais adiante.
Quando temos um coração descontente, rejeitamos o que Deus está nos dando agora — Sua provisão presente. Foi isso que os filhos de Israel disseram a Deus: “Nós detestamos essa comida miserável!” Eles esqueceram como Deus havia provido no passado, duvidaram de que Ele proveria no futuro e disseram: “Quanto ao que temos agora, nós detestamos. Não gostamos disso. Não queremos isso”.
Quando temos um coração descontente, deixamos de enxergar os propósitos de Deus e deixamos de aceitá-los. Não vemos que Deus tem um plano que Ele está executando, cumprindo. Ele quer nos mostrar Sua grandeza, Seu poder, Sua misericórdia e Seu amor. Ele quer nos moldar e nos formar. Ele quer nos tornar cristãs verdadeiras. Ele quer fortalecer a nossa fé. Mas, quando temos um coração descontente, rejeitamos os propósitos de Deus. Dizemos, na prática: “Não me importa qual é o Teu plano. Eu quero o que eu quero, e quero agora”.
Quando temos um coração descontente, isso inevitavelmente nos leva a outros pecados. Isso não se restringe somente ao coração. Acabamos expressando a nossa insatisfação por meio da murmuração; verbalizamos nosso descontentamento com Deus. E talvez não sejamos tão rápidas em expressar isso a Deus quanto somos com outras pessoas. Assim, nos pegamos reclamando, expressando isso para os outros — e é impressionante como sempre encontramos algo para reclamar.
Falaremos na próxima sessão sobre algumas das coisas das quais reclamamos. O pecado do descontentamento acaba levando ao pecado da murmuração, de expressar a nossa insatisfação com Deus. E o pecado do descontentamento anda de mãos dadas com outro pecado muito sério: a rebeldia.
Em Deuteronômio, Moisés diz aos filhos de Israel, ao relembrar aqueles anos de murmuração: “Vocês se rebelaram contra Deus”. Quando reclamo, estou basicamente dizendo: “Rejeito as escolhas de Deus, a autoridade de Deus e o direito de Deus de governar a minha vida. Não aceito o plano dele para mim. Estou me rebelando contra isso”.
Essa é uma batalha que não podemos vencer. Deus cumprirá o Seu propósito em nossas vidas, mas podemos seguir esse caminho esperneando e gritando, ou em submissão, rendição e fé.
Você já se pegou manifestando algumas dessas características no seu coração? Todas nós já passamos por isso, não é? Essa insatisfação com as provisões de Deus e o desejo constante de ter sempre mais. Você percebe que tem focado mais no temporal do que no eterno? Você vive se comparando com o que os outros têm? Ou com o que você tinha antes? Ou com o que gostaria de ter? Você está duvidando da bondade de Deus? Acreditando em coisas sobre Deus que não são verdadeiras? Esquecendo o que Ele já fez, duvidando do que Ele fará no futuro e ficando insatisfeita com o que Ele está provendo agora?
Você poderia simplesmente dizer: “Ó Senhor, eu quero aceitar os Teus propósitos. Quero aceitar o Teu plano para a minha vida — mesmo quando não consigo ver o resultado, mesmo quando não entendo para onde o Senhor está me levando ou como vai prover. Dá-me um coração confiante. Dá-me um coração que creia em Ti quando não consigo ver o que o Senhor está fazendo e não entendo”.
Raquel: Sim e amém. Que mentalidade maravilhosa e que oração preciosa. Nancy DeMoss Wolgemuth tem nos mostrado algumas das questões do coração por trás do descontentamento. Ela já voltará para orar conosco.
Quero fazer algumas perguntas para ajudá-la a refletir:
- O que mais desperta em você a tentação de se comparar com o próximo?
- Em que momentos você percebe que entra no jogo da comparação?
- Que mudanças seriam necessárias para que você pare com isso?
- Quando você se encontra em um estado de descontentamento, como isso desencadeia outros pecados na sua vida?
Uma das maneiras de lidar com o descontentamento é mudar a nossa perspectiva. O recurso Escolhendo a Gratidão, da Nancy DeMoss Wolgemuth, pode te ajudar exatamente nisso: tirar os olhos das circunstâncias e colocá-los na graça de Deus. Ao longo das páginas, você será encorajada a enxergar a vida com um coração mais grato, lembrando-se de que Deus está no controle e que a sua bondade está presente em cada detalhe — mesmo nos dias mais difíceis. Para saber mais sobre esse livro e como adquirir, visite o nosso site avivanossoscoracoes.com e clique em “Livros”.
Pense em como a insatisfação no seu coração se manifesta. Como isso afeta a sua atitude diante da vida? Agora pense no oposto: como é um coração cheio de contentamento? Nancy continuará essa conversa no próximo programa do Aviva Nossos Corações. Mas antes, ela está aqui para encerrar em oração.
Nancy: Ó Pai, ao olharmos para os filhos de Israel, enxergamos a nós mesmas em suas reações e sabemos que o Senhor é justo quando trazes consequências às nossas vidas por causa das nossas reclamações e murmurações. Perdoa-nos, ó Deus, por tantas vezes não confiarmos em Ti, por tantas vezes Te acusarmos falsamente, dizendo que o Senhor não nos ama e que não és bom, quando na verdade, Tua bondade é imensa e Teu amor por nós é infinito.
Senhor, livra-nos do pecado da murmuração, do pecado do descontentamento. Liberta-nos e cultiva em nós um coração contente e agradecido. Eu oro em nome de Jesus, amém.
Raquel: O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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