Raquel Anderson: A Bíblia relata a murmuração de Miriã contra seu irmão Moisés. Isso foi algo extremamente sério, segundo Nancy DeMoss Wolgemuth.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Eu não conheço nenhuma maneira mais rápida de fazer com que a presença — a presença manifesta e a glória de Deus — se retire da sua vida ou da minha do que nos envolvermos nos pecados nos quais Miriã se envolveu: falar contra os servos de Deus.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, coautora de Buscando a Deus, na voz de Renata Santos.
Você já percebeu que alguns comportamentos são considerados tabu na igreja? São os pecados mais óbvios, aqueles condenados por praticamente todo mundo. Mas outros pecados são muito mais fáceis de passar despercebidos. Como contar uma mentirinha, desonrar os pais, fofocar — e um que eu vejo especialmente nas igrejas é murmurar contra …
Raquel Anderson: A Bíblia relata a murmuração de Miriã contra seu irmão Moisés. Isso foi algo extremamente sério, segundo Nancy DeMoss Wolgemuth.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Eu não conheço nenhuma maneira mais rápida de fazer com que a presença — a presença manifesta e a glória de Deus — se retire da sua vida ou da minha do que nos envolvermos nos pecados nos quais Miriã se envolveu: falar contra os servos de Deus.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, coautora de Buscando a Deus, na voz de Renata Santos.
Você já percebeu que alguns comportamentos são considerados tabu na igreja? São os pecados mais óbvios, aqueles condenados por praticamente todo mundo. Mas outros pecados são muito mais fáceis de passar despercebidos. Como contar uma mentirinha, desonrar os pais, fofocar — e um que eu vejo especialmente nas igrejas é murmurar contra aqueles que estão em autoridade.
Pois bem, pecados não tão óbvios como esses são, na verdade, perigosos, não são? É isso que Nancy vai explorar mais na mensagem de hoje. Ela faz parte da série chamada Lembre-se de Miriã.
E lembre-se, se você perdeu algum episódio dessa série até agora, pode encontrar todos os episódios anteriores em nosso site, avivanossoscoracoes.com. Quero tirar um momento para orar antes de Nancy ensinar.
Pai, tantas vezes o Senhor pega os pecados com os quais lutamos regularmente e nós os minimizamos. Não entendemos o quão graves eles são, o quão perigosos são, e como podem crescer e dominar nossa vida.
Pai, oro para que hoje, enquanto ouvimos Nancy ensinar, o Senhor traga aos nossos corações uma doce convicção, para que possamos andar em liberdade. Em nome de Jesus, eu oro. Amém.
Nancy: Ao continuarmos nosso estudo da vida de Miriã, vemos que ela realmente é nossa irmã em muitos aspectos. Não é verdade? Não apenas nas maneiras como Deus a usou e como ela honrou o Senhor — o que queremos que seja um modelo para nossa vida —, mas também nas maneiras como ela falhou.
Isso é algo sério, difícil para nós ouvirmos, difícil de aplicarmos à nossa vida, mas tão importante, porque acredito que, ao estudar essa passagem, o que vejo no coração de Miriã é um reflexo muito claro daquilo que tantas vezes também está no meu próprio coração.
Estamos em Números, capítulo 12. Deixe-me reiniciar lendo os primeiros versículos:
Miriã e Arão falaram contra Moisés, por causa da mulher cuxita que este havia tomado; pois ele tinha tomado uma mulher cuxita. E disseram: ‘Será que o Senhor falou somente por meio de Moisés? Será que não falou também por meio de nós?’ (vv. 1–2)
Na última sessão, analisamos algumas das questões do coração que ficaram evidentes na revolta de Miriã. Vimos:
- inveja
- ciúme
- orgulho
- ambição egoísta
- descontentamento com o papel que Deus lhe havia dado
- rebelião contra permanecer nesse papel
Mas, no fim das contas, tudo o que está em nosso coração acaba saindo. Não fica escondido no coração; ele se expressa. E aquilo que sai, inevitavelmente, revela o que está dentro do coração.
Há, portanto, uma ligação inseparável entre nosso coração e nossas palavras, nosso coração e nossas atitudes, nosso coração e nossos comportamentos.
Quando você está criando filhos, não deve olhar apenas para o comportamento ou para as palavras que estão sendo ditas. Elas são importantes, mas o que você sempre quer perguntar é: “O que isso revela sobre o coração? O que está acontecendo lá dentro?” E, quando enxergamos o coração, precisamos perceber como isso está ligado ao que está saindo.
Então, Miriã tem uma queixa pessoal contra seu irmão mais novo, Moisés. Lembre-se de que Miriã agora tem algo em torno de noventa anos de idade — um lembrete importante de que não acabou até que acabe.
Para nós que estamos nos tornando mulheres mais velhas (todas nós estamos), nunca chega um ponto em que podemos simplesmente “ir no automático” espiritualmente e ficar imunes aos perigos do orgulho e da rebelião no coração.
Mas a queixa pessoal de Miriã agora se transformou em um ataque público. Ela simplesmente não consegue deixar para lá.
Você pode imaginar como tudo começou. Sementes foram plantadas na mente. Não começou como uma insurreição. Primeiro, eram apenas sementes de dúvida — pensamentos que ela alimentou, aos quais deu um lugar para se aninhar em sua mente. Então, esses pensamentos crescem e crescem. Ela pensa neles, pensa mais um pouco, fica remoendo essas ideias. “Ué, quem disse que só Moisés fala por Deus?”
Você sabe como nossos pensamentos ganham proporções? Do momento em que vamos dormir até a hora em que acordamos, algo que começou como apenas uma pequena semente pode ter se transformado em uma montanha em nossa mente e em nosso coração.
E então, o que acontece? Puf! Isso começa a sair na forma como falamos com os outros.
Lembre-se do contexto aqui: o povo havia acabado de experimentar uma praga (Números 11 conta essa história), uma praga que Deus enviou por causa das reclamações deles. Mas, aparentemente, Miriã e Arão — que foi seu cúmplice nessa insurreição — acharam que poderiam ser uma exceção à regra de Deus.
Eles viram pessoas perderem a vida por causa da rebelião, da queixa e da murmuração, mas, ao que parece, pensaram que estavam acima da disciplina de Deus e de Sua mão corretiva. Aparentemente, acharam que poderiam murmurar e sair impunes — mesmo que as “pessoas comuns” não pudessem.
Talvez tenham se sentido justificados em seu ataque. Talvez tenham pensado que sua preocupação era legítima. A resposta de Deus, como veremos, indica que eles estavam errados, pelo menos na maneira como lidaram com essa preocupação.
Às vezes, não importa tanto se a pessoa a quem estamos nos opondo está certa ou errada. O problema é que nós estamos erradas na forma como reagimos a ela.
As Escrituras não nos dizem se Moisés fez a coisa certa ou errada em relação à questão da esposa. Não creio que haja qualquer evidência de que Moisés tenha pecado. Mas, às vezes, líderes pecam. E a pergunta é: como respondemos? Pecamos em nossa resposta ou reagimos de uma maneira piedosa, santa, mesmo quando eles estão errados?
Nós vimos as questões do coração — a inveja, o ciúme, o ressentimento, a ambição egoísta, o descontentamento. Na raiz de tudo estava aquele O-R-G-U-L-H-O traiçoeiro: o orgulho.
Agora, porém, queremos ver como esse orgulho, como essas questões do coração, se manifestaram em Miriã. Qual foi o fruto do que estava em seu coração?
Algumas coisas ficam claras para mim nesse texto.
Houve falta de respeito pela autoridade designada e ordenada por Deus. Mais uma vez, as Escrituras não abordam se Moisés estava certo ou errado. Independentemente disso, houve falta de respeito pelo homem a quem Deus havia dito: “Coloquei sobre ele o manto da Minha liderança.”
Miriã desafiou e minou a autoridade de Moisés. A rebelião no coração resultou nessa insurreição externa — questionando sua autoridade: “Ele não é o único que ouve de Deus.”
Com a língua, ela criticou. Falou contra Moisés, que era servo do Senhor. Falou contra Moisés para outras pessoas — primeiro para seu irmão e depois para os outros israelitas — e então falou sobre ele diretamente a Moisés, cara a cara. Ela lança esse ataque verbal contra Moisés.
Com esse ataque verbal, ela tenta diminuir sua liderança, sua influência. “Deus fala conosco também”, ela diz a Moisés.
Mais uma vez vemos esse processo, essa tendência que temos quando queremos derrubar os outros. O que fazemos? Elevamos a nós mesmas. E, para nos elevarmos, rebaixamos os outros.
Essa frase “Miriã e Arão falaram contra Moisés” — mencionei isso no episódio anterior, mas quero ir um pouco mais fundo na construção gramatical dessa sentença.
Primeiro, vimos que o verbo indica que foi principalmente Miriã quem estava falando contra Moisés. Mas a gramática diz mais do que isso. Ela nos mostra que essa ação era habitual, contínua. O falar contra Moisés não foi algo que ela fez apenas uma vez; era constante. Ela estava insistindo nisso. Não parava. Continuava falando.
Além disso, a forma do verbo indica uma ação intensiva. Ela não estava apenas falando habitualmente contra Moisés. A ideia aqui, se voltássemos ao idioma original, é que ela estava despejando ataques verbais. Estava gritando, usando linguagem cruel, atacando-o com fúria. Isso talvez tenha começado como algo dito em voz baixa, mas, quando chegou ao auge, ela estava como uma mulher fora de si, transtornada, gritando, berrando, lançando coisas feias e horríveis.
A maioria de nós não começa assim. Mas, quando não controlamos os impulsos pecaminosos do nosso coração e da nossa língua, é nisso que pode acabar.
Já ouvi falar de mulheres que se levantaram em reuniões administrativas da igreja e gritaram coisas impensáveis, horríveis. Dizemos: “Nunca pensei que aquela mulher tivesse isso dentro dela.” Quero dizer algo a você: todas nós temos isso dentro de nós.
Quem de nós nunca acabou em uma discussão aos gritos com um filho, com um pai ou mãe, com o cônjuge, com uma amiga, dizendo coisas feias, horríveis, ataques intensos, contínuos? Isso começa com questões do coração e se transforma em um ataque verbal crítico contra o líder de Deus.
Vemos aqui a deslealdade em Miriã, pois ela aparentemente reuniu apoio para sua posição. Ela e Arão obviamente conversaram entre si e depois falaram com outros.
Há pouco tempo, conversei com uma amiga que serve em outro ministério. Ela me contou sobre algumas reuniões que tiveram naquele ministério, nas quais, em determinado nível, criticaram o líder do ministério — que não estava presente na sala. Não foram diretamente a aquela pessoa. Estavam reunindo apoio para sua posição.
Posso dizer que uma das coisas mais mortais e insidiosas que podem acontecer em um ministério são essas sementes de deslealdade, quando começamos a reunir apoio para nossa posição. Você pode fazer isso em uma família, em um ambiente de trabalho. Pode acontecer em um ministério.
A deslealdade resulta no pecado da fofoca, que certamente entrou em cena aqui, quando ela falou contra Moisés para outras pessoas.
Ao meditar nessa passagem, algo me chamou a atenção: Moisés, que era o líder de dois a três milhões de judeus, já estava sob considerável ataque por parte do povo. Lemos sobre isso em Números 11. Mas há muitos outros episódios em que o povo reclamou, murmurou, criticou e atacou o líder. As pessoas fazem isso. Se você vai ser líder, precisa se acostumar. Acontece. Mas, se houve um momento em que Moisés precisava do encorajamento e do apoio daqueles que estavam mais próximos dele, era esse — sua irmã, seu irmão, aqueles com quem ele havia servido por anos.
Mas, em vez de levantarem os braços de Moisés, como deveriam e poderiam ter feito, em vez de tentarem descobrir como poderiam aliviar o fardo dele, acrescentaram peso ao fardo de Moisés, atacando-o e se opondo a ele.
Tenho pensado nisso nos últimos dias e tentado me colocar nessa situação. Percebi como isso foi insensível da parte de Miriã e Arão, como foi falta de amor, como foi egoísmo despejar tudo isso justamente quando Moisés precisava desesperadamente de encorajamento e apoio.
Mas não é só Miriã.
- Como é fácil para nós, mulheres, criticarmos a forma como os homens conduzem — ou deixam de conduzir — as coisas que nos afetam no lar e na igreja?
- Quão rápido tomamos a liberdade de falar, de criticar?
Recentemente, conversei com uma mulher envolvida no ministério feminino de sua igreja local. Ela estava ativamente engajada, derramou sua vida nisso. Mas, em poucos minutos de conversa, ela já estava me dizendo — e sei que não pretendia ter um espírito como o de Miriã, mas chegou bem perto — que os pastores daquela igreja simplesmente não apoiam o ministério feminino como deveriam.
“Eles precisam. . .” “Eles precisam ouvir. . .” Ela não levantou a voz, mas estava bem intensa. Pensei: Esta não é a primeira vez que ela diz isso. E eu não sou a primeira pessoa a quem ela diz isso.
Pude ver ali as sementes da deslealdade. Sei que ela tinha boas intenções. Sei que se importa com as mulheres da igreja. Mas isso será veneno naquela igreja se ela compartilhar isso com outras pessoas de lá.
Uma coisa é ela ir ao pastor, ir aos homens na liderança, e fazer um apelo bondoso, gentil e humilde: “Há coisas acontecendo no ministério feminino, e seria tão encorajador para nós se vocês pudessem estar cientes disso. Precisamos da liderança de vocês. Precisamos das orações de vocês.”
Isso é um espírito totalmente diferente de dizer: “Os homens desta igreja, os pastores, não nos apoiam como deveriam.”
Estou falando com algumas mulheres que já disseram coisas exatamente assim. Talvez você esteja se perguntando se eu li seu e-mail ou se você é a pessoa de quem eu estava falando. Escute: eu poderia estar falando de muitas de nós. Fazemos isso em nossos lares. Fazemos isso em nossas igrejas. Fazemos isso em nossos ministérios.
É um coração insidioso, pecaminoso, perverso, mau que nos leva a falar contra a liderança ordenada por Deus, quando deveríamos estar levantando seus braços.
Se você ouve o Aviva Nossos Corações há algum tempo, sabe que não faço nenhuma afirmação de que homens ou líderes sejam perfeitos, porque nenhum homem ou mulher é perfeito. Mas uma coisa que digo repetidas vezes é que, como mulheres, temos a responsabilidade de levantar as mãos de maridos, pastores e líderes espirituais, mesmo quando estão errados — orar por eles, encorajá-los, apoiá-los.
Isso não significa que nunca trazemos o erro à luz. Essa é outra questão. Mas significa que, quando precisamos trazer essas coisas à luz, fazemos isso de maneira humilde, graciosa, gentil, amorosa e bondosa, e nunca com a intenção de destruir, derrubar ou criticar.
Creio que isso está muito forte no meu coração porque, mesmo enquanto preparo esta série, tenho visto exemplos disso em famílias e em igrejas — não apenas entre mulheres, mas também entre homens — destruindo os líderes de Deus.
Mulheres, isso é errado. Não façam isso. Se você já fez isso, coloque-se de joelhos, arrependa-se e peça o perdão de Deus. Implore pelo perdão de Deus. Veremos que as consequências para Miriã foram muito sérias.
Mas, primeiro, quero que vejamos como Moisés respondeu a esse desafio. O versículo 3 nos diz: “Moisés era um homem muito manso, mais do que qualquer outro sobre a terra.”
Isso está em contraste direto com a descrição do que Miriã fez nos versículos 1 e 2, onde ela falou contra Moisés por causa de sua esposa e por causa de seu direito de falar por Deus. Em contraste com isso, temos essa declaração sobre Moisés.
O fato de Moisés ser descrito como muito manso sugere que Miriã não foi mansa em sua resposta. A evidência da humildade de Moisés é que ele não se defendeu desse bombardeio, desse ataque verbal. Ele deixou Deus defendê-lo. Não retaliou. Não há nenhuma evidência, em todo esse capítulo, de que Moisés tenha respondido verbalmente.
Posso garantir que ele foi tentado a fazê-lo. Tinha que ser. Isso devia ser muito difícil. Mas ele se manteve em silêncio.
Matthew Henry, em seu comentário sobre essa passagem, diz: “Quanto mais silenciosos somos em nossa própria causa, mais Deus se compromete a defendê-la.” Deixe Deus assumir a sua causa.
Antes de chegarmos ao final desta série, voltaremos a essa resposta de Moisés e falaremos sobre como reagir quando somos atacadas injustamente.
Mas, antes de tudo, quero que observemos a resposta de Deus. Vimos que Moisés foi humilde; foi manso em sua resposta. Mas como Deus respondeu?
O versículo 2 nos diz: “E o SENHOR ouviu.” O Senhor ouviu. Deus levou essa rebelião, essa inveja, esse ciúme, essa ambição egoísta, essa fofoca, essa deslealdade, essa semeadura de discórdia muito a sério.
Nos versículos 4 e 5, Ele chama Miriã e Arão para prestarem contas. Números 12.4 diz:
Imediatamente o SENHOR disse a Moisés, a Arão e a Miriã: ‘Vocês três, dirijam-se à tenda do encontro. E os três foram até lá. Então o SENHOR desceu na coluna de nuvem e se pôs à porta da tenda. Depois, chamou Arão e Miriã, e eles se apresentaram.
No fundo, o problema deles não era com Moisés; era com Deus. Deus disse: “Venham aqui, vocês vão ter que tratar disso comigo, e eu vou tratar disso com vocês.”
Então, no versículo 6, Deus diz aos três ali reunidos: “Ouçam, agora, as minhas palavras. Vocês ouviram Miriã; agora é hora de me ouvir.”
Então o Senhor disse: ‘Ouçam, agora, as minhas palavras: se entre vocês há um profeta, eu, o SENHOR, em visão me faço conhecer a ele ou falo com ele em sonhos. Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa? Falo com ele face a face, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do SENHOR. Como, pois, vocês não tiveram medo de falar contra o meu servo, contra Moisés?’ (vv. 6–8)
Assim, Deus defende Moisés e confronta e repreende Miriã e Arão. Deus reconhece o papel de Miriã como profetisa — somos informadas disso. E Deus havia se comunicado com ela de certas maneiras.
Mas Deus disse: “Moisés é diferente. Com ele eu me comunico diretamente. E, por isso, vocês deveriam ter ficado aterrorizados de falar contra o meu servo Moisés.”
Quais foram as consequências? O versículo 9 nos diz: “A ira do SENHOR se acendeu contra eles; e ele se retirou.”
Eu não conheço nenhuma maneira mais rápida de fazer com que a presença — a presença manifesta e a glória de Deus — se retire da sua vida ou da minha do que nos envolvermos nos pecados nos quais Miriã se envolveu: falar contra os servos de Deus e o coração que isso revela.
Deus se retirou. “Não vou ficar aqui para isso.” Isso não significa que você perde a salvação, mas certamente pode perder a comunhão com Deus. Pode perder a evidência da presença de Deus na sua vida, na sua família, na sua igreja, no seu local de trabalho — onde quer que esses tipos de pecados estejam sendo expressos.
E então o versículo 10:
Quando a nuvem se afastou de sobre a tenda, eis que Miriã estava leprosa, branca como a neve. Arão olhou para Miriã, e eis que ela estava coberta de lepra.
A lepra, como você sabe, era uma terrível doença de pele. Nesse caso, foi claramente o resultado da disciplina de Deus, da correção de Deus. A lepra, ao começar a consumir seu corpo, era um retrato físico do impacto de suas palavras pecaminosas.
Isso me faz pensar naquele versículo de Tiago 3.6 que diz: “Ora, a língua é um fogo; é um mundo de maldade. A língua está situada entre os membros do nosso corpo e contamina o corpo inteiro.”
Não foi exatamente isso que aconteceu? O coração de Miriã estava ligado à sua língua e, como resultado, ela recebeu essa lepra que destruiu, que contaminou seu corpo — um retrato do que havia acontecido em seu coração, do que aconteceu dentro dela.
Versículos 11–12: “E Arão disse a Moisés: ‘Ah! Meu senhor, não ponha sobre nós este pecado, porque agimos de forma tola e pecamos. Não permita que Miriã seja como um aborto, que, saindo do ventre de sua mãe, tenha metade de sua carne já consumida.’” Essa é apenas uma descrição da natureza deformadora da lepra.
Primeiro, Arão intercede junto a Moisés em favor de Miriã.
Depois, no versículo 13, Moisés intercede junto ao SENHOR em favor de Miriã:
Moisés clamou ao SENHOR, dizendo: 'Ó Deus, peço-te que a cures.’
O SENHOR respondeu a Moisés: ‘Se o pai de Miriã tivesse cuspido no rosto dela, não seria envergonhada por sete dias? Que ela seja encerrada sete dias fora do arraial e, depois, trazida de volta.’ Assim, Miriã foi detida fora do arraial durante sete dias. (vv. 13–15)
A lei cerimonial dos israelitas exigia que uma pessoa doente permanecesse fora do acampamento por um período mínimo de sete dias. Você pode ler sobre isso, por exemplo, em Levítico 13.
Ao final desse tempo, o sacerdote examinaria a pessoa para ver se ela havia sido purificada. Em Números 5.1–3, lemos:
O SENHOR disse a Moisés: ‘Ordene aos filhos de Israel que expulsem do arraial todo leproso, todo o que tiver um fluxo e todo impuro por ter tocado em algum morto. Tanto homem como mulher devem ser expulsos do arraial, para que não contaminem o arraial, no meio do qual eu habito.’
Toda essa história da lepra e de como lidar com ela era uma lição objetiva sobre santidade, uma lição sobre o que o pecado faz para nos contaminar e nos separar da presença de Deus.
Levítico 13.46 diz: “Será impuro durante os dias em que a praga estiver nele; está impuro, habitará só; a sua habitação será fora do arraial.”
Tudo isso que descreve como lidar com a lepra e essas doenças de pele é um retrato do que o pecado faz conosco e com nosso relacionamento com Deus e com os outros. Por exemplo, ele nos isola. Diz que a pessoa com lepra deve viver sozinha, isolada do restante da comunidade.
Ele nos separa. Eles tinham que viver fora do arraial, separados da comunidade do povo de Deus, separados da presença de Deus. É isso que o pecado faz vertical e horizontalmente: ele nos separa, nos isola.
Houve humilhação pública envolvida. Lemos que ela deveria ficar envergonhada por sete dias fora do arraial. Ela havia insultado e desonrado Moisés e a Deus e, como resultado, foi publicamente insultada e desonrada. O pecado público exigiu uma repreensão pública.
Hoje em dia, não temos muita teologia a respeito disso. Não estou dizendo que devemos fazer tudo da mesma forma sob a nova aliança.
Mas mesmo no Novo Testamento encontramos passagens, por exemplo, em 1 Timóteo 5, que dizem que, quando um presbítero, um líder espiritual, persiste no pecado (não se arrepende de um pecado que se tornou público), o que deve ser feito? “Quanto aos que vivem no pecado, repreenda-os na presença de todos, para que também os demais temam.” (v. 20)
Você torna seu pecado público, e Deus se certificará de que a disciplina também seja pública. Queremos tentar proteger as pessoas disso. Mas há um temor do Senhor que surge — e que é necessário no Corpo de Cristo — quando o pecado público é tratado de maneira pública.
Vou lhe dizer como você pode evitar isso: arrependendo-se publicamente. Seu arrependimento precisa ser tão amplo quanto foi o seu pecado. Se você falou publicamente contra seu pastor, sua igreja, contra seu marido em casa ou contra seu chefe no trabalho — se falou contra essa pessoa de maneira que outros souberam —, então você precisa voltar àquelas pessoas. Da mesma forma que criticou publicamente, precisa se arrepender publicamente e buscar perdão, para não colocar Deus e a igreja na posição de precisarem exercer disciplina pública.
Houve também um período prolongado aqui: sete dias. É interessante que a restauração não foi imediata. “Você precisa sentar aqui e pensar sobre a gravidade do que fez.”
Sabe, quando temos restauração instantânea, muitas vezes não levamos nossos pecados a sério. Mas houve esse tempo de afastamento, tempo para a convicção penetrar, tempo para arrependimento.
Esse é o objetivo, aliás, da disciplina na igreja: restaurar o pecador e servir de advertência aos outros. Como resultado do pecado de Miriã, o progresso de toda a comunidade foi prejudicado.
Os versículos 15–16 nos dizem: “Assim, Miriã foi detida fora do arraial durante sete dias; e o povo não partiu enquanto Miriã não foi trazida de volta. Porém, depois, o povo partiu de Hazerote.” Eles ficaram atrasados por sete dias em sua jornada rumo à Terra Prometida.
Isso fala comigo sobre a responsabilidade daquelas de nós que temos influência e liderança, que somos respeitadas e admiradas por outros. Miriã, como vimos em Êxodo 15, era uma líder entre as mulheres. As pessoas a respeitavam e a tinham como referência.
Algumas de vocês ocupam posições assim na família, com seus filhos; na igreja, talvez como líderes de estudos bíblicos. Neste ministério, sinto fortemente isso: a enorme responsabilidade que existe quando as pessoas nos admiram, nos respeitam e nos seguem. Somos mais cobradas.
É por isso que Tiago 3.1 diz: “Não sejam, muitos de vocês, mestres, sabendo que seremos julgados com mais rigor.”
Ao ler essa passagem e refletir sobre ela nas últimas semanas, Deus tem impressionado profundamente meu coração quanto à enorme responsabilidade que tenho neste ministério como líder de mulheres e ao fato de que, quando eu peco, não peco apenas contra mim mesma. Levo outras comigo. É uma responsabilidade enorme — não apenas estar certa com Deus por mim mesma, mas estar certa com Deus para não afetar negativamente a caminhada de vocês com Ele.
Tenho orando: “Senhor, guarda-me do pecado. Guarda-me de jamais levar outras ao erro. Guarda-me de jamais Te desonrar.” Esse é o desejo do seu coração?
Todas nós temos pessoas que nos seguem, pessoas que lideramos. Una-se a mim nessa oração: Senhor, o clamor do nosso coração é: “Guarda-nos do pecado. Guarda-nos de Te desonrar. Guarda-nos de levar outras ao pecado.” Deus, ajuda-nos a ver quão seriamente o Senhor leva o nosso pecado. Oro para que nosso arrependimento seja tão amplo e conhecido quanto foi o nosso pecado.
Senhor, obrigada por nos dar esse alerta, esse desafio. Que possamos levá-lo a sério. Oro em nome de Jesus, amém.
Raquel: Nancy DeMoss Wolgemuth tem nos ajudado a avaliar nosso coração. Existem pecados ocultos no seu coração que ninguém conhece? Nancy nos lembrou hoje que nossas ações são, em última análise, reflexos do nosso coração. O que está acontecendo dentro de nós acaba vindo à tona — e é por isso que os pecados ocultos são tão prejudiciais. Eles podem ter um grande impacto nas pessoas ao nosso redor. Suas ações estão impactando os outros de maneira positiva ou negativa?
Junte-se a nós no próximo episódio para uma conversa sobre pecado e doença. Existe alguma ligação entre os dois? Vamos falar sobre isso no Aviva Nossos Corações.
O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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