Raquel Anderson: Você já comparou o seu trabalho com o de outra pessoa? Aqui está Nancy DeMoss Wolgemuth.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Com que frequência dizemos: “Não estou contente com o papel em que Deus me colocou, com a responsabilidade que Ele me deu; em vez disso, quero ter um papel, um trabalho, um chamado, uma tarefa que foi dada a outra pessoa”?
Talvez você não diga: “Eu quero esse título”, mas começa a tramar, a manipular e a se esforçar porque, por orgulho, quer ser a primeira. O resultado, muitas vezes, é que nos tornamos resistentes à autoridade.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, coautora de Buscando a Deus, na voz de Renata Santos.
Quando você deixa uma erva daninha crescer, ela acaba dominando o seu jardim. Aprendi isso da maneira mais difícil, minha amiga.
Da mesma forma, quando você …
Raquel Anderson: Você já comparou o seu trabalho com o de outra pessoa? Aqui está Nancy DeMoss Wolgemuth.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Com que frequência dizemos: “Não estou contente com o papel em que Deus me colocou, com a responsabilidade que Ele me deu; em vez disso, quero ter um papel, um trabalho, um chamado, uma tarefa que foi dada a outra pessoa”?
Talvez você não diga: “Eu quero esse título”, mas começa a tramar, a manipular e a se esforçar porque, por orgulho, quer ser a primeira. O resultado, muitas vezes, é que nos tornamos resistentes à autoridade.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, coautora de Buscando a Deus, na voz de Renata Santos.
Quando você deixa uma erva daninha crescer, ela acaba dominando o seu jardim. Aprendi isso da maneira mais difícil, minha amiga.
Da mesma forma, quando você deixa o descontentamento crescer no seu coração, ele acaba dominando a sua língua. Você começa a murmurar.
Nancy DeMoss Wolgemuth explica como interromper esse processo, dando continuidade a uma série chamada Lembre-se de Miriã. Se você perdeu algum dos episódios das últimas semanas, não se esqueça de que pode encontrá-los todos no nosso site avivanossoscoracoes.com. Agora, aqui está Nancy.
Nancy: Tenho uma amiga que recentemente descobriu um pequeno caroço no rosto, perto do centro da orelha, em um gânglio linfático. Ela foi ao médico e fez alguns exames. O médico apalpou a área e, por fim, disse: “Precisamos fazer uma tomografia”. Não sei exatamente o que tudo isso significa, mas o objetivo desse exame era ver se havia alguma célula cancerígena dentro daquele pequeno caroço.
Graças a Deus, tudo indica que está tudo bem. Mas, enquanto caminhei com minha amiga durante aquele período em que ela passou por esse processo de exames, pensei naquela tomografia — e em todo o equipamento sofisticado que temos hoje, capaz de mostrar todo tipo de coisa acontecendo em nossos corpos que não dá para ver por fora. Isso me lembrou que Deus sabe. Ele tem a capacidade suprema de examinar e ver, e Ele sabe o que está em nossos corações.
Há coisas que não conseguimos ver facilmente por fora, coisas que não sabemos que estão acontecendo dentro do nosso coração. Deus usa as circunstâncias da vida para expor e trazer à tona o que está acontecendo em nosso coração.
Às vezes, a “máquina de tomografia” de Deus é simplesmente nos conduzir por tempos difíceis da vida, e quem somos e o que somos vêm à tona. Olhamos para nós mesmas e dizemos: “Eu não sabia que era esse tipo de pessoa. Eu não sabia que era tão irada. Eu não sabia que era tão impaciente. Eu não sabia que era tão crítica até ser pressionada, e o que estava dentro de mim saiu”.
Nas últimas semanas, temos analisado a vida de Miriã. Quando Deus levou Miriã — a irmã de Moisés e Arão no Antigo Testamento — por um exame do coração, descobriu-se que nem tudo estava bem; o relatório não foi bom.
Há três episódios principais registrados no Antigo Testamento relacionados à vida de Miriã. Já analisamos os dois primeiros. O primeiro está em Êxodo capítulo 2, quando ela era uma menina, provavelmente entre seis e dez anos de idade. Foi quando sua mãe colocou seu irmãozinho Moisés em um cesto no rio Nilo para protegê-lo do decreto do rei de que todos os meninos deveriam ser mortos. Você conhece a história.
O papel de Miriã naquele episódio foi o que poderíamos chamar de cuidadora. Ainda menina, ela se mostrou confiável, corajosa, confiante, conscienciosa, compassiva e preocupada. Vimos essas características de uma cuidadora, mesmo tão jovem.
O segundo episódio aconteceu oitenta anos depois, quando Miriã tinha aproximadamente noventa anos de idade, mais ou menos. Em Êxodo capítulo 15, vemos o episódio após a travessia do Mar Vermelho, quando Miriã é uma adoradora.
Ela é quem lidera as mulheres na adoração e no louvor ao Senhor pela vitória que Ele concedeu, por como Ele conduziu Seu povo pelo Mar Vermelho. Os egípcios foram derrotados, e ela se junta às mulheres, liderando-as a entoar o hino de louvor que Moisés estava cantando. Miriã faz parte daquela celebração.
Primeiro, ela é uma cuidadora; depois, uma adoradora. Se a história da vida de Miriã tivesse terminado aí, teria terminado em uma nota muito positiva. Teria sido uma grande história, um registro sem falhas. Mas uma das coisas que sabemos sobre as Escrituras é que elas não encobrem as manchas, os fracassos, as falhas e os defeitos nem mesmo de pessoas piedosas.
Sou muito grata por isso, porque quando minhas manchas, fracassos e falhas aparecem — quando o exame do coração revela coisas realmente feias dentro de mim — sou muito grata por ter exemplos nas Escrituras de pessoas que já passaram por isso, que tiveram problemas semelhantes no coração. Isso me ajuda a lidar com meus próprios problemas.
O próximo capítulo da vida de Miriã é triste; é trágico. É o último relato que temos nas Escrituras sobre essa mulher, além de sua morte, registrada em apenas um versículo em Números capítulo 20. Chegamos hoje, e pelos próximos dias, a esse terceiro episódio na vida de Miriã. Você o encontra em Números capítulo 12.
Se possível, abra a sua Bíblia e nos acompanhe na leitura.
Este é um ponto baixo na história de Miriã, que aconteceu cerca de um ano após o episódio anterior, quando ela era uma adoradora. Como podemos passar rapidamente de adoradoras a reclamadoras! Não é verdade? Não leva um ano. Não leva um mês. Não leva um dia. Eu consigo fazer isso em questão de minutos — passar de adorar a reclamar, de celebrar a criticar. Neste caso, passou cerca de um ano entre esses dois relatos.
O contexto de Números capítulo 12. . . podemos aprender muito quando estudamos o contexto em que aparecem. Você se lembra de que os filhos de Israel estiveram no Egito como escravos por 400 anos. Deus enviou Moisés para libertá-los. Vieram as dez pragas sobre o Egito. Houve a Páscoa, quando o cordeiro sacrificial foi morto. Naquela noite, Deus tirou os israelitas do Egito com mão forte e poderosa, e eles foram libertos.
Depois chegaram ao Mar Vermelho, onde pensaram estar em sérios apuros. E estavam mesmo, porque Faraó e seu exército os perseguiam. Mas Deus concedeu aquela grande libertação de que acabamos de falar.
Eles chegaram ao outro lado do Mar Vermelho e, então, ao Monte Sinai, onde a Lei foi dada. Grande parte do livro de Êxodo acontece no Monte Sinai. Eles permaneceram ali por cerca de um ano e, então, seguiram viagem no que se tornou a jornada pelo deserto rumo à Terra Prometida.
Em Números capítulo 11 — não vamos ler esse trecho, ou grande parte dele — eles chegam a um lugar onde o povo murmura, reclama e se queixa. Não nos é dito exatamente do que reclamaram dessa vez, mas, fosse o que fosse, Deus levou isso muito a sério.
Lemos em Números 11 que “a ira do Senhor se acendeu contra o povo, e o feriu com uma terrível praga. Por isso aquele lugar foi chamado de Quibrote-Hataavá, porque ali foi sepultado o povo que teve o desejo das comidas dos egípcios.” (vv. 33–34)
O povo estava descontente, e Deus sepultou muitos ali por causa de sua cobiça e de seu descontentamento. Então o versículo 35 nos diz: “De Quibrote-Hataavá o povo partiu para Hazerote, e ali ficou”. É aí que os filhos de Israel estão quando chegamos ao capítulo 12 do livro de Números. Hazerote fica a cerca de quarenta milhas a nordeste do Monte Sinai.
No contexto de toda a história, esse episódio acontece logo antes de Números capítulo 13 quando os filhos de Israel chegaram a Cades-Barnéia. Foi ali que enviaram os espias à Terra Prometida, mas não creram em Deus. Duvidaram de Deus e, como resultado, Deus disse: “Vocês passarão quarenta anos neste deserto”.
Em Números 11, o povo está reclamando. Deus sepulta muitos deles com uma praga. Em Números 13, o capítulo seguinte ao que vamos tratar, o povo não crê em Deus. Duvida de Deus. Exercita incredulidade, e Deus os pune com quarenta anos no deserto. Números capítulo 12 está inserido exatamente nesse contexto. É a história de Miriã e de uma rebelião contra Moisés.
Se você observar esses três capítulos em sequência, verá que Moisés estava passando por dias muito difíceis. Eram dias duros na vida de um líder. Mas queremos olhar para este capítulo principalmente a partir da perspectiva de Miriã.
Números capítulo 12, versículo 1, diz: “Miriã e Arão falaram contra Moisés”. Deixe-me parar aqui. Segundo os comentaristas desse versículo, com base na construção gramatical do verbo “falaram”, fica claro que Miriã foi a instigadora. É um verbo feminino singular. É Miriã quem estava falando contra Moisés. Arão — que, como sabemos por outros relatos de sua vida, era facilmente influenciado em direções negativas — estava apenas acompanhando.
Isso não torna Arão inocente, mas foi Miriã quem provocou. Arão foi seguindo, concordando com ela. Por isso, quando chega a punição pelo pecado — quando Miriã é atingida pela lepra e disciplinada — Arão não é incluído nessa punição. Essa pode ser uma das razões, pelo menos. Foi realmente o coração de Miriã que estava por trás dessa revolta.
Nos versículos 1 e 2, há duas queixas levantadas contra Moisés. No versículo 1, lemos sobre a razão aparente da oposição a Moisés: “Miriã e Arão falaram contra Moisés, por causa da mulher cuxita que este havia tomado; pois ele tinha tomado uma mulher cuxita.”
Li muitos comentários sobre isso, e eles realmente não sabem quem era essa mulher. Há dois pontos de vista básicos. Um é que se tratava da esposa original de Moisés, Zípora, que pode ter tido pele escura ou origem estrangeira. O outro é que Zípora havia morrido, e essa seria uma segunda esposa que Moisés tomou mais tarde. A resposta é: não sabemos. Poderia ser uma ou outra.
Sabemos que esse era um casamento que não era proibido por Deus. Por exemplo, em Êxodo capítulo 34, Deus disse que certos casamentos eram proibidos aos israelitas; eles eram proibidos de se casar com mulheres cananeias.(vv. 12–16). Mas este não era um desses casamentos proibidos, portanto Miriã e Arão não tinham base bíblica para dizer que Moisés não deveria ter se casado com essa mulher.
Não sabemos por que eles tinham uma queixa contra essa mulher. É possível que Miriã se sentisse ameaçada. Até então, Miriã havia sido a principal figura feminina em Israel. Ela era respeitada, admirada. Talvez tenha sentido que essa mulher cuxita, especialmente se fosse um novo e segundo casamento de Moisés, representasse uma ameaça ao status de Miriã.
Lembre-se de que Miriã era a irmã mais velha. Ela estava ali há muito tempo e talvez se sentisse ameaçada. Miriã tinha a atenção de Moisés até então. Talvez pensasse que a esposa de Moisés teria a atenção dele; que Moisés buscaria a opinião dela em vez da de Miriã. Talvez tivesse medo de ser ofuscada pela esposa.
Mas a mulher cuxita, ao meditar sobre essa passagem, parece não ser o verdadeiro problema. Talvez tenha sido a “gota d’água” ou a desculpa que Miriã e Arão estavam procurando para tornar pública sua queixa contra Moisés.
Temos outra pista do que pode ter acontecido aqui. Em Números capítulo 11, setenta anciãos foram designados para ajudar Moisés a liderar o povo (16–17). Essa foi uma ideia sugerida, você se lembra por quem? — pelo sogro de Moisés. Talvez, quando esses anciãos foram nomeados, Miriã tenha pensado: “Isso é ideia do pai da esposa de Moisés; é uma má ideia”.
Talvez ela tenha sentido que seus direitos e os de Arão haviam sido atropelados e que suas posições estavam ameaçadas. Agora haveria outras pessoas aconselhando Moisés. Então, talvez ela e Arão estivessem defendendo seu território contra essa nova estrutura de liderança. Talvez sentissem que estavam ali há mais tempo do que esses anciãos, mais tempo do que essa esposa, e que tinham o direito de ser consultados sobre uma decisão tão importante. Não sabemos, mas fica claro ao chegarmos ao versículo 2 que há uma questão mais profunda do que a esposa de Moisés.
E disseram: ‘Será que o Senhor falou somente por meio de Moisés? Será que não falou também por meio de nós?’
Este parece ser o cerne da questão — a verdadeira questão. E é isso que Deus aborda quando entra em cena.
Ao olharmos para essas questões que Miriã levantou — sobre a esposa de Moisés e “Será que Deus falou apenas por meio de Moisés?” — as perguntas que queremos fazer são: “O que está acontecendo no coração dela? O que a leva a falar contra Moisés e a liderar essa insurreição?” Não queremos olhar apenas para o comportamento externo. Vamos observar o que o coração produziu, mas primeiro queremos dizer, sobre ela e sobre nós: “O que está acontecendo no coração? Quais são as questões do coração?”
Parece que, em primeiro lugar, há uma questão de inveja e ciúme. Há essa comparação: “Você não é o único por meio de quem Deus fala”. Veja, Miriã conhecia Moisés desde que ele usava fraldas, e ela também era profetisa. Em Êxodo capítulo 15, somos informadas de que ela era profetisa. Ela também ouvia de Deus.
Lembre-se de que Moisés era o mais novo dos três irmãos. Às vezes, pode ser difícil ver outros prosperarem e, especialmente, celebrar o sucesso de irmãos mais novos. Penso nos irmãos mais velhos de José. Eles ficaram com ciúmes quando Deus falou com José e, como resultado, o atacaram. Tentaram derrubá-lo para que eles fossem mais apreciados pelo pai.
Moisés teve uma criação privilegiada no palácio da filha de Faraó, como você se lembra, e foi poupado das dificuldades da escravidão. “Ele sempre recebeu os holofotes”, talvez Miriã esteja pensando; “eu sempre fico nas sombras”. Há uma inveja, um ciúme da posição de Moisés, de seus privilégios. Ela pensa: “Por que ele deveria ter o maior privilégio de falar por Deus? Deus fala comigo também”.
Ciúme é querer o que outra pessoa tem. Inveja é desejar que a pessoa não tivesse aquilo. Acho que vemos ambos aqui. Moisés tinha uma liderança que Miriã aparentemente cobiçava. Ela não apenas queria isso para si, mas desejava que ele não tivesse. Então, o que você faz quando vê alguém que tem algo que você não tem, deseja ter e deseja que a outra pessoa não tivesse? Bem, é fácil começar a puxar essa pessoa para baixo, atacá-la, alegrar-se com sua queda.
O pastor de jovens da minha igreja local pregou uma mensagem exatamente sobre essa passagem, Números capítulo 12, e fez um comentário que considerei útil.
Ele disse:
Quando a inveja pessoal nos coloca na ofensiva, deixamos de ver a outra pessoa como alguém feito à imagem e semelhança de Deus. Perdemos o respeito por ela como indivíduo, e agora essa pessoa se torna um obstáculo para a nossa felicidade pessoal. Em vez de apreciá-la, você começa a desprezá-la. Em vez de valorizá-la, você a rebaixa. Em vez de exaltá-la, você se exalta. Em vez de se alegrar com os dons dela, você minimiza sua contribuição para o Reino.
É exatamente isso que vemos acontecendo aqui, à medida que a inveja e o ciúme tomam conta do coração de Miriã.
Há também ressentimento. Moisés aparentemente tem maior acesso a Deus, e ela se ressente disso. Há ambição egoísta em seu coração. Ela quer mais poder. Ela se esforça por posição, autoridade e influência. Há rivalidade, ambição egoísta em seu coração e, claro, no centro de tudo, está o orgulho: uma busca por exaltação, por ser a primeira, por ocupar o lugar preeminente.
Afinal, ela era profetisa. Era respeitada. Havia sido porta-voz da verdade por anos. Quando você tem esse tipo de posição e influência, tende a esperar que as pessoas concordem com tudo o que você diz, e que o que você diz tenha tanto peso quanto o que qualquer outra pessoa diz. Então há esse orgulho em seu coração.
Isso me lembra um versículo em 3 João, versículo 9, onde o apóstolo João fala de um homem chamado Diótrefes. Diz: “Ele gosta de ser o primeiro”. Outra tradução diz: “Ele ama ser o primeiro entre eles”. Ou: “Ele ama ter a preeminência entre eles”.
E você sabe o que se segue sobre esse homem: “Diótrefes, que gosta de ser o primeiro, não reconhece a nossa autoridade”. A autoridade dos apóstolos. Esse é um retrato do que temos com Miriã aqui. Ela queria ser a primeira e, como resultado de seu orgulho, desse ressentimento e dessa ambição egoísta, acaba cultivando um espírito rebelde. Ela não reconhece a autoridade. “Eu serei minha própria autoridade. Deus fala comigo. Ele não fala apenas com Moisés.” Assim, ela se torna rebelde em seu espírito.
Miriã se encontra na posição extremamente perigosa de resistir ao lugar e ao papel que Deus tem para ela — e de insistir em ter o lugar e o papel que Deus tem para outra pessoa. Sempre que fazemos isso, senhoras, ultrapassamos o papel de Deus em nossas vidas e nos tornamos rebeldes.
Esta é uma história sobre uma mulher rebelde, mas a história dela é a nossa história. Com que frequência dizemos: “Não estou contente com o papel que Deus me deu, com a responsabilidade que Ele me confiou; em vez disso, quero ter um papel, um trabalho, um chamado, uma tarefa que foi dada a outra pessoa”?
Pode ser que você queira o papel que Deus deu ao seu marido. Pode ser que você queira o papel que Deus deu ao seu pastor, ou a autoridade no seu local de trabalho — o chefe. Você diz: “Eu quero isso”. Talvez você não diga: “Eu quero esse título”, mas começa a tramar, a manipular e a se esforçar porque, por orgulho, quer ser a primeira. O resultado, muitas vezes, é que nos tornamos resistentes à autoridade.
Isso contrasta fortemente com o quadro que vimos de Miriã no episódio anterior, em Êxodo capítulo 15, quando ela foi sensível à liderança de Moisés. Moisés conduziu os filhos de Israel em um hino de louvor após a travessia do Mar Vermelho, e Miriã ocupou o seu lugar como apoiadora. Ela liderou as mulheres em apoiar e fortalecer Moisés enquanto se uniam ao cântico de louvor.
Ela estava sendo usada por Deus exercendo o seu papel. Agora, cerca de um ano depois, como uma mulher de aproximadamente noventa anos de idade, ela se encontra no lugar de resistir à autoridade ordenada por Deus. Quando fazemos isso, aliás, resistimos não apenas à autoridade humana, mas ao próprio Deus.
Miriã está descontente com seu papel dado por Deus, com seu chamado dado por Deus. Ela se ressente da posição, do prestígio e da proeminência concedidos a Moisés. Ela quer esse lugar e começa a falar contra isso. Veremos no próximo episódio como essas questões do coração — o que estava acontecendo no coração de Miriã — se expressaram de fato.
Antes de avançarmos para como o coração dela se expressou, ao meditar sobre essa passagem, uma história veio à minha mente sobre uma mulher que tem sido uma heroína para mim por muitos anos. Seu nome é Helen Roseveare. Já falei sobre ela aqui no Aviva Nossos Corações.
Entre as décadas de 1950 e 1970, mais ou menos, ela foi missionária, cirurgiã, médica, no que, na época era chamado de Congo. Foi uma mulher grandemente usada por Deus.
Seu livro, Sacrifício vivo, é um livro que li inúmeras vezes ao longo dos anos. Não sei se ainda está em circulação, mas, se você conseguir um exemplar, é um excelente livro. Voltei a esse livro e separei alguns trechos de que me lembrava, nos quais Helen Roseveare, como mulher solteira no campo missionário, enfrentou desafios semelhantes aos que Miriã experimentou.
Deixe-me ler para você um pouco do que a Dra. Roseveare diz. Ela diz:
Quando o comitê de missionários seniores, responsável pelo planejamento geral dos ministérios da igreja em nossa região do Congo, decidiu me pedir para ir a Nebobongo a fim de estabelecer ali o centro médico, fiquei furiosa. Não havia nenhum profissional da área médica no comitê, e senti que, no mínimo, eu deveria ter o direito de explicar por que, para mim, essa era uma decisão muito ruim.
Depois, ela continua dizendo, em outro momento:
Quando o comitê decidiu que eu deveria sair de licença após apenas cinco anos de serviço, fiquei indignada. Por que eu não poderia ficar sete anos — ou mais — como todos os outros? No mínimo, eu tinha o direito de ser consultada. Seria conveniente para minha mãe e minha família que eu fosse naquele momento?
Meu direito de ser considerada, de ter minha opinião ouvida, de dar meu conselho, de fazer escolhas e decisões — certamente naquilo que dizia respeito à minha própria vida e ao desenvolvimento da visão que Deus havia me dado — tudo isso me parecia tão essencialmente certo e razoável.
Pergunto-me se Miriã não pensava da mesma forma. Não acho que ela pensasse: Estou escrevendo um capítulo em um livro sobre a mulher rebelde. Para ela, isso provavelmente parecia certo e razoável.
Helen Roseveare fala, em outro momento:
Outras três pessoas se juntaram à equipe. Havia aquelas mais qualificadas do que eu em áreas específicas. Aos poucos, percebi que eu não era realmente necessária na equipe da maneira como havia sido antes. Isso foi difícil de aceitar. Eu sempre havia sido necessária; suponho que meu ego prosperava nisso.
Agora, eu era necessária principalmente como uma espécie de office boy glorificado [ela era cirurgiã, lembre-se], e fiquei descontente. Como de costume, a murmuração chegou aos ouvidos do comitê da escola, incluindo dois ou três presbíteros da igreja.
Veremos, à medida que a história de Miriã se desenrola para nós no próximo episódio, que as queixas de Miriã começaram em seu coração, depois chegaram aos ouvidos de Arão, depois aos ouvidos do povo, depois aos ouvidos de Moisés. E, desde o início, chegaram aos ouvidos de Deus. Leremos a seguir, em Números 12.2, quando retomarmos a passagem na próxima sessão: “e o SENHOR ouviu”.
Deus ouviu o que ela disse; Deus ouve o que você diz; Deus ouve o que eu digo. O descontentamento em nossos corações — Ele o ouve antes mesmo de colocarmos isso em palavras. A busca egoísta, a deslealdade, o orgulho, a ambição egoísta, o ressentimento, a rebeldia. . . Deus ouve as murmurações e as queixas do nosso coração.
Ao olharmos para essa mulher, Miriã, Deus está chamando muitas de nós ao arrependimento, a dizer: “Senhor, eu tenho um problema no coração”. Você não é grata por Deus não estar escrevendo mais Escrituras, para que nossos capítulos pudessem ser escritos ali? A história de Miriã está ali para todas nós lermos, em Números capítulo 12.
Mas quero dizer que Deus pode escrever uma nova história para cada uma de nós — uma história de graça, uma história de perdão. Veremos que Ele faz isso com Miriã, mas isso só acontece quando estamos dispostas a nos arrepender, a ser honestas sobre onde Deus nos encontrou e a clamar pela graça de Deus.
Senhor, hoje somos mulheres que precisam desesperadamente da Tua graça. E oro para que, à medida que o Senhor tem apontado questões não apenas no coração de Miriã, mas em nossos corações, sejamos rápidas em dizer: “Sim, Senhor, existe essa busca egoísta, existe esse interesse próprio, existe essa inveja, existe esse ciúme”.
Senhor, o Senhor pintou em nossa mente um retrato de onde essas coisas existem e dos relacionamentos em que estamos empurrando, lutando e manipulando para obter preeminência. Oro para que respondamos à convicção do Teu Espírito, não apenas abafando-a ao mudar para outro podcast, um novo episódio ou outra atividade do nosso dia.
Responderemos parando agora e dizendo: “Senhor, eu me arrependo. Lava-me. Limpa-me. Perdoa-me. Purifica o meu coração”. Oro em nome de Jesus, amém.
Raquel: Nancy DeMoss Wolgemuth tem convidado você a fazer uma “avaliação do coração”. A maioria de nós encontrará algum descontentamento e crítica em nosso coração quando olharmos com atenção, e todas nós precisamos do perdão de Deus.
Nosso orgulho, inveja e ciúme muitas vezes nos impedem de entrar nos propósitos do Reino de Deus para a nossa vida. Ao examinar o seu coração, quero perguntar: você tem abraçado o papel que Deus lhe deu?
Nancy escreveu um livreto que pode te ajudar nessa caminhada de examinar o seu coração. O livreto “A beleza de um coração quebrantado” pode ser adquirido mediante uma doação de qualquer valor. Para receber esse livreto digital:
Você só precisa efetuar uma doação de qualquer valor por PIX ou cartão. Acesse a aba “DOAR” no site para ver os detalhes de como fazer essa doação. Em seguida nos notifique por e-mail, anexando o comprovante para que possamos enviar o arquivo digital em PDF. Nosso email é: contato@avivanossoscoracoes.com
O chamado das Escrituras é para encararmos o fato de que somos pecadoras que precisamos desesperadamente de um Salvador. Quando vemos a Deus como Ele realmente é, ficamos quebrantadas pelo nosso pecado e seu impacto em nosso relacionamento com Deus e com os outros.
O quebrantamento leva à humildade, uma virtude que Jesus modelou perfeitamente. Por meio de Sua Palavra, Cristo nos chama a imitar Seu exemplo.
Agora, o descontentamento e a murmuração têm consequências sérias. Nancy diz: “A glória de Deus se afastará da sua vida quando o descontentamento assumir o controle”. Você ouvirá mais sobre isso no próximo episódio.
Aguardamos você aqui no Aviva Nossos Corações.
O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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