Dia 1: Correndo atrás de um sentimento
Raquel Anderson: Será que o nosso tempo a sós com Deus não é sempre sobre sentir alguma coisa? O pastor Kevin DeYoung tem algo a dizer sobre isso.
Pastor Kevin DeYoung: Quando Jesus diz: “Vocês saberão que são Meus discípulos. . .”, Ele não disse: “. . .porque vocês se sentirão muito vivos durante seu tempo devocional.” Não. “Vocês são Meus discípulos e Me amam se obedecem aos Meus mandamentos.”
Raquel: Este é o podcast Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de A sós com Deus, na voz de Renata Santos.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Você já se sentou com a sua Bíblia aberta e sentiu uma pontinha de culpa? Você está lendo, estudando, mas não está sentindo o que acha que deveria sentir. Se você já teve essa experiência, você vai amar esta conversa com o pastor Kevin DeYoung. Acredito que vai encorajar seu …
Raquel Anderson: Será que o nosso tempo a sós com Deus não é sempre sobre sentir alguma coisa? O pastor Kevin DeYoung tem algo a dizer sobre isso.
Pastor Kevin DeYoung: Quando Jesus diz: “Vocês saberão que são Meus discípulos. . .”, Ele não disse: “. . .porque vocês se sentirão muito vivos durante seu tempo devocional.” Não. “Vocês são Meus discípulos e Me amam se obedecem aos Meus mandamentos.”
Raquel: Este é o podcast Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de A sós com Deus, na voz de Renata Santos.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Você já se sentou com a sua Bíblia aberta e sentiu uma pontinha de culpa? Você está lendo, estudando, mas não está sentindo o que acha que deveria sentir. Se você já teve essa experiência, você vai amar esta conversa com o pastor Kevin DeYoung. Acredito que vai encorajar seu coração.
Se você não conhece o pastor DeYoung, deixe-me apresentá-lo rapidamente. Ele é pastor da Christ Covenant Church, em Matthews, Carolina do Norte. Autor de vários livros publicados por editoras como a Fiel e a Vida Nova, abordando temas como santidade, cristianismo prático, igreja e vida cristã, com títulos populares como "Super Ocupado", "Cristianismo Impossível", "Brecha em Nossa Santidade" e "Qual a Missão da Igreja?" e um dos meus favoritos é: Bíblia – A maior de todas as histórias (ainda não disponível em português). . . sobre a grande história da Bíblia. Ele também é professor de teologia sistemática no Seminário Teológico Reformado em Charlotte, Carolina do Norte.
Mas isso não é tudo! Kevin e sua esposa, Trisha, são pais de nove filhos. Não é maravilhoso? Ele foi um dos palestrantes na conferência Mulher Verdadeira, em outubro de 2025.
Como você deve imaginar, o pastor DeYoung é um homem muito ocupado! Mas ele separou um tempo para conversar com a Dannah sobre contemplar a maravilha da Palavra de Deus, e fico muito grata por isso. Vamos ouvir juntas.
Dannah Gresh: Pastor Kevin DeYoung, conte-me sobre um momento — me leve até o lugar, o dia, a experiência — em que você ficou maravilhado pela Palavra de Deus.
Kevin: Tive o privilégio de crescer em um lar cristão, então sempre estive debaixo do ensino da Palavra. Nem me lembro quem era o pregador. Era um pregador itinerante que passou pela nossa cidade.
Talvez, olhando para trás, se eu soubesse quem era (e com um pouco mais de discernimento teológico), eu teria sido mais crítico. Mas o Senhor usa a Sua Palavra. Eu estava no terceiro ano do Ensino Fundamental I. Parece estranho dizer isso, mas lembro-me de ouvir a Palavra sendo pregada, e era uma mensagem simples do evangelho: salvação, fé, arrependimento.
Não sei se aquele foi o momento em que fui salvo, mas me lembro distintamente de ouvir de uma forma diferente. Acho que muitas pessoas que cresceram na igreja podem apontar para experiências assim.
Aquela foi uma delas — eu tinha uns sete ou oito anos — quando pensei: “Eu preciso realmente ser cristão!” Conversei com meus pais. Disse: “Quero me tornar membro da igreja.”
E eles disseram: “Bem, vamos ver como você se sente sobre isso daqui a um ano.”
E então, no contexto da minha igreja, eu me encontrei com os presbíteros e passei pelo catecismo e várias outras coisas. Mas lembro daquele momento, mesmo sem recordar exatamente quem pregou ou qual foi o texto — quando a Palavra alcançou meu coração.
Às vezes eu uso a analogia de uma refeição que você come. Você não se lembra de muitas refeições específicas na vida. E talvez isso encoraje as mães por aí. Vocês preparam muitas refeições (e pais, vocês também deveriam preparar algumas). As pessoas nem sempre agradecem por elas; não se lembram do que comeram nas sete últimas refeições da semana. E, no entanto, foram alimentadas e nutridas. É isso que a Palavra faz em nossas vidas. E há também aquelas vezes em que você talvez não lembre de tudo o que foi servido, mas lembra como aquela refeição foi realmente boa.
Lembro-me daquele momento quando eu era bem novo. E lembro-me de várias ocasiões na faculdade. . . Eu estudei na Hope College, em Holland, Michigan; Ben Patterson era o capelão lá. Lembro-me de sentar no banco da Dimnent Chapel, ouvindo aquelas mensagens, e às vezes sair depois do culto e andar por uma hora pelas ruas de Holland, Michigan, só refletindo sobre o que tinha ouvido.
É aquele momento em que, como Jesus disse, “as Minhas ovelhas ouvem a Minha voz”. Você sente que não foi apenas um homem dando uma mensagem, mas que Deus estava dizendo algo a você por meio da pregação da Sua Palavra.
Existem muitas oportunidades assim e, pela graça de Deus, espero que as pessoas experimentem isso de vez em quando em ocasiões em que eu tenho o privilégio de pregar.
Dannah: Acho que sim; tenho certeza que sim; eu sei que sim!
Sua analogia sobre as refeições que lembramos, mas que todas nos alimentam. . . (Bem, vamos falar sobre Doritos — talvez nem todas nos alimentem!) Mas a maioria nos nutre; nos dá força. Eu amo isso. É uma bela imagem. Essa é a minha experiência com a Palavra de Deus: ela se acumula dia após dia, à medida que sou fiel e estou nela. Mas nem todos os dias são memoráveis.
Kevin: Sim, é verdade. No seu tempo devocional pessoal, você precisa se alimentar. A maioria dos dias nós comemos três vezes ao dia. Às vezes amamos o que comemos — e espero que não sejam somente Doritos e Guaraná. Mas, de qualquer forma, somos alimentados, e você tem razão.
O exercício espiritual é parecido com o exercício físico em alguns aspectos. Você continua praticando, e nem sempre vê os resultados imediatamente. Seja qual for o seu exercício. . . você alonga, faz pilates, levanta peso, ou corre.
Na verdade, há uma analogia nisso também. Se você nunca se exercitou antes, os benefícios aparecem rapidamente, porque tudo é novo. No dia seguinte, você acorda com os músculos doloridos, se sente esticado. Se você é de meia-idade, como eu, está sempre se machucando com coisas que nem sabia que podiam dar errado. Mas, quando você faz isso repetidamente, fica mais difícil perceber o resultado.
E espiritualmente é assim também: se você tem estado na Palavra há muito tempo, quase todos os dias, e vai à igreja, pode não sentir o mesmo que sentia quando estava na faculdade ou quando era recém-convertido.
É como se você nunca tivesse corrido um quilômetro e começasse a correr um quilômetro todo dia — você logo vê grandes melhorias! Sente o pulmão arder e é bom. Mas, se você fizer isso todos os dias por vinte anos, já não tem certeza se está melhorando. Mas a verdade é que você está muito mais saudável e forte do que quando começou. Só que, por já ter construído essa resistência, não parece assim o tempo todo.
E essa pode ser a experiência de muitos cristãos perseverando, como em qualquer outra rotina e disciplina. “Não tenho certeza se ainda sinto isso.” Não dá para olhar no espelho no dia seguinte e ver se ganhou músculos ou perdeu peso. Mas ainda está fazendo algo! E, pela graça de Deus, isso está te ajudando a crescer mais forte e mais saudável!
Dannah: É, isso é muito bom! Sabe, existe aquela alimentação diária que nos nutre e nos mantém fortes, e também existem aqueles momentos de uma maravilha incrível.
Mas há também tempos em que passamos por uma estação de seca, quando não é uma fase saudável. Talvez seja Doritos demais — estamos comendo as coisas erradas. Pode ser que a sua “dieta de mídia” esteja superando a sua “dieta bíblica”, ou algo assim. Como podemos re-acostumar o coração com a maravilha e o desejo de estar na Palavra de Deus quando entramos nessas fases secas?
Kevin: Então, você tocou em uns pontos muito bons aí: Uma coisa da qual sempre precisamos nos lembrar é: a nossa percepção da nossa vitalidade espiritual não é a mesma coisa que a nossa real vitalidade espiritual.
Então, se avaliarmos cada dia pensando: “O que estou sentindo? Está parecendo seco? Está parecendo vivo?”, é claro que preferimos ter algum retorno emocional positivo. Mas precisamos entender, como cristãos, que isso não é um termômetro realmente saudável de como estamos indo.
Quando Jesus diz: “Vocês saberão que são Meus discípulos. . .”, Ele não disse: “. . .porque vocês vão se sentir muito vivos durante tempo devocional.” Não. “Vocês são Meus discípulos e Me amam se obedecem aos Meus mandamentos.”
Em Gálatas 5, quando fala: “Como você sabe que está produzindo fruto?”, o texto não diz: “Bem, você sentirá certo entusiasmo nas suas devocionais matinais.” Não. É: “Você está crescendo em amor, alegria, paz, paciência. . . todo o fruto do Espírito?” Então, a primeira coisa é: precisamos recalibrar o que é maturidade espiritual.
E a segunda coisa, o que você disse foi muito bem colocado. Eu percebo isso na minha própria vida (eu queria ser um modelo disso). . . Você não pode ver, porque provavelmente está só ouvindo, mas estou levantando o meu celular. Essa caixa mágica infernal que faz coisas incríveis, e é uma distração enorme! E isso é muito verdadeiro para muitos de nós.
Se estamos constantemente diante dessas telas, consumindo — mesmo que não seja necessariamente conteúdo ruim — isso nos reprograma. Isso nos condiciona a um certo tipo de estímulo de dopamina, a um tipo de hábito em que você fica rolando e pensando: Me dê algo novo. É só meio segundo até o próximo. Mas a Palavra de Deus não funciona assim.
Percebo em mim mesmo, às vezes, não apenas: “Por que estou com dificuldade de me concentrar?”, mas também que, se tenho me empanturrado de “Doritos” — para continuar com a metáfora — me alimentando daquilo em vez do que é realmente saudável para mim, acabo perdendo o apetite pelo que é realmente bom e saudável!
E, por fim, para qualquer pessoa que esteja lutando com essa sensação de tédio ou rotina, acho que às vezes é porque paramos de realmente envolver a mente.
O que quero dizer com isso é: estou lendo a Bíblia em um ano. Muitos de nós estamos nesse processo; nossa igreja está seguindo um plano este ano, e isso é ótimo, é uma boa disciplina diária. E, para ser honesto, às vezes parece meio automático. Já li a Bíblia inteira várias vezes, e é algo familiar. O incrível é que, quando começo a preparar um sermão, eu desacelero. Leio outros autores. Penso de forma mais profunda.
Isso não quer dizer que ler três capítulos seja uma má ideia, mas é como outros tipos de exercício. Você precisa de modos e mecanismos diferentes. Se exercitar os músculos com o mesmo exercício todos os dias faz com que pare de sentir e perceber progresso.
Às vezes, mais devagar e mais profundamente é quando percebo que estou aprendendo algo. Porque é isso que é tão empolgante quando somos novos na fé. Tudo é novo, e você pensa: “Nunca tinha visto isso antes!” Depois de andar com o Senhor por um tempo, ouvindo bons sermões e lendo bons livros, fica mais difícil descobrir coisas novas. Você não quer seguir falsos mestres que agradam seus ouvidos com novidades, mas sempre há coisas novas na Palavra.
E, para reacender essa paixão, pode ser que você precise de um bom comentário bíblico, um bom livro complementar, uma boa Bíblia de estudo, ou ler uma teologia sistemática junto com a leitura. De repente, você abre novos horizontes. Descobre que havia coisas que você nem sabia que não sabia.
Dannah: Sim. Eu gostei da ideia do que você disse sobre o exercício — que precisamos de diferentes modos de abordá-lo. Meu marido e eu estamos em um grupo de discipulado agora, e fomos desafiados a ler apenas os Evangelhos por um período de tempo.
Lemos dois capítulos dos Evangelhos juntos todos os dias — escolhemos onde — e um salmo, porque Jesus está em toda parte nos salmos. A ideia é re-acostumar o nosso coração, de uma maneira nova, com o coração de Jesus!
Nós dois temos dito: “Você sabia que isso estava na Bíblia?” Já lemos a Bíblia inteira várias vezes, mas agora estamos lendo de um jeito diferente, e estamos enxergando de forma diferente.
Kevin: Sim, eu costumo pensar: mais rápido, mais devagar, mais profundo. Faça um desses. “Mais rápido” pode parecer contraintuitivo, mas já houve momentos na minha vida em que pensei: “Ok, vou ler dez capítulos por dia!” Eu normalmente não faço isso, mas, por um curto período, quero tentar ter uma visão mais ampla. Então, mais rápido.
Ou mais devagar. Em vez dos três ou quatro capítulos que normalmente lemos no plano de leitura anual, talvez você leia apenas um capítulo, mas leia em voz alta e leia duas vezes.
E depois, mais profundo. É verdade que você pode se distrair e acabar lendo muitos outros livros e não ler a Bíblia de fato. Mas aqui é onde não devemos ser tão duros com nós mesmos.
Em Efésios 4, lemos que, quando Jesus subiu ao céu, um dos dons que Ele deu à igreja foram os mestres. Foi o plano de Deus nos dar mestres. Ele não nos deu apenas a Bíblia e o Espírito Santo — que são os maiores dons.
Mas Ele planejou que outros seres humanos nos dessem entendimento, nos ajudassem a enxergar e a aprender. Então, quando temos um bom podcast — não para substituir a Bíblia —, quando ouvimos uma boa pregação ou lemos um bom livro, isso faz parte dos meios que Deus usa para nos ensinar e nos ajudar a crescer!
Tudo o que eu consigo ensinar a outras pessoas é porque alguém me ensinou antes — em uma aula, uma palestra ou um livro. Se pararmos de ler e de aprender, as coisas que estão nas Escrituras começam a parecer comuns e simples, mesmo que não sejam, em vez da experiência que você está tendo agora, que é maravilhosa!
Nós dizemos: “Uau! Eu nunca tinha visto isso antes!” Isso é algo incrível! A Bíblia é infinitamente profunda e infinitamente rica! Eu prego há mais de vinte anos, e ainda hoje chego a textos que já estudei antes e penso: “Eu nunca tinha percebido isso!” É isso que Deus faz por meio da Sua Palavra, se dedicarmos tempo para realmente enxergar.
Dannah: Sim. Você usou a palavra “maravilhosa”. Essa é uma boa palavra. O que é maravilhoso na Bíblia?
Kevin: É assim que o salmista frequentemente fala da Palavra. No Salmo 119, várias vezes ele diz: “Eu amo a Tua lei!” e “Ela é maravilhosa!” Então, se formos analisar essa palavra, há um “encanto”, uma admiração.
Você pode usá-la, por exemplo, quando uma criança nasce, ou quando vê seu neto aprendendo a andar, ou um pôr do sol, ou uma montanha. Há um sentimento de maravilha — um senso de alegria, de admiração, de grandeza. Eu acho a Bíblia maravilhosa!
Duas coisas vêm rapidamente à minha mente: primeiro, a Bíblia me conhece mais do que eu mesmo me conheço, e ela me revela coisas. “Uau, Deus realmente é sábio! Ele entende o que está acontecendo no meu coração!” Isso é um privilégio que eu tenho como pastor. Eu posso estudar essas coisas, e todo bom sermão precisa começar com Deus pregando primeiro ao meu próprio coração. Esse é um dos encantos da Palavra: Deus conhece o coração humano melhor do que nós.
E a segunda coisa maravilhosa é que vemos mais de Deus. Claro que queremos aplicar a Palavra: “Senhor, me ajuda. O que isso significa? Como crio meus filhos? O que faço com essa dificuldade na minha vida?” Tudo isso é apropriado, mas não podemos perder de vista que a maior aplicação é: nós conhecemos mais a Deus!
Sabe, se você está conversando com seu marido. . . Digamos que minha esposa esteja me contando várias coisas sobre ela e sobre o dia dela, e eu digo: “Tá bom, tá bom, chega! Mas como isso me ajuda a viver melhor a minha vida?!”
Ela responderia: “Mas eu estou me revelando! Você não quer me conhecer — saber o que eu penso, quem eu sou?”
Assim também é com a Palavra de Deus. Ela nos revela mais sobre quem Deus é. E, claro, a melhor coisa, a coisa mais importante da vida, é que podemos conhecer melhor a Deus! E o único modo seguro de fazer isso é por meio da Sua Palavra!
Dannah: Sim. Então, pastor, nos oriente, nos direcione. Nós perdemos o encanto; eu perdi o encanto. Me direcione especificamente para uma passagem na Bíblia que possa reacender essa chama. Por onde eu deveria começar?
Kevin: Algumas coisas. Primeiro, eu mencionei o Salmo 119. Ele é muito repetitivo em alguns aspectos, mas também é incrível. Uma vez, quando eu estava pregando sobre o Salmo 119 — é o capítulo mais longo da Bíblia, e é um acróstico, mas você não percebe isso em inglês. . .
Dannah: Você disse: “Um dia eu preguei sobre o Salmo 119?”
Kevin: Preguei.
Dannah: Em um único dia?
Kevin: Preguei em um único sermão. Fiz um resumo. Mas um dos elementos — e isso responde à sua pergunta — é que o Salmo 119 nos mostra o que devemos sentir em relação à Palavra.
Nós entendemos o que devemos fazer com a Palavra, mas ele também expressa toda essa linguagem emocional, afetiva. Então, se alguém está ouvindo e pensa: “Mas esse é o problema. Eu não sinto isso. Eu não sinto que a lei do Senhor é o meu prazer.”
Tudo bem. Tente fazê-lo mais pessoal. Leia em voz alta. A maior parte dele já está escrita em linguagem pessoal. Tente expressar o que o salmista sente pela Palavra de Deus como se fossem suas próprias afeições. Declare isso.
Assim como no casamento — você sempre sente (e, querida, se você estiver ouvindo, é claro que eu sempre sinto o mesmo por você!) — mas será que sempre temos o mesmo nível de intensidade? Será que sempre temos uma poesia espontânea fluindo da boca para o nosso cônjuge?
Não, mas ainda assim sabemos praticar dizer aquilo que sabemos ser verdadeiro. Acho que muitas vezes confundimos hipocrisia com o ato de dizer algo que não sentimos. Não. Hipocrisia é fingir ser algo que você não é. Ser adulto envolve fazer o que é certo, mesmo quando você não sente vontade.
Às vezes as pessoas dizem: “Eu não posso ir à igreja; seria hipocrisia. Eu não estou me sentindo adorador!” Não — isso se chama maturidade, quando você vai e faz o que é certo. E às vezes, quando somos mais jovens, nossos sentimentos e emoções estão à flor da pele, e achamos que isso é tudo. Não percebemos que ainda somos ignorantes em muitas coisas, mas aquilo parece bom. É preciso que o intelecto e a maturidade alcancem nossas emoções.
Depois, à medida que envelhecemos, geralmente acontece o contrário: nossa maturidade, nosso conhecimento e entendimento ficam à frente do estado emocional, e isso nos preocupa. Mas isso não é mais preocupante do que quando éramos jovens e tínhamos emoções fortes, mas faltava sabedoria e conhecimento. Então, declare essas verdades. O Salmo 119 é um ótimo ponto de partida!
A outra coisa que eu descobri pode soar contraintuitiva. Se você perdeu o encanto, vá para uma parte da Bíblia que sempre pareceu muito difícil e misteriosa para você. Não vá sozinha — talvez vá acompanhada de um bom professor, uma boa ajuda.
Por exemplo, espero que as pessoas da minha igreja gostem de qualquer bom sermão. Mas quando eu preguei em Levítico há alguns anos, ou quando prego sobre Apocalipse — que é sempre um dos mais difíceis. Se eu consigo mostrar as conexões. . . Muitas pessoas que estão há muito tempo na igreja acabam dizendo: Sim! Eu nunca tinha visto essa conexão! Eu não fazia ideia de como essa lei sobre alimentos em Levítico tinha algo a ver com a minha fé, com Jesus! Isso restaura o encanto!
Não que você não deva voltar a Romanos, Colossenses e Filipenses — sempre há coisas novas lá. Mas às vezes, talvez, vá para Ezequiel ou Números. Encontre uma boa professora, um bom comentário bíblico, e veja coisas que você nunca tinha visto antes. Isso pode reacender aquele senso de “Uau! Deus tem tanta coisa para me ensinar!”
Dannah: Isso é ótimo! Eu tenho mais algumas coisas que quero conversar com você. Gostaria de saber se você voltaria mais um dia para falarmos sobre a maravilha da Palavra de Deus? Quero falar sobre duas coisas.
Uma delas é o seguinte: você disse antes que nós não somos discípulos dele apenas quando sentimos; somos discípulos dele quando obedecemos. Somos discípulos dele quando permanecemos nessa Palavra, certo? Isso é uma disciplina.
Mas agora estamos vendo que também deveríamos sentir algo. Como equilibrar isso, ou lidar com isso de forma madura, de modo que estejamos famintos por esses momentos de intimidade com a Palavra, mas entendendo que não dependemos do que sentimos?
Vamos conversar sobre isso amanhã? Você volta? Tenho mais algumas perguntas também.
Kevin: Claro que volto. Mas já aviso: eu sou holandês, então meus sentimentos às vezes são poucos e raros — mas fico feliz em falar sobre isso.
Dannah: Amei!
Nancy: Bem, essa conversa entre Dannah Gresh e o pastor Kevin DeYoung ainda não terminou. Amanhã, vamos mergulhar ainda mais fundo nessa sabedoria prática sobre a Palavra.
Já vimos que o nosso tempo a sós com Deus não é sobre um sentimento. Mas será que as emoções têm o seu lugar nessa caminhada? Sim, têm.
Dannah e o pastor Kevin DeYoung vão conversar sobre isso amanhã. Volte com a gente para o Aviva Nossos Corações.
Raquel: O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
Clique aqui para o original em inglês.