Imagine uma pessoa profundamente comprometida com a obra de Deus. Vamos chamá-la de P. P cresceu em um lar dedicado ao ministério. Entregou a vida ao serviço de Deus ainda jovem, estudou no mais rigoroso seminário e tornou-se um exegeta talentoso e ávido pelas Escrituras. Não há dúvida de que P é zeloso, mas, quando está perto dele, você sente. . . um certo desconforto. Em vez de um coração compassivo, há um coração severo. Ele lidera de forma autoritária e costuma passar por cima dos outros. Fala muito sobre Deus, mas não transmite a impressão de realmente conhecê-Lo. Ainda assim, é difícil contestar os seus resultados. P sabe como fazer as coisas acontecerem em nome de Deus.
Você provavelmente já percebeu que P é Paulo antes da conversão. Paulo não entrou para o ministério depois de entregar a sua vida a Cristo. Ele havia sido preparado para o serviço religioso durante toda a vida. Embora alguns detalhes acima tenham sido modernizados, eles correspondem à maneira como o próprio Paulo descreveu as suas credenciais ministeriais:
Sou judeu, nascido em Tarso, cidade da Cilícia. Fui criado aqui em Jerusalém e educado por Gamaliel. Como aluno dele, fui instruído rigorosamente em nossas leis e nos costumes judaicos. Tornei-me muito zeloso de honrar a Deus em tudo que fazia, como vocês são hoje. (Atos 22.3 NVT, ênfase minha)
Antes de encontrar o Cristo ressurreto no caminho de Damasco (Atos 9), Paulo não era ateu. Era um homem temente a Deus, estudioso das Escrituras e impositor rigoroso da lei do Antigo Testamento, motivado por um sincero desejo de honrar a Deus. Em nossos dias, chamaríamos Paul de ministro. Talvez até o colocássemos atrás de um púlpito.
Líder, fique atenta
Preste atenção à segunda parte do currículo de Paulo. As suas boas intenções produziram maus frutos.
E fui ao encalço dos seguidores do Caminho, perseguindo alguns até a morte, prendendo homens e mulheres e lançando-os na prisão. O sumo sacerdote e todo o conselho dos líderes do povo podem confirmar isso. Recebi deles cartas para nossos irmãos judeus em Damasco que me autorizavam a trazer os seguidores do Caminho de lá para Jerusalém, em cadeias, para serem castigados. (Atos 22.4,5 NVT)
Um ministério realizado para Deus, mas desprovido do Evangelho, só pode conduzir ao desastre. Paulo é famoso por ter aprovado o martírio de Estêvão (Atos 8.1). Ele devastou a igreja primitiva, enquanto afirmava (e acreditava) que estava fazendo isso por Deus. Embora seja, em muitos aspectos, um herói da fé, Paulo também é um alerta para nós — talvez especialmente para aqueles que exercem liderança no ministério. Aqui estão três breves observações sobre a vida de Paulo:
- Esforços humanos produzem resultados humanos.
Paulo tinha uma personalidade marcante. Quando falava, as pessoas ouviam. Ainda assim, os seus esforços humanos não produziram frutos para o reino. Pelo contrário, geraram caos e confusão, entristecendo o coração de Deus (Atos 9.4). Resultados sobrenaturais só podem ser produzidos pelo Espírito Santo. Não existe fruto duradouro à parte da ação dele.
- Um coração rendido supera um coração zeloso.
Ao escrever aos gálatas, Paulo descreveu o seu ministério pré-conversão assim: “Quanto ao judaísmo, levava vantagem sobre muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições dos meus pais (Gl 1.14, ênfase minha).” Paulo era um entusiasta da religião, disposto a fazer tudo o que fosse necessário para impor a sua compreensão da lei de Deus. Mas lhe faltava aquilo que realmente glorifica a Deus: uma humilde dependência de Jesus. Sim, Deus deseja a sua disposição. Mas, antes de tudo, deseja que o seu coração esteja completamente rendido a Ele.
- O ministério sem o Evangelho destrói em vez de edificar.
Paulo sabia muito sobre Deus. Sabia muito sobre as Escrituras. Sabia muito sobre Jesus. Porém, até encontrar o Salvador ressurreto no caminho de Damasco, Paulo não havia compreendido o verdadeiro cerne de tudo. Existe uma força constante que tenta nos levar a construir o nosso ministério sobre outro fundamento que não seja o Evangelho. Sem perceber, começamos a ensinar mulheres a se tornarem versões melhores de si mesmas. Os resultados são desastrosos. Um ministério edificado sobre qualquer fundamento diferente do Evangelho não permanecerá de pé. Ofereça Jesus às mulheres no culto de domingo. Ofereça Jesus no estudo bíblico de mulheres. Ofereça Jesus no próximo evento. Ofereça Jesus nas conversas ao redor da mesa da cafeteria. Ofereça Jesus repetidas vezes. Nunca deixe de trazer Jesus às mulheres.
Sigam-me como sigo a Jesus
O que a história do ministério de Paulo nos ensina? Entre muitas outras coisas, ensina que o verdadeiro ministério é o ministério centrado no Evangelho, sempre consciente da nossa necessidade desesperadora de Jesus. Paulo aprendeu essa lição no caminho de Damasco e voltou a aprendê-la repetidas vezes, enquanto buscava glorificar a Deus por meio do ministério.
Se você tem percebido sinais de que o seu ministério está se afastando do Evangelho, clame ao Senhor hoje mesmo e peça que Ele corrija a sua rota. Se o zelo tomou o lugar da rendição no seu ritmo ministerial, puxe o freio de emergência. Deus não precisa do seu entusiasmo. Ele quer o seu coração. Ao ensinar, liderar e discipular outras mulheres, adote o coração do Paulo pós-conversão: um coração sempre unido a Jesus. As mulheres precisam muito mais do Salvador do que de você. Talvez ninguém tenha resumido isso melhor do que o próprio Paulo: “Sejam meus imitadores, como também eu sou imitador de Cristo.” (1Co 11.1)
Passagem bíblica: Atos 22.3-5
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