Há alguns anos, o diretor do ministério de jovens da nossa igreja entrou em contato comigo e perguntou se eu poderia liderar um grupo de discipulado com meninas adolescentes. “Você tem muito a oferecer”, ele disse.
A primeira coisa que pensei foi: Faz décadas que não sou adolescente, como é que eu vou me identificar com elas?
Mas eu vinha orando por uma oportunidade de servir na minha nova igreja e creio na exortação de Tito 2, então aceitei.
A lacuna e as mentoras de adolescentes
Ser mentora de mulheres mais jovens já pode ser intimidador por si só, mas mentorear adolescentes pode ser ainda mais desafiador. Sejamos sinceras: há muitos anos separando a geração delas e a nossa. Muitos dos desafios que elas enfrentam hoje nós sequer imaginávamos quando tínhamos a idade delas.
Quando eu era adolescente, só podia falar ao telefone que ficava preso à parede, do lado de fora da porta do meu quarto. Nunca imaginei um aparelho que eu pudesse carregar no bolso e usar para postar fotos e atualizações para todo mundo ver! Quando eu era adolescente, gostava de assistir à TV e, se acompanhava uma série, precisava esperar semana a semana por um novo episódio. Nunca imaginei a tentação de maratonar todos os episódios de uma série de uma só vez — sem falar na possibilidade de assistir às loucuras do dia a dia de pessoas comuns no YouTube!
Para algumas de nós, é difícil lembrar como era ser adolescente — os desafios, as tentações e as pressões que elas enfrentam todos os dias. Provavelmente, já esquecemos como é estar presa entre a infância e a vida adulta. Esquecemos das tribos, das panelinhas e das meninas maldosas. Esquecemos o que é estar de fora, olhando para dentro. Esquecemos dos conflitos com os pais, das tensões nos relacionamentos com os colegas e do estresse por causa das notas.
Embora existam muitas diferenças entre as experiências de vida de uma mentora e de uma adolescente, aquilo de que uma adolescente mais precisa não depende da capacidade da mentora de entender as gírias atuais ou de estar por dentro das tendências tecnológicas mais recentes. O que uma adolescente precisa, mais do que qualquer coisa, é do Evangelho. E é exatamente isso que uma mentora pode oferecer.
Cinco coisas das quais adolescentes precisam
1. Aprender a Palavra de Deus.
Uma adolescente precisa aprender a Palavra de Deus. A Bíblia ensina que a Palavra de Deus . . .
- É poderosa (Hb 4.12).
- É santificadora (Jo 17.17).
- É a luz que guia o caminho (Sl 119.105).
- É a nossa própria vida (Dt 32.47).
Como mentoras, podemos ensinar às adolescentes a Palavra de Deus. Podemos ajudá-las a aprender como estudá-la, memorizá-la e viver de acordo com ela. Podemos mostrar Jesus em cada página, quem Ele é e o que Ele fez por elas no Evangelho. Capacitar adolescentes a ler a Palavra de Deus é uma das coisas mais importantes que uma mentora pode fazer por adolescentes.
2. Saber quem elas são em Cristo.
Identidade é uma questão significativa para adolescentes. Elas estão atravessando o terreno muitas vezes árduo de tentar descobrir quem são à parte da família. Buscam validação dos colegas. Procuram significado nos esportes, nas notas, na aparência exterior e nas conquistas. Querem saber quem são. A sociedade lhes diz uma coisa; os colegas, outra. Os pais podem dizer algo diferente. O que elas precisam é saber que o que fazem não é quem elas são. A verdadeira identidade delas é encontrada em Cristo e em quem Ele é para elas. A união com Cristo, por meio da fé, é o que lhes oferece a identidade segura que tanto procuram.
3. Serem treinadas para se engajar com o mundo ao seu redor.
As adolescentes também têm dificuldade para compreender como o Evangelho se aplica à vida diária e às situações que enfrentam na escola, com professores e amigos, bem como ao que está acontecendo na cultura ao seu redor. Como responder ao ateísmo? Como lidar com a crença pós-moderna de que a verdade é individual e não universal? Como viver a fé em um mundo anti-cristão? Como compartilhar o Evangelho com as amigas? As mentoras podem ajudar as adolescentes a aprender sobre as intersecções entre o Evangelho, a vida cotidiana e a cultura.
4. Ser ouvida.
Um relacionamento de discipulado eficaz é um relacionamento seguro. É um espaço em que a mentora ouve a mentorada compartilhar sobre a sua vida, lutas, tentações, esperanças e sonhos. Embora uma mentora de adolescentes não precise ter todas as respostas, ela, com certeza, precisa ouvir. Precisa prestar atenção e também escutar aquilo que não é dito. Precisa ser digna de confiança, para que a adolescente saiba que está em um ambiente seguro para compartilhar a sua vida.
No entanto, há momentos em que a adolescente pode estar envolvida em algum tipo de prática que não é segura para ela, até mesmo perigosa. Quando ela compartilha isso, a mentora precisa estar preparada para saber como responder, sempre encorajando a adolescente a ser aberta e sincera com os pais — e até se oferecer para ir com ela conversar com eles. (Se a igreja tiver um programa estruturado de discipulado com adolescentes, é importante haver diretrizes claras sobre quais coisas a mentora deveria ou deve compartilhar com os pais da adolescente. Também é fundamental que as adolescentes saibam previamente quais são essas situações.)
5. Serem encorajadas por meio da oração.
Acima de tudo, uma mentora pode orar com e pelas adolescentes. A oração é uma forma poderosa e significativa de vivermos a nossa união com Cristo e umas com as outras. Ela nos ajuda a aprender a confiar e a depender do nosso Pai celestial. As adolescentes aprendem sobre oração ao ouvirem a mentora orar em voz alta. Elas são encorajadas ao saber que alguém está orando por elas. Ao se reunirem, o grupo pode compartilhar de que maneiras Deus tem agido na vida umas das outras e responder com oração e louvor. As adolescentes também podem se comprometer a orar umas pelas outras ao longo da semana. Como mentora, as suas orações podem ajudar a moldar a vida e a fé das adolescentes.
Uma necessidade em comum
Confesso: fiquei intimidada com a ideia de mentorear um grupo de adolescentes. Eu não tinha certeza de como me relacionaria com elas e me perguntava o que eu realmente teria a oferecer. Mas, depois de dois anos discipulando adolescentes, aprendi que aquilo de que elas mais precisam é justamente algo para o qual estou preparada para oferecer. A nossa necessidade comum do Evangelho é um grande nivelador. Talvez eu não saiba muito sobre como é ser adolescente hoje em dia, mas sei a quem recorrer em busca de refúgio e ajuda: Jesus.
Clique aqui para ler o original em inglês.