Nunca vou me esquecer do dia em que, no acampamento da escola, um menino chamado Tommy se ofereceu para carregar a Bíblia da minha amiga depois do culto. Eu não conseguia entender. Fiquei ali me perguntando, perplexa: Por que ela precisaria que você carregasse a Bíblia dela?
A minha amiga parecia encantada com a atenção de Tommy, o que me deixou ainda mais confusa. Tommy era um sabichão fedorento. Eu queria que ele nos deixasse em paz para que pudéssemos correr para o nosso alojamento e trocar de roupa para nadarmos.
Só comecei a gostar de meninos muito mais tarde do que a minha amiga, o que significava que eu também não me importava em arrumar o cabelo ou usar maquiagem. Porém, quando os meus olhos finalmente se abriram para o mundo das comparações, senti vergonha por não me igualar às outras meninas de tantas formas diferentes. Tentei correr atrás do prejuízo, aprendendo sobre estilo e sobre como segurar um babyliss sem me queimar.
Novas pressões sobre as adolescentes
As dificuldades que as adolescentes enfrentam hoje com a comparação não são novas, mas, se você pegasse aquela minha versão bobinha do ensino fundamental, de quarenta anos atrás, e a colocasse na realidade de hoje, tenho convicção de que haveria dúvidas e inseguranças com as quais eu teria de lidar que jamais poderia ter imaginado quando criança. Além de existirem novas formas digitais de comparação; há também pressões adicionais que simplesmente não existiam naquela época.
Em nosso ambiente cultural atual, as limitações colocadas ao redor da feminilidade estão ainda mais rígidas. Uma garota deve ter uma determinada aparência e um determinado jeito de falar e de andar. Ela deve vestir certas roupas e praticar certas atividades. E se ultrapassar algum limite imaginário, levanta-se imediatamente a pergunta: E se ela, na verdade, não for uma menina?
Ironicamente, não é Deus quem está impondo essa visão tão dura e estreita de feminilidade; é a cultura. E isso está destruindo as nossas adolescentes.
Em 2024, a emissora estadunidense NBC relatou que quase 30% da geração Z se identifica como lésbica, gay, ou bissexual e o instituto Pew Research relatou que 5% dos jovens adultos nos Estados Unidos dizem que o seu gênero é diferente do atribuído a eles no nascimento. Em um mundo onde meninas adolescentes estão buscando a verdade sobre si mesmas, sejamos mulheres que mostram a elas onde encontramos a verdade.
3 verdades bíblicas sobre a feminilidade
Se você conhece e ama uma adolescente, aqui estão três verdades bíblicas libertadoras para lembrá-la e relembrá-la da visão de Deus sobre a nossa feminilidade.
1. Só porque ela não é igual àquela outra garota não significa que ela não seja um garota
A nova face da mesma velha batalha da comparação tem a ver com identidade. Começa com uma menina olhando para os lados e percebendo que ela não é como as outras meninas e, depois, perguntando-se se ela é mesmo uma menina.
Na época em que eu desejei que Tommy deixasse a minha amiga e eu em paz para que pudéssemos ir nadar logo, não consigo imaginar o que teria feito à minha alma se eu tivesse começado a pensar: E se, na verdade, eu for um menino?
Aqui está a verdade: meninas expressam a sua feminilidade de maneiras muito diferentes. Algumas meninas amam matemática e ciências, praticam esportes e não expressam muitas emoções. Outras meninas amam arte, fazem parte de uma orquestra e curtem filmes românticos. Esses contrastes não deveriam nos surpreender se olhássemos para o restante da criação. Basta refletir sobre os diferentes tipos de frutas, flores e fauna que existem no mundo. Você acha que Deus realmente nos criaria, meninas, como uma cirandinha de papel?
Os limites que a cultura estabelece para a expressão de gênero são estreitos e reduzidos. Os limites de Deus são amplos o bastante para acomodar cada menina única com espaço de sobra.
2. A feminilidade é uma expressão de quem Deus é (não apenas de quem ela é)
Amo uma ilustração que Jimmy Needham usou em um sermão chamado “Gênero no Gênesis”. Ele comparou Deus criando pessoas à Sua imagem (Gn 1.27) com um artista pintando um autorretrato. Mas, à medida que Deus se põe a trabalhar, existe uma surpresa escondida na maneira como Ele Se refere a Si mesmo, dizendo: “Façamos o ser humano à nossa imagem” (Gn. 1.26, ênfase minha).
Porque Deus é três em um (Pai, Filho e Espírito Santo), Ele não apenas Se refere a Si mesmo usando pronomes no plural, Ele utiliza duas telas para criar o Seu autorretrato: homem e mulher. Uma única tela teria mostrado apenas metade do quadro.
É verdade que os limites de Deus para a expressão de gênero são amplos. No entanto, também é verdade que esses limites existem e são importantes para Deus. Acredite ou não, esta é uma afirmação bastante provocante atualmente. A cultura quer descrever as distinções de gênero como detalhes insignificantes sobre a superfície, que podem ser facilmente alterados para expressar quem realmente somos interiormente. Mas perceba como essa forma de pensar contradiz Deus.
Gênesis 1.27 não diz: “as pessoas criaram a si mesmas, homens e mulheres”. Diz que Deus criou as pessoas à Sua própria imagem: “homem e mulher os criou”. Deus não nos deu gêneros para expressarmos quem somos, Ele pintou em duas telas para expressar quem Ele é.
3. Na história dela, ela não é o Criador.
Suponhamos que a sua menina começa a notar que ela não é igual às outras meninas. Talvez, assim como eu quando adolescentezinha, ela não goste de meninos. Ou prefira roupas mais largas. Ou goste de futebol em vez de balé.
Conforme ela passa a se sentir mais desconfortável em seu próprio corpo, a solução proposta pela cultura é entregar o pincel nas mãos dela. “Vá em frente e pinte por cima do que Deus fez”, dizem a ela. “Transforme-se na pessoa que você imagina ser.”
Isso soa como liberdade — mas não é. As estatísticas referentes às meninas que escolhem não se identificar como meninas — que incluem picos nas taxas de depressão e suicídio (estudo realizado nos Estados Unidos) — são devastadoras. Tentar ser o Criador em sua própria história é um fardo que a sua adolescente jamais foi feita para carregar.
A boa notícia é que a história dela já tem um Criador! Assim como Deus fez Eva da costela de Adão, Ele formou a sua menina como fêmea — um fato atestado por cada célula e gota de sangue dela. Se ela tentar desfazer o que Deus criou, corre o risco de se machucar em vez de se curar.
O gênero de uma menina está intimamente ligado ao seu sexo — ou seja, a estrutura biológica com a qual ela nasceu. A cultura tenta separá-los e dizer que o gênero é uma mera expressão comportamental flexível em vez de algo arraigado à realidade. Mas observe como “gênero” partilha da mesma raíz de genética, gerações e genitais. Nenhuma dessas palavras se referem a qualquer coisa abstrata ou imaterial. “Gênero” também não deveria. É algo real, e é criado por Deus.
Em seu livro Mama Bear Apologetics Guide to Sexuality (sem publicação no Brasil), Hillary Ferrer afirma que, como a raiz da palavra gen significa “aquilo que produz”, o gênero de uma menina é determinado por seus órgãos genitais. É uma afirmação bastante franca, mas não ajudamos as nossas meninas quando deixamos de declarar o óbvio. A sua adolescente precisa saber que o corpo dela importa para Deus e que evidencia quem Ele a criou para ser.
Direcione-a para a verdade
Minha irmã, a sua adolescente vive em um mundo que exerce uma intensa pressão para se comparar e se desesperar de maneiras que você e eu jamais teríamos imaginado. Como mães, avós e amigas que as amam, precisamos direcionar as nossas meninas para a verdade imutável e vivificante da Palavra de Deus. Vamos ajudá-las a concordar com o que Deus diz sobre a identidade delas.
Seja a mulher na vida de uma adolescente que, com amor, a desafiará a se posicionar contra a cultura. Incentive-a enquanto ela dá esse corajoso salto de fé e diz: “Meu Criador me fez menina, e é isso que eu sou”.
Clique aqui para ler o original em inglês.