Qual é a sua reação quando a pregação não parece se aplicar à sua vida?
Talvez o seu pastor esteja pregando sobre casamento, e você seja solteira. Ou você encontre um artigo sobre sofrimento, mas esteja vivendo uma fase de alegria. Ou, quem sabe, o episódio recente do Aviva Nossos Corações seja sobre criação de filhos, mas você tem enfrentado a infertilidade há anos.
- Você revira os olhos?
- Você suspira e reclama, em seu coração, das suas próprias circunstâncias?
- Você deixa de prestar atenção e começa a planejar a sua lista de afazeres, supondo que não há nada que possa aprender com a mensagem?
Olhando pela lente do “eu”
Essas reações interiores são consequência da nossa cultura egocêntrica; tendemos a ser consumistas e individualistas — até mesmo na igreja.
Como consumidores, estamos sempre perguntando: “O que eu vou ganhar com isso?” Como indivíduos, perguntamos: “O que isso tem a ver comigo?”
É como se estivéssemos olhando a vida através da lente do “eu”. Uma lente que nos cega completamente para pessoas de outras gerações, de diferentes fases da vida ou simplesmente diferentes de nós. Uma lente que alimenta o amor-próprio, a inveja e o descontentamento. Uma lente que destrói a principal metáfora usada para descrever a igreja: um corpo formado por muitos membros.“Vocês são o corpo de Cristo” diz Paulo. Cada um de nós é uma parte menor, mas indispensável, desse todo. Que conceito tão estranho para a maioria dos cristãos ocidentais, já que não temos um contexto para uma visão tão coletiva da vida. Até mesmo as formas mais básicas de unidade coletiva — o casamento e a família — estão, em grande parte, desintegrando-se no Ocidente. Por isso, não é surpresa que a descrição de Paulo sobre o funcionamento do corpo de Cristo raramente seja colocada em prática:
"Para que não haja divisão no corpo, mas para que os membros cooperem, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, todos os outros se alegram com ele.” (1 Co. 12.24–26)
Além disso, Jesus enfatiza a unidade dos Seus seguidores na oração que fez antes de ser crucificado: “para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste” (Jo 17. 22–23, ênfase acrescentada). A unidade da igreja é crucial! Ela confirma ao mundo que Jesus é o Filho de Deus!
Porque há tanto em jogo na nossa capacidade de funcionar como um só corpo, precisamos abandonar a lente do “eu” e renovar a nossa mente por meio da Palavra. (Rm 12.2)
Olhando pela lente do “nós”
- Em vez de olhar pela lente do “eu”, Paulo nos chama a olhar pela lente do “nós”;
- Em vez de consumidores, devemos ser servos;
- Em vez de indivíduos isolados, devemos ser um só corpo;
- Em vez de buscar apenas os nossos próprios interesses, devemos cuidar uns dos outros.
Você é uma pequena e indispensável parte de um todo — assim como a mulher sentada atrás de você no banco da igreja. Ela precisa de você e você precisa dela. As vitórias dela são as suas vitórias; o sofrimento dela é o seu sofrimento.
Além disso, “os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários, e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra” (1 Co. 12.22–23). Viúvas, idosos, pessoas com deficiência intelectual, pessoas que convivem com dores crônicas, pessoas em luto profundo e outros membros aparentemente mais frágeis são facilmente ignorados. No entanto, devemos conceder a eles maior honra e dedicar-lhes atenção especial.
Nós, como um só corpo, caminhamos em direção ao mesmo objetivo: crer que Jesus é suficiente para nós. Embora essa “obra de Deus” (Jo. 6.29) se manifeste de maneiras diferentes em cada circunstância, a luta fundamental é a mesma: colocar a nossa fé nele.
Vamos derrubar as barreiras que nos separam por causa de diferenças de idade, fases de vida ou personalidade. Em vez de notarmos apenas aqueles com quem nos identificamos (lente do “eu”), abramos os olhos e olhemos ao nosso redor. Vamos notar aqueles que são diferentes de nós (lente do “nós”) e fortalecer uns aos outros.
Ouça como parte do corpo
Da próxima vez que a mensagem não parecer se aplicar diretamente a você, não pare de prestar atenção. Ouça como alguém que sente tanto pelas dificuldades quanto pelas vitórias dos seus irmãos em Cristo. Aqui estão algumas maneiras de ouvir uma pregação sobre criação de filhos, mesmo que você não seja mãe:
- Peça a Deus que lhe dê empatia por pais e mães e procure compreender os desafios que eles enfrentam.
- Ouça para aprender maneiras de servi-los no chamado deles.
- Aprenda o que a Bíblia ensina sobre a criação de filhos para que você possa, com graça, encorajá-los a obedecer a esses ensinamentos quando estiverem cansados.
- Ore pelos seus amigos que são pais com base no que você aprendeu no sermão.
- Reserve um tempo para escrever uma mensagem de encorajamento a pais e mães que têm sido fiéis.
Que essa perspectiva se estenda a todas as áreas da vida. . .
- Solteiros, procurem encorajar os seus amigos casados.
- Esposas, fortaleçam as solteiras.
- Mães, sejam sensíveis àquelas que não têm filhos ou não podem tê-los.
- Mulheres que enfrentam a infertilidade, apoiem as mães ao seu redor.
- Jovens, aproximem-se dos idosos.
- Pais cujos filhos já saíram de casa, orem pelos universitários.
Em vez de perguntar: “Como isso me afeta?”, comecemos a perguntar: “Como isso nos afeta?” Fortaleçam uns aos outros para que, “todo o corpo [de Cristo], ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica a si mesmo em amor” (Ef. 4.16). Como você pode começar a colocar isso em prática a partir da pregação do último domingo?
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