Raquel Anderson: Nancy DeMoss Wolgemuth nos lembra que seguir o Senhor nem sempre é fácil.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Às vezes Deus nos leva por lugares difíceis. Ele não nos isenta de experiências do Mar Vermelho, de chegar bem à beirinha, na ponta dos pés, sem saber como vamos atravessar ou como vamos sobreviver, e então ver Ele abrir as águas. Ele não nos desvia desses lugares. Ele não nos ajuda a evitá-los. Ele nos conduz através deles e nos preserva no meio deles.
Raquel: Este é o podcast Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Mentiras em que as Mulheres Acreditam e a Verdade que as Liberta, na voz de Renata Santos.
Quando você louva a Deus e canta, o foco precisa estar em Deus, não em você. Falamos sobre isso no episódio anterior. Mas as pessoas observam o seu exemplo na adoração. Descubra …
Raquel Anderson: Nancy DeMoss Wolgemuth nos lembra que seguir o Senhor nem sempre é fácil.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Às vezes Deus nos leva por lugares difíceis. Ele não nos isenta de experiências do Mar Vermelho, de chegar bem à beirinha, na ponta dos pés, sem saber como vamos atravessar ou como vamos sobreviver, e então ver Ele abrir as águas. Ele não nos desvia desses lugares. Ele não nos ajuda a evitá-los. Ele nos conduz através deles e nos preserva no meio deles.
Raquel: Este é o podcast Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Mentiras em que as Mulheres Acreditam e a Verdade que as Liberta, na voz de Renata Santos.
Quando você louva a Deus e canta, o foco precisa estar em Deus, não em você. Falamos sobre isso no episódio anterior. Mas as pessoas observam o seu exemplo na adoração. Descubra como seus cânticos são importantes para aqueles que observam você, enquanto Nancy continua em uma série chamada Lembre-se de Miriã.
Nancy: Uma das experiências mais marcantes que vivi nos últimos anos aconteceu na noite anterior ao início da Convenção Nacional de Radiodifusores Religiosos, um evento anual onde muitos de nós, que trabalhamos no ministério de radiodifusão, reencontramos amigos de longa data.
Alguns anos atrás, na véspera da convenção, um grupo de amigos teve a ideia: “Vamos nos reunir para cantar hinos.” O convite se espalhou e, no fim, cerca de cem a cento e cinquenta pessoas se encontraram em uma casa em Orlando, na Flórida. Passamos a noite inteira cantando hinos juntos.
Antes do encontro, aqueles que se inscreveram enviaram seus hinos favoritos. Participaram várias pessoas envolvidas na radiodifusão cristã. Lembro-me de que Joni Eareckson Tada estava lá, e poucas pessoas cantam hinos com tanta sinceridade e entusiasmo quanto ela.Já estive com Joni em diferentes ocasiões, e muitas vezes ela começava a cantar hinos espontaneamente. É evidente o quanto ela ama louvar ao Senhor por meio da música.
Que noite incrível foi aquela, quando nos reunimos com outros que conhecem o Senhor e amam o Senhor. Foi maravilhoso começar aquela convenção simplesmente cantando ao Senhor esses grandes hinos da nossa fé, os hinos da redenção, os hinos do caráter de Deus. Celebramos a bondade de Deus, a fidelidade de Deus, a Sua misericórdia em nossas vidas.
Penso naquela ocasião quando chego a Êxodo capítulo 15, que estamos examinando nesta série sobre Miriã. Chegamos hoje a um grande encontro de cânticos que aconteceu às margens do Mar Vermelho, depois que os filhos de Israel haviam atravessado. Deus os havia libertado da escravidão, do cativeiro no Egito. Eles atravessaram o Mar Vermelho, o que foi milagroso. Somente Deus poderia ter tornado isso possível.
E então, de forma igualmente milagrosa, Deus fez com que o inimigo se afogasse no mar, e eles ficam do outro lado olhando para trás. Eles refletem sobre o que Deus fez. O povo de Deus está livre pela primeira vez em quatrocentos anos, e o que eles fazem? Eles cantam um hino.
Analisamos esse hino no episódio anterior. “Então Moisés e os filhos de Israel,” diz o verso 1, “entoaram este cântico ao SENHOR: Cantarei ao SENHOR, porque triunfou gloriosamente lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.”
Então chegamos ao versículo 20, que é a passagem que começamos a examinar:
A profetisa Miriã, irmã de Arão [e também irmã de Moisés], pegou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças. E Miriã lhes respondia: ‘Cantem ao Senhor, porque triunfou gloriosamente e lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.’
Assim, ela conduz as mulheres em algo que é essencialmente um eco do que toda a congregação vinha cantando, um refrão, um coro repetido, por assim dizer. Ao ler esse relato, ele me lembra de outro exemplo nas Escrituras em que as mulheres novamente celebraram e aplaudiram uma grande vitória militar, que foi exatamente isso. Deus foi o general. Ele foi o comandante supremo.
Em outra ocasião — em 1 Samuel capítulo 18 — vou ler o texto para você. Diz assim:
E aconteceu que, quando eles estavam voltando para casa, depois de Davi ter matado o filisteu [Golias], as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, cantando e dançando, com tamborins, com alegria e com instrumentos musicais. As mulheres se alegravam e, cantando alternadamente, diziam: Saul matou os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares. (1 Sm. 18.6–7)
Elas estavam celebrando. Eram heróis militares, Davi e Saul. Quando chegamos ao cântico do Mar Vermelho com Moisés e Miriã, eles estão celebrando os triunfos de Deus sobre os Golias de seus dias — Faraó e o exército egípcio.
A música sempre foi uma parte importante da vida cotidiana em Israel. Desde os tempos do Antigo Testamento, ela era usada em celebrações, em casamentos, em funerais. Até mesmo na guerra havia instrumentos especiais que soavam o chamado para a batalha. A música era uma parte importante — e continua sendo — da vida religiosa em Israel. Tanto em sua adoração formal, no templo, nos cultos e rituais que Deus prescreveu, quanto em outras ocasiões religiosas, dias de festa.
Para a mentalidade judaica no Antigo Testamento, tudo o que acontecia na vida estava, de alguma forma, ligado a Deus. Assim, tudo o que acontecia na vida era uma ocasião para algum tipo de música, e as coisas boas que aconteciam — bênçãos, os primeiros frutos da colheita, o final da colheita, as festas especiais, a Páscoa — eram ocasiões para celebração e cântico.
E as Escrituras nos dão alguns detalhes interessantes sobre esse encontro de cânticos. Lemos que Miriã tomou um tamborim em sua mão e todas as mulheres saíram após ela com tamborins. Algumas traduções, em vez de “tamborim”, usam a palavra “adufe”. É a mesma coisa.
É essencialmente um pequeno tambor de mão, como o que pensamos hoje como um tamborim. Ele teria um pergaminho esticado sobre um aro de madeira, com pequenas peças de latão ou estanho presas para produzir um som tilintente. Você o segura em uma mão e bate com a outra. É um pequeno instrumento de percussão, um tambor de mão, mas que também produz esse som metálico.
Normalmente era tocado por mulheres e geralmente acompanhava o canto e a dança. No Antigo Testamento, quando o tamborim ou o adufe é mencionado, ele está sempre associado à alegria e à satisfação. É um instrumento de celebração.
Curiosamente, o tamborim era proibido no templo, mas era frequentemente usado em outras ocasiões religiosas — festas, celebrações e procissões triunfais, como a que acabamos de ler sobre Davi e Saul e esta no Mar Vermelho.
Há algo interessante quando juntamos todo esse texto que estamos analisando. Vemos os filhos de Israel saindo do Egito, e alguém me perguntou no intervalo: “Você já considerou por que essas mulheres tinham tamborins com elas?” Na verdade, eu mesma já me fiz essa pergunta.
Pense em como era antes de os filhos de Israel saírem do Egito. Se você voltar em Êxodo capítulo 12 — apenas alguns capítulos antes — olhe o versículo 33. Diz: “Os egípcios insistiram com o povo para que saísse da terra o mais depressa possível, pois diziam: ‘Todos vamos morrer.’”
Então os egípcios disseram: “Saiam daqui! Rápido!” O versículo 34 diz: “O povo pegou a sua massa de pão, antes que levedasse, e as suas amassadeiras atadas em trouxas com as suas roupas, sobre os ombros.” Eles nem tiveram tempo de deixar o pão fermentar.
Você percebe que Israel saiu com muita pressa, no meio da noite, sem nem tempo para que o pão crescesse. Não é impressionante para você, como é para mim, que as mulheres tenham tido tempo de arrumar seus tamborins? Eu acho isso extraordinário. Li um comentarista que colocou isso de forma muito sucinta: Miriã esperava usar o seu tamborim.
Assim, os filhos de Israel partiram de Ramessés para Sucote. Eram cerca de seiscentos mil a pé, somente de homens, sem contar mulheres e crianças. . . E assaram pães sem fermento da massa que levaram do Egito, pois a massa não tinha levedado, porque eles foram expulsos do Egito. Não puderam deter-se e não haviam preparado para si provisões. (Êx. 12.37–39)
Havia morte por toda parte no Egito naquela noite. Havia pressa. Eles não sabiam. Mais uma vez, eles não tinham lido o livro de Êxodo. Não sabiam tudo o que estava acontecendo. Pense em dois milhões de pessoas — pense apenas em tentar arrumar sua família para sair de férias. Agora pense em dois milhões de pessoas saindo — bem, não é exatamente uma viagem de férias — mas deixando o país às pressas. E, ainda assim, de alguma forma, Miriã aparentemente esperava que chegaria o dia em que haveria um cântico, e ela precisaria usar aquele tamborim.
Sabe o que isso diz para mim? Certifique-se de levar o seu tamborim. Certifique-se de levar o seu pandeiro. Na sua jornada — sua jornada de fé, sua jornada espiritual. Embora as coisas possam parecer apressadas ou desorganizadas, bagunçadas ou complicadas ou confusas agora, haverá motivo para celebração à frente. Embora, no momento, possa não parecer haver motivo algum para cantar, se alegrar, entoar hinos ou tocar o tamborim, pela fé você sabe que chegará o tempo em que poderá usar esse tamborim.
Não estou falando literalmente. Honestamente, eu provavelmente não sou coordenada o suficiente para tocar um tamborim. Não tenho muito ritmo no meu corpo, mas, de forma figurada, se nada mais, saiba que chegará o tempo em que você poderá elevar louvor ao Senhor e terá toda oportunidade e ocasião para louvá-Lo.
Então diz que Miriã tomou o tamborim em sua mão, e todas as mulheres saíram após ela, com tamborins e danças. Como alguém me perguntou antes de começarmos esta gravação: “Você vai falar sobre dança?” Eu disse: “Na verdade, eu gostaria de falar muito mais sobre isso e gostaria de ter tempo para estudar mais a respeito, mas vou dizer apenas um pouco neste momento.”
Nesta passagem, vemos que Miriã inicia o que se tornou uma tradição israelita de celebrar as vitórias de Deus por meio da dança. Havia outros meios de celebrar essas vitórias, mas isso nos faz lembrar da passagem que diz: “Bendiga, minha alma, o Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.” (Sl. 103.1)
Uma dança de adoração israelita era frequentemente usada para reencenar as batalhas que Deus havia lutado por eles. É interessante que, ao observar algumas culturas mais pagãs, às vezes vemos — e já ouvimos descrever — essas danças de guerra que são realizadas antes da batalha, quando as pessoas estão esperando por uma vitória, tentando provocar uma vitória.
Você não vê os israelitas dançando antes da batalha. Você os vê dançando depois que Deus venceu a batalha, para reencenar como foi quando Deus concedeu aquela vitória.
Creio que esse tipo de dança era uma forma de lembrar o livramento de Deus. É uma espécie de mímica — pantomima — apenas mostrando como foi.
Você pode imaginar que alguns talvez representassem o faraó e seu exército perseguindo os israelitas, e outros representassem os israelitas. Eles reencenavam a cena como uma maneira, nos dias, meses e anos seguintes, de se lembrarem do que Deus havia feito e de como Ele os havia livrado, mas também como um meio de ensinar seus filhos sobre o que Deus havia feito e de transmitir sua fé à próxima geração.
Assim, vejo isso como uma dança espontânea e cheia de alegria, mas também a vejo como um meio intencional de preservar nossa fé. Lembre-se de que eles não tinham a Palavra escrita de Deus. Precisavam de meios orais, verbais e visíveis para registrar essas experiências de fé, lembrá-las e transmiti-las à próxima geração.
Quero destacar três coisas sobre o louvor que aconteceu nesse cântico. Primeiro, que foi corporativo. Segundo, que foi celebrativo. Terceiro, que foi um louvor centrado em Cristo. Vamos tirar alguns momentos para observar cada um desses aspectos.
Primeiro, esse foi um louvor corporativo. Vimos a progressão de como os israelitas chegaram ao Mar Vermelho e se depararam com aquele desafio sem saída: o mar à frente, montanhas de cada lado e os egípcios logo atrás, pressionando-os. Eles estavam cercados.
Então entraram em pânico. Ficaram aterrorizados. A partir do pânico, oraram. Clamaram ao Senhor. Assim, o pânico se transformou em oração. Deus ouviu as orações. Deus os livrou, e a oração se transformou em louvor. Não é assim que muitas vezes acontece em nossas vidas?
Pânico. Depois você se lembra: “Ah, é verdade, Deus está no céu. Ele está no Seu trono. Talvez Ele possa fazer algo a respeito disso. Não sabemos o que fazer. Não temos esperança. Mas, Senhor, os nossos olhos estão em Ti.” Não é verdade que muitas vezes são os momentos de pânico que nos levam de joelhos à oração? Mas lembre-se: a oração se transformará em louvor quando virmos a libertação do Senhor.
Assim, nesses versículos vemos que Moisés e o povo cantaram este cântico de louvor ao Senhor, e que Miriã liderou com seu tamborim. Mas todas as mulheres saíram após ela com tamborins e danças. Essa foi uma experiência de adoração corporativa. Não foi uma experiência de adoração privada. Foram dois milhões de judeus libertos, regozijando-se juntos pelo que Deus havia feito.
Vejo aqui, quando se trata de adoração, o poder do exemplo. O poder do exemplo de Moisés. Ele influenciou os filhos de Israel e Miriã a louvar o Senhor. E o poder do exemplo de Miriã: quando ela começou a celebrar e a louvar o Senhor, as outras mulheres se uniram a ela.
Isso me diz que, quando você e eu lideramos com um estilo de vida de louvor, mesmo em circunstâncias difíceis ou desesperadoras — e certamente nos momentos em que precisamos celebrar as vitórias e os triunfos de Deus —, à medida que lideramos, outras nos seguirão. Elas virão após nós.
Agora, se somos lentas para louvar ou rápidas para reclamar, outras também nos seguirão nesse exemplo. Mas eu quero ser uma mulher cuja vida motive outras a adorar o Senhor. Quando Miriã pegou seu instrumento, as outras mulheres pegaram os seus. Outras se juntarão a você para cantar o cântico da redenção e tocar seus instrumentos de louvor, à medida que você se envolve.
Às vezes esperamos que outras iniciem a celebração. Pode haver um momento em que ninguém mais esteja celebrando, mas nós dizemos: “Sabe de uma coisa? Mesmo que tudo esteja dando errado, ou mesmo que ninguém mais esteja celebrando, eu vou ser a primeira. Eu vou liderar.”
Especialmente quando ministramos a outras mulheres, encorajando-nos mutuamente a lembrar das promessas de Deus, a celebrar a Sua bondade e fidelidade por meio da música, das palavras e de todas as formas possíveis.
É interessante que os cânticos de Moisés e Miriã sejam muito semelhantes, mas há uma pequena diferença. Moisés diz no versículo 1: “Cantarei ao SENHOR.” Há aí o singular. O verbo está no singular. Quando Miriã retoma o refrão no versículo 21, ela diz: “Cantem ao SENHOR”, e é uma palavra no plural, que significa: todos vocês cantem. Todos nós cantemos. Assim, Moisés começa o cântico: “Cantarei ao SENHOR.” Miriã retoma com o refrão: “Cantem [imperativo], todos vocês, cantem ao SENHOR.”
Graham Kendrick é um líder de adoração no Reino Unido, e ele observa que, em todos os cânticos do livro do Apocalipse — e há muitos cânticos naquele livro — nenhum deles é solo. É louvor corporativo. É adoração corporativa. Há vinte e quatro anciãos que cantam hinos e lançam suas coroas diante dos Seus pés. Há miríades de anjos, milhares e milhares de anjos.
Toda criatura que está no céu, na terra, debaixo da terra e tudo o que neles há se unem para cantar ao Cordeiro. Aqueles que vencem a besta, multidões de pessoas e multidões de anjos, pessoas de toda tribo, toda língua e toda nação. O que eles fazem? Eles se unem corporativamente para louvar o Cordeiro.
Você lê isso nos avivamentos corporativos do passado — um povo avivado torna-se um povo que canta. Jonathan Edwards fala sobre o Primeiro Grande Despertamento, em meados dos anos 1700. Ele disse: “Nossos louvores públicos foram grandemente vivificados. Deus era servido em nossa salmodia nas belezas da santidade. Quase não havia parte do culto divino em que os santos de Deus tivessem a graça tão despertada e seus corações tão elevados quanto no cantar dos louvores a Deus.”
Assim, foi um louvor corporativo que aconteceu ali, do outro lado do Mar Vermelho.
Em segundo lugar, foi um louvor celebrativo. Louvor celebrativo. Há momentos para cantar cânticos solenes. Há momentos para cantar lamentos, cânticos fúnebres. Temos exemplos de lamentos nas Escrituras, inclusive muitos nos salmos. Mas este não era um tempo de cânticos fúnebres, nem de lamentos, e sim de um cântico de celebração.
A celebração, a adoração ali, às margens do Mar Vermelho, não foi contida, não foi reservada, não foi o que poderíamos considerar “apropriada”. Venho de um contexto de igreja em que gosto que as coisas sejam feitas com decência e ordem. Amo parte da música da alta liturgia. Mas não há nada de “alta liturgia” no que aconteceu no Mar Vermelho. Isso foi música apaixonada, alegre, exuberante, celebrativa.
A razão é a ocasião. Todo o evento em torno do êxodo, da Páscoa, da saída do Egito, da travessia do Mar Vermelho é um retrato e o fundamento da história da redenção, e isso é algo digno de celebração. Você lê sobre isso repetidas vezes nas Escrituras. Você lê sobre isso nos salmos.
O Salmo 66 é um exemplo. Não vou ler o salmo inteiro, mas ele começa dizendo:
Aclamem a Deus, todas as terras! Cantem louvores à glória do seu nome, deem glória ao seu louvor. Digam isto a Deus: "Que tremendos são os teus feitos! Pela grandeza do teu poder, a ti se mostram submissos os teus inimigos. Toda a terra se prostra diante de ti, e canta louvores a ti; canta louvores ao teu nome. Ele, em seu poder, governa eternamente. (Sl. 66.1–6)
O salmo continua falando de como Deus venceu o inimigo e libertou o Seu povo. Isso é algo que vale a pena cantar. Quanto mais nós, que fomos redimidas do pecado, de Satanás e da escravidão a nós mesmas, quanto mais motivo temos para cantar e celebrar a bondade de Deus!
Precisamos nos lembrar de celebrar a intervenção milagrosa de Deus em nossas vidas, nas grandes coisas e nas pequenas coisas. Suas libertações diárias. Suas grandes libertações.
Hoje olho para trás e, ah, tenho tantas histórias. E você também tem histórias. Você precisa se lembrar dessas histórias, contá-las, cantar sobre elas e louvar o Senhor por elas, e não se esquecer delas.
Lembro-me do tempo em que Deus me salvou. Ele me atraiu para Si e colocou fé e arrependimento no meu coração. Quando eu tinha quatro anos de idade, ajoelhei-me ao lado da minha cama. Nunca quero perder o encanto da graça salvadora de Deus, de Seus atos redentores.
Também celebramos porque, às vezes, Deus nos conduz por lugares difíceis. Ele não nos isenta de experiências do Mar Vermelho, de chegar bem à beirinha, na ponta dos pés, sem saber como vamos atravessar ou como vamos sobreviver, e então ver Ele abrir as águas. Ele não nos desvia desses lugares. Ele não nos ajuda a evitá-los. Ele nos conduz por meio deles e nos preserva no meio deles.
É isso que o Salmo 66 diz:
Bendigam, ó povos, o nosso Deus; façam ouvir a voz do seu louvor. É ele quem preserva com vida a nossa alma e não permite que resvalem os nossos pés. Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos refinaste como se faz com a prata. Tu nos deixaste cair na armadilha; puseste uma pesada carga nas nossas costas; fizeste com que os nossos inimigos cavalgassem sobre a nossa cabeça; passamos pelo fogo e pela água; porém, afinal, nos trouxeste para um lugar espaçoso. (Sl. 66.8–12)
É isso que celebramos. Celebramos que a vitória pertence ao Senhor, a Sua intervenção divina. Celebramos, em certo sentido, o juízo de Deus sobre todas as forças do mal e o juízo final de Deus, e a passagem segura do Seu povo para o outro lado. Celebramos o dia que ainda virá, quando estaremos livres de todos os inimigos — do pecado, de Satanás e de nós mesmas.
Por fim, o nosso louvor é cristocêntrico — centrado em Cristo. Agora, os judeus não conheciam Cristo da maneira como nós viemos a conhecê-Lo e amá-Lo. Muito do que aconteceu no Antigo Testamento tinha o propósito de nos apontar para Cristo. No versículo 2, ao ler o cântico de Moisés, ele diz: “O SENHOR é a minha força e o meu cântico; Ele se tornou a minha salvação; este é o meu Deus, e eu o louvarei.”
A palavra “salvação” ali é a palavra hebraica Yeshua, o nome hebraico de Jesus. Significa salvação. Literalmente, essa passagem diz: “Yeshua, Ele é o meu Deus.” Eles estavam proclamando que Jesus era o seu Deus. Precisavam fazer isso com os olhos da fé, porque Jesus ainda não havia vindo. Mas, antecipando a vinda do Redentor prometido por Deus, eles centraram o seu louvor em Cristo, o meu Deus.
Há uma antiga confissão de fé chamada Confissão Belga, escrita em 1561, que descreve o batismo. Ela diz: “Somos salvos não pela água física, mas pela aspersão do precioso sangue do Filho de Deus, que é o nosso Mar Vermelho, pelo qual devemos passar para escapar da tirania de Faraó, que é o diabo, e para entrar na terra espiritual de Canaã.” Que imagem bonita. Nesse sentido, o nosso batismo é o nosso Mar Vermelho — não apenas o nosso batismo nas águas.
O batismo nas águas é um retrato físico de uma realidade espiritual: fomos levadas para dentro de Cristo, sepultadas com Ele, e tiradas pelo poder da Sua ressurreição e vida eterna para viver em vitória sobre o pecado, sobre nós mesmas e sobre Satanás. Passamos por Cristo e vivemos em Cristo. Nele vivemos, nos movemos e existimos. Assim, celebramos o nosso próprio Mar Vermelho, isto é, o nosso batismo em Cristo e a nossa vida com Ele.
Portanto, o nosso louvor deve ser corporativo. Devemos cantar e louvar juntos. A propósito, essa é uma das razões pelas quais assistir um culto pela televisão no domingo de manhã, mesmo a grandes pregadores, não é o mesmo que estar na igreja. Você pode ouvir muitas mensagens excelentes pela internet, rádio e televisão, mas há algo especial no povo de Deus se reunir fisicamente, de forma corporativa, para louvá-Lo — adoração corporativa e celebrativa centrada em Cristo
Raquel: Nancy tem nos lembrado do poder da adoração corporativa na sua vida e na vida daqueles que observam o seu exemplo. Creio que reunir-se como corpo de Cristo é mais importante do que nunca, especialmente depois do que passamos durante COVID e distanciamento social.
Igreja é muito mais do que ouvir uma palestra bíblica! Pense nisso. Louve a Deus pela transmissão ao vivo da sua igreja e por termos atravessado a pandemia em comunhão eletrônica e digital.
Algumas pessoas realmente não podem ir, mas, se você está fisicamente apta e isso é a única “igreja” que você ainda tem feito, então está perdendo muita coisa. Pense nisso: conversas no corredor ou no saguão, abraços, aqueles momentos em que você diz: “Uau, posso orar por você agora?” Adorar junto com o povo de Deus, assim como Miriã fez.
No fim das contas, igreja é sobre nossos relacionamentos com Deus e com os outros, não apenas sobre ouvir um sermão, por mais importante que isso seja.
O que uma prisão e uma igreja conhecida têm em comum? Falaremos sobre isso amanhã no Aviva Nossos Corações. Aguardamos você!
O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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