Dia 3: Que a minha vontade seja feita, não a Tua
Raquel Anderson: Nancy DeMoss Wolgemuth levanta uma questão séria.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Qual é o seu preço? Qual é o meu preço? O que seria necessário para levar você a pecar, a desobedecer a Deus?
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora do livreto “O Poder das Palavras”, na voz de Renata Santos.
Aqui no Aviva Nossos Corações temos estudado a vida marcante do profeta Balaão. Que vida cheia de contrastes! Aqui está Nancy na série Bênçãos e Maldições: A história de Balaão.
Nancy: Temos tido algumas conversas interessantes com algumas mulheres entre uma gravação e outra. Depois da última sessão, alguém me perguntou: “Tenho uma filha pródiga, que está andando longe do Senhor. Eu devo orar pedindo que Deus a abençoe? E será que é certo orar para que Deus não a abençoe dando o emprego que ela …
Raquel Anderson: Nancy DeMoss Wolgemuth levanta uma questão séria.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Qual é o seu preço? Qual é o meu preço? O que seria necessário para levar você a pecar, a desobedecer a Deus?
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora do livreto “O Poder das Palavras”, na voz de Renata Santos.
Aqui no Aviva Nossos Corações temos estudado a vida marcante do profeta Balaão. Que vida cheia de contrastes! Aqui está Nancy na série Bênçãos e Maldições: A história de Balaão.
Nancy: Temos tido algumas conversas interessantes com algumas mulheres entre uma gravação e outra. Depois da última sessão, alguém me perguntou: “Tenho uma filha pródiga, que está andando longe do Senhor. Eu devo orar pedindo que Deus a abençoe? E será que é certo orar para que Deus não a abençoe dando o emprego que ela quer, ou fazendo-a prosperar em coisas que a estão prejudicando?”
E eu respondi: “Você não quer orar pedindo maldição sobre ela, mas a forma de orar pedindo bênção é pedindo que Deus a abençoe não permitindo que ela tenha sucesso nas coisas erradas e pecaminosas que está fazendo.” Isso não é amaldiçoar sua filha quando você ora: “Senhor, não a deixe prosperar no pecado.” Certo?
Na verdade, você está abençoando sua filha. Você está dizendo: “Senhor, cerca o caminho dela com espinhos. Torna a vida difícil.” Esse é o jeito de Deus abençoá-la. Vamos ver isso com Balaão, quando Deus envia um anjo para ficar em seu caminho, para impedi-lo de seguir adiante teimosamente em sua própria vontade.
Então, ao orar pela sua pródiga, você não deve pedir: “Senhor, faz com que ela tenha sucesso no que está fazendo, se isso vai afastá-la ainda mais de Ti.” Certo? Você deve pedir que Deus faça o que for necessário para que, no final, ela seja verdadeiramente abençoada e se acerte com Ele.
Estamos em Números 22. Se você perdeu as primeiras partes, pode acessar avivanossoscoracoes.com. Você pode ler as transcrições dos dois primeiros dias ou ouvir os áudios e se atualizar. Mas, em resumo, Balaque, rei dos moabitas, queria amaldiçoar o povo de Deus. Ele queria trazer desgraça sobre eles para derrotá-los em batalha.
Ele tenta contratar um adivinho, um mágico, alguém que usava artes ocultas e encantamentos para amaldiçoar e abençoar pessoas. O nome dele era Balaão. Balaque envia mensageiros a Balaão, a seiscentos quilômetros de distância, dizendo: “Você pode vir e amaldiçoar o povo de Deus?”
E Balaão responde aos mensageiros: “Fiquem esta noite e eu vou orar sobre isso.”
Durante a noite Deus aparece a Balaão e diz: “Não vá. Não amaldiçoe esse povo.” Verso 12: “Então Deus disse a Balaão: — Não vá com eles, nem amaldiçoe o povo; porque é povo abençoado.”
Balaão se levantou pela manhã e disse aos príncipes de Balaque: “Voltem para a sua terra, porque o Senhor não me permitiu ir com vocês.” Assim, os príncipes de Moabe voltaram para Balaque e disseram: “Balaão se recusa a vir conosco. De novo, Balaque enviou chefes, em maior número e mais honrados do que os primeiros.” (v. 15)
Balaque se recusa a aceitar “não” como resposta. Ele está determinado a amaldiçoar o povo de Deus. E está convencido de que Balaão é o homem certo para o trabalho. Então ele aumenta a proposta. Desta vez envia pessoas de alto escalão, não apenas auxiliares. Envia uma comitiva maior, gente mais importante, mais nobre.
Provavelmente se passaram pelo menos seis semanas até que chegassem de volta onde Balaão estava, pois eram Seiscentos quilômetros — pelo menos três semanas de viagem em cada direção. Os mensageiros precisaram ir da casa de Balaão até Balaque e depois voltar.
Nessas semanas, eu fico imaginando o que Balaão estava pensando. Será que ele estava se arrependendo de ter recusado? Sabemos que ele realmente queria ir. E por quê? Porque ele queria o dinheiro. Ele queria a recompensa. O Novo Testamento nos diz isso claramente, [Ele] “amou o pagamento pela injustiça” (2 Pedro 2.15). Será que ele estava arrependido de ter mandado aqueles homens de volta com os sacos de dinheiro?
Será que pensava: “Ah, queria não ter feito isso”? Será que racionalizava: “Não seria tão ruim assim. Na verdade, esse povo é perigoso e precisa ser contido”? Será que estava tentando encontrar uma forma de dizer “sim” quando Deus já tinha dito “não”?
Verso 16:
Eles chegaram a Balaão [esses novos mensageiros, mais honrados] e lhe disseram: — Assim diz Balaque, filho de Zipor: Peço-lhe que não se demore em vir até aqui, porque eu o cobrirei de honras e farei tudo o que você me disser; venha, pois, e, por favor, amaldiçoe este povo. (vv. 16–17)
Vemos aqui um apelo mais insistente. Balaque está decidido. Basicamente, ele diz: “Balaão, diga o seu preço.” Ele está apelando para a ganância de Balaão, para seu amor ao dinheiro, ao prestígio, à honra.
E isso nos leva a perguntar: Qual é o seu preço? Qual é o meu preço? O que seria necessário para levar você a pecar, a desobedecer a vontade de Deus? Há alguma quantia, algum tipo de reconhecimento, alguma oportunidade de status que faria você abrir mão da obediência?
Balaão respondeu aos oficiais de Balaque: — Ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e de ouro [talvez insinuando: ‘Pode aumentar a oferta’], eu não poderia transgredir o mandado do Senhor, meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande. Agora peço que fiquem aqui também esta noite, para que eu saiba o que mais o Senhor me dirá. (vv. 18-19)
Numa primeira leitura, pode soar espiritual. “Deixem-me orar mais uma vez sobre isso.” Mas a questão é: por que ele precisava orar de novo? Deus já tinha falado de forma muito clara.
O que foi que Deus disse? Verso 12: “Não vá com eles, nem amaldiçoe o povo; porque é povo abençoado.” O que você não entendeu nesse meu “não”? A vontade de Deus estava clara. O que mais precisava dizer? Você não precisa orar sobre algo que Deus já disse ser errado.
Não é necessário perguntar: “Senhor, devo perdoar essa pessoa?” A resposta já foi dada: sim. Você não precisa orar sobre algo que Deus já revelou como sendo a Sua vontade.
O problema, aqui como tantas vezes em nossas vidas, é que Balaão não estava decidido a obedecer a Deus. Ele estava vacilando, tentando persuadir o Senhor a permitir que fizesse o que queria. No fundo, dizia: “Não seja feita a Tua vontade, mas a minha.”
Balaão conhecia o Senhor, até o chamava de “Senhor, meu Deus”. Ele era um conhecedor de Jeová, mas não O conhecia de verdade. Sua visão era de um deus pagão, com ‘d’ minúsculo.
Você diz, por quê? Os deuses pagãos eram caprichosos, manipuláveis. Se você fosse persistente, insistente, eles fariam o que você queria que fizessem.
Lembra dos profetas de Baal no Monte Carmelo, que estavam competindo com Elias e construíram um altar? É uma história de como clamaram, gritaram e se cortaram.
E Elias disse: "Seu deus não está ouvindo. Ele não está fazendo nada." Pedindo-lhe que enviasse fogo do céu, seus falsos deuses. A ideia era que eles poderiam manipular Baal para fazer o que eles queriam que ele fizesse.
É como uma criança que pensa que pode manipular seus pais implorando, chorando, reclamando sem parar. E você quer dizer: “Qual parte do ‘não’ você não entendeu? A resposta é não!” Mas, infelizmente, muitas vezes os pais cedem. Deus, porém, não é homem para que minta ou se contradiga. Vamos ver esse versículo aqui em Números.
De noite o Senhor veio a Balaão e lhe disse: — Como aqueles homens vieram chamá-lo, levante-se e vá com eles; mas faça apenas o que eu lhe disser. Balaão levantou-se pela manhã, preparou a sua jumenta e partiu com os chefes de Moabe.
Sem dúvida pensava: “Finalmente! Deus me deu permissão. Vou conseguir aquele dinheiro!”
Então a questão é, e é isso que minha amiga estava perguntando há alguns minutos, será que Deus mudou de ideia? Isso parece contraditório com o que Deus disse na primeira vez que Balaão orou.
Mas lembre-se, Deus havia claramente proibido Balaão de ir. No versículo 12: "Não vá com eles, nem amaldiçoe o povo; porque é povo abençoado.” Deus não havia mudado de ideia. Deus havia revelado claramente Sua vontade, e Balaão havia rejeitado a vontade de Deus. Então Balaão perguntou novamente por que não queria aceitar um "não" como resposta.
Vou falar aqui por um momento sobre a diferença entre os aspectos da vontade de Deus. Vemos a vontade revelada de Deus, o que os teólogos chamam de preceptiva, os preceitos de Deus, quando Deus diz: "Não vá com os homens de Balaque; não amaldiçoe o Meu povo". Mas aqui vemos a vontade permissiva de Deus: "Você pode ir com eles". Deus permitiu que Balaão fizesse algo que Deus havia proibido e que Deus não aprovou.
Às vezes, Deus nos permite fazer algo que é contrário à Sua vontade revelada. Temos a Sua vontade revelada, a Sua vontade preceptiva, e às vezes Deus nos permite, em Sua vontade permissiva, fazer algo que é contrário à Sua vontade revelada e preceptiva.
Só porque Deus permite algo não significa que Ele esteja de acordo. Às vezes Ele permite aquilo que odeia, o que Ele proibiu, para no fim glorificar a Si mesmo e colocar alguém em um caminho onde, seguindo a própria vontade, será entregue ao juízo. Essa é a vontade permissiva de Deus.
Uma das piores coisas que pode nos acontecer é Deus nos deixar seguir o nosso próprio caminho em resposta às nossas exigências, quando a vontade dele é contrária à nossa.
Conheço mulheres solteiras que querem desesperadamente se casar. “Quero casar. Quero casar. Quero casar.” Olha, você pode se casar se quiser isso intensamente o suficiente. Pode. Você pode encontrar alguém que queira se casar com você.
Mas se a vontade de Deus para você, em determinada estação da sua vida, fosse servi-Lo como uma mulher solteira, com devoção total a Ele, e você insistisse, pressionasse, dissesse: “Deixe-me seguir pelo meu próprio caminho” — e acabasse se casando com um homem que não ama a Cristo, que não conhece o Senhor, ou que não anda com Ele, que não é biblicamente livre para se casar, seja o que for.
Deus pode permitir que você se case com alguém contrário à vontade dele para a sua vida, à Sua vontade revelada, contrária ao que as Escrituras ensinam.
Deus pode permitir que você se case com um não cristão, mas pode estar, nesse processo, entregando você às consequências de seguir o seu próprio caminho.
Quando Deus nos deixa fazer algo que realmente queremos, mas que é contrário à Sua vontade, Ele pode, na verdade, estar nos preparando para experimentar as consequências da nossa rebeldia. Eu não quero isso, então não quero que Deus me dê o que penso querer se isso for contrário à Sua vontade.
Claro, quando Deus nos permite fazer algo contrário à Sua vontade revelada, isso não significa que a vontade dele tenha mudado, nem que Seus propósitos finais serão frustrados. O que é incrível é que o nosso Deus redentor consegue até usar a nossa insensatez e desobediência para realizar a Sua vontade.
Você pergunta: como isso funciona? Pense na traição de Judas contra Jesus; os judeus e romanos entregando Jesus para ser crucificado. Aquilo não era a vontade decretada de Deus. Deus permitiu que abusassem do Seu Filho, que O matassem. Mas essa vontade permissiva, nas mãos de Deus, na Sua soberania, cumpriu o Seu plano eterno de redenção. Porque a vontade humana nunca pode desfazer nem superar a vontade de Deus. Isso me consola.
Veja, isso não é uma licença para pecar. Embora as consequências da obstinação de Balaão não tenham aparecido de imediato, no fim ele pagou um preço alto pela sua desobediência. No fim, perdeu a vida. E nós também, de alguma forma, pagaremos um preço quando dissermos: “Não seja feita a Tua vontade, mas a minha.”
Verso 21: “Balaão levantou-se pela manhã [com essa vontade permissiva de Deus], preparou a sua jumenta e partiu com os chefes de Moabe.” E imagino que devia estar se sentindo muito importante nesta hora.
Era realmente uma comitiva e tanto a que Balaque tinha enviado para buscá-lo. Ele era a estrela, a pessoa VIP, famoso, celebridade, orador, adivinho, profeta. Estava acompanhado das maiores autoridades de Balaque, oficiais do governo, recebendo tratamento de tapete vermelho e tudo. Eis um homem que amava honra, dinheiro, prestígio — e que agora tinha tudo isso em mãos.
“Mas. . .” Mas o quê? Mas Deus. Não se esqueça do “mas Deus” quando você pensa que está aproveitando os frutos de ter seguido o seu próprio caminho, de ter feito do seu jeito. “Sim, Deus deixou eu conseguir isso.” Mas Deus.
Deus o quê? “Acendeu-se a ira de Deus, porque Balaão foi, e o Anjo do Senhor se pôs por adversário no caminho dele.” Outra tradução diz: “O anjo do Senhor se colocou no caminho para se opor a ele.”
Deus resiste aos soberbos. Deus se opõe aos soberbos. Deus Se coloca em posição de batalha, como um daqueles grandes jogadores de linha no futebol americano — é isso mesmo? Não entendo nada de futebol. Mas é um daqueles homens enormes que empurram, se opõem, atuando como adversário no campo. A ira de Deus se acendeu, e o anjo do Senhor se colocou contra Balaão, como adversário.
Você pode perguntar: “Deus se ira?” Sim, Ele se ira — ao contrário da teologia moderna e das sensibilidades de quem não consegue conceber um Deus de amor também sendo um Deus que se ira. Romanos 1.18–19 nos diz que isso não é apenas Antigo Testamento: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos seres humanos que, por meio da sua injustiça, suprimem a verdade. Pois o que se pode conhecer a respeito de Deus é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.”
Não há desculpa. Balaão sabia o suficiente da vontade de Deus para tomar a decisão certa. Quando pecamos, é sempre contra algum nível de verdade, algum nível de conhecimento. Mesmo pessoas em lugares distantes da terra, que não têm a Palavra de Deus escrita, têm algum conhecimento de Deus em sua consciência, na revelação natural — algo contra o qual estão suprimindo a verdade para poder pecar contra Deus. E a ira de Deus se acende contra a injustiça dos homens. É ira justa.
A palavra hebraica para “adversário” ou “opor-se” é literalmente a palavra “Satanás.” Em algumas traduções ela aparece transliterada como Satanás. Na maior parte das vezes, no Antigo Testamento, essa palavra é traduzida como Satanás. Satanás é o adversário. Ele é o opositor de Deus e do povo de Deus. Deus enviou este anjo, o anjo do Senhor, para ser o adversário de Balaão.
Ao se opor à vontade de Deus, ao exercer sua própria vontade, Balaão fez de si mesmo adversário de Deus, assim como Satanás fez quando caiu do céu. E Deus se tornou o seu oponente.
E quem é esse “anjo do Senhor”? Bem, não sabemos ao certo, mas muitas vezes no Antigo Testamento, de tempos em tempos, Cristo mesmo aparecia temporariamente na terra em forma humana, antes de nascer como bebê em Belém. Ele aparecia para cumprir um propósito divino.
Você vê isso em Josué 5. Lembra quando o comandante do exército do Senhor apareceu a Josué, o anjo do Senhor? Eu creio que era ninguém menos do que Cristo mesmo — uma aparição pré-encarnada da segunda pessoa da Trindade — enviado para lidar com Balaão.
Balaque tinha enviado seus mais altos dignitários para persuadir Balaão a ir amaldiçoar Israel. E Deus envia Seu mais alto representante para se opor à ida de Balaão. Ele envia Seu próprio Filho.
“Ora, Balaão ia montado na sua jumenta, e dois de seus servos iam com ele. A jumenta viu o Anjo do SENHOR parado no caminho, com a sua espada na mão.” (v. 23) A jumenta viu o anjo do SENHOR. Isso é dito três vezes nesta passagem. Os profetas naquela época eram chamados de videntes. O trabalho deles era dizer ao povo o que tinham visto de Deus.
A ironia aqui, e há muita ironia nesse texto, é que Balaão não conseguiu ver o anjo, mas a sua jumenta conseguiu. E a jumenta começou a mostrar a Balaão o que tinha visto. No fim das contas, a jumenta foi uma vidente melhor do que Balaão, não é?
Isso me lembra que você pode ter um cargo importante ou um título de responsabilidade na sua igreja, no ministério, e ainda assim, por causa do orgulho, da desobediência e da vontade própria, pode estar totalmente cega para as realidades espirituais — para o que Deus está dizendo, fazendo, e querendo que você faça.
E, às vezes, aqueles de quem você menos esperaria que “vissem” as verdades espirituais são os que enxergam melhor, mais claramente do que nós. Pode ser uma criança, uma nova convertida, ou até mesmo um marido incrédulo que às vezes consegue perceber melhor do que uma filha de Deus, “cristã” de nome, que está seguindo seu próprio caminho de orgulho e obstinação.
Pois bem: “por isso a jumenta se desviou do caminho, indo pelo campo. Então Balaão espancou a jumenta para fazê-la voltar ao caminho. Mas o Anjo do Senhor pôs-se num caminho estreito entre as vinhas, havendo muro dos dois lados.” (vv. 23–24)
O caminho de Balaão está ficando cada vez mais estreito. E isso é algo pelo qual orar por esses filhos pródigos de que falamos: que Deus estreite seus caminhos, para que não consigam continuar avançando na direção errada.
“Quando a jumenta viu o Anjo do SENHOR encostou-se no muro e apertou o pé de Balaão contra ele. Por isso Balaão tornou a espancá-la. Então o Anjo do SENHOR passou mais adiante e pôs-se num lugar estreito, onde não havia caminho para se desviar nem para a direita nem para a esquerda. Quando a jumenta viu o Anjo do SENHOR, deixou-se cair debaixo de Balaão.” (v. 25-27)
Três vezes a jumenta viu o anjo parado no caminho com a espada desembainhada para impedir Balaão de seguir adiante. Cada vez, a jumenta parou e se recusou a prosseguir. E, ao fazer isso, aquela jumenta poupou a vida de Balaão. Deus estava cercando Balaão.
E isso era uma evidência da bondade, da misericórdia e da graça de Deus para com Balaão, poupando sua vida. Já Balaão, por outro lado, não estava agindo de forma nada piedosa. Foi a ira de Balaão que se acendeu, e ele bateu na jumenta com o seu cajado.
Aqui está Deus sendo misericordioso, gracioso. E Balaão sendo cruel, impiedoso e implacável com sua jumenta. Tiago 1 nos diz: “Porque a ira humana não produz a justiça de Deus.” (v. 20)
A ira de Deus é justa. É ira justa contra a injustiça dos homens. Nossa ira, na maior parte das vezes, é ira humana. E ela não produz a justiça de Deus.
Sua reação foi o oposto de ver aquilo como um meio de graça em sua vida. Balaão ficou enfurecido por ser contido dessa forma e perdeu completamente o controle. Ele começou a bater no animal que estava salvando sua vida. Estava tão obstinado e determinado a fazer o que ele queria. Ele não parou para considerar que Deus poderia estar tentando salvá-lo de si mesmo.
Imagine como tudo isso parecia ridículo para os outros que estavam na caravana. Provavelmente, eles não conseguiam ver o anjo no caminho. Tudo o que viam era esse famoso vidente, popular e requisitado, agindo como um louco, tentando em vão controlar sua teimosa jumenta. Certamente, tudo parecia muito louco para eles.
Balaão estava fora de controle. Ele passou de um homem que pensava estar no comando total, a ponto de tentar manipular o próprio Deus, para alguém que nem mesmo controlava sua jumenta. Deus estava levando Balaão ao fim do seu caminho — e isso é misericórdia.
Isso nos mostra, penso eu, nossa tendência de reagir com raiva às coisas, circunstâncias ou pessoas que Deus envia em nossas vidas para nos proteger, nos livrar ou nos desviar do mal. E o que fazemos? Ficamos iradas, atacamos, descontamos nossa frustração sobre essas pessoas e situações.
Com que você está irada? Contra quem ou contra o que você está descontando sua ira? E antes de sermos rápidas em julgar Balaão, quantas vezes tentamos manipular Deus? Dizendo: “Não seja feita Tua vontade, mas a minha”? Ah, nunca diríamos essas palavras. Mas às vezes oramos assim? Vivemos assim?
E será que existe, ainda hoje, algum aspecto da sua vida em que você sabe no fundo do coração que está indo contra a vontade revelada de Deus? Deus pode estar permitindo que você vá por esse caminho, mas você sabe que não é a Sua vontade revelada.
Ele está permitindo que você faça algo que Ele não ama, que Ele não deseja para você, e que você terá de sofrer as consequências depois?
Qual é a resposta? É o que Balaão deveria ter feito: arrepender-se. Dar meia volta. Retornar na direção certa. Ainda não é tarde. Diga: “Senhor, eu pequei. Quero a Tua vontade na minha vida. Não a minha, mas a Tua seja feita. E, Senhor, obrigada por enviar aquele adversário à minha vida, aquela circunstância, aquela pessoa, para tornar meu caminho difícil.”
Você pode até agradecer a Deus por enviar esse adversário à vida de um filho pródigo ou de um marido desviado. Diga: “Obrigada pelas repreensões da vida que usas para nos impedir de continuar na nossa rebeldia.” Isso é uma misericórdia severa. Uma linda misericórdia. Louve a Deus por isso.
Raquel: Acabamos de ouvir Nancy DeMoss Wolgemuth. Vou lembrá-la de alguns destaques do que você acabou de ouvir.
Nancy disse: “Você não precisa orar sobre algo que Deus já disse ser errado. Só porque Deus permite algo não significa que Ele aprova. O que é incrível é que Deus pode nos usar. Você nunca pode enganar ou frustrar a vontade de Deus.”
Essas citações do programa de hoje são do terceiro dia da série “Bênçãos e Maldições: A história de Balaão.” Podemos trazer podcasts assim porque os ouvintes acreditam no valor desse ensino. Eles sentem alegria ao investir no programa, para que você possa ouvir também.
Talvez Deus queira que você experimente essa alegria de se unir ao Aviva Nossos Corações. Se Ele colocou no seu coração contribuir para manter este ministério forte, visite avivanossoscoracoes.com e doe online.
Estamos estudando a vida de Balaão há alguns dias. No próximo episódio, vamos analisar mais detalhadamente a jumenta — a jumenta falante. Aguardamos você aqui, no Aviva Nossos Corações.
O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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