Dia 3: A praga da solidão
Raquel Anderson: Uma ouvinte compartilhou o seguinte conosco: “Quando eu era adolescente, havia uma solidão muito profunda no meu coração. Meus pais viajavam bastante, e eu vinha de um lar marcado pelo divórcio.
Desde os doze anos, eu meio que precisei aprender a me virar sozinha. Passei muitas horas por conta própria — tempo demais para alguém tão jovem.”
Você consegue se identificar? A solidão aflige tantas pessoas.
Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Mentiras em que as Mulheres Acreditam, na voz de Renata Santos.
Graças à Internet e às redes sociais, nosso mundo está certamente bem mais conectado desde os dias da torre de Babel! Mas nós nos sentimos mais conectadas aos outros? Ou, como minha amiga Erin Davis fala, estamos experimentando uma pandemia de todos se sentirem sozinhos juntos? A solidão é tão problemática hoje quanto nos …
Raquel Anderson: Uma ouvinte compartilhou o seguinte conosco: “Quando eu era adolescente, havia uma solidão muito profunda no meu coração. Meus pais viajavam bastante, e eu vinha de um lar marcado pelo divórcio.
Desde os doze anos, eu meio que precisei aprender a me virar sozinha. Passei muitas horas por conta própria — tempo demais para alguém tão jovem.”
Você consegue se identificar? A solidão aflige tantas pessoas.
Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Mentiras em que as Mulheres Acreditam, na voz de Renata Santos.
Graças à Internet e às redes sociais, nosso mundo está certamente bem mais conectado desde os dias da torre de Babel! Mas nós nos sentimos mais conectadas aos outros? Ou, como minha amiga Erin Davis fala, estamos experimentando uma pandemia de todos se sentirem sozinhos juntos? A solidão é tão problemática hoje quanto nos últimos séculos. Nancy está aqui para compartilhar como relacionamentos saudáveis podem combater a solidão.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Você já sentiu como se quisesse se afastar de tudo e de todos? Li não muito tempo atrás sobre uma mulher que decidiu tirar um longo ano sabático da sua família. Ela chegou ao seu limite com eles e simplesmente foi embora. Disse: “Um dia eu volto, mas por enquanto já deu. Eu já aguentei tudo o que podia. Preciso de um tempo. Preciso de um respiro — um tempo longe de todo mundo.”
Nós meio que rimos, mas provavelmente todas nós já nos sentimos assim. Gostaríamos, pelo menos por alguns momentos, de certa forma, férias longe das pessoas. E, no entanto, Deus não nos criou para que vivêssemos em isolamento. Muito tem sido escrito e dito nos últimos anos sobre toda essa praga da solidão — a praga de estar sozinho.
Li recentemente sobre um médico inglês chamado Dr. Smith que construiu uma sala experimental onde alguém poderia se afastar de todos, mas seu experimento mostrou que o isolamento não produz alegria. Produz uma tristeza profunda.
Ele construiu uma sala à prova de som de aproximadamente 3 metros por 2,5 metros, que foi içada no topo de um prédio, e voluntários entravam lá. Era totalmente à prova de som. Não havia maneira de se conectar com o mundo exterior. As pessoas que entravam na sala podiam ser vistas por meio de uma tela de visão unilateral, mas não podiam ver ninguém; não podiam ouvir nada. As refeições eram trazidas a elas nessa caixa de isolamento.
O experimento mostrou que, após uma hora, as pessoas na caixa perdiam a concentração, e então começavam sentimentos de ansiedade, pânico e angústia. Foi dito que havia muitas pessoas que tentaram esse experimento e não conseguiram suportar a solidão por mais de cinco horas.
Talvez, se você mora sozinha, esteja pensando: Eu me identifico com isso. Eu sinto como se vivesse em uma caixa de isolamento, e vocês afirmariam que estar sozinha pode ser aterrorizante para a alma.
O Dr. Leonard Camer é um psiquiatra que se especializou por muitos anos no tratamento da depressão. Ele disse: “O ser humano é a única espécie que não pode sobreviver sozinha. O ser humano precisa de outro ser humano, caso contrário está morto.”
Katherine Barrett escreveu em um artigo sobre solidão na revista Ladies' Home Journal:
Em uma sociedade onde a maioria das pessoas vive em cidades ou subúrbios impessoais, onde o entretenimento eletrônico muitas vezes substitui a conversa individual [e é verdade], onde as pessoas mudam de emprego para emprego e de estado para estado e de casamento para casamento, a solidão tornou-se uma epidemia.
O Dr. David Jeremiah escreveu um livro chamado Superando a Solidão. Ele diz: “A solidão pode muito bem ser a doença da década, talvez de toda década.”
“Eles estão espremidos e amontoados nos ônibus”, escreveu um poeta moderno, “mas cada um deles está sozinho.”
O Dr. Jeremiah citou uma pesquisa na qual um quarto das pessoas entrevistadas disseram que se sentiram muito sozinhas ou isoladas de outras pessoas em algum momento durante as semanas anteriores.
Quase metade das viúvas com mais de cinquenta anos vivendo em uma grande área metropolitana disse que a solidão era seu pior problema.
Temos analisado Eclesiastes capítulo 4 sobre questões de relacionamentos. Nos primeiros versículos vimos a dor da injustiça, a dor da opressão, a dor de relacionamentos pecaminosos e danificados. Agora chegamos ao versículo 7, onde vemos o problema do isolamento. Primeiro a dor da injustiça e da opressão, mas agora o problema do isolamento — não apenas relacionamentos pecaminosos ou danificados, mas o problema de não ter relacionamentos, viver nossa vida isoladas de outras pessoas.
Vamos ler a passagem começando no versículo 7: “Vi ainda todas as opressões praticadas debaixo do sol.” Temos nos lembrado de que “debaixo do sol” significa vida neste planeta caído, vida sem Deus. É sem sentido; é vaidade; é frustração; é desespero.
Então considerei outra vaidade debaixo do sol: um homem sem ninguém, que não tem filhos nem irmãos, mas que não cessa de trabalhar e cujos olhos não se fartam de riquezas. E ele não pergunta: ‘Para quem estou trabalhando, se não aproveito as coisas boas da vida?’ Também isto é vaidade e enfadonho trabalho. (vv. 7–8)
Agora vamos destrinchar esse parágrafo pouco a pouco. Versículo 8: “Um homem sem ninguém; que não tem filhos nem irmãos.”
Enquanto meditava nessa passagem e em todo o assunto de estar sozinha nos relacionamentos, ocorreu-me que há várias possíveis razões para a solidão. Não abordaremos todas, mas obviamente às vezes as pessoas se sentem sozinhas porque estão sozinhas. Realmente não há ninguém em sua vida imediata, ninguém que realmente se importe, ninguém conectado à sua vida.
Penso em algumas viúvas que conheço que realmente tiveram que lutar com a solidão, com o estar sozinhas, e com ter que cuidar de si mesmas, ou ter apenas o mínimo de conexão humana. Essa é uma fase solitária da vida, ou pode ser.
Penso em algumas mulheres solteiras que me escreveram e expressaram o quanto sofrem com esse sentimento de solidão, um desejo por companheirismo, por alguém com quem se conectar ou alguém que se importe.
Há outras razões para nossa solidão, e penso que uma delas tem a ver com o que falamos nas últimas sessões, e isso é a dor da opressão e da injustiça. A dor de relacionamentos danificados e pecaminosos é o que leva muitas pessoas a se afastarem dos relacionamentos. “Eu fui ferida. Não vou me ferir de novo.” Como uma tartaruga colocando a cabeça para fora. Se alguém pisa nela, vai pensar duas vezes antes de colocar a cabeça para fora novamente. “Não vou colocar minha cabeça para fora de novo.”
Eu sei que há mulheres ouvindo este programa que, quando crianças, foram abusadas física, sexual ou emocionalmente. Agora vocês são mulheres adultas e passaram anos simplesmente não estando dispostas a se conectar à vida de outros porque dói, e vocês não querem se machucar novamente. Há medo e vergonha no coração de muitas mulheres.
O que isso faz é levá-las a erguer muros, e todas nós já fizemos isso em maior ou menor grau. Se temos um relacionamento que foi difícil para nós, que foi estressante, onde experimentamos dor — e pode ser com um membro da família — não vamos entrar nesse relacionamento.
Algumas de vocês temem ligar para seus pais. Algumas de vocês temem ligar para seus sogros. Talvez haja um filho ou uma filha, e você simplesmente teme receber uma ligação porque sabe que a conversa vai ser tensa, vai ser irritada, vai ser acalorada, vai ser difícil.
Então esse medo, essa vergonha, esse senso de opressão ou injustiça pode nos levar a erguer muros. Pode nos deixar sozinhas.
Então penso que este versículo, Eclesiastes 4.8, nos dá uma pista sobre outra razão para a solidão. Diz: “Havia um homem sem ninguém, que não tem filhos nem irmãos, mas que não cessa de trabalhar e cujos olhos não se fartam de riquezas.”
Acho que isso toca na questão da ganância egoísta. Aqui está uma pessoa que diz: “Quero viver minha vida para mim. Quero o que é melhor para mim, e se meus planos e meus objetivos não se encaixarem com os demais, então vou viver minha vida para mim. Vou cuidar da minha própria felicidade, do meu próprio benefício, do meu próprio ganho.” Essa é uma pessoa egoísta e gananciosa. O problema é que a maioria de nós que é egoísta e gananciosa não percebe que é. Outras pessoas podem ver isso em nós, mas é difícil ver em nós mesmas.
“Não havia fim para o seu trabalho.” Vemos aqui uma pessoa que viveu com trabalho interminável, sempre trabalhando, sempre se esforçando, sempre tentando alcançar, mas está fazendo isso fora do contexto de relacionamentos, fora do contexto de comunidade, fora do contexto de responsabilidade com outros. Ele tem trabalho e esforço intermináveis, mas fora do contexto de compromisso e de relacionamentos comprometidos, amorosos e cuidadosos. “Eu vou fazer isso por conta própria.”
As Escrituras dizem: “Seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza.” Ele não está satisfeito. Este é um retrato de ganância egoísta. Ele está vivendo para si mesmo. Ele não está sozinho porque não há ninguém em sua vida, mas porque ele se desligou dos relacionamentos.
Consigo pensar em épocas da minha própria vida em que isso foi verdade, pelo menos em certa medida, quando havia pessoas que Deus providenciou para fazer parte da minha vida. Eu fazia parte de uma igreja; eu tinha uma família; havia pessoas ao meu redor; eu tinha pessoas no meu local de trabalho. Mas, por várias razões, principalmente porque eu estava apenas focada nos meus próprios objetivos e metas, eu não estava cultivando esses relacionamentos, e acabei isolada, sentindo-me muito sozinha, mas por minha própria responsabilidade, porque eu não estava funcionando e realizando o meu trabalho e o meu esforço dentro do contexto de relacionamentos e comunidade como Deus planejou que fossem.
Você vê nesta passagem que a pessoa que trabalha para si mesma, apenas para cumprir seus próprios objetivos, suas próprias metas, não pode desfrutar o fruto de seus trabalhos. Ele diz: “Para quem estou trabalhando? Para que estou fazendo tudo isso? Para mim? Para que eu possa sentar nesta casa grande e vazia sozinho e aproveitar tudo isso sozinho?”
Escute, as escolhas que fazemos têm consequências, e se eu escolho viver períodos da minha vida para mim, para os meus objetivos, para as minhas ambições, para o meu ganho, para o meu benefício, então não devo me surpreender se um dia eu acabar me sentindo muito sozinha. Você vive para si mesma; então viva sozinha. Aquele homem descobriu, como nós mulheres frequentemente descobrimos, que não podemos desfrutar do esforço dos nossos trabalhos se estivermos fazendo isso apenas para nós mesmas.
Então pergunte a si mesma: “Para quem estou trabalhando?” Pense no seu papel como esposa, como mãe, como dona de casa. Qual é o propósito do seu trabalho? É só ter uma casa bonita? O seu maior objetivo é que as pessoas pensem que você é uma ótima organizadora e decoradora? Ou está fazendo para servir a Deus e à sua família? Para quem você está fazendo isso? É por razões egoístas ou gananciosas? Ou você está fazendo como uma expressão de amor? Está fazendo porque se importa, porque está conectada à vida de outras pessoas? Por que você trabalha no seu local de trabalho? Apenas para ter seu próprio sustento, apenas para pagar suas próprias contas?
Escute, se você está fazendo apenas para si mesma, isso é ganância egoísta, e você acabará tendo que desfrutar disso sozinha, e o resultado disso não é muito agradável, Salomão está dizendo aqui.
Precisamos trabalhar para os outros, para a glória de Deus, para o benefício e a bênção dos outros.
Pergunte a si mesma: Qual é o propósito dos meus trabalhos? Sacrifício sem um propósito voltado para os outros é sem sentido; é vaidade; é vazio. Se você está servindo, trabalhando apenas para si mesma e não para o bem ou benefício dos outros, se está vivendo a vida para si mesma, se está centrada em si mesma, você descobrirá que isso é vaidade e sem sentido.
Porém, Deus tem uma solução. Ele tem uma receita tanto para a dor da opressão e da injustiça quanto para o problema do isolamento e da solidão. A receita de Deus é a palavra relacionamento. A receita de Deus não são relacionamentos dolorosos e disfuncionais, mas relacionamentos íntegros e saudáveis, relacionamentos caracterizados por intimidade. Não injustiça ou isolamento, mas intimidade, união de coração, união de espírito.
Vamos ler Eclesiastes capítulo 4, continuando com o versículo 9, onde vemos a receita de Deus para relacionamentos íntimos:
Melhor é serem dois do que um, porque maior é o pagamento pelo seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro. Mas ai do que estiver só, pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquecerão; mas, se for um sozinho, como se aquecerá? Se alguém quiser dominar um deles, os dois poderão resistir; o cordão de três dobras não se rompe com facilidade. (vv. 9–12)
Assim vemos em Eclesiastes capítulo 4 o poder da intimidade, o poder de relacionamentos piedosos e saudáveis. Esta é a alternativa de Deus à opressão e ao isolamento. Os tipos de relacionamentos que desejamos, e os tipos de relacionamentos para os quais fomos criados, só são possíveis dentro da estrutura da fé cristã. Eles só são possíveis dentro do contexto do Evangelho, porque é o Evangelho que reconcilia; é o Evangelho que une facções em guerra. É o Evangelho que nos chama ao relacionamento, e é o Evangelho que nos capacita a experimentar o relacionamento em sua melhor forma.
Versículo 9, Eclesiastes capítulo 4: “Melhor é serem dois do que um.” Vamos pensar nesse versículo por alguns momentos. “Melhor é serem dois do que um.” Temos um Deus que nos chama ao relacionamento. Um não é um relacionamento. Dois podem ser um relacionamento. Deus nos chama a relacionamentos. Ele nos chama ao relacionamento com Ele mesmo, e Ele nos chama ao relacionamento, à comunidade e à comunhão uns com os outros.
Ele é um Deus de relacionamento. Deus modela o relacionamento para nós. Ele é um Deus que tem relacionamentos horizontais dentro de Si mesmo. Vamos pensar sobre a Trindade, Deus é três em um. Então lemos em Gênesis capítulo 1: “Façamos o homem à nossa imagem”, Deus diz (v. 27). Vemos Deus tendo comunhão, uma missão comum, objetivos compartilhados, trabalhando juntos dentro da Trindade.
E Provérbios 8.27: “Estava lá quando ele firmava as nuvens de cima.” Penso que, no contexto imediato, isso é uma personificação da sabedoria. Mas é uma descrição poderosa do ministério do Senhor Jesus na criação. Ele diz: “Eu estava lá quando ele [isto é, o Criador] estabeleceu os céus. Eu era o artífice ao seu lado. Eu estava cheio de alegria dia após dia, regozijando-me sempre em sua presença, regozijando-me em todo o seu mundo e tendo prazer na humanidade.”
O que isso está dizendo? Jesus estava lá quando Deus criou o mundo. Eles estavam trabalhando juntos. Eles estavam labutando juntos. Eles estavam desfrutando da companhia um do outro. Eles estavam relacionados um ao outro. Eles estavam em comunhão um com o outro.
Deus tem relacionamentos horizontais dentro da Trindade. Ele disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt. 3.17). Ele afirmou o relacionamento que tinha como Pai com Seu Filho. E Jesus disse: “Eu e o Pai somos um. Temos relacionamento. Permanecemos juntos. Temos comunhão um com o outro.”
Mas Deus não é apenas um Deus de relacionamentos horizontais dentro da Trindade, Ele é um Deus que estabeleceu um relacionamento vertical conosco, com Suas criaturas, e Ele busca relacionamento conosco.
Eu estava pensando esta manhã sobre algumas das palavras que descrevem a atitude de Deus e a abordagem de Deus para com Suas criaturas. Ele é um amante. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira” (Jo. 3.16). Essa é uma palavra relacional. Ele é um Pai. Essa é uma palavra relacional. Ele é um amigo. Essa é uma palavra relacional.
Então Deus é um Deus de relacionamento, e Deus nos fez para relacionamentos. Ele nos fez para ter um relacionamento vertical com Ele. Nossas vidas nunca podem estar plenamente conectadas com aqueles ao nosso redor até que estejam primeiro conectadas verticalmente com Deus.
Então Deus nos fez para um relacionamento que é horizontal, um relacionamento uns com os outros. Gênesis capítulo 2: “Não é bom que o homem esteja só.” Ora, o homem tinha Deus naquele momento, mas Deus disse que havia algo que não estava completo — não que Deus não fosse suficiente, mas Deus havia planejado que o homem tivesse relacionamento horizontal. Então Deus fez uma auxiliadora idônea para Adão.
A propósito, se você é esposa, é para isso que Deus a fez — para ser uma auxiliadora, uma companheira, aquela que complementa seu marido.
Deus nos fez para precisar dele — não poderíamos respirar sem Ele. Somos dependentes do nosso relacionamento com Deus — e Deus nos fez para precisarmos umas das outras. Não conseguimos seguir sozinhas. Não fomos projetadas para conseguir viver sem esse relacionamento vertical e esse relacionamento horizontal.
Em Gênesis capítulo 3, quando Eva acreditou na mentira de Satanás e pecou contra Deus, o capítulo que chamamos de a Queda do homem e da mulher no pecado, um dos resultados imediatos da Queda foi que os relacionamentos foram quebrados — o relacionamento do homem com Deus e o relacionamento do homem com outros seres humanos. O relacionamento do homem e da mulher entre si passou então a ser caracterizado por coisas que lemos já no livro de Gênesis. Vemos medo e vergonha e culpa, amargura, hostilidade, insegurança, insensibilidade. Vemos violência, brutalidade. Essas questões relacionais decorrem da Queda, relacionamentos quebrados, relacionamentos despedaçados.
Não foi até que Jesus veio à terra e foi para a cruz por nossos pecados que tivemos a capacidade de ter esses relacionamentos restaurados. Agora, por meio da cruz de Cristo, podemos ter relacionamentos saudáveis, verticais e horizontais, relacionamentos saudáveis com Deus e uns com os outros. Mas esses relacionamentos só são possíveis por meio de Cristo, por meio do que Ele fez no Calvário, porque o nosso pecado nos separa. Ele nos separa de Deus e coloca muros e barreiras entre nós e os outros. É a graça de Deus em Cristo que nos une, que nos torna um, que nos dá comunhão, que derruba esses muros.
Vou ler uma passagem que estava no meu coração hoje de manhã, de Efésios capítulo 2, versículo 12. Sei que estou entrando em um contexto maior aqui, mas esta passagem, começando em Efésios 2.12, é uma descrição maravilhosa de como a graça e a cruz de Cristo podem restaurar relacionamentos quebrados. Observe todos os termos relacionais nesta passagem.
Versículo 12 — e ele está falando especificamente aqui àqueles que eram gentios, que não eram da fé hebraica. Ele diz: “Naquele tempo vocês estavam sem Cristo [essa é uma palavra com muro, há uma barreira ali], separados da comunidade de Israel.” Então vocês estavam separados de Cristo — isso é o vertical — estavam alienados da comunidade de Israel — isso significa dos judeus, então havia uma barreira horizontal ali.
. . .e estranhos [essa é outra palavra relacional] às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe [isso é isolamento], foram aproximados [essa é uma palavra íntima] pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz [essa é uma palavra relacional]. De dois povos ele fez um só e, na sua carne, derrubou a parede de separação que estava no meio, a inimizade. (vv. 12–14)
Como lidamos com relacionamentos quebrados? Pelo sangue de Cristo. Versículo 15:
Cristo aboliu a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse em si mesmo uma nova humanidade, fazendo a paz [intimidade], e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por meio da cruz, destruindo a inimizade por meio dela. E, quando veio, Cristo evangelizou paz a vocês que estavam longe [não mais isolados; agora íntimos].”
Porque, por meio dele, ambos temos acesso ao Pai em um só Espírito. Assim, vocês não são mais estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus.” [Vocês pertencem! Vocês se encaixam! Vocês têm um lugar. Vocês têm relacionamentos; vocês têm comunhão.]
Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular. Nele, todo o edifício, bem-ajustado, cresce para ser um santuário dedicado ao Senhor. Nele também vocês estão sendo edificados, junto com os outros, para serem morada de Deus no Espírito. (vv. 15–22)
Não é incrível que Deus pegue aqueles de nós que estávamos alienados, separados dele; separados, alienados uns dos outros; relacionamentos quebrados, danificados, pecaminosos, comunhão quebrada por toda parte — não é incrível que Ele enviasse Jesus para ser o pacificador, o reconciliador, aquele que nos traria de volta para junto de Deus e uns dos outros?
É possível para você e para mim termos relacionamentos corretos com Deus e uns com os outros, dentro de nossos lares e dentro de nossas igrejas, relacionamentos que você pensou que nunca poderiam ser reparados. Há a possibilidade de reconciliação por causa do sangue de Jesus Cristo, que une vidas em guerra.
Nos próximos versículos veremos alguns dos ingredientes desses relacionamentos saudáveis e íntegros. Mas lembre-se do ponto de partida: acontece na cruz. Humilhe-se. Reconheça sua necessidade de que Jesus Cristo seja o seu reconciliador. Permita que Ele comece a edificar você e outros crentes juntos em uma bela construção adequada para a presença do próprio Deus.
Vamos orar.
Ó Senhor, eu amo o que ouvimos da Tua Palavra hoje. Isso encoraja e fortalece meu coração ao ver o que Tu fizeste por nós por meio de Jesus Cristo. Obrigada pelas promessas da Tua Palavra e pelo potencial que existe de união, de comunhão, de relacionamento contigo e uns com os outros por causa do que Jesus Cristo fez por nós.
Senhor, que não apenas nos acomodemos e digamos: “Esses relacionamentos não têm solução. Não podem ser consertados. Não podem ser mudados.” Vamos à cruz e humildemente tomamos nosso lugar ali e encontramos a graça e o poder para buscar reconciliação, para sermos edificados juntos de uma maneira que trará glória a Ti. Eu oro em nome de Jesus, amém.
Raquel: Deus nos projetou com uma necessidade de relacionamento — primeiro entre nós e Deus — e depois uns com os outros. Acabamos de ouvir Nancy DeMoss Wolgemuth sobre o remédio supremo para a solidão. Da próxima vez que você experimentar solidão, que você seja lembrada da sua necessidade de Deus e do amor dele por você.
Se você está procurando maneiras de crescer em relacionamento com os outros, Aviva Nossos Corações tem um recurso novíssimo chamado Vivendo os uns aos outros das Escrituras. É o devocional de 30 dias Vivendo os uns aos outros das Escrituras. Este devocional examina mais de perto muitas das exortações da Bíblia relacionadas a como interagimos uns com os outros. É por isso que se chama Vivendo os uns aos outros das Escrituras. Ele ajudará você a descobrir como compartilhar de maneira prática o amor de Deus com as pessoas na sua vida.
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O que Deus tem a ver com os seus relacionamentos? Amanhã Nancy DeMoss Wolgemuth nos aponta de volta para a sabedoria do livro de Eclesiastes para responder a essa pergunta.
Aguardamos você aqui no Aviva Nossos Corações, continuando a série O Poder de Relacionamentos.
O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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