Dia 10: O Evangelho no Salmo 119
Raquel Anderson: Nancy DeMoss Wolgemuth diz: “A religião é sobre os seres humanos tentando encontrar o caminho de volta para Deus, mas o Evangelho não é isso.”
Nancy DeMoss Wolgemuth: Nós não conseguimos encontrar o caminho de volta. Deus precisa nos buscar. Deus precisa nos restaurar. E a boa notícia do Evangelho é que Ele veio para buscar e salvar o que se havia perdido.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Mulheres Atraentes Adornadas por Cristo, na voz de Renata Santos.
Este é o episódio final da série chamada Aviva-me segundo a Tua Palavra. Tem sido uma jornada rica, não é? Aqui está Nancy.
Nancy: Algumas das leituras mais comoventes das Escrituras que já ouvi foram feitas por um homem chamado Max McLean, que tem formação em teatro.
Ele memoriza livros inteiros da Bíblia e depois …
Raquel Anderson: Nancy DeMoss Wolgemuth diz: “A religião é sobre os seres humanos tentando encontrar o caminho de volta para Deus, mas o Evangelho não é isso.”
Nancy DeMoss Wolgemuth: Nós não conseguimos encontrar o caminho de volta. Deus precisa nos buscar. Deus precisa nos restaurar. E a boa notícia do Evangelho é que Ele veio para buscar e salvar o que se havia perdido.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Mulheres Atraentes Adornadas por Cristo, na voz de Renata Santos.
Este é o episódio final da série chamada Aviva-me segundo a Tua Palavra. Tem sido uma jornada rica, não é? Aqui está Nancy.
Nancy: Algumas das leituras mais comoventes das Escrituras que já ouvi foram feitas por um homem chamado Max McLean, que tem formação em teatro.
Ele memoriza livros inteiros da Bíblia e depois os recita. Ele faz uma apresentação solo sobre o Evangelho de Marcos. Ele tem uma maneira incrível de ler as Escrituras.
É interessante, porque ele tem um coração tão voltado para a leitura da Palavra, e eu quis saber como a Palavra de Deus influenciou sua história. Há pouco tempo, li uma entrevista escrita com Max McLean. Perguntaram-lhe como ele se tornou cristão. Ele contou que cresceu em um lar cristão, mas que, na adolescência, rejeitou tudo o que tinha a ver com o cristianismo. Depois da faculdade, começou a namorar uma garota que era cristã. Ele disse:
Ela me apresentou a alguns de seus amigos que estudavam a Bíblia juntos. Senti-me compelido a participar de uma das reuniões, o que era incomum, já que normalmente eu não iria a algo assim. Na noite em que estive lá, havia um professor convidado. Lembro que o ensino em si não me envolveu tanto, mas fui imediatamente atraído pela passagem das Escrituras que estavam lendo. Acredito que era de Gálatas 1.
Lembro que as palavras do texto me atingiram com paixão e força. Nunca antes eu havia sido confrontado com o poder e a profundidade da Bíblia. A partir daquele momento, Deus começou a agir na minha vida e a me convencer do meu pecado. No começo, quis fugir, mas não consegui. Depois li o Evangelho de João de uma só vez. Enquanto lia, eu podia ver e sentir tudo na minha mente, como se Jesus fosse sair das páginas da Bíblia e me levar com Ele. Na crucificação, eu chorava. Mas depois das aparições da ressurreição, uma alegria inexplicável tomou conta do meu corpo. Eu sabia que essa história era verdadeira — e que minha vida jamais seria a mesma.
Isso é apenas uma ilustração do poder da Palavra de Deus. Eu me arrepio só de pensar no que a Palavra de Deus pode fazer — algo que nenhuma outra palavra na história é capaz de fazer. O poder da Palavra nos mostra nossa necessidade. Ela traz convicção. Mostra-nos que precisamos de um Salvador. E nos aponta para Cristo — assim como fez com Max McLean, como fez comigo quando eu tinha quatro anos, e como fez com você quando. . . Pense naquele momento em que a Palavra de Deus penetrou e atravessou o seu coração. Ela nos aponta para Cristo.
Isso é verdade em todas as Escrituras — não apenas no livro de Gálatas, não apenas no Evangelho de João, mas em toda a Bíblia, incluindo o Antigo Testamento. Há visões de Cristo, figuras de Cristo, tipos de Cristo. Vemos o coração de Cristo e o coração do Evangelho em muitas formas sombreadas no Antigo Testamento, que são então consumadas e cumpridas no Novo Testamento. Podemos enxergar isso com mais clareza depois da cruz.
Nas últimas semanas, temos estudado juntas o Salmo 119. É uma passagem do Antigo Testamento. Não é, de modo algum, uma explicação completa do Evangelho — para isso precisamos ir ao Novo Testamento. Mas, enquanto tenho refletido nesse texto, meditando nele, lendo repetidas vezes, tenho visto vislumbres de Cristo. Tenho visto vislumbres do Evangelho que antes eu não havia percebido ali.
Quero falar, nesta sessão — a sessão final desta série — sobre o Evangelho no Salmo 119: como vemos Cristo e como vemos o Evangelho. Deixe-me começar com o primeiro parágrafo. Vou lê-lo, e depois vamos conversar sobre como o Evangelho aparece nesta passagem.
Salmo 119, versículos 1 a 4:
Bem-aventurados os que trilham caminhos retos,
que andam na lei do Senhor.
Bem-aventurados os que guardam os seus testemunhos,
e o buscam de todo o coração;
os que não praticam iniquidade, mas andam nos seus caminhos.
Tu ordenaste os teus preceitos, para que sejam observados com diligência.
O ponto de partida onde vejo o Evangelho começar a ser apresentado no Salmo 119 é no estabelecimento da norma. Qual é o padrão santo e justo de Deus para nós? Santidade! Perfeição! Fala sobre ser irrepreensível, guardar Seus testemunhos, buscá-Lo de todo o coração, não praticar o mal, obedecer à Sua Palavra diligentemente. Perfeição.
Lembra-me de Mateus 5, versículo 48, no Sermão da Montanha, que diz: “Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu.” E então lemos essa grande abertura: “Bem-aventurados os que. . .” Pensamos: “Opa! Eu quero ser abençoada. Como posso ser abençoada?” “Bem-aventurados os irrepreensíveis”. Bem, isso não soa como um evangelho de boas notícias, mas é importante perceber que você não consegue compreender o Evangelho até perceber qual é o padrão de Deus, e o padrão de Deus é perfeição.
Ao longo do Salmo 119, vemos que o padrão de Deus, Sua lei, é justa. Não é injusto Ele dizer que você tem que ser perfeito. Sua lei é perfeita. Verso 137: “Justo és tu, SENHOR, e retos são os teus juízos”. Deus não só tem esse padrão de perfeição para nossas vidas, para a vida de cada ser humano, como Seu padrão é justo. É correto.
Agora, aqui está o problema. Não há como cumprir esse padrão. É impossível. Pense apenas no primeiro parágrafo que acabamos de ler: “Bem-aventurados os irrepreensíveis”. O problema é que, segundo a Palavra de Deus e nossa própria experiência (sabemos que é verdade), todos pecaram. Então, quem pode ser abençoado? Ninguém. Não por esse padrão. “Bem-aventurados os que andam na lei do Senhor.” O problema é que não andamos na lei do Senhor. Nós seguimos nosso próprio caminho; nós nos desviamos. “Bem-aventurados os que guardam Seus testemunhos.”
O problema é que somos todas transgressoras da lei; não guardamos Seus testemunhos. “Bem-aventurados os que O buscam de todo o coração.” Você pensa: “Uau, esses grandes homens de Deus nas Escrituras buscaram a Deus de todo o coração.” Mas as Escrituras dizem: “Ninguém busca a Deus, a não ser que Deus volte Seu coração para buscar por você.”
Não há nenhum justo, nem um sequer. Não há quem busque a Deus. Não há quem conheça a Deus. Todos nós nos desviamos. Bem, isso é um problema. Não podemos cumprir o padrão de Deus; é impossível. Então percebemos que fazer resoluções não é suficiente para atingir o padrão. Você pode fazer resoluções para sempre e ainda assim não guardar a Palavra de Deus. “Eu obedecerei, eu obedecerei, eu obedecerei.” Não conseguimos cumprir Seu padrão. Somos inclinadas a desobedecer à Palavra de Deus.
Ao longo dessa passagem, vemos o salmista dizendo: “Cumprirei os Teus decretos” (v. 8) como uma dessas resoluções. Ele diz: “Estou decidido.” O que ele está dizendo é: “Quero guardar os teus estatutos.” Mas o problema que aprendemos através das Escrituras é que não conseguimos guardá-los. Deixe-me dar algumas ilustrações de outras passagens.
Lembre-se do último capítulo do livro de Josué, Josué 24, começando no versículo 14. Josué diz ao povo de Israel, enquanto se preparavam para entrar na Terra Prometida, o povo da aliança de Deus:
Agora, pois, temam o SENHOR e o sirvam com integridade e com fidelidade. Joguem fora os deuses que os pais de vocês serviram do outro lado do Eufrates e no Egito e sirvam o SENHOR”. . . “Então o povo respondeu: Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses! Porque o SENHOR é o nosso Deus. Ele é quem nos tirou, a nós e aos nossos pais, da terra do Egito, da casa da servidão. Ele é quem fez estes grandes sinais aos nossos olhos e nos guardou por todo o caminho em que andamos e entre todos os povos pelo meio dos quais passamos. Portanto, nós também serviremos o SENHOR, pois ele é o nosso Deus.”
Então Josué disse ao povo: “Vocês não poderão servir o SENHOR porque é Deus santo”. . . “Não! O que queremos é servir o SENHOR.” (vv. 14, 16, 17, 19, 21)
Eles estavam decididos naquele momento. Assim como eu posso estar decidida neste momento a não pecar em alguns padrões da minha vida, mas o que acontece com essa decisão amanhã, quando estou cansada, vulnerável, fraca, e não mantenho meus olhos na Palavra de Deus? Minha decisão vai por água abaixo.
Algumas de vocês estavam decididas, intencionais, tinham a intenção de guardar a lei de Deus — amá-la, obedecê-la, meditar nela. Mas, como disse Josué: “Não podeis.” Isso é um problema. Fazer resoluções não é suficiente para atingir o padrão.
O apóstolo Paulo compreendeu isso em Romanos 7, começando no versículo 15:
Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. . . Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim [evidência de que é filho de Deus], mas não o realizá-lo. Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, esse faço.
Assim, encontro esta lei: quando quero fazer o bem, o mal reside em mim. [Alguém aqui sente o mesmo? Eu sinto.] Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. [Parece com o Salmo 119, não parece?] Mas vejo nos meus membros outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? (vv. 15, 18, 19, 21–24)
E a morte é o salário do pecado. Não podemos guardar a lei de Deus.
A lei dele é santa, boa e justa; é pura, mas não podemos guardá-la. Mesmo quando estamos decididas, não conseguimos guardá-la. Nós não a guardamos. Não podemos. Não somos capazes de servir ao Senhor. Somos falhas, e isso fica claro no Salmo 119. Ele fala sobre aqueles que estão longe da lei de Deus. Verso 155:
A salvação está longe dos ímpios, pois não procuram os teus decretos.
Somos falhas. E para tornar as más notícias ainda piores. . . Eu vou chegar às boas notícias, que é o Evangelho, as boas novas. Mas primeiro você precisa ouvir as más notícias. Aqui vai mais uma má notícia.
Sabe como diz no início do Salmo 119: “Bem-aventurados os irrepreensíveis”? Isso seria uma boa notícia, exceto se você não pode ser irrepreensível, então é má notícia. Aqui vai uma notícia ainda pior. Se você não é irrepreensível, além de não ser abençoada, você é amaldiçoada. O salário do pecado é a morte. Veja só, não podemos guardar a lei de Deus, e ainda por cima somos amaldiçoadas. Então, esse salmo que começou dizendo “Bem-aventurados os que são irrepreensíveis”, de que adianta isso? Como podemos ser abençoadas se não somos irrepreensíveis, não guardamos Sua lei, não andamos em Seus caminhos?
Verso 21 do Salmo 119 diz:
Tu repreendes os soberbos, os malditos, que se desviam dos teus mandamentos.
O pecado tem consequências, e essas consequências incluem separação de Deus agora e por toda a eternidade — ser repreendida por Deus.
Bem, o que precisamos lembrar é que Cristo é o único irrepreensível, Ele cumpriu perfeitamente a lei de Deus. Então, ao lermos esses versículos maravilhosos do Salmo 119 sobre ser irrepreensível, sobre andar nas leis e caminhos de Deus, estamos realmente vendo vislumbres de Cristo. Estamos vendo algumas pistas. Claro, o salmista não conhecia Cristo. Cristo ainda não havia vindo à terra. Mas, pela fé, esses escritores do Antigo Testamento olharam para Cristo e para a Sua cruz, e viram que Deus tinha um plano para a pecaminosidade do homem.
Na eternidade passada, Deus já tinha esse plano em mente, e Ele estava revelando isso. Mas parte do propósito da era do Antigo Testamento era para que as pessoas, inclusive nós, percebêssemos o quão perdidos estávamos sem Cristo, o quão impotentes estávamos, o quão desesperadamente precisávamos de um Salvador. Cristo é o único que pode cumprir a lei de Deus.
Hebreus 1 diz:
Mas, a respeito do Filho, diz: ‘O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de justiça é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros.’ (vv. 8–9)
Precisamos do poder divino e capacitador de Jesus. Ele é a nossa justiça; Ele é o único que cumpriu a lei de Deus.
Vou fazer apenas um pequeno parêntese antes de concluir o Evangelho no Salmo 119. Enquanto meditava nessa passagem nas últimas vinte e quatro horas, eu a li procurando cada versículo que descrevesse Cristo. Há muitos, muitos deles, mas deixe-me ler alguns para vocês, porque há versículos no Salmo 119 que realmente não poderiam ser totalmente verdadeiros para ninguém além de Jesus.
Quero que vocês vejam este retrato de Cristo no Salmo 119. Ele cumpriu perfeitamente cada resolução. O salmista fez todas essas resoluções: “Eu obedecerei, guardarei a Tua lei.” Jesus as cumpriu, e nisso vemos um retrato dele.
Mas há mais. Isso te lembra algum incidente da infância de Jesus quando você lê o verso 99, que diz: “Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos.” Isso não te faz pensar em Jesus no templo, aos doze anos, confundindo os mestres da lei?
Então, vemos muitos versículos no Salmo 119 que acredito serem uma imagem da perfeita obediência de Cristo:
Escolhi o caminho da fidelidade e decidi seguir os teus juízos. (v. 30)
Assim, observarei continuamente a tua lei, para todo o sempre. (v. 44)
Terei prazer nos teus mandamentos, os quais eu amo. (v. 47)
Apresso-me, não me demoro a praticar os teus mandamentos. (v. 60)
Não são essas coisas que Jesus poderia ter dito ao Pai? Será que nós poderíamos dizer isso perfeitamente? Não. Cristo poderia? Sim. De fato, uma das coisas no Salmo 119 que Jesus não poderia ter dito são os versículos onde o salmista fala sobre se desviar da lei de Deus. Porque Jesus nunca, nem por um momento — em pensamento, palavra ou ação — se desviou da lei de Deus. Ele obedecia perfeitamente. Ouça este versículo:
Levanto-me antes do amanhecer e clamo; na tua palavra, espero confiante. (v. 147)
Isso te lembra algo na vida de Cristo? Marcos 1, versículo 35, depois de um longo dia de ministério: “Tendo-se levantado de madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus saiu e foi para um lugar deserto, e ali orava.” Ele estava buscando Seu Pai. “Levantar-se antes do amanhecer e clamar por socorro.” É uma imagem de Cristo.
Quanto amo a tua lei! É a minha meditação todo o dia! (v. 97)
Consumida está a minha alma por desejar, incessantemente, os teus juízos. (v. 20)
Quem de nós pode dizer isso? Jesus podia.
Meus olhos vertem rios de lágrimas, porque os outros não guardam a tua lei. (v. 136)
Você se lembra quando Jesus chorou sobre Jerusalém? Quando Ele chorou sobre o túmulo de Lázaro, vendo as consequências do pecado e da morte. “Meus olhos vertem rios de lágrimas.” Quando leio isso, penso: eu não tenho esse tipo de coração, mas Jesus tem. É por isso que eu preciso dele.
O meu zelo me consome, porque os meus adversários se esquecem da tua palavra. (v. 139)
Isso lembra uma cena da vida de Jesus? A purificação do templo, expulsando os cambistas. “Meu zelo, zelo pela casa de meu Pai me consumiu.”
Já é tempo de entrar em ação, ó Senhor, pois a tua lei está sendo violada. (v. 126)
Você acha que Jesus talvez estivesse recitando essa Escritura para si mesmo enquanto purificava o templo? Eu não tenho esse tipo de zelo por Deus, mas Jesus tem.
Os teus decretos são motivo dos meus cânticos, na casa da minha peregrinação. Lembro-me, Senhor, do teu nome, durante a noite, e observo a tua lei. (vv. 54-55)
Consegue se lembrar de alguma noite em que Jesus cantou? A noite da Última Ceia, a noite em que Ele foi traído. Enquanto se dirigiam ao Getsêmani, cantaram um hino. Isso é significativo? Por que Deus inspirou a escrita desse pequeno detalhe? Porque Jesus estava cumprindo a antiga aliança. “Os teus decretos são motivo dos meus cânticos, na casa da minha peregrinação.”
Então pense na traição do Filho de Deus ao ler isto no Salmo 119.
Para mim abriram covas os soberbos, que não andam conforme a tua lei. (v. 85)
E então pense na paixão de Cristo, no julgamento de Cristo, quando você lê esses versículos no Salmo 119,
Laços de perversos me cercam, mas não me esqueço da tua lei. (v. 61)
Os soberbos têm forjado mentiras contra mim, mas eu guardo de todo o coração os teus preceitos. (v. 69)
Os ímpios me espreitam para me destruir, mas eu considero os teus testemunhos. (v. 95)
São muitos os meus perseguidores e os meus adversários, mas eu não me desvio dos teus testemunhos. (v. 157)
E ainda este verso do Salmo 119:
Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos. (v. 71)
Isso se aplica a Cristo? Que tal Hebreus 5, versículo 8, que diz que o Filho de Deus “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”? Queridas, isso é uma imagem, um retrato em muitos sentidos de Cristo. Mostra-nos Ele de uma maneira tão doce que, quando você conecta esta passagem ao Novo Testamento é de tirar o fôlego.
Todos os teus mandamentos são verdadeiros. Ajuda-me, pois sou perseguido injustamente. (v. 86)
Não poderia Ele ter pronunciado ou recitado essas palavras na cruz?
Tenho praticado juízo e justiça; não me entregues aos meus opressores. (v. 121)
Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Marcos 15.34)
Sobre mim vieram tribulação e angústia, mas os teus mandamentos são o meu prazer. (v. 143)
Vivifica-me, segundo a tua misericórdia, e guardarei os testemunhos que procedem de tua boca. (v. 88)
Isso não poderia estar antecipando a ressurreição?
Voltem-se para mim os que te temem e os que conhecem os teus testemunhos. (v. 79)
Aqueles que te temem se alegram quando me veem, porque na tua palavra tenho esperado. (v. 74)
Isso não se cumpriu em Cristo? Porque Ele firmemente esperava na palavra de Seu Pai. Nós que tememos o Seu nome o vemos e nos alegramos. Temos esperança porque temos esperança nele.
Bem, Cristo é o único que cumpriu totalmente a lei de Deus e obedeceu perfeitamente à Palavra de Deus. Vemos Seu retrato aqui e somos lembradas, ao vermos esses vislumbres, de como desesperadamente precisamos dele.
Neste salmo vemos que Deus tem grande misericórdia e compaixão. A palavra para misericórdia e compaixão neste salmo é uma palavra que, no hebraico do Antigo Testamento, está ligada à palavra para ventre. Tem a ver com um lugar seguro, um lugar protegido, um lugar de abrigo.
Venham sobre mim as tuas misericórdias, para que eu viva. (v. 77)
Muitas, SENHOR, são as tuas misericórdias; vivifica-me. (v. 156)
Deus tem grande misericórdia e compaixão pelos pecadores caídos. É por isso que Ele enviou Cristo a esta terra.
Sabemos que na cruz algo que o salmista não poderia saber, mas agora podemos olhar para trás e ver, é que na cruz Jesus suportou a maldição que nós merecíamos por violar a lei de Deus. Ele foi desamparado pelo Pai para que nós não precisássemos ser. Jesus poderia ter orado o versículo 8: “Cumprirei os teus decretos; não me desampares jamais.” Ele guardou os estatutos de Deus, mas Deus O desamparou naquele momento na cruz, enquanto Jesus tomou o lugar dos transgressores. Ele levou o meu pecado e o seu. É uma maravilhosa graça!
E então, talvez mais maravilhoso ainda, aqueles que estão em Cristo foram feitos irrepreensíveis diante de um Deus santo. “Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho.” Nós não podemos ser abençoadas porque nosso caminho não é irrepreensível. Jesus era irrepreensível. Ele foi abençoado. Ele é irrepreensível, mas tomou o lugar dos pecadores. Ele levou a nossa maldição para que pudéssemos ter Sua irrepreensibilidade, para que pudéssemos ser abençoadas.
E agora fomos feitas irrepreensíveis. Efésios 1 nos diz:
Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu, nele, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. (v. 4)
Maravilhosa graça. O Salmo 119 nos aponta para tudo isso.
Ao encerrarmos esta série, gostaria de chamar sua atenção para o último versículo do salmo, versículo 176:
Ando errante como ovelha perdida; procura o teu servo.
Mal consigo ler esse versículo sem sentir uma pontada de necessidade e convicção em meu próprio coração, porque penso nas muitas maneiras pelas quais me perdi, como uma ovelha perdida.
O verbo ali não indica apenas um desvio passado, mas que somos propensas a nos desviar, somos inclinadas a nos afastar, continuamos a nos perder. “Eu me perdi; continuo me perdendo como uma ovelha perdida. Busca a tua serva.”
É um reconhecimento da verdadeira condição do coração, da humildade. É uma confissão de pecado e de impotência. “Eu não posso me salvar. Preciso que Tu me busques; preciso que Tu me salves.” Não podemos nos resgatar; não podemos nos restaurar.
As ovelhas, ao contrário dos cachorros — sabe, o cachorro geralmente volta pra casa —, as ovelhas não voltam. Elas continuam se perdendo. O pastor é quem precisa ir buscá-las e trazê-las de volta. E é assim conosco. Não conseguimos encontrar o caminho de volta por conta própria.
Aliás, isso é exatamente o que a religião humana tenta fazer — o esforço do homem para encontrar o próprio caminho de volta. Mas nós não conseguimos. É Deus quem precisa nos buscar e nos restaurar. A boa notícia do Evangelho é que Ele veio buscar e salvar o que se havia perdido. Não é maravilhoso termos um Bom Pastor — o Grande Pastor — que sai para buscar Suas ovelhas perdidas e errantes?
“Ando errante como ovelha perdida; procura o teu servo, pois não me esqueço dos teus mandamentos” (v. 176). É um lembrete de que Deus vem até nós e nos busca por meio da Sua Palavra.
Tenho certeza de que há algumas pessoas ouvindo a minha voz hoje que estão vagando. Vocês se desviaram como ovelhas perdidas ou nunca tiveram um relacionamento com Cristo. Posso dizer a você hoje que a boa notícia do Evangelho de Jesus Cristo é que o Pastor deu a Sua vida para salvar a sua vida. Hoje é um dia em que você pode se arrepender do seu pecado, vir a Ele com fé e dizer: “Senhor, me perdi como ovelha perdida. Eu me afastei. Busca a tua serva.”
Mas sei que também estou falando com muitas que já foram resgatadas por Cristo; vocês têm relacionamento com Ele, mas hoje o seu coração está em um lugar de desvio. Deus usará Sua Palavra para buscar seu coração, para atraí-la de volta, para restaurá-la, para trazê-la de volta a um lugar seguro, de volta ao Pastor, de volta ao aprisco, de volta a Cristo.
Raquel: Nancy DeMoss Wolgemuth tem nos mostrado o Evangelho no Salmo 119. Essa mensagem conclui sua série chamada Aviva-me Segundo a Tua Palavra, baseada no Salmo 119. Espero que você tenha sido encorajada ao longo desta série e deste mês a apreciar, desfrutar e se deleitar na maravilhosa Palavra de Deus.
Crescemos na maravilha, não é mesmo? Não vem fácil no início. Mas quanto mais mergulhamos nosso coração nas Escrituras, quanto mais nos “marinamos” na Palavra, mais bela ela se torna para nós.
A conferência Mulher Verdadeira em outubro do ano passado foi sobre a Palavra. Foi um convite para Contemplar a Maravilha dela. Ouvimos palestrantes como o Pastor Kevin DeYoung.
Pastor Kevin DeYoung: A Bíblia me conhece melhor do que eu me conheço. A maior aplicação é que conhecemos melhor a Deus.
Raquel: Mary Kassian também esteve conosco.
Mary Kassian: Satanás é o mestre da enganação. Ele vai te usar, te abusar, roubar sua identidade e te deixar totalmente sem nada. Só a verdade pode te libertar do enganador que te mantém sob seu feitiço. A verdade que se encontra naquele que é o caminho, a verdade, a vida.
Raquel: E claro, ouvimos a Nancy DeMoss Wolgemuth.
Nancy: A verdade que nos liberta é uma Pessoa. Seu nome é Jesus. Ele vem para libertar os presos. Ele vem para secar toda lágrima e um dia redimir este mundo inteiro, caído e quebrado, quando tudo será restaurado, toda mentira será exposta. A verdade reinará, e Jesus reinará para todo o sempre.
Raquel: E Jackie Hill Perry.
Jackie Hill Perry: Não descobrimos quem somos olhando para nós mesmas. Descobrimos quem somos olhando e aprendendo daquele para quem fomos criadas.
Raquel: Kelly Needham.
Kelly Needham: A Palavra deve ser uma refeição. Não vivemos só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Se você tem filhos pequenos, como mães, sabe que a forma como você se alimenta muda quando se tem os pequeninos.
Frequentemente você come correndo ou come sobras enquanto alimenta seus filhos. Mas ainda assim seu corpo precisa se alimentar. Nossas almas precisam desse mesmo sustento. Você ainda precisa da Palavra!
Raquel: E eu (Dannah) também tive o privilégio de falar.
Tudo o que você pensa vai influenciar como você se sente. Maria escolheu pensar na Palavra de Deus. Agora, veja, ela estava tomando todo pensamento cativo quando escolheu pensar no que sabia sobre Deus, no que estava escrito sobre Deus, em submissão sincera.
Mas ela conhecia; ela conhecia a Palavra de Deus. Você precisa conhecer a Palavra de Deus para que, quando as emoções ruins surgirem, o que foi colocado em você ajude a revestir a verdade.
Encerramos assim esta série abençoada e estamos animadas para compartilhar a próxima série da semana que vem chamada Um lar ferido se tornou um lar aberto. Descubra quanta alegria pode preencher seus relacionamentos quando você está em paz com Deus e em harmonia com os outros.
Tenha um ótimo fim de semana, e aguardamos você aqui, no Aviva Nossos Corações.
O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
Clique aqui para o original em inglês.