Dia 1: Reconhecendo a Verdade
Raquel Anderson: Elizabeth Urbanowicz diz que pais, avós e professores têm coisas importantes para transmitir à próxima geração.
Elizabeth Urbanowicz: Queremos ajudar nossos filhos a perceber que a Palavra de Deus afirma ser verdadeira, e é nela que vamos construir nossas vidas. E quando olhamos para o mundo de Deus, vemos que ele está sempre em harmonia com a Palavra de Deus.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Mentiras em que as Mulheres Acreditam e a Verdade que as Liberta, na voz de Renata Santos.
Nancy DeMoss Wolgemuth: As crianças também precisam aprender a permanecer firmes mesmo quando é difícil? Com certeza! Creio que o coração de qualquer mãe ou pai que ama o Senhor se identifica com o apóstolo João, que escreveu: “Fiquei muito alegre por ter encontrado alguns de seus filhos que andam na verdade, de acordo …
Raquel Anderson: Elizabeth Urbanowicz diz que pais, avós e professores têm coisas importantes para transmitir à próxima geração.
Elizabeth Urbanowicz: Queremos ajudar nossos filhos a perceber que a Palavra de Deus afirma ser verdadeira, e é nela que vamos construir nossas vidas. E quando olhamos para o mundo de Deus, vemos que ele está sempre em harmonia com a Palavra de Deus.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, autora de Mentiras em que as Mulheres Acreditam e a Verdade que as Liberta, na voz de Renata Santos.
Nancy DeMoss Wolgemuth: As crianças também precisam aprender a permanecer firmes mesmo quando é difícil? Com certeza! Creio que o coração de qualquer mãe ou pai que ama o Senhor se identifica com o apóstolo João, que escreveu: “Fiquei muito alegre por ter encontrado alguns de seus filhos que andam na verdade, de acordo com o mandamento que recebemos do Pai.” (2 Jo. 1.4)
Pais, avós, tias, tios, professores — todos nós desejamos ver a próxima geração abraçar, viver e assumir o Evangelho em suas vidas. Nossa convidada de hoje compartilha esse mesmo chamado. Elizabeth Urbanowicz é autora, fundadora e CEO da Foundation Worldview (Base para a Cosmovisão, em tradução livre). Ela é apaixonada por capacitar os jovens a compreenderem a verdade da cosmovisão cristã.
Há pouco tempo, Elizabeth conversou com Dannah sobre como podemos ajudar nossos filhos a compreender melhor a verdade da Palavra de Deus. Aqui está Dannah, na voz de Raquel Anderson.
Dannah Gresh: Estou extremamente animada com a minha convidada de hoje! Recebi um e-mail da Nancy há algumas semanas que dizia: “O que você acha de entrevistar Elizabeth Urbanowicz?” E esse não é um nome que se ouve todo dia, amigas. Urbanowicz não é um sobrenome comum. Eu conhecia esse nome! Lembranças do meu passado vieram à minha mente.
Quando eu estava revisando meu primeiro livro, E a Noiva Vestiu Branco, quase dez anos atrás, Elizabeth me escreveu e compartilhou algumas coisas que estavam em seu coração sobre sexualidade e pureza. Desde então, ela está no meu radar.
Ela é uma estrela em ascensão. Fundadora da Foundation Worldview, um ministério americano que — ouçam isso — “fortalece a fé da criança para o futuro”. (Não precisamos disso já, agora mesmo?) Ela era professora de ensino fundamental em uma escola cristã, mas percebeu algo que a preocupou, e decidiu agir.
Bem-vinda ao Aviva Nossos Corações, Elizabeth.
Elizabeth: Ah, muito obrigada por me receber, Dannah. É muito emocionante para mim estar aqui com você.
Dannah: Vou te dizer, eu entrevisto muitas pessoas especiais e sempre fico animada, mas por você eu tenho um carinho ainda mais especial, pois acompanhei seu crescimento até se tornar uma líder e uma voz tão importante na nossa cultura. E agora você está desenvolvendo conteúdo para nossas crianças que considero de extrema importância.
O que você viu em sala de aula que a levou a deixar uma carreira que imagino ter sido um sonho de longa data — ser professora de ensino fundamental — para começar a Foundation Worldview? O que você viu?
Elizabeth: Sim! Bem, como você mencionou, comecei minha carreira profissional como professora do ensino fundamental em uma escola cristã, e eu amava ensinar meus alunos toda a verdade. Essa era a beleza de lecionar em uma escola cristã.
Mas fiquei muito confusa depois dos meus primeiros anos ali, porque percebi que meus alunos vinham de lares cristãos fortes, onde os pais eram intencionais no discipulado. Eles passavam mais de sete horas por dia sob a minha orientação, e como sou apaixonada por Deus e Sua Palavra, eu lhes oferecia uma educação fundamentada nas Escrituras. A maioria também estava envolvida em uma igreja local. Mas, quando se tratava de aplicar os ensinamentos da Bíblia em situações práticas do dia a dia, vi que havia enormes lacunas na capacidade deles de fazer isso.
Alguns exemplos vêm à mente. Uma tarde, depois do recreio, duas meninas entraram e disseram: “Miss U.”. . . porque Urbanowicz é um sobrenome difícil.
Dannah: (Rindo) Sim!
Elizabeth: Então elas me chamavam de Miss U. E disseram: “Miss U., fizemos uma dança no recreio. Podemos mostrar para você?”
E eu disse: “Claro!”
Elas me mostraram uma dancinha que criaram para uma música da Taylor Swift. Quando terminaram, falei: “Estou muito orgulhosa de vocês por usarem a criatividade que Deus deu. Mas quero que pensem um minuto sobre as palavras da música que acabaram de cantar.”
Eu disse: “Este ano, na aula de Bíblia, como aprendemos que Deus criou todos os seres humanos?”
Elas responderam de imediato: “À Sua imagem.”
E eu disse: “Isso mesmo. Agora pensem: as palavras que a Taylor Swift estava cantando sobre aquele garoto — ela estava tratando-o como alguém criado à imagem de Deus?”
Elas se entreolharam e disseram: “Não! Mas ela é cristã.”
E eu pensei: “Uau! Espera aí! Vamos conversar sobre isso.”
Elas sabiam de cor Gênesis 1.27, que Deus criou o ser humano à Sua imagem, mas quando se tratava da mídia que consumiam e deixavam influenciar suas vidas. . . não tinham filtro algum.
E então, em outra ocasião. . .
Dannah: Antes de você continuar, preciso dizer algo: você acabou de pisar no “território sagrado” de algumas pessoas, não é?
As “Swifties” - como são chamadas as fãs da Taylor Swift — ao redor do mundo ficam super empolgadas com tudo o que acontece na vida dessa mulher, mas aqui está o que quero dizer sobre letras de músicas em geral: existem pesquisas e dados incríveis, mesmo deixando de lado a questão da cosmovisão, que mostram que, se sua filha escuta música secular regularmente — e esse é o conteúdo que ela absorve — podemos rastrear conexões diretas com problemas como imagem corporal, raiva e violência.
Mas, no entanto, é como se fôssemos aquele sapo dentro da panela de água que está esquentando sem perceber. Agora, justiça seja feita: a Taylor Swift sabe compor uma música.
Elizabeth: Ela sabe, sim.
Dannah: As letras são cativantes. As melodias são fenomenais. Mas hoje queremos ser práticas.
Elizabeth: Isso mesmo.
Dannah: Então vamos falar de nomes reais, de coisas reais, porque nossos filhos estão acreditando em mentiras por causa daquilo em que estão focando e consumindo.
Elizabeth: Sim.
Dannah: E não estamos falando aqui de crianças de escolas públicas. Você ensinava em uma escola cristã. Eu sou fundadora de um colégio cristão. Eu amo a educação cristã. Mas hoje também é um alerta para nós, educadoras cristãs.
Certo, exemplo número dois. Pode falar. (Só precisei dizer isso porque você já mexeu com algumas áreas sensíveis, viu?)
Elizabeth: (risos) É verdade. Mas acho que o que você mencionou é muito importante. Aquilo em que deixamos nossos filhos mergulharem faz toda a diferença. Mas também precisamos pensar: como estamos preparando-os? Porque mesmo que alguma mãe ou avó que esteja nos ouvindo não permita que seus filhos escutem Taylor Swift, eles ainda vão ouvir essas músicas ao caminhar pela escola.
Dannah: Exatamente.
Elizabeth: Eles ainda vão ouvir na casa de amigos ou até no parquinho. Então, o que estamos fazendo? Primeiro, precisamos garantir que nossos filhos não estejam absorvendo esse tipo de coisa. Mas depois, como vamos prepará-los para avaliar aquilo que escutam? Para que, quando forem expostos, não apenas aceitem passivamente ou se deixem atrair, mas aprendam a avaliar criticamente.
E isso me leva ao meu segundo exemplo. Um dia, eu estava dando aula usando tecnologia. Usava um quadro digital, e o projetor deu problema. Eu havia aprendido que, antes de chamar o técnico, era bom tentar resolver sozinha, pois às vezes é simples. Então, passei uma tarefa para a turma e subi rapidamente em uma mesa para mexer nos cabos do projetor.Enquanto eu estava lá em cima, ouvi um dos meus alunos dizer: “Gente, isso está meio estressante. Acho que a gente deveria meditar para acalmar.”
Eu não lido bem com altura, e estava em cima da mesa, então precisei me equilibrar. Quando consegui olhar para baixo, metade da minha turma estava no chão, de pernas cruzadas, braços estendidos numa postura típica de meditação oriental.
E eu pensei: “Uau!” Desci rapidamente e disse: “Todo mundo de volta para os seus lugares. Precisamos conversar sobre o que acabou de acontecer. O que vocês estavam fazendo?”
Eles responderam: “Estávamos meditando.”
E eu disse: “Tá bom, vamos pensar nisso. O que vocês estavam tentando fazer com a mente de vocês?”
Eles responderam: “Deixar a mente vazia.”
E eu expliquei: “Essa não é a meditação de que a Palavra de Deus fala. Onde vocês aprenderam isso?”
Ficaram em silêncio. Depois descobri que tinham aprendido assistindo a alguns programas de TV. E eu pensei: “Estou aqui, ensinando apaixonadamente a Palavra de Deus todos os dias a crianças que crescem em lares cristãos, mas há uma grande desconexão.”
Dannah: É verdade.
Elizabeth: Então comecei a pesquisar mais. Descobri que, pela quantidade de informações a que nossas crianças estão expostas — mesmo quando limitamos tempo de tela e conteúdos — em apenas um ano de vida elas são expostas a mais ideias conflitantes do que a maioria das pessoas ao longo de toda a história.
Por isso precisamos treiná-las a fazer perguntas-chave, para que, sempre que ouvirem uma ideia — seja no parquinho, em um livro escolar, em um vídeo no TikTok, no YouTube ou no Disney Plus —, tenham condições de se perguntar: “Espera aí. O que acabei de ouvir? Isso é verdade ou não é? Como eu sei? Como isso se compara com o que a Palavra de Deus revela como verdade?”
Foi enxergar essa necessidade em minhas alunas e alunos que me levou a iniciar uma jornada. Pensei: “Quais materiais podem me ajudar a ensinar minhas crianças a pensarem desse jeito?” Procurei na internet por dias e semanas, e tudo o que encontrei era voltado para adolescentes do ensino médio em diante. Fiquei grata por esse material existir, porque é essencial. Precisamos ensinar jovens e universitários a pensarem bem.
Mas pensei: “Se essas crianças de oito e nove anos já estão com dificuldades agora, e esperarmos até que tenham dezesseis anos para ensiná-las a pensar criticamente, vamos perder sete ou oito anos preciosíssimos.”
Esse foi o início da minha jornada para começar a criar recursos que ajudem outras mães, educadoras e líderes de igreja a equiparem nossas crianças para pensar com discernimento.
Dannah: Duas coisas: primeiro, estou empolgada! Sinto que venho falando disso há muito tempo, como quem bate um tambor sozinha. E agora penso: “Tem outra percussionista! Louvado seja o Senhor, tem outra percussionista!”
Quero ressaltar algo: quando você disse que a maior parte dos recursos de cosmovisão são para ensino médio e universitários, a pesquisa realmente indica que muito da nossa cosmovisão já está formada por volta dos treze ou catorze anos. Isso não significa que o Senhor não possa intervir depois, claro.
Elizabeth: Exatamente.
Dannah: Isso não significa que não possamos conhecer a Cristo e ter uma mudança radical na nossa cosmovisão, mas, de modo geral, a maioria de nós morre acreditando naquilo que passou a crer ainda na adolescência. Eu costumo pensar nisso como estantes de livros. Temos estantes das nossas crenças, e cada estante tem uma etiqueta, como: Jesus é o Filho de Deus ou Jesus morreu por mim.
Talvez ainda não tenhamos todos os volumes nessas estantes, mas as prateleiras já estão lá, etiquetadas. E a pesquisa realmente indica que isso é verdade — até mesmo pesquisas seculares. O que você está fazendo com seu ministério é preencher essa lacuna, colocando a verdade antes que todas essas estantes sejam rotuladas, por assim dizer.
Elizabeth: Acho essa analogia maravilhosa. Eu amei a comparação com estantes de livros.
Dannah: Vamos voltar à palavra que você usou, mergulhar, quando falamos da primeira história, sobre aquilo que as meninas estavam absorvendo através da música. Depois você usou a palavra meditar no seu segundo exemplo. E, quando penso nessas palavras, lembro da palavra habitar.
As Escrituras nos dizem em tantos lugares para termos cuidado com aquilo em que escolhemos habitar. E mais: como diz o Salmo 91, “Você disse: "O Senhor é o meu refúgio. . ." — é nele que devemos habitar: em Cristo, no Evangelho, na Palavra, no Deus Altíssimo. "O Senhor é o meu refúgio. Você fez do Altíssimo a sua morada. Nenhum mal lhe sucederá, praga nenhuma chegará à sua tenda.” (vv. 9–10)
Quais são as pragas que estão chegando perto de nossos filhos? Qual é o mal que está atingindo nossas crianças porque as deixamos pensar como a cultura, em vez de pensar como Cristo?
Elizabeth: Sim. Essa é uma pergunta muito importante para refletirmos. Acho que há muitas respostas possíveis, mas uma que considero absolutamente fundamental é um conceito que raramente falamos com nossas crianças porque está amplamente exposto nas Escrituras, mas que a nossa cultura está constantemente minando.
E esse conceito é a verdade. Porque, se nossas crianças realmente estiverem habitando na Palavra de Deus — que é o que precisamos ensiná-las a fazer — mas, ao mesmo tempo, acreditarem sutilmente na mentira cultural de que a verdade muda de pessoa para pessoa, então não vão compreender que o fundamento sobre o qual estamos tentando construir suas vidas é, na realidade, a verdade para todos.
Alguns anos atrás, me mudei da região de Chicago para um estado do sul. Ao conhecer algumas mulheres da minha nova igreja, saí para caminhar com uma delas, que me disse: “Estou meio confusa sobre o que você faz. Pode me explicar?”
Expliquei, e ela respondeu: “Ah, que ótimo. Fico feliz que alguém esteja fazendo isso.” E acrescentou: “Mas meus filhos não precisam disso, porque estamos bem envolvidos na igreja, meus adolescentes participam de estudos bíblicos e fazemos devocionais em família.”
E eu disse: “Fico muito feliz em saber que vocês fazem tudo isso. Estão no caminho certo: vida ativa na igreja, filhos em estudos bíblicos, devocionais em casa. Mas quero te desafiar a fazer uma pergunta aos seus filhos (que na época tinham 12, 14 e 15 anos): ‘A verdade é verdadeira para todos, ou muda de pessoa para pessoa?’”
Ela topou. Chamou o filho mais velho, espiritualmente maduro, um garoto exemplar, do tipo que toda mãe gostaria de ter. E perguntou: “Filho, a verdade é verdadeira para todos, ou muda de pessoa para pessoa?”
E ele respondeu: “Bem, quando falamos de coisas como ciência, claro que a verdade é verdadeira para todos. A gravidade se aplica a todos.”
Ela suspirou aliviada. Mas, em seguida, ele acrescentou uma palavrinha de três letras: “Mas. . .” E contou-me que, nesse instante, o coração dela afundou. Ele continuou: “Mas quando falamos de religião, não. A Bíblia é verdadeira para mim porque sou cristão, e vocês sempre me ensinaram isso. Mas tenho amigos muçulmanos, e para eles a Bíblia não é verdadeira, o Alcorão é que é verdadeiro. Também tenho um ou dois colegas ateus na escola, e para eles a Bíblia não é verdadeira, porque para eles Deus não existe.”
Minha amiga ficou em choque: “Mas o que é isso?”
Por isso precisamos garantir que nossas crianças compreendam o conceito de verdade: que a verdade é aquilo que é real. Que a verdade é o que é real — e que Deus é a fonte da verdade. Que em Sua Palavra Ele nos revelou o que é verdadeiro.
Precisamos ajudá-las a distinguir entre uma afirmação que pode ser verdadeira ou falsa e uma afirmação que se baseia apenas em sentimentos. Porque a cultura está dizendo que a verdade muda de pessoa para pessoa, e que o melhor guia para a verdade são as emoções. Nossas emoções são como uma luz de advertência no painel do carro: úteis como alerta, mas péssimas como GPS, porque não conseguem nos conduzir a nada.
Esse é um dos enganos enfatizados pela nossa cultura, e é perigosíssimo porque sequer percebemos que está alcançando nossos filhos.
Então, acabamos pensando: “Minha filha já memorizou João 14.6: ‘Jesus disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.’” Mas, no fundo, o que elas estão absorvendo é: “Jesus é o caminho para algumas pessoas. Ele é a verdade para algumas pessoas. Ele é a vida para algumas pessoas.”
Queremos combater essa mentira para que nossas crianças compreendam: a verdade é aquilo que é real. Deus é a fonte da verdade, e meus sentimentos não são o melhor guia para a verdade. Porque, quando temos esse fundamento, podemos continuar construindo, tijolo por tijolo, sobre as verdades da Palavra de Deus, que é onde queremos que nossos filhos habitem.
Dannah: Ok, imagine uma vovó que está nos ouvindo agora e está com o coração pesado. Ela está pensando: “Minha neta está ouvindo músicas e inventando coreografias para me mostrar” ou “Se eu perguntar ao meu neto ‘O que é verdade?’, provavelmente ele vai responder como aquele menino: ‘Ah, é verdade se for ciência, mas não se for religião.’”
Que versículo bíblico nós podemos usar primeiro para fortalecer nossa própria mente, e depois para ensinar aos nossos filhos como evidência? Você já citou um: “Jesus disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Mas que outras passagens bíblicas realmente mostram que, segundo a Palavra de Deus, a verdade é a verdade para todos?
Elizabeth: Há muitas passagens onde Deus fala de Si mesmo, declarando o que é verdadeiro. Talvez eu erre algumas referências aqui, mas vou dizer como penso e depois vocês podem confirmar. Tenho certeza que está no Salmo 119, acredito que no versículo 160.
Em Salmo 119.160 está escrito: “As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio.” [Algumas versões dizem a soma das Tuas palavras]. Isso significa que o conjunto da Palavra de Deus é verdade. Podemos levar nossas crianças a esse texto e perguntar: “O que é em tudo? O que é soma numa conta de adição?” É quando juntamos dois números, qual é o total. “E o que isso nos diz sobre a Palavra de Deus?” Diz que, quando juntamos toda a Palavra de Deus, ela é o verdadeiro mapa da vida.
Queremos que nossos filhos saibam que é o próprio Deus quem afirma isso. Em Isaías 45.19, Deus diz: “. . .eu, o Senhor, falo a verdade e proclamo o que é direito.” Queremos que nossas crianças enxerguem que o próprio Deus afirma que Sua Palavra é verdadeira.
E, além disso, o que queremos ajudar nossos filhos a ver é que não estamos apenas dizendo: "A Bíblia é verdadeira, acredite nela". Agora, nós, que cremos, que somos cristãs, nos arrependemos dos nossos pecados. Nos afastamos do mal e confiamos em Jesus, e agora confiamos na Palavra de Deus como nosso fundamento. Não importa o que ela diga, se a entendemos totalmente ou apenas parcialmente, ou se estamos com dificuldade para entendê-la, depositamos nossa total confiança nela.
Às vezes, nossos filhos podem não ter chegado lá ainda. Mas, ainda assim, vamos ensiná-los a verdade e o que é certo. O que queremos ajudá-los a fazer é ajudá-los a ver que Deus não apenas afirma que Sua Palavra é verdadeira, mas que, quando investigamos as evidências ao nosso redor, elas consistentemente se alinham com a Palavra de Deus.
Por exemplo: quando pensamos sobre tudo o que está acontecendo em nossa cultura — vida, justiça, igualdade — uma avó pode perguntar ao neto: “Por que será que todo ser humano tem esse senso de que precisamos tratar uns aos outros com justiça?”
Se olharmos pela lente secular, a ideia de que estamos aqui por acidente, resultado de uma evolução cega e sem direção, não existe razão para que tenhamos valor. Não existe obrigação moral de tratar ninguém com bondade. No máximo, pode até ser útil para nós a longo prazo, mas não há uma base sólida para isso.
O que nos faz entender que precisamos tratar os outros com justiça é o fato de termos sido criados à imagem de Deus. E nenhuma outra cosmovisão possui uma doutrina que explique isso. Por isso precisamos mostrar às crianças que a Palavra de Deus afirma ser verdadeira.
E é sobre essa verdade que vamos construir nossas vidas. E, mesmo olhando para o mundo criado por Deus, vemos que ele está em perfeita harmonia com a Palavra de Deus. É essa confiança que queremos plantar no coração delas.
E para qualquer mãe ou avó que esteja ouvindo e pensando: “Já é tarde demais para mim. Não comecei nada disso. Meus filhos já são adolescentes, ou meus netos já têm doze, quatorze anos. É tarde demais.”
Como dissemos antes, Dannah, Deus é o Deus da redenção. Ele já realizou milagres muito maiores do que transformar um coração de pedra em um coração de carne. Nunca é tarde demais. Nunca. Devemos sempre orar por nossos filhos.
E, quanto às conversas, não devemos pensar que será algo rápido e resolvido de uma vez, como: “Vou ter uma conversa com meu filho de dezoito anos e ele vai se ajoelhar e entregar a vida a Jesus.” Maravilha, se assim acontecer, seria maravilhoso!
Mas, o que podemos fazer é colocar uma pedrinha no sapato deles. Essa pedrinha pode fazer com que hoje eles revirem os olhos, fiquem de mau humor, mas ela vai incomodá-los ao longo do caminho. E podemos orar para que um dia eles tirem o sapato, olhem para aquela pedrinha e pensem: “O que foi mesmo que minha avó disse? O que é que minha mãe vem tentando me ensinar há tantos anos?”
Eu deixaria essa palavra de encorajamento para qualquer pessoa que esteja ouvindo e pensando: “Já é tarde demais.” Nunca é tarde demais.
Dannah: Nunca é tarde demais. E use muitas perguntas! Antes de tudo, quero dizer: Elizabeth, eu queria que você fosse a professora dos meus filhos e netos no ensino fundamental, porque eu poderia ouvir o jeito como você fala com crianças o dia inteiro.
Mas percebo que, ao conversar com elas, você não apenas diz: “Isso não é verdade” ou “Essa não foi a melhor resposta.” Você faz perguntas. Qual é a importância de usarmos perguntas ao conversar com nossos filhos?
Elizabeth: Eu diria que é vital. Pense no ministério de Jesus. Sim, houve momentos em que Jesus pregou sermões. Ele pregou o Sermão da Montanha, fez o discurso no templo. Houve ocasiões em que Ele falou a verdade de forma direta às pessoas.
Mas pense em quantas vezes Ele fez perguntas. À mulher samaritana no poço, por exemplo, Ele fez perguntas para levá-la a refletir. Ele não chegou simplesmente dizendo: “Você está em adultério. Eu sou o Salvador do mundo. Você precisa de mim.” Não. Ele pediu água, pediu que chamasse o marido.
E, quando trabalhamos com nossos filhos, precisamos lembrar como Deus projetou a mente humana para aprender. A maioria de nós não retém melhor a informação só ouvindo algo. Precisamos viver, experimentar, interagir com o conteúdo.
Então, se apenas nos sentamos e dizemos ao nosso filho: “Isso está errado” quando ele fala uma mentira, ou quando escuta algo nocivo, pode até acontecer, de vez em quando, que ele responda: “Sério, mãe? Me explica por que está errado.” Mas, na maioria das vezes, isso só vai criar barreiras.
Por outro lado, se dissermos: “Hmm, isso é interessante. O que faz você pensar que isso é verdade?” ou “Por que isso é importante para você?” ou “Onde você ouviu isso?” ou “O que convenceu você de que isso é verdade?” — estamos transferindo para eles a responsabilidade de refletir com cuidado sobre o que acabaram de afirmar, de fazer ou de trazer para dentro de casa.
Podemos seguir o modelo de Jesus: usar perguntas para despertar o pensamento e levar as pessoas a conclusões. Por isso, eu diria que é muito importante fazermos isso.
Mas também quero encorajar quem está ouvindo: isso não acontece da noite para o dia. Você não sai de dar ordens para de repente só fazer perguntas. O meu conselho é: escolha uma pergunta que você possa usar de forma consistente com seus filhos.
Pode ser algo simples, como: “Onde você ouviu isso?” — apenas para colher mais informação. Ou: “O que convenceu você de que isso é verdade?”
Quando você começa a repetir essa mesma pergunta várias vezes, vai perceber que suas conversas vão ficando mais longas. E, com isso, surgirão mais oportunidades de fazer novas perguntas.
Nancy: Esse é um conselho tão valioso de Elizabeth Urbanowicz, conversando com Dannah Gresh, co-apresentadora do Aviva Nossos Corações.
Dannah: Agora quero pedir uma resposta de uma palavra só: qual você acha que é o tema mais importante que os pais precisam abordar com os filhos quando o assunto é cosmovisão? Onde você vê que o mundo está mais empenhado em doutrinar nossas crianças hoje? Qual o tema?
Elizabeth: Eu fiquei preocupada quando você disse “uma palavra só”, mas acho que essa é fácil. Sexualidade. Acho que a maioria das ouvintes concordaria: é por aí que o mundo mais tem atacado nossas crianças nos dias de hoje.
Dannah: Então você volta amanhã para falarmos sobre isso?
Elizabeth: Com certeza.
Raquel: Aguardamos você amanhã aqui, no Aviva Nossos Corações.
O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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