Dia 1: O perigo da decepção
Raquel Anderson: Trevin Wax é autor e blogueiro. Ele percebeu como muitos pregadores estão dizendo coisas não bíblicas sobre riqueza e prosperidade.
Trevin Wax: Eu acho que a ideia de que, se você faz as coisas certas, diz as coisas certas, acredita em Deus o suficiente, Ele vai te abençoar — é algo em que os cristãos da nossa sociedade caem com muita facilidade. Isso porque vai de encontro aos desejos que temos quando se trata de consumismo, riqueza, saúde e coisas assim.
Raquel: Mesmo aqueles que sabem o que é certo ainda podem cair nas armadilhas de pensamentos insensatos.
Trevin: Eles ainda vivem com a mentalidade de que Deus está aqui para me ajudar. Deus está aqui para me fazer feliz. Deus está aqui para satisfazer meus desejos mais profundos.
Raquel: Porque é fácil se desviar de um modo de pensar bíblico, precisamos aprender a …
Raquel Anderson: Trevin Wax é autor e blogueiro. Ele percebeu como muitos pregadores estão dizendo coisas não bíblicas sobre riqueza e prosperidade.
Trevin Wax: Eu acho que a ideia de que, se você faz as coisas certas, diz as coisas certas, acredita em Deus o suficiente, Ele vai te abençoar — é algo em que os cristãos da nossa sociedade caem com muita facilidade. Isso porque vai de encontro aos desejos que temos quando se trata de consumismo, riqueza, saúde e coisas assim.
Raquel: Mesmo aqueles que sabem o que é certo ainda podem cair nas armadilhas de pensamentos insensatos.
Trevin: Eles ainda vivem com a mentalidade de que Deus está aqui para me ajudar. Deus está aqui para me fazer feliz. Deus está aqui para satisfazer meus desejos mais profundos.
Raquel: Porque é fácil se desviar de um modo de pensar bíblico, precisamos aprender a refletir sobre essas coisas.
Trevin: Precisamos ser um povo que discerne o tempo e que também é discernente quanto à interpretação bíblica e quanto à nossa tarefa missionária como povo de Deus, chamado para fazer discípulos no mundo.
Não podemos realmente fazer isso a menos que ouçamos as pessoas que estão diante de nós, até vermos quais são suas objeções ao cristianismo, para então respondê-las. Precisamos ter discernimento o suficiente para saber como não ser levados por algumas das correntes culturais do nosso tempo que poderiam facilmente nos arrastar.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações com Nancy DeMoss Wolgemuth, na voz de Renata Santos.
Começamos hoje a série chamada Discernindo a verdade em um mundo de engano.
Nancy DeMoss Wolgemuth: Um dos eventos mais importantes da mitologia grega foi a Guerra de Troia, que, como você deve lembrar, foi uma guerra lendária travada pelos gregos contra a lendária cidade de Troia.
Isso aconteceu por volta de 1200 — bem, na verdade, não aconteceu de verdade. Mas, na mitologia grega, teria acontecido por volta de 1200 a.C. Os gregos cercaram a cidade de Troia por quase dez anos, mas não conseguiram conquistá-la.
Finalmente, desesperados, os gregos construíram um enorme cavalo de madeira e o deixaram do lado de fora das muralhas da cidade. Você talvez já tenha visto imagens disso. Era gigantesco. Eles o deixaram, aparentemente, como uma oferta de paz, e então fingiram ter ido embora. Havia dois personagens mitológicos na história que advertiram os troianos a não aceitarem o cavalo dos gregos.
Na verdade, um deles disse uma frase da qual vem o ditado “Presente de Grego.” É daí que vem essa expressão. Então houve avisos: “Não aceitem o cavalo.” Mas havia um espião grego que convenceu os troianos de que o cavalo era realmente um presente.
Os troianos ignoraram os avisos e arrastaram o cavalo para dentro das muralhas da cidade, e então fizeram uma grande celebração de vitória. Mas aconteceu que o cavalo era oco, e dentro dele havia soldados gregos escondidos.
Enquanto a cidade estava em um estado de embriaguez, achando que havia vencido os gregos, os soldados inimigos — os gregos — saíram de dentro do cavalo de madeira. Eles abriram os portões da cidade para os exércitos gregos que estavam do lado de fora das muralhas e permitiram que os gregos entrassem e capturassem a cidade.
Todos os homens foram mortos. As mulheres e as crianças foram levadas como escravas. A cidade foi incendiada. Assim, o termo “cavalo de Troia” passou a se referir a algo que parece ser um presente, mas não é — uma pessoa ou coisa que aparenta ser inocente ou inofensiva, mas que, na verdade, tem uma intenção maligna e é muito perigosa.
Não preciso dizer que há uma guerra acontecendo em nossa cultura, em nosso mundo hoje. Muitos de nossos corações, lares e igrejas estão sendo invadidos, em alguns casos saqueados, por meio de certos “cavalos de Troia” — coisas que parecem presentes, mas não são. Elas carregam em si os meios da nossa destruição.
A cidade de Troia, como tenho lido sobre ela, é uma figura de muitas de nossas mentes e corações, porque a batalha realmente acontece em nossa mente. O que pensamos determina quem somos e como vivemos. O que algumas de nós não percebem é que temos um inimigo.
Sabemos disso intelectualmente, mas não percebemos o quanto esse inimigo trabalha incessantemente, incansavelmente, para capturar nossos corações, nossas mentes e nossos relacionamentos.
O inimigo tem um objetivo que não é nada menos do que conquistar e controlar nossas vidas. Estamos falando da sua vida, da sua, da sua, e da minha vida. Ele nunca desiste nesse esforço de enganar e controlar — ele mantém o cerco constantemente. Ele não vai embora.
Muitas vezes, ele nem precisa usar força para nos conquistar. Frequentemente, ele usa meios sutis e enganosos. Porque, se ele viesse de formas óbvias, reconheceríamos suas tentativas e resistiríamos a elas.
Então ele se infiltra em nossas vidas, em nossos pensamentos, em nossa cultura, usando meios enganosos e sutis — que às vezes vêm disfarçados de presentes, coisas que achamos que serão boas para nós, que achamos que serão úteis, que achamos que serão bênçãos — e acabam sendo muito, muito perigosas, algo que nos causa dano.
O engano é um dos principais meios, uma das principais armas do nosso inimigo. Ele usa o engano, assim como os gregos usaram com os troianos, para nos atrair, nos prender e conseguir entrada na fortaleza dos nossos corações — e às vezes ele faz isso sem nem disparar um tiro.
A questão é que somos nós que abrimos a porta e deixamos o inimigo entrar. Tenho ficado muito preocupada, nos últimos anos, ao ouvir mulheres que acompanham o Aviva Nossos Corações falarem sobre o quanto tantas mulheres hoje — inclusive muitas em nossas igrejas evangélicas — estão sendo enganadas.
Então, meu objetivo nesta nova série é explorar a questão do engano e do discernimento. Na verdade, eu nem deveria dizer “a questão como um todo”, porque, ao estudar para preparar esta série, percebi que esse é um assunto muito maior do que conseguiremos abordar em alguns dias.
Portanto, vou apenas tocar na superfície. Mas quero fazer você pensar. Me fez pensar — avaliar como o inimigo trabalha, como o engano atua, como acabamos acreditando no engano e quais são algumas das áreas em que estamos sendo enganadas hoje.
Existem muitas, muitas, muitas delas. E de forma alguma abordaremos todas. A primeira metade desta série será sobre a natureza do engano e algumas das áreas em que ele atua.
Depois, quero mudar o foco e falar sobre a questão do discernimento. Como reconhecemos o engano? Como desenvolvemos o discernimento para não cairmos nas armadilhas do engano?
Há uma história à qual quero que abramos nossas Bíblias em apenas um momento — outro “cavalo de Troia”, mas esta é uma história verdadeira. Ela aconteceu milhares de anos antes da lendária Guerra de Troia. Refiro-me à passagem em Gênesis capítulo 3. Se possivel, nos acompanhe com a sua Bíblia.
Quero olhar para a história do que foi realmente o primeiro “cavalo de Troia”. Ele não foi chamado assim, mas é isso que ele era. Gênesis capítulo 3. É aqui que temos o primeiro vislumbre de como o engano funciona e como o inimigo atua para sabotar, controlar e capturar nossos corações.
Em Gênesis 1 e 2, vemos como Deus cria os céus e a terra, cria os animais, a vegetação, depois o homem e a mulher e o primeiro casamento. Tudo em Gênesis 1 e 2 é bonito, bom, abençoado. Há todas essas palavras positivas sobre o que Deus fez.
Tudo é um reflexo de quem Ele é. Então chegamos ao capítulo 3, versículo 1, e algo chocante entra em cena. Tivemos verdade, beleza, vida, relacionamento, comunhão — tantas coisas boas e abençoadas nos dois primeiros capítulos.
Agora chegamos ao capítulo 3, e de repente tudo se inverte. O que muda é a entrada da serpente: versículo 1 de Gênesis capítulo 3: “Mas a serpente, mais astuta. . .” Essa palavra pode significar sagaz, ardilosa, sutil “. . .que todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito.”
“E disse à mulher” — agora, sabemos que havia um homem e uma mulher, mas a quem ela se dirige? À mulher. Sabemos, mais adiante, que o homem estava com ela naquele momento. O que ele estava fazendo? Não sabemos. Aparentemente, nada.
O inimigo é intencional, neste caso e em muitos outros, em ir atrás da mulher, escolhendo-a para conversar. “Disse à mulher: ‘É verdade que Deus disse: "Não comam do fruto de nenhuma árvore do jardim"?
Poderíamos analisar por que ele disse isso — o que estava sugerindo, o que ele quis dizer — mas o ponto principal é que ele levantou uma dúvida sobre a Palavra de Deus. “Deus disse mesmo. . .?” Será que Deus realmente disse? Penso em todas as coisas da Palavra de Deus que hoje são questionadas, coisas difíceis de acreditar:
- Será que Deus realmente disse que Jesus é o único caminho para o Pai?
- Será que Deus realmente disse que os que rejeitam Cristo sofrerão juízo eterno em um lago de fogo real?
- Será que Deus realmente disse que o casamento é uma aliança permanente, vitalícia, entre um homem e uma mulher, independentemente do que as cortes supremas possam decidir em contrário?
- Será que Deus realmente disse que o sexo é belo no casamento, mas não deve ser praticado fora dele?
Será que Deus realmente disse? Isso parece tão estranho, tão antiquado, tão injusto, tão limitado, tão exclusivo.
- Será que Deus realmente disse: “Esposas, respeitem e sujeitem-se a seus maridos”? De que país você é? De que geração, de que século você vem? Este é o século XXI! Caia na real! Será que Deus realmente disse isso?
- Será que Deus realmente disse que, se alguém pecar contra você, você deve perdoá-lo?
- Será que Deus realmente disse: “Não processe seu irmão em Cristo, resolva fora dos tribunais”?
- Será que Deus realmente disse que você não pode afirmar ser cristã e, ao mesmo tempo, se apegar a um pecado secreto?
Será que Deus realmente disse? Vemos a Palavra e a autoridade de Deus sendo questionadas em toda parte.
A mulher respondeu, no versículo 2, à serpente:
— Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim [e como se chamava essa árvore, aliás? A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal], Deus disse: "Vocês não devem comer dele, nem tocar nele [o que, aliás, Deus não havia dito], para que não venham a morrer [Isso, sim, Deus havia dito] . Então a serpente disse à mulher: É certo que vocês não morrerão.”
Mais uma vez, aqui temos uma contradição direta à Palavra de Deus. Deus pode ter dito isso, mas Ele está errado. Não vai acontecer. Você não vai morrer.
Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerem, os olhos de vocês se abrirão e, como Deus, vocês serão conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e a árvore desejável para dar entendimento. . .
Isso me faz lembrar daquela velha frase: “Como pode ser errado se parece tão certo?” Era boa para comer, agradável aos olhos e desejável para adquirir sabedoria.
. . .tomou do seu fruto e comeu; e deu também ao marido, e ele comeu. (Gn. 3.1–6)
Temos aqui uma situação em que esse “cavalo de Troia” — um presente, ou pelo menos algo que parece ser um presente — surge diante de nós. Ele parece bom. Parece tão certo. Parece útil, agradável, bonito. Era realmente belo. Parece algo que vai abençoar você, que vai trazer benefícios, conhecimento, que vai elevá-la. “Você pode ser como Deus.”
Tudo isso apela ao orgulho, aos desejos da carne e à soberba da vida. Parece tão certo. Então ouvimos ecoar aquelas palavras de Provérbios 14.12: “Há caminho que ao ser humano parece direito, mas o fim dele é caminho de morte.”
Não foi isso o que Deus disse? “No dia em que dele comeres, certamente morrerás.” O que o inimigo — a serpente — apresentou como uma proibição injusta e irracional, Deus sabia que, na verdade, era para o bem de Adão e Eva. Era uma proteção. Era para o bem deles. Era para a bênção deles.
Mas veio um inimigo e trocou as etiquetas de preço, desafiou a Palavra de Deus e promoveu algo que parecia um presente.
E, claro, quando abriram aquele “presente”, descobriram que ele estava cheio de tropas inimigas, que invadiram e capturaram seus corações e mentes, seu casamento, sua cidade. Foram expulsos do jardim, viram o Éden saqueado e passaram a viver todas as consequências do pecado que ainda experimentamos até hoje.
Isso nos ensina algo importante sobre o engano: ele parece valioso. Parece bom. Parece saudável. Parece algo que vai nos fazer felizes. Eles ignoraram o aviso de Deus, assim como os troianos ignoraram os avisos que receberam.
Eles ouviram o inimigo. Deus havia dito: “Certamente morrerás.” Mas eles acreditaram no inimigo em vez de em Deus.
O versículo 7 diz: “Então os olhos de ambos se abriram; e, percebendo que estavam nus.”
Eles obtiveram conhecimento do bem e do mal — mas Deus nunca quis que conhecessem o mal de forma prática, que o conhecessem “na pele”. Eles deveriam ter confiado na Palavra de Deus. Mas provaram, e sentiram o gosto amargo do fruto. Morderam aquele fruto e descobriram que estava cheio de vermes. Era um cavalo de Troia. Não era um presente verdadeiro — parecia ser, mas estava cheio do inimigo.
Agora veja o versículo 13 de Gênesis 3:
Então o Senhor Deus disse à mulher: — Que é isso que você fez? A mulher respondeu: — A serpente me enganou, e eu comi.
Essa é, de certa forma, a confissão de toda mulher desde aquele dia até hoje. A verdade é que a serpente não enganou apenas Eva — ela também nos enganou, e nós comemos. Pensamos que era um presente, e fomos enganadas. Comemos do fruto.
Sabemos que a serpente é Satanás, que naquele momento se manifestou por meio de um animal. Hoje ele não aparece como uma serpente, mas a serpente se tornou um símbolo do que ele realmente é — o supremo enganador.
Apocalipse 12.9 deixa isso bem claro, caso haja alguma dúvida: fala do “grande dragão”, que vem para enganar o mundo. “E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo.”
Jesus disse que ele fala a língua da mentira.
Essa é a sua linguagem. Sua língua nativa é a mentira, o engano — e ele engana o mundo inteiro.
Desde Gênesis 3, quando a serpente (Satanás) enganou a mulher, até quase o final do livro de Apocalipse, onde Satanás engana as nações, ele aparece sempre nesse papel: o enganador.
Ele engana. Ele prepara o engano. E faz isso de maneiras que a maioria das pessoas nem reconhece. Ele é incansável.
Em Apocalipse 20 — eu tenho meditado e memorizado trechos desse livro — vemos que, depois de enganar milhões durante a grande tribulação, Satanás é preso no abismo por mil anos.
E então, lemos em Apocalipse 20.7–8: “Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra.”
Mesmo depois de mil anos preso no abismo, tendo tempo para refletir sobre tudo o que fez — sobre a bondade de Deus que rejeitou e as pessoas que arrastou para o julgamento —, ele é solto e. . . o que faz? Sai para enganar as nações.
Depois disso, ele é lançado no lago de fogo, onde será atormentado para sempre. Ele não enganará para sempre — mas até lá, ele é incansável, incessante, sem descanso em sua missão de enganar o povo de Deus e o mundo.
Seria fácil simplesmente culpar Satanás e dizer que o motivo pelo qual caímos no engano é porque há um enganador — e de fato há. Satanás é um enganador. Ele é Satanás. Mas não podemos culpar Satanás. Ele é um enganador, ativo e operando o engano de muitas formas em nossas vidas. Mas a verdade é que também somos responsáveis. Temos nossa parcela de culpa. Temos responsabilidade nisso.
Quero que você olhe comigo para uma passagem em 2 Tessalonicenses, capítulo 2, que nos ajuda a entender isso. Nos versículos 1 e 2, o apóstolo Paulo diz:
Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, pedimos que vocês não se deixem demover facilmente de seu modo de pensar, nem fiquem perturbados, quer por espírito, quer por palavra, quer por carta, como se procedesse de nós, dando a entender que o Dia do Senhor já chegou.
O motivo de eu trazer essa passagem não é discutir quando essas coisas vão acontecer, nem entrar em detalhes de escatologia.
O ponto aqui é que Paulo estava tratando de erro doutrinário. Havia, em seus dias, ensinamentos falsos circulando — distorções de verdades centrais da fé cristã —, e esses ensinamentos pareciam autênticos.
Eram “um espírito”, “uma palavra falada”, “uma carta que parecia vir dos apóstolos”. E o efeito era abalar a fé das pessoas, deixá-las confusas, perturbadas, abaladas em sua mente, porque a mensagem era um pouco diferente do que haviam aprendido.
Paulo continua no versículo 3: “Ninguém, de modo nenhum, os engane. . .” Mesmo que pareça vir de nós, ele diz, se não for o que ensinamos a vocês como Palavra de Deus, não se deixem enganar.
O que Paulo está dizendo aos tessalonicenses — e a nós — é que somos responsáveis por conhecer a verdade. Somos responsáveis por guardar nosso coração e nossa mente do engano. A maneira de ser protegida do engano é conhecer a verdade, revelada na Palavra de Deus.
Você não aprende sobre engano saindo por aí procurando enganos. Você aprende mergulhando na verdade, sendo saturada pela Palavra de Deus, de modo que, quando o engano aparecer, você possa perceber que ele não se alinha com a verdade.
Paulo prossegue, ainda no versículo 3:
. . .porque isto [o dia que vocês ouviram dizer que já veio, o Dia do Senhor, a volta de Cristo] não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição.
Esse é um ensino complexo, e não vou entrar em detalhes aqui. O ponto de Paulo é: a maneira de se proteger do engano é saber o que Deus diz. Ele está dizendo: “Vou lhes dizer o que Deus disse; é isso que precisa acontecer antes daquele dia.”
Mais adiante, em 2 Tessalonicenses 2.9, lemos: “Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a ação de Satanás, com todo poder, sinais e prodígios da mentira.”
O engano é poderoso — e muitas vezes impressionante. Ele vem acompanhado de sinais, de maravilhas, de aparentes milagres, de manifestações sobrenaturais. É persuasivo. É convincente. E muitas pessoas o seguem, porque ele parece tão poderoso.
Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a ação de Satanás, com todo poder, sinais e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que estão perecendo, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. (2Ts. 2.9–10)
As pessoas que perecem — que acabam separadas de Cristo por toda a eternidade — não podem dizer: “Ah, eu fui enganada, eu não sabia.” As Escrituras dizem: sim, elas foram enganadas, mas se recusaram a amar a verdade. É por isso que foram enganadas.
Elas poderiam ter sido salvas, se tivessem amado e abraçado a verdade. Mas não quiseram. Rejeitaram a verdade — e por isso foram enganadas.
É por este motivo que Deus lhes envia a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça. (vv. 11–12)
Quando as pessoas rejeitam a verdade e se recusam a se submeter a ela, Deus as julga entregando-as à ilusão, permitindo que sejam enganadas. E o enganador, o instrumento de engano, é Satanás, que age como instrumento do próprio juízo de Deus sobre aqueles que dizem “não” à verdade.
É como se Deus dissesse: “Você não quer acreditar na verdade? Então, tudo bem — acredite na mentira.” E envia Satanás para enganá-los.
Então, quem é responsável? Satanás é o enganador, sim — mas os enganados também são responsáveis, porque se recusaram a amar a verdade. É por isso que Deus os entregou ao engano.
A razão pela qual as pessoas não acreditam na verdade é que têm prazer na injustiça, como as Escrituras dizem. Pense, por exemplo, no ateísmo hoje — uma filosofia tão difundida, com livros que se tornam grandes best-sellers.
Não existe Deus. As Escrituras já disseram: “Diz o insensato no seu coração: "Não há Deus" (Sl. 14.1). Essa palavra “insensato” não significa alguém intelectualmente limitado, mas alguém moralmente corrompido.
Essas pessoas querem viver do jeito que desejam, de acordo com os impulsos da carne. Se admitirem que existe um Deus, terão de prestar contas a Ele. Mas não querem ser responsáveis diante de Deus — então dizem: “Não existe Deus.”
Elas sabem, no fundo do coração, que Deus existe — mas rejeitam a verdade. Recusam-se a amar a verdade e insistem em acreditar que não há Deus, para poderem viver do jeito que desejam.
Então, qual é o ponto? Sim, existe um enganador, e sim, nós somos enganadas. Nosso mundo vive em engano — mas a razão disso é que amamos o engano. Não amamos a verdade. O mundo prefere as trevas à luz, porque suas obras são más.
Deus considera responsáveis aqueles que são enganados, por terem sido enganados. Portanto, ninguém poderá dizer: “Não foi culpa minha. Deus não foi justo.”
Deus dirá: “Não. Você rejeitou a verdade. Eu o entreguei à ilusão.”
Nos próximos dias, queremos ver como isso se aplica a nós, que cremos em Cristo — e como até mesmo aquelas de nós que conhecem e amam a verdade podem, às vezes, ser enganadas.
Raquel: Nancy DeMoss Wolgemuth tem nos ajudado a aprender a reconhecer o engano e aplicar discernimento às mensagens que ouvimos. Isso é algo essencial para nós, que enfrentamos uma enxurrada de informações todos os dias.
Eu realmente quero que isso vá além de um simples tema de um programa que eu ouço e logo esqueço. Eu preciso fazer do discernimento uma parte da minha vida. E Nancy está aqui para nos ajudar a fazer exatamente isso.
Nancy: Bem, espero que o programa de hoje — e toda esta série — seja apenas o primeiro passo para ajudá-la a reconhecer a verdade e evitar mensagens falsas.
Para ajudá-la a crescer em discernimento, quero incentivá-la a obter um exemplar do livro de Tim Challies, chamado Discernimento Espiritual.
Tim Challies é um grande amigo do ministério Aviva Nossos Corações e escreveu um livro chamado Discernimento Espiritual, disponível em português.
Ele escolheu escrever seu primeiro livro sobre o tema do discernimento — um assunto tão importante e, no entanto, tão frequentemente negligenciado.
O livro de Tim foi muito útil para mim em meus próprios estudos e na preparação desta série. Ele oferece uma compreensão bíblica do discernimento e mostra como praticá-lo no dia a dia, enquanto enfrentamos mensagens confusas.
Temos grandes oportunidades de ministério à nossa frente. Cada vez mais mulheres estão famintas pela verdade e acessando nosso conteúdo online.
Estamos desenvolvendo novas mensagens e novas formas de alcançar mulheres por meio de dispositivos móveis e da internet. Quando essas mulheres buscarem respostas para os problemas mais difíceis da vida, queremos estar lá — oferecendo a verdade.
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Um dos problemas das mensagens falsas é que elas soam tão verdadeiras. Nancy vai falar sobre isso amanhã. Aguardamos você aqui, no Aviva Nossos Corações.
O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
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