Cruzando a linha de chegada – Em memória de Robert Wolgemuth
Raquel Anderson: Robert Wolgemuth queria ajudar as pessoas a pensarem de forma intencional sobre o fim de suas vidas.
Robert Wolgemuth: Então, imagine a gente sentado naquele seu café favorito. Vamos conversar sobre algo que você provavelmente não quer conversar. Pronto? Você vai morrer. Um dia, seu coração vai dar a última batida. Você vai fechar os olhos, e pronto. . . acabou. E eu também vou morrer.
Raquel: Robert queria ajudar as pessoas a se prepararem para a eternidade, então ele escreveu um livro chamado Finish Line (linha de chegada, em tradução livre).
Robert: Fui inspirado a escrever esse livro após acompanhar minha esposa, com quem fui casado por quase quarenta e cinco anos, a entrar lentamente no céu. Ela foi uma guerreira — uma guerreira corajosa.
E, por causa da maneira como ela morreu, o meu próprio medo de enfrentar a minha morte …
Raquel Anderson: Robert Wolgemuth queria ajudar as pessoas a pensarem de forma intencional sobre o fim de suas vidas.
Robert Wolgemuth: Então, imagine a gente sentado naquele seu café favorito. Vamos conversar sobre algo que você provavelmente não quer conversar. Pronto? Você vai morrer. Um dia, seu coração vai dar a última batida. Você vai fechar os olhos, e pronto. . . acabou. E eu também vou morrer.
Raquel: Robert queria ajudar as pessoas a se prepararem para a eternidade, então ele escreveu um livro chamado Finish Line (linha de chegada, em tradução livre).
Robert: Fui inspirado a escrever esse livro após acompanhar minha esposa, com quem fui casado por quase quarenta e cinco anos, a entrar lentamente no céu. Ela foi uma guerreira — uma guerreira corajosa.
E, por causa da maneira como ela morreu, o meu próprio medo de enfrentar a minha morte simplesmente foi embora. De verdade. Eu acredito que o mesmo pode acontecer com você.
Raquel: Este é o Aviva Nossos Corações, com Nancy DeMoss Wolgemuth, coautora do livro Deixe Deus escrever a sua história.
Bom, amiga, eu preciso começar com uma notícia de partir o coração. Nosso amigo, o marido da Nancy, Robert Wolgemuth, foi para casa estar com o Senhor no sábado, dia 10 de janeiro. Ele foi internado na véspera de Natal de 2025. Nancy contou aos amigos que o Salmo 118.24 estava em seu coração naquele dia. O versículo diz: “Este é o dia que o Senhor fez; exultemos e alegremo-nos nele.” E Nancy realmente continuou se alegrando no Senhor, mesmo em meio aos altos e baixos do tratamento do Robert. Ela continuou assinando suas mensagens com aquela frase que você já a ouviu dizer tantas vezes: “O Céu Reina.”
Robert foi casado com Bobbie Wolgemuth por quarenta e quatro anos. Eles tiveram duas filhas, Missy e Julie. Em 2015, Robert se casou com Nancy Leigh DeMoss.
Para saber mais e assistir a um vídeo sobre o namoro e o belo casamento de Robert e Nancy, você pode visitar o nosso site avivanossoscoracoes.com. Vamos deixar o link para esse vídeo na transcrição deste programa.
Tenho certeza de que teremos mais homenagens ao Robert nos próximos dias. Mas, enquanto ainda estamos assimilando essa notícia, queremos lembrá-lo exibindo uma entrevista que fiz com ele em 2023. Naquela ocasião, ele havia acabado de lançar um livro para ajudar os leitores a se prepararem para entrar na eternidade. O livro se chama Linha de Chegada: Dissipando o Medo, Encontrando Paz, Preparando-se para o Resto da Sua Vida. — infelizmente ainda não está disponível em português.
Eu comecei perguntando ao Robert por que ele quis escrever um livro sobre a morte.
Robert: Eu escrevi um livro alguns anos atrás chamado Gun Lap (Volta do Tiro, em tradução livre) que fala sobre a última volta em uma corrida de longa distância. Na verdade, quando o corredor líder começa a última volta, o juiz dispara a pistola novamente — e isso é chamado de volta do tiro. Em algumas corridas, eles tocam um sino; é chamada de volta do sino.
O livro “Volta do Tiro” não fala sobre morte. É sobre terminar bem a última volta. Foi pensado como um encorajamento para homens da minha idade. Falava sobre as lutas específicas que homens como eu enfrentam nessa fase da vida. Nosso corpo começa a falhar. Nossos relacionamentos mudam. E, por isso, esse livro teve uma resposta muito positiva.
Eu quis escrever a continuação porque a volta do tiro é importante, sim, mas você ainda precisa cruzar a linha de chegada. O fim é aquela reta longa e final, quando você realmente atravessa a linha e rompe a fita.
Então, como você sabe, eu tive uma experiência pessoal muito direta com a morte. E eu quis contar essa história com detalhes. Eu quis encorajar os leitores enquanto eles encaram a própria morte. Porque, vamos ser honestos, a morte é cem por cento garantida. Todos nós vamos morrer — a menos que Cristo volte, ou que sejamos como Enoque, ou sejamos arrebatados numa carruagem como Elias. O que, convenhamos, seria bem legal.
Raquel: (risos) É mesmo.
Robert: Eu fui casado com a Bobbie por quase quarenta e cinco anos. Nós nos casamos em 1970. Éramos praticamente crianças. Eu tinha vinte e dois anos, e ela, vinte.
Em fevereiro de 2012 — trinta meses antes da Bobbie entrar no céu — nós fomos a uma consulta médica, um encontro com um oncologista. Nunca tínhamos ido a um oncologista antes, porque oncologistas lidam com câncer, e não havia nada no nosso histórico, nem na nossa família, nem entre amigos ou relacionamentos, que tivesse câncer envolvido.
Mas fomos a essa clínica em Orlando. Sentamos diante de um oncologista muito respeitado. E saímos daquele consultório com a notícia de que Bobbie tinha câncer de ovário em estágio quatro. O câncer de ovário é muito silencioso — diferente de outros tipos de câncer que afetam mulheres, como o câncer de mama. Ele se esconde. É uma doença sorrateira.
Então, aquela era a primeira consulta dela. . . e ela já estava no estágio quatro. Nunca vou esquecer, Raquel, de caminhar até a sala de espera. Eu estava com nossa filha mais nova, Julie. A porta do elevador abriu, e havia ali umas quarenta mulheres. Muitas delas estavam sentadas ao lado de homens — seus maridos — e praticamente todas estavam carecas. Minha esposa, Bobbie, tinha aquela cabeleira linda, maravilhosa. E eu olhei para aquela cena e pensei: “Pronto. Aqui vamos nós. Minha vida está prestes a mudar completamente.”
O livro começa contando a história do velório da Bobbie, que aconteceu no início de novembro de 2014. Ela faleceu no final de outubro. E o que eu digo — não apenas sobre o velório, mas sobre a própria Bobbie — é que a maneira como ela lidou com a morte iminente dela arrancou do meu coração qualquer medo de morrer. A forma como ela enfrentou todos os tratamentos, coisas duríssimas, terríveis. . . ela nunca reclamou.
Quando eu digo isso às pessoas, elas respondem: “Ah, para. . . nunca reclamou mesmo?”
E eu digo: diante de Deus, como nossa testemunha, ela nunca reclamou.
Ela participou de um estudo clínico que a deixou em constante dor, extremamente desconfortável. Era pleno verão, e ela estava na cama com um gorro de lã na cabeça e cobertores por todo lado, tremendo de frio. E ainda assim. . . ela não reclamava. Ela mostrou para mim — e para os amigos dela — como encarar tudo isso com graça.
Então eu quis colocar por escrito aquilo que a Bobbie fez — algo realmente extraordinário — mas também quis me encorajar como escritor e, ao mesmo tempo, encorajar quem fosse ler, mostrando que é possível. Dá, sim, para enfrentar tudo isso com graça. Dá para enfrentar com confiança. O Senhor sabe exatamente o que está fazendo.
Na verdade, quando a Bobbie recebeu o diagnóstico, minhas filhas e eu — naquela mesma tarde em que recebemos a notícia — tomamos uma decisão: aquilo foi uma surpresa para nós, mas não foi surpresa para Deus. Ele sabe perfeitamente o que está fazendo. Não estamos com medo. Não estamos com raiva. Vamos tratar isso como um presente. E, por definição, um presente é algo que você não espera nem merece, certo? Então, isso é um presente.
A última coisa que nós combinamos entre nós foi o seguinte: nosso objetivo seria fazer dessa experiência um testemunho de Cristo. Queríamos apresentar o Salvador a pessoas que ainda não conheciam Jesus e expressar o Evangelho por meio dessa jornada tão intensa. E o Senhor respondeu a essa oração — de maneira doce, graciosa.
Nós não oramos especificamente pela cura da Bobbie, porque, às vezes, isso pode soar presunçoso, como se soubéssemos qual é a vontade de Deus. Claro que queríamos que ela ficasse bem. Não gostávamos da situação. Nós odiávamos o câncer — e eu ainda odeio. Mas queríamos deixar isso completamente nas mãos do Senhor. Confiávamos que, fosse cura ou morte, Ele faria a Sua vontade e saberia o que era melhor para nós como família.
Durante todo o processo dos tratamentos, nós não usávamos o CaringBridge. Naquela época, ele ainda estava começando — e é um ministério maravilhoso. Mas eu enviava e-mails para amigos, dando atualizações. Não eram detalhes médicos. Eram mais sobre o que o Senhor estava nos ensinando ao longo daquele processo. E a resposta das pessoas foi incrível.
E aqui, como um parêntese: uma das pessoas que recebia esses e-mails era uma cliente minha, para quem eu prestava consultoria editorial. O nome dela era Nancy Leigh DeMoss. E, na verdade, a Nancy assistiu ao velório online e, logo depois, me escreveu dizendo: “Eu adoraria compartilhar parte do velório no nosso site do Aviva Nossos Corações.” Então, lá atrás, bem no começo, a Nancy transmitiu trechos do velório da Bobbie no site do Aviva Nossos Corações. E quem poderia imaginar que, um ano depois, eu convidaria essa mesma mulher para ser minha esposa?
A providência de Deus, a forma como Ele conduz as coisas, é quase impossível de descrever. Nem sempre é fácil. Nem sempre é indolor. Mas é sempre bom.
Então aqui está essa mulher — cinquenta e sete anos, nunca tinha se casado. Eu a conhecia como minha cliente, de forma profissional. Mas o Senhor foi extraordinariamente bom comigo. E você e o seu marido são amigos tão próximos, então compartilhamos muita coisa juntos. E eu sei que você entende o quanto a Nancy tem sido um presente incrível na minha vida. E o privilégio de participar do ministério do Aviva Nossos Corações tem sido um presente imenso para mim.
Mas voltando à Bobbie: ela entrou no céu no final de outubro de 2014. Eu quis contar essa história. E o subtítulo do livro Linha de Chegada resume bem tudo isso: “Dissipando o medo, encontrando paz, preparando-se para o fim da sua vida.”
Tenho refletido muito sobre isso. E você sabe disso, Raquel, porque você faz isso todos os dias. Mas eu não consegui dormir ontem à noite, pensando na nossa conversa e querendo destrinchar cada uma dessas frases, uma por uma, para encorajar as pessoas que estão nos ouvindo agora.
Raquel: Então vamos lá. Mais uma vez, o subtítulo é: Dissipando o medo, encontrando paz, preparando-se para o fim da sua vida.Robert, como a sua experiência com a morte ajudou a dissipar o medo?
Robert: Bom, eu nunca tinha estado tão perto da morte assim. Na verdade, eu começo o livro com uma pergunta: “Quando foi a primeira vez que você viu um corpo morto?” Muita gente, mesmo adulta, tirando a equipe funerária — quem prepara, maquia, veste o falecido — nunca viu uma pessoa morta antes de todo esse preparo.
Então eu conto a história de quando eu era criança, nadando em um lago, e um homem se afogou. Aquela foi a minha primeira imagem de uma pessoa morta. Mas quando a pessoa que morre é a sua esposa de quase quarenta e cinco anos — alguém com quem você teve filhos, viveu tantas experiências, mudou de casa várias vezes, construiu uma vida inteira — quando é essa pessoa. . . e quando vem um diagnóstico. . . e você começa a encarar a possibilidade real da morte. . . isso gera um medo enorme.
Na verdade, no começo deste ano, houve aquele caso de um jogador de futebol americano em campo. Ele jogava pelo Buffalo Bills. Ele fez um lance, se levantou, virou, e caiu no chão. O nome dele é Damar Hamlin.
Raquel: Eu estava assistindo esse jogo!
Robert: Aquilo virou uma reunião de oração, não virou?
Raquel: Virou. Os narradores começaram a orar.
Robert: Sim. Aquilo foi algo impressionante. Um deles, Dan Orlovsky, disse: “Nós precisamos orar agora.” Foi como um momento santo, ao vivo, na ESPN.
E por que foi assim? Porque alguém quase morreu. Na verdade, quando ele caiu no chão, ele estava morto. O coração dele tinha parado.
Raquel: Sim. E os jogadores sabiam disso, porque eles estavam orando.
Robert: Sabiam.
Raquel: E não era uma oração formal, do tipo: “Vamos nos ajoelhar e fazer o que é certo.”
Robert: Exatamente.
Raquel: Era intercessão ali mesmo, no campo.
Robert: Foi inacreditável. Eles sabiam.
E o interessante é o seguinte: como você sabe, o pai da Nancy morreu aos cinquenta e três anos. Ele estava jogando tênis numa manhã de sábado. Tinha acabado de deixá-la no aeroporto da Filadélfia, foi jogar tênis e sofreu um ataque cardíaco fulminante — morreu antes mesmo de tocar o chão.
Pois bem, trinta por cento de nós vamos morrer assim. Estamos conversando, tomando um café, caminhando com nosso cônjuge. . . e, de repente, simplesmente caímos. As luzes se apagam.
Raquel: Sério? Trinta por cento?
Robert: Sim. E os outros setenta por cento terão algum tipo de “rampa de saída” — algumas mais curtas, outras mais longas. Mas quando você lê as últimas palavras de pessoas famosas, nesse segundo cenário, em que a pessoa sabe que vai morrer e tem algum tempo antes disso acontecer, ela tem a chance de dizer alguma coisa.
Inclusive, o livro traz algumas últimas palavras bem interessantes. Por exemplo, quando o ator W. C. Fields estava morrendo, algumas pessoas entraram no quarto dele. Ele era um agnóstico conhecido. E ele estava lendo uma Bíblia.
Eles perguntaram: “Sr. Fields, o que é isso?”
Ele respondeu: “É uma Bíblia.”
Eles disseram: “E o que o senhor está fazendo?”
E ele respondeu: “Estou procurando uma brecha.”
E então ele morreu.
Raquel: Não parece que ele tenha encontrado uma brecha.
Robert: Exatamente.
Então, quando a morte se aproxima, a reação automática — no mundo todo — é o medo. Basta olhar para o que aconteceu durante a COVID-19. O que dominou o mundo? Medo. Medo de quê? Medo de morrer. As pessoas têm medo da morte. Agora, eu sei que algumas das coisas que fizemos para nos proteger ou proteger os outros provavelmente foram exageradas. Acho que, com o passar dos anos, estatísticas e pesquisas vão confirmar isso. Mas o fato é: as pessoas têm medo de morrer.
Por isso, o objetivo do livro, a missão dele, é justamente dissipar esse medo.
Na verdade, todo o primeiro capítulo do livro se chama: “Alerta de spoiler: o céu é real.” Um grande amigo de longa data da Nancy, Randy Alcorn, escreveu o endosso do livro. E há apenas um endosso. Eu pensei desde o início: se eu conseguir que o Randy endosse esse livro, não preciso de mais ninguém.
Raquel: Não precisa mesmo. Ele é o autor de “O Céu”.
Robert: Exatamente.
Então eu falo sobre o céu, sobre o fato de que ele é real. Trago histórias lindas sobre velórios que se tornam celebrações da vida daqueles que foram estar com o Senhor.
E tem um versículo — está em 1 Coríntios 2.9. Conforme a Bobbie ia ficando cada vez mais fraca, eu aposto que ela citou esse texto umas duzentas vezes. (Na verdade, foi muito mais do que isso, mas não quero ser acusado de exagero.) O texto diz:
“Mas, como está escrito: ‘Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.’”
Muito bem, a Bobbie era pintora. Nossa casa era cheia de quadros — provavelmente uns cinquenta. Ela amava arte. Então, quando o texto diz “os olhos não viram”, significa que nem mesmo os sonhos mais ousados dela como artista chegam perto do que o céu realmente é. O céu vai ser muito melhor do que isso.
“Os ouvidos não ouviram.” Ela amava cantar. Tinha uma voz linda. Então, melhor ainda do que arte e música, “nem jamais entrou no coração humano. . .” — nem a nossa fantasia mais incrível sobre como o céu será consegue imaginar o que Deus preparou para aqueles que O amam.
Quando você e o seu marido estão viajando, voando para algum lugar exótico, quente, esperando esse tempo especial juntos. . . é incrível. É maravilhoso. É difícil até colocar em palavras como é gostoso antecipar algo realmente bom.
Raquel: Sim.
Robert: Pois é, isso é o céu. E é assim que o medo vai sendo dissipado. Quando você começa a ter uma noção de para onde estamos indo — nós que seguimos a Cristo, que O amamos, que fomos redimidos pelo sangue — temos algo pelo qual ansiar. E, se isso é verdade, deveria mudar completamente a forma como nos sentimos em relação à morte.
Raquel: Com certeza deveria.
Sabe, eu amo fazer snorkel. Meu marido me leva em muitas, muitas viagens para isso. Eu quero ficar debaixo d’água. E toda vez eu fico esperando ver algo que me deixe maravilhada. Ele gosta de snorkel, mas não ama como eu amo. Ele vai porque me ama. E eu penso: uau. . . eu preciso desejar a viagem para o céu com a mesma empolgação que desejo essas viagens de snorkel. Faz sentido, né?
Robert: Sim. Essa é uma imagem linda.
Então, imagine que você está em pé na água — talvez na altura da cintura, ou dos ombros. Você coloca a máscara e o snorkel, certo? Enquanto olha por cima da água, tudo o que você vê é. . . água. Só isso.Mas no momento em que a máscara atravessa a superfície e você olha para baixo. . . é exatamente disso que estamos falando agora.
É como dizer: “Uau! Existe um mundo inteiro aqui embaixo que eu nunca imaginei! E ele está bem na minha frente!”Essa é uma ilustração maravilhosa. Amei esse exemplo, Raquel.
Raquel: Robert, eu sei que preciso te perguntar isso. Nós temos orado com você ao longo desses últimos anos, enquanto você enfrentava não apenas um, mas dois diagnósticos diferentes de câncer. Como isso impactou a forma como você pensa sobre a morte, o morrer e o céu?
Robert: Sete anos atrás, se você tivesse me feito essa pergunta, eu teria respondido: “Do que você está falando?” Eu era um cuidador. Eu conhecia o câncer como alguém de fora — como um observador, um espectador — mas não como alguém dentro do campo de jogo.
E então receber dois diagnósticos de câncer, um logo depois do outro. . . Vamos imaginar, Raquel, que Deus está escrevendo a minha história.
Raquel: Nem precisamos imaginar!
Robert: Você tem razão! Essa foi uma ótima resposta.Então, você tem que confiar. Quer dizer, você não tem que confiar — mas, na verdade, precisa confiar que Deus sabe exatamente o que está fazendo. Deus não olha e diz: “Espera aí. . . o quê?! Que diagnóstico foi esse? O que você quer dizer com ‘oito sessões de quimioterapia’?! Do que vocês estão falando?!”
Ele sabe exatamente o que está fazendo.E, se você fizesse essa pergunta à Nancy, acho que ela diria que não houve medo — houve paz. Houve uma profunda sensação da presença de Deus durante todo o caminho.
Não há nada tão vulnerável quanto ser levado em uma maca para uma sala de cirurgia. Ou mais uma picada de agulha — eu parei de contar depois de cem, literalmente. Ou mais uma biópsia. Você está de bruços, e o médico está com uma furadeira Black & Decker de cerca de meio centímetro, perfurando a sua coluna.E mesmo assim você diz: “Está tudo bem. Eu não vou reclamar. Vou fazer o meu melhor para não ter medo.”
Então, a resposta à sua pergunta é que sou grato por ter passado por aquela experiência — até mesmo enquanto escrevia este manuscrito — porque eu não era mais um espectador. Essa também era a minha vida. E as coisas que eu estou aconselhando e encorajando os leitores a fazer e a pensar são coisas que eu mesmo vivi.
Isso é interessante, porque, ao escrever um livro, a sua própria experiência tem tudo a ver com a sua capacidade de escrever sobre aquele assunto. Eu não sei qual será o próximo livro. Acho que eu devo ter sido meio maluco de escrever um livro sobre a morte — tipo: “O que você estava pensando?!”
Mas o Senhor me conduziu por tudo isso, permitiu que eu experimentasse tudo isso, para que eu tivesse algo a dizer. Para que eu tivesse uma base real para encorajar pessoas que poderiam dizer: “Bom, isso soa bonito, mas você viveu numa torre de marfim. Você conhece isso só na teoria, só intelectualmente. Você não viveu isso de verdade.”
Bom. . . agora eu vivi.Isso cobrou um preço físico de mim. Quero dizer, eu tenho setenta e cinco anos. Os anos vão se acumulando. Na verdade, estou exatamente naquela fase em que a mortalidade já é uma realidade para mim. Vivendo nos Estados Unidos, a média de vida de um homem como eu é setenta e cinco, setenta e sete, talvez setenta e nove anos. Então, estou dentro do prazo.
Eu já disse brincando — porque sou um vendedor incurável — que o livro pode acabar sendo um ótimo item na mesa de livros lá no fundo da igreja, no meu próprio funeral.Mas eu estou profundamente feliz e muito grato por ter tido essa oportunidade.
Raquel: Ouvimos o nosso amigo Robert Wolgemuth, em uma gravação de 2023. Como você ouviu, Robert estava preparado para a eternidade. Ele aguardava com alegria e expectativa o encontro com o seu Salvador e a vida eterna com Ele.
Robert agora entrou na eternidade, então pedimos que você continue orando por sua esposa, Nancy, por suas filhas, Missy e Julie, e por toda a família.
Você pode ouvir mais sobre o Robert, conhecer melhor seus livros e assistir a um vídeo sobre o casamento dele com Nancy DeMoss Wolgemuth. Para saber mais sobre a vida de Robert, visite o nosso site avivanossoscoracoes.com.
Quero encerrar deixando com você algumas palavras que Nancy enviou do hospital, enquanto estava ao lado de Robert em seus últimos dias. Ela escreveu:
“Mesmo em meio a essa provação dolorosa, meu coração está inexplicavelmente cheio e grato. Sou grata pelo nosso Salvador — um homem de dores, que sabe o que é padecer.”
Isso é de Isaías 53.3.
Nancy continuou dizendo que era grata pelas promessas de Deus, pela Sua paz e pela certeza de que um dia todo sofrimento, toda tristeza e toda enfermidade serão banidos e substituídos por adoração eterna e alegria indescritível na Sua presença.
E então ela escreveu: “O céu reina.”
Por favor, continue orando por nossa querida Nancy. Tem sido uma alegria vê-la viver essa verdade com fé — vivendo aquilo que ensina. Mas ela está em luto e precisa das nossas orações. Esperamos que você se junte a nós.
O Aviva Nossos Corações é o ministério em língua portuguesa do Revive Our Hearts com Nancy DeMoss Wolgemuth, sustentado por seus ouvintes e dedicado a chamar as mulheres à liberdade, plenitude e abundância em Cristo.
Clique aqui para o original em inglês.