Tudo o que há em mim: Ensinando crianças a adorar

Inadequações ao ensinar crianças a adorar geralmente assumem uma de duas formas. Em alguns casos, apresenta-se às crianças uma visão de Deus sem lhes oferecer a oportunidade de responder à revelação. Em outros, com frequência, pede-se que as crianças respondam ao chamado de Deus sem que tenham visto Deus por quem Ele realmente é. O caráter justo de Deus e o sacrifício expiatório de Seu Filho, Jesus Cristo, no Calvário, exigem uma resposta total do corpo, da alma e do espírito de alguém. Para que a adoração bíblica seja praticada, revelação e resposta precisam caminhar lado a lado.

Isso implica que os momentos de adoração coletiva destinados às crianças devem ser cuidadosamente planejados e estruturados, servindo também como modelo para a adoração pessoal delas. Esses momentos precisam ser preparados para ajudar as crianças a enxergarem quem Deus é, oferecer-lhes a oportunidade de responder com confissão humilde e permitir que respondam, sem reservas, ao chamado de Deus em suas vidas.

Deixe-as responder naturalmente

Logicamente, a pergunta que se segue é: como podemos incentivar as crianças a responder? A resposta é simples e tem dois aspectos: use a Palavra de Deus para revelar o caráter de Deus de formas que sejam compreensíveis e significativas para as crianças e permita que elas respondam de forma natural, como crianças.

Esse segundo aspecto merece consideração adicional. Quais são as formas mais naturais de resposta por parte das crianças? Salmos 103.1 oferece uma chave: “Bendiga, minha alma, o Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome”. É preciso permitir que as crianças expressem confissão, celebração e obediência de formas variadas e criativas — ou seja, com tudo o que há nelas.

Todos os pais já testemunharam a enorme capacidade de expressão das crianças. Que criança, de tempos em tempos, não deixa de lado toda inibição e, espontaneamente, abraça as pernas do pai, exclamando: “Eu te amo, papai!”?

Recentemente, quando a primavera fez a sua primeira reaparição, vi um menininho na calçada, pulando para cima e para baixo, com os braços estendidos, com um deleite puro e desenfreado diante dos tão aguardados sol e calor. Ele estava completamente alheio à opinião de qualquer observador. Já vi uma menininha sentar-se por horas em frente a um aquário, com o nariz pressionado contra o vidro, em silenciosa fascinação e prazer ao observar a vida de meia dúzia de peixes.

Como é natural para uma criança aninhar a sua pequena mão em uma mão maior e seguir saltitando pelo corredor, ou simplesmente chegar bem pertinho, desfrutando da atenção e da amizade de um adulto. Ou quantos pais já precisaram segurar uma criança, intensamente animada com o circo, a fim de impedi-la de correr à frente e se juntar ao espetáculo!

É evidente que as crianças se expressam com facilidade de inúmeras maneiras. Essas expressões fazem parte de “tudo o que há nelas” e precisam ser canalizadas para responder ao caráter de Deus.

No entanto, antes que possam celebrar a natureza de Deus ou responder ao Seu chamado, as crianças precisam experimentar a convicção do pecado (ficar aquém do padrão perfeito de Deus) e um senso da sua indignidade para se aproximar dele. Somente então o perdão e a purificação de Deus podem ser plenamente compreendidos, e somente então as crianças estão prontas para responder com celebração, adoração e obediência.

Direto do coração

Ao ensinar às crianças uma filosofia bíblica de adoração, muitas vezes pedi que me ajudassem a planejar um momento de adoração, respondendo a determinado aspecto do caráter de Deus que havíamos estudado.

Às vezes, elas escolhem responder por meio do canto — seja com canções conhecidas, seja com músicas que elas mesmas criam. Diversos instrumentos musicais, como triângulo, pandeiro, sinos, címbalos, blocos de madeira, entre outros, contribuem para a alegria de oferecer louvor.

Crianças amam orar. Em algumas ocasiões, suas orações exprimem contrição genuína: “Querido Deus, acho que Seu coração fica triste quando a gente faz bagunça e não obedece, depois de tudo o que o Senhor fez por nós morrendo na cruz”. Muitas vezes, elas simplesmente oferecem breves exclamações de adoração, como: “Deus, fico tão feliz porque Você escuta as nossas orações”. As orações de compromisso certamente aquecem o coração do seu Pai celestial: “Querido Deus, eu quero sempre Te obedecer — por toda a minha vida”.

Ler salmos de louvor permite que algumas crianças expressem o seu coração para Deus. Outras gostam de escrever os seus próprios salmos ou de fazer desenhos que reflitam o seu amor e compromisso.

Em certa ocasião, entreguei a algumas crianças um cartaz para que o completassem com as palavras do versículo sobre adoração que memorizamos. Nunca me esquecerei de ver uma menina quietinha virar o cartaz e, com cuidado, escrever as palavras: “Eu ti amu, Jesus — Kristi”. Kristi não respondeu da maneira que eu esperava — da mesma forma que eu esperava que todas as crianças respondessem. Em vez disso, ela respondeu ao nosso estudo sobre o amor de Jesus com uma expressão espontânea e natural, do amor que ela sentia por Jesus em seu coração.

Adoração e movimento

Uma característica de quase todas as crianças é a atividade física. Deus as criou de tal forma que os grandes músculos se desenvolvem primeiro e precisam ser usados em movimentos amplos. Portanto, não se deve esperar que as crianças sempre adorem de maneira imóvel e silenciosa.

As Escrituras sugerem diversas formas físicas de responder a Deus. “Batam palmas, todos os povos; aclamem a Deus com vozes de júbilo” (Sl 47.1). “Venham, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou” (Sl 95.6). “Assim eu te bendirei enquanto viver; em teu nome, levanto as mãos” (Sl 63.4). Dessas maneiras, as crianças permitem que “tudo o que há nelas” bendiga o Seu santo nome.

As crianças devem ser ensinadas que o ato de ofertar é uma resposta de adoração. A oferta tangível de dinheiro é importante, mas elas também precisam aprender os privilégios mais abstratos de oferecer a Deus o seu tempo, as suas habilidades e o seu ser por completo.

Cada segundo, o tempo todo

Além de aprenderem a adorar em ocasiões especificamente planejadas para esse propósito, devemos ensinar e demonstrar às crianças que cada momento da vida cristã deve ser vivido em resposta a quem Deus é e ao que Ele fez. Pais e educadores devem buscar, no contexto da vida cotidiana, oportunidades para exemplificar esse princípio. Andar de carro com as crianças oferece uma ocasião natural para agradecer a Deus pelas maravilhas da Sua criação. As refeições podem começar com ações de graças pela provisão constante de Deus.

Duas experiências pessoais recentes me proporcionaram oportunidades de adorar com crianças. Eu estava dirigindo um ensaio do coral infantil. Uma das crianças estava bastante desapontada porque havia perdido o seu caderno. Interrompemos o ensaio e várias crianças pediram a Deus que nos ajudasse a encontrar o caderno do Gary. Durante a canção seguinte, uma das crianças encontrou o caderno perdido dentro da mochila do Gary! Como Deus havia Se revelado como um Deus que ouve e responde às orações, paramos para expressar a gratidão do nosso coração, cantando: “Deus responde à oração; Ele é tão bom para mim. Eu O amo tanto; Ele é tão bom para mim”.

Depois disso, há algumas semanas, uma menininha me ligou e disse: “Dona Nancy, eu fui salva ontem à noite e quero te contar tudo!” A empolgação da Dana, de seis anos de idade, não tinha limites. Aquele foi um momento — bem no meio do dia — para adorar a Deus; para dizer, como a criança pequena que espontaneamente abraça o pai: “Nós Te amamos, Papai!”. Dana e eu passamos tempo juntas com frequência e gostamos de cantar: “Estou alegre, estou alegre, estou alegre no Senhor! Quando você anda com o Senhor, não fica entediada. Cante Aleluia. Amém!”. Isso é adoração no dia a dia.

Aprendendo com o exemplo delas

Em nossas igrejas e em nossos lares, ensinemos com sabedoria as crianças a adorar a Deus “em Espírito e em verdade”, a apresentar os seus “corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o (seu) culto espiritual”, e a permitir que “tudo o que há (nelas) bendiga o Seu santo nome”.

Em vez de silenciar as crianças quando clamam: “Hosana ao Filho de Davi”, aprendamos com elas como oferecer uma adoração que seja aceitável a Deus e digna da Sua santidade. Unamo-nos todos, juntos aos serafins, e proclamemos: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da Sua glória!” (Is 6.3).

 

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Sobre o Autor

Nancy DeMoss Wolgemuth

Nancy é a fundadora do Revive Our Hearts, um ministério que tem tocado a vida de milhões de mulheres. Ela é autora de mais de vinte livros, incluindo Mentiras em que as mulheres acreditam e a verdade que as liberta, Adornadas por Cristo e Buscando a Deus, todos publicados no Brasil. Seus livros já têm mais de 5.000.000 de cópias vendidas. Nancy já alcançou a vida de milhões de mulheres com a Palavra de Deus através de conferências, podcasts, artigos e livros.