O rei Asa estava vivendo o melhor momento de sua vida. Estava mesmo. Entre todos os antigos reis bíblicos, ele foi um dos poucos que honrou a Deus com sua vida e conduziu o povo em uma direção positiva.
As boas novas começam em 2 Crônicas 14.2–4:
Asa fez o que era bom e reto aos olhos do Senhor, seu Deus. Porque aboliu os altares dos deuses estranhos e o culto nos lugares altos. . . Ordenou a Judá que buscasse o Senhor, Deus de seus pais. . .
É claro que, como Deus sempre havia prometido ao Seu povo, haveria bênçãos para todos os que Lhe obedecessem — e Asa experimentou esses benefícios de imediato. Para ele, as boas novas continuaram chegando por trinta e cinco anos!
Isso incluiu: paz, prosperidade crescente, a proteção divina contra inimigos mais fortes, uma devoção sincera entre o povo e até uma imigração positiva, à medida que se espalhava a notícia de que a bênção de Deus estava sobre Judá (2Cr 15.9). Asa tornou-se tão confiante em sua fé que chegou a confrontar sua própria avó, forçando-a a abandonar o ídolo que adorava. (Ele deu uma ajudinha destruindo a obra de arte dela em pedaços e a queimando publicamente. Não sei você, mas minha avó era uma mulher durona; não tenho certeza se eu teria a coragem que Asa teve!)
Houve um momento, sob a forte liderança de Asa, em que toda a nação se reuniu para se consagrar ao Senhor.
Entraram em aliança de buscar o Senhor, Deus de seus pais, de todo o coração e de toda a alma. . . Todo o Judá se alegrou por causa deste juramento, porque eles juraram de todo o coração e, de toda a boa vontade, buscaram o Senhor, e por eles foi achado. O Senhor lhes deu paz por toda parte.
(2 Crônicas 15.12–15)
Mas então, algo aconteceu no trigésimo sexto ano do reinado de Asa.
Por algum motivo não mencionado, ele se esqueceu de lembrar.
Ele não rejeitou sua fé; não se curvou diante de ídolos; não caiu em imoralidade ou ganância. Ele simplesmente elaborou um plano de batalha sem antes consultar o Senhor (um plano que, aliás, funcionou). Talvez tenha pensado que poderia lidar com a situação sem oração — e, do ponto de vista humano, ele conseguiu. Mas, naquele momento, ele se esqueceu de que seu reino deveria ser governado pelo Senhor; que seu reinado deveria ser marcado pela humildade. Ele tinha tanta confiança em sua própria defesa nacional que nem pensou em clamar a Deus.
Ao ser confrontado, ele não se arrependeu ou dobrou os joelhos em oração. Infelizmente, ele se tornou ainda mais firme em sua autossuficiência e, de forma surpreendente, reagiu com raiva e frustração (2 Crônicas 16.10). Três anos depois, contraiu uma doença nos pés e, com uma dureza de coração evidentemente absurda, decidiu não buscar a Deus por cura. Consegue imaginar isso?
No trigésimo nono ano de seu reinado, Asa contraiu uma doença nos pés, e essa doença era muito grave. Porém, na sua enfermidade ele não recorreu ao Senhor, mas confiou nos médicos. Asa morreu no quadragésimo primeiro ano do seu reinado. (2 Crônicas 16.12–13)
Que desfecho decepcionante para uma história tão maravilhosa de bênção e obediência.
Um perigo oculto
Asa não se entregou a um orgulho explícito e óbvio. As Escrituras não mencionam nada sobre sua rebelião, tolice, arrogância ou egoísmo. O pecado dele era mais sutil: o orgulho oculto. O orgulho que se esconde por trás de leituras bíblicas e louvores, orações formais e disciplinas espirituais. Ele se esconde dentro de igrejas que crescem, famílias felizes, discípulos devotos e professores instruídos. É aquele senso crescente de autorrealização que não é necessariamente pecaminoso a princípio. É simplesmente esquecer-se de lembrar, negligenciar a oração, abraçar o status quo e agradecer um pouco menos do que de costume.
O orgulho oculto é uma atitude de autossuficiência, que considera o pão diário e a proteção divina como garantidos. Que se esquece de lembrar que, como Moisés escreveu: “Não aconteça que, depois de terem comido e estarem fartos, depois de haverem edificado boas casas e morado nelas; depois de se multiplicam o seu gado e os seus rebanhos, e aumentar a sua prata e o seu ouro, e ser abundante tudo o que vocês têm, se eleve o seu coração e vocês se esqueçam do Senhor, seu Deus. . .” (Dt 8.12–14).
Não sei tudo o que se passou pela cabeça de Asa nos últimos anos de seu reinado. No balanço geral, ele ainda foi um bom rei e a nação celebrou sua vida como tal (2Cr 16.14). Mas o que poderia ter sido, nós nunca saberemos.
Lançando luz sobre o orgulho oculto
Existe uma decisão que você e eu podemos tomar hoje que impedirá que o orgulho oculto crie raízes em nossa alma: a escolha de sermos gratos. Cada vez que dizemos “obrigado” a Deus (ou aos outros), reconhecemos e admitimos que algo nos foi dado — algo que não conquistamos sozinhos. . . algo que não veio de nós. Dizer “obrigado” não apenas evidencia o valor daquele que dá, mas também revela a necessidade e o apreço de quem recebe. Nesse contexto, podemos dizer que “obrigado” é sinônimo de humildade.
Eu me pergunto: se Asa tivesse cultivado um ritmo melhor de lembrança e gratidão, as coisas teriam acabado de forma diferente? Ele teria se lembrado de que foi Deus quem o resgatou de um exército enorme vinte anos antes? Ou que foi a bênção divina que trouxe prosperidade à sua nação, e não apenas a liderança dele? Ele certamente sabia dessas coisas, mas elas não eram as coisas mais importantes em seus pensamentos.
Ele se esqueceu de lembrar.
A gratidão intencional garante que nós não nos esqueçamos.
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