O inimigo da verdade é sutil e astuto. Não devemos nos surpreender com o aumento de mentiras e erros espirituais à medida que nos aproximamos do retorno de Cristo. A Bíblia diz que isso acontecerá (Mt 24.11), e Deus quer que estejamos atentas a ensinamentos e mestres falsos, para que possamos permanecer firmes na Sua Palavra. Precisamos saber discernir, sem simplesmente aceitar o que as pessoas dizem ser verdade.
Saiba discernir
Aprenda a discernir entre a verdade e o erro.
A sabedoria é a aplicação da verdade das Escrituras à nossa vida (Tg 1.5), e Deus quer que peçamos por sabedoria. Mas o discernimento vai um passo além. Discernimento é a capacidade de julgar ou distinguir entre duas coisas usando a sabedoria da Palavra de Deus. Esse tipo de julgamento não é errado; pelo contrário, é crucial se quisermos tomar decisões sábias.
Aprendemos a distinguir entre o certo e o errado, o bom e o mau, o sensato e o insensato, a verdade e o erro, por meio da ação do Espírito Santo em nós. O Espírito de Deus usa a Palavra de Deus para revelar e ensinar a verdade, que vem dele (Jo 14.26; 16.12–15; 1Co 2.13–14).
Deus elogia o discernimento em Seus filhos. No Antigo Testamento, os filhos de Issacar sabiam discernir os tempos e sabiam o que Israel deveria fazer — eles eram discernentes (1Cr 12.32). No Novo Testamento, Jesus disse aos fariseus que eles deveriam ser capazes de compreender os sinais dos tempos, mas, por estarem mais preocupados em acrescentar à lei, não conseguiam discernir a verdade de Deus (ver Mt 16.1–3).
Acrescentar à Palavra de Deus é sempre um sinal de ensino falso. Provérbios 30.6 e Apocalipse 22.18–19 deixam claro que não devemos nem acrescentar nem retirar nada da Palavra de Deus, caso contrário seremos considerados “mentirosos”. Sempre que tratamos as Escrituras de forma incorreta, acabamos sendo enganadas e caindo em ensinamentos destrutivos.
É responsabilidade de todo cristão ser discernente, mas nossa atitude ao discernir e confrontar o erro também é importante. Não devemos exalar ódio, ser briguentas ou iradas; devemos expor falsos ensinamentos com amor, bondade e esperança de mudança (Ef 4.15; 2Tm 2.24–26). Devemos ouvir atentamente ao que é dito (Pv 18.13) e então confrontar com a Palavra fiel (Tt 1.9), não com nossas próprias opiniões. Deus odeia o mal, mas também despreza o orgulho e a arrogância, portanto nossa atitude no discernimento importa para Ele (Pv 8.13).
Esteja atenta
Perceba a influência corruptora da cultura.
A Bíblia nos instrui: “vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios. . . porquanto os dias são maus. . . entendei qual seja a vontade do Senhor” (Ef 5.15–17, ACF). Em outras palavras, precisamos estar alertas. Devemos ter consciência dos erros que encontramos na literatura, nas notícias e em outras mídias. Precisamos crescer no conhecimento de Deus e da Sua verdade para que tenhamos Sua “sabedoria e entendimento espiritual” (Cl 1.9–10).
O povo de Deus precisa conhecer Sua vontade, Sua Palavra e Seus caminhos, para não ser destruído (Os 4.6). É perigoso acrescentar opiniões e filosofias humanas à sabedoria de Deus, assim como é tolice substituir a verdadeira santidade bíblica por regras e ensinamentos humanos. Segunda Timóteo 3.1–5 descreve o tipo de pessoas que viverão nos últimos dias — pessoas que terão a “forma de piedade” enquanto negam o poder de Deus. Hoje, as pessoas estão famintas por espiritualidade, mas se recusam a seguir os padrões santos das Escrituras.
Falsos profetas introduzem “heresias destruidoras”, negam o Senhor e blasfemam a verdade, explorando pessoas com palavras enganosas (2Pe 2.1–3). Esses falsos profetas, assim como o sistema secular mundial, querem que adotemos valores não bíblicos, busquemos aprovação baseada nesses valores e busquemos objetivos ímpios.
Uma das palavras-chave que confunde as pessoas na cultura atual é a palavra tolerância. Devemos lembrar que tolerância descreve como tratamos as pessoas, mas racionalidade é como devemos tratar ideias — e, para o cristão, isso significa racionalidade biblicamente fundamentada. Não devemos tolerar ideias falsas. Pelo contrário, devemos separar a verdade do erro e então expor o erro.
Duas cosmovisões estão em conflito. Uma é bíblica; a outra é antibíblica. Cristãos muitas vezes são acusados de ter a mente fechada, mas fazer distinções exige estreitamento de pensamento. Jesus falou sobre uma porta estreita (Mt 7.13–14) e vemos em toda a Escritura que não há área cinzenta quando se trata de receber a salvação de Cristo e obedecer aos Seus mandamentos.
Devemos expor e derrubar tudo o que se levanta contra o conhecimento de Deus na Palavra, porque algum dia toda língua confessará que Jesus é Senhor (2Co 10.3,5; Fl 2.10–11). Jesus deve ser o Senhor da nossa mente. Ele exerce Sua autoridade por meio da Palavra, então devemos nos certificar de que estamos pensando biblicamente.
Seja bíblica
Conheça e ensine a verdade e demonstre-a em sua vida.
Funcionários de banco estudam dinheiro verdadeiro, não cédulas falsificadas, para conseguirem reconhecer dinheiro fajuto. Da mesma forma, se quisermos reconhecer lobos em pele de cordeiro, precisamos saber como é um verdadeiro cordeiro! Porque o mal se disfarça de verdade — e lembre-se, Satanás se disfarça de anjo de luz (2Co 11.14) — devemos estudar a Palavra de Deus para reconhecer rapidamente o erro. Mesmo em algumas igrejas evangélicas, o conselho de Deus não está sendo ensinado às pessoas em sua totalidade. É importante que ancoremos nossa vida no caráter de Deus (2Pe 1.3) e conheçamos Seus padrões de verdade imutável, para não sermos atiradas em alto-mar por filosofias vazias e inconstantes do mundo (2Tm 2.15).
Deus não quer que sejamos bebês espirituais. Ele quer o nosso amadurecimento em Cristo para não sermos “levados de um lado para outro” por artimanhas e ensinamentos tolos e astutos (Ef 4.13–15). Ele quer o nosso crescimento em entendimento e discernimento, porque Ele odeia “todo caminho de falsidade” (Sl 119.104).
Da mesma forma, Deus não quer que Seus filhos caiam nas armadilhas do Inimigo. Se meditarmos nas Escrituras, estaremos menos propensas a cair nos conselhos dos ímpios (Sl 1.1–2). É importante nos aproximarmos da Palavra de Deus com humildade — como uma criancinha — sem segundas intenções ou vieses, pedindo ao nosso Pai Celestial que nos ensine (Mt 11.25; 1Co 1.19–20). Também é importante estar sob um ensino sólido e bíblico na igreja e em comunhão com crentes fortes em Cristo. Deus quer que “exercitemos” nossos sentidos e busquemos fielmente como viver para Ele (Hb 5.14). Precisamos de exposição diária à Palavra de Deus para que possamos “[discernir] o que é melhor” e viver vidas santas e irrepreensíveis (Fl 1.10, NVI).
A verdade é o corretivo mais poderoso contra o erro. Uma vez que conhecemos a verdade, desejaremos compartilhá-la com os que caíram em erro, os que foram enganados por ensinamentos falsos. Devemos ensinar e viver a verdade de Deus. Podemos ajudar outros crentes a permanecerem na liberdade de Cristo e “não se [submeterem], de novo, a jugo de escravidão.” (Gl 5.1)
Seja corajosa
Identifique e exponha as obras das trevas.
Deus quer que defendamos o Evangelho (1Co 15.1) expondo mentiras. Devemos identificar as fontes de erro que podem estar influenciando a nossa vida ou a vida de quem amamos. Talvez seja uma seita, um raciocínio da Nova Era ou erros teológicos. Primeira João 4.1 nos instrui a provar os espíritos, tentando determinar se eles são de Deus. Quaisquer que sejam suas palavras — se faladas por pregadores, professores, psicólogos, autores, apresentadores de TV ou locutores de rádio — todos os ensinamentos devem ser julgados pela eterna Palavra de Deus (João 17.17b).
O caráter e os métodos dos falsos mestres estão expostos nas Escrituras.
- Eles pregam outro evangelho e um Jesus diferente daquele revelado nas Escrituras (1Co 16.22; 2Co 11.4; Gl 1.6–9).
- Eles falam “as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor” (Jr 23.16) e profetizam mentiras em nome de Deus, tentando fazer com que o Seu povo se esqueça dele e da Sua Palavra (Dt 18.20–22; Jr 23.25–27).
- Eles ignoram a culpa e justificam o pecado, chamando o mal de bem e o bem de mal (Is 5.20).
- Eles “cativam mulheres tolas”, carregadas de desejos pecaminosos — mulheres que estão “sempre aprendendo” alguma nova “verdade”, mas nunca aceitam a verdade (2Tm 3.6–7).
- De modo sutil, eles “[introduzem] heresias destruidoras” (2Pe 2.1).
- Eles proferem “com arrogância palavras sem conteúdo” e atraem pessoas pelos desejos da carne, prometendo liberdade, mas escravizando-as (2Pe 2.18–21).
- Eles causam divisões na igreja (Rm 16.17), enquanto pessoas “que não têm instrução e são instáveis” seguem seu exemplo e distorcem as Escrituras para seus próprios fins (2Pe 3.16). Falsos apóstolos muitas vezes parecem ser apóstolos de Cristo (2Co 11.13).
No fim dos tempos, falsos profetas se juntarão a falsos cristos, que “[operarão] grandes sinais e prodígios” para enganar a muitos (Mt 24.24). Os cristãos são advertidos a não terem comunhão com esses mestres e com as suas “obras infrutíferas das trevas”, mas, ao contrário, a “reprová-las” (Ef 5.11) e a terem cuidado para não serem “enredados” (tomados cativos ou iludidos) por suas falsas doutrinas (Cl 2.8). Falsos mestres são capacitados por Satanás e precisamos ser corajosas e vigilantes contra esse inimigo astuto, que procura nos “devorar” (1Pe 5.8–9).
Seja uma mulher de oração
Interceda por quem está preso no laço de Satanás.
A oração é, muitas vezes, o elemento esquecido na batalha contra o falso ensino. Além de compartilharmos a verdade com mansidão e firmeza, podemos orar — com um coração cheio de compaixão e preocupação — para que Deus corrija os “que se opõem”, concedendo-lhes não só o arrependimento “para conhecerem a verdade, mas também o retorno à sensatez, a fim de que se livrem dos laços do diabo, que os prendeu para fazerem o que ele quer.” (2Tm 2.24–26).
Também podemos orar por aqueles que caíram nas armadilhas desses mestres, para que reconheçam o erro dos falsos ensinamentos e abracem a verdade da Palavra de Deus. Precisamos estar alertas e continuar orando por todos os crentes, de todos os lugares, para que defendam a verdade e a justiça (Ef 6.18).
Devemos ser “sóbrias e vigilantes” e desenvolver um discernimento apurado nas nossas orações (1Pe 4.7). Assim como o rei Salomão pediu sabedoria para discernir com justiça e governar bem o seu povo (1Re 3.5–14), nós também precisamos orar por entendimento enquanto buscamos sabedoria e verdade na Palavra (Sl 119.125,130).
Seja proativa
Proteja-se contra o veneno do erro.
Não existe “dose segura” de veneno, por isso precisamos ter cuidado com aquilo que permitimos entrar nas nossas vidas. É sábio cercar a nós mesmas e quem amamos com uma compreensão clara do que Deus ensina na Sua Palavra. Depois de orarmos por proteção, podemos permanecer firmes “cingindo-nos da verdade” (Ef 6.14a). Na verdade, devemos vestir toda a armadura de Deus, pois a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra “os dominadores deste mundo tenebroso” (Ef 6.12–17).
Para sermos proativas, podemos aprender a manejar corretamente as Escrituras, conhecendo estas verdades sobre a Palavra de Deus:
- Ela é eterna e imutável (Sl 119.89).
- Ela é confiável (Sl 119.137–138).
- Ela é útil para ensinar, repreender, corrigir e educar na justiça (2Tm 3.16).
- Ela tem origem no próprio Deus pelo Espírito Santo (2Pe 1.20–21).
- Ela será cumprida — diferentemente das profecias dos falsos profetas (Dt 18.22; Mt 5.18; Lc 24.44).
- Ela é compreensível por meio do ensino do Espírito Santo (Jo 14.26; 16.13; 2Co 1.13).
- Ela expressa o que Deus quis dizer e não deve ser alterada (Dt 4.2; 12.32; Pv 30.5–6; Ec 12.11–12; 1Co 4.5–6; Ap 22.18–19).
- Ela possui unidade, não é contraditória nem inconsistente (Nm 23.19; Sl 119.160; Mt 4.4; At 20.27).
- É o padrão para testarmos todo ensino espiritual (At 17.11; 2Co 11.4; 1Ts 5.21; 1Jo 4.1).
Testamos os ensinamentos fazendo perguntas. Esse ensino apresenta Jesus de forma bíblica (Jo 8.24; 10.33)? Esse ensino representa a verdade que vem do Espírito de Deus — conforme revelada na Palavra de Deus — ou vem de outro espírito? A mensagem é coerente com as Escrituras que ensinam a morte física, o sepultamento e a ressurreição de Jesus Cristo e a salvação somente pela graça (1Co 15.1–4; Ef 2.8–9)?
Com o aumento do erro espiritual nestes dias perigosos, precisamos ser corajosas para confrontar falsos ensinamentos com confiança, compaixão e sabedoria. Precisamos conhecer, compartilhar e viver a verdade, orando para que Deus nos use para transformar o coração e a mente daqueles que estão enredados pelas mentiras de Satanás.
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